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Um estudo sobre o crime organizado em Itu.


A análise profunda de uma questão não é algo que está ao alcance de qualquer um, ao contrário, são pérolas raras.

O mundo do crime organizado é um assunto em pauta em jornais, academias, órgãos de segurança, butecos e pontos de ônibus. Mas, apenas um número extremamente restrito de pessoas tem de fato cátedra para falar sobre este assunto. Explanar nossas convicções pessoais é extremamente fácil, mas fazer um estudo profundo sobre este assunto é algo para quem realmente sente prazer visceral em pesquisar e enfrentar desafios.

Do mesmo modo que um policial sente orgulho de suas ações nas ruas e se compraz com os perigos que enfrenta e fazem sua adrenalina explodir, o estudioso orgulha-se desta atividade espiritual cuja função é a de discernir. Sente mesmo prazer nas ocasiões mais triviais em que põe o seu talento em jogo.

Não basta para o sucesso de um estudioso a paixão pelo tema. Uma forte perspicácia tem que fazer parte de seu espírito, tanto que alguns podem até confundir este dom com algo de caráter sobrenatural, mas não, são apenas resultados habilmente deduzidos pelo próprio espírito e essência do seu método que revelam realmente intuição incomum.

Um jogador de xadrez, por melhor que seja, pode analisar cautelosamente uma partida ou sua próxima jogada, não sendo necessário para isso realmente intuição ou coragem. Sua vida e a de ninguém não estarão em risco, mas aquele que se dedica ao estudo do crime organizado coloca em risco muito mais que a maioria das pessoas teria coragem de fazer.

Não vim aqui escrever um tratado sobre o caráter daqueles que atuam nessa área, mas apenas colocar algumas observações que acho pertinente como prefácio de um trabalho que apresentado aqui neste site a partir de 7 de outubro de 2010.

Alguns nomes se destacam em Itu quando o assunto é crime organizado (especificamente o PCC). São poucos, mas brilhantes, não mais que dez – somados policiais civis, militares, guardas civis, promotores de justiça, advogados e juízes. Todos eles tendo uma mente engenhosa e analítica, com grande capacidade de combinar dados e intuir situações.

Conheci a ambos através da leitura de seus atos.

Um deles é o investigador da polícia civil Moacir Cova, graças a ele e ao seu sempre brilhante trabalho os principais líderes do PCC estão atrás das grades. Sua coragem é singular e entre todos o seu nome é reconhecidamente o mais conhecido no meio criminoso – existindo constantemente planos para seu extermínio. Neste site ele e o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze são os nomes mais pesquisados, sendo que o dele as buscas sempre partem das áreas onde estão baseadas as lideranças do tráfico e de onde existem presídios.

O outro nome que conheci também pela leitura dos processos criminais que correm pelas varas de Itu é a do Dr. Gerciel Gerson de Lima. Este por sua vez se destacou pela brilhante defesa feita a diversos acusados por tráfico e roubo, muitas vezes levados até lá pelo próprio Moacir Cova. O trabalho deste advogado é reconhecido dentro e fora dos presídios, e não foram poucas vezes que presenciei outros defensores buscando o auxílio deste para questões específicas sobre o PCC.

O que ambos tem em comum é o reconhecimento de seus feitos por uns e a falta de compreensão por outros. Não acredito eu em anjos e demônios, sei que ambos são profissionais do mais alto nível, e se destacam pela paixão que nutrem pela execução de um trabalho meticuloso e bem elaborado.

Já publiquei aqui várias ações do Moacir Cova e algumas defesas do Dr. Gerciel, mas agora passaremos a trabalhar sobre um estudo feito por este último: SISTEMA PRISIONAL PAULISTA E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A PROBLEMÁTICA DO PCC – PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.

A epígrafe do trabalho já nos dá uma ideia da filosofia do trabalho e reproduzo aqui para terminar, cabendo a cada um analisar o norte a ser seguido pelo estudioso:

O protesto contra os suplícios é encontrado em toda parte na segunda metade do século XVIII: entre os filósofos e teóricos do direito; entre juristas, magistrados, parlamentares; nos chaiers de doléances e entre os legisladores das assembléias. É preciso punir de outro modo: eliminar essa confrontação física entre soberano e condenado; esse conflito frontal entre a vingança do príncipe e a cólera contida do povo, por intermédio do supliciado e do carrasco. O suplício tornou-se rapidamente intolerável. Revoltante, visto da perspectiva do povo, onde ele revela a tirania, o excesso, a sede de vingança e o ‘cruel’ prazer de punir. (Michel Foucault)

Um bom parlamento é condição sine qua non para combater o crime. O crime só tem medo de uma coisa: que a maioria das pessoas entrem na legalidade e ele não tenha com quem negociar. Mas em vez de tentar solucionar a desigualdade e a miséria, de trazer as pessoas para a legalidade, os políticos vivem no oportunismo e no eleitoralismo. (Jurandir Freire Costa)

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