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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

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Um dia na vida de uma família ituana do século XIX.

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Albertina, Terezinha e Balbininha, estudantes do Colégio Patrocínio, com outras irmãs estavam no quarto e abriam as caixas, com as encomendas vindas de Paris, pedidas pelo Catálogo de Modas. Eram lindos vestidos, com laçarotes, anquinhas, sapatinhos, echarpes, chapéus, perfumes, que provocavam exclamações felizes e alegres, e o sonhar com as festas e a missa do Galo, no Patrocínio.

Terezinha correu e apanhou o seu porta-jóias, tirando de lá, os doze botõezinhos de ouro e os doze de prata que todas elas também possuíam, e colocou-os sobre os vestidos, imaginando se não ficariam mais bonitos.

Maria José, a caçula, que viria a ser a minha avó, muito loura, bela e na inocência de seus sete anos de idade, encantada, tudo assistia e recebia também as suas encomendas como também sua irmã Josefina quase da mesma idade dela.

A felicidade seria completa naquela casa, com a chegada dos irmãos que estudavam em São Paulo.
Fernando, estudante de Direito, no Largo de São Francisco e Adalberto que f…

Uma cena na véspera do Natal de 1878 em Itu.

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Na grande sala com paredes empapeladas com painéis, a mesa comprida e retangular quase ocupando o espaço todo em seu comprimento, as cadeiras eram então, ocupadas pelo médico, esposa e filhos.
Grande espelho bisotê refletia a luz e esta cena familiar e costumeira.

Feita a oração de agradecimento, os pratos que Ciriaca preparara, chegavam a mesa e todos num ambiente alegre desfiavam os acontecimentos do dia.

Fatos tristes e de somenos, eram evitados; perturbavam a digestão, dizia o pai.

Os assuntos mais comentados eram: os preparativos para as Festas, a chegada dos irmãos, a missa do Galo no Patrocínio, as encomendas vindas de Paris e a próxima viagem que os pais fariam à São Paulo.

Dona Balbina feliz, então se recordava de que nunca deixara de visitar, quando vinha à São Paulo, a prima Baroneza de Limeira.

Sorria com carinho, ao lembrar-se dela.

Depois do jantar, reuniam-se na sala de visita, onde era servido o cafezinho. Algumas bordavam.
Mais tarde, dirigiam-se para os seus aposent…

João Dias Ferraz da Luz escolheu viver em Itu.

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Recebia para o jantar a família do Drº. João Dias Ferraz da Luz, o pároco da igreja (1)de quem era amigo, e de quem ouvia conselhos sobre problemas e talvez conflitos da própria vida.

Viera o pároco, ansioso e preocupado em evitar que o médico comprasse de uma família amiga, um escravo chamado Nazário.

Disse que este escravo devotava ódio aos senhores, e que prometera matar o primeiro e novo dono que tivesse, diziam ser transtornado das idéias.

Povo sofrido, os escravos sonhavam com a liberdade que vive tão dentro dos humanos e que por ela, tudo fariam.

Porém, apesar do aviso, estava o médico decidido a comprar o escravo, porque já dera a sua palavra e a cumpriria.

Veio então Nazário, para a sua casa assobradada, cheia de janelas que davam para o largo, em frente ao cruzeiro da cidade.

Seu serviço era na estrebaria do quintal, cuidando dos animais, carruagens, as vezes rachando lenha e cuidando do jardim.

Sempre soturno e carrancudo, Nazário era tratado como os outros escravos, com a…

O circo, a política e a segurança pública em Itu.

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Todos os dias fico em frente à tv durante o jornal. Vejo os descalabros cometidos pelo crime organizado: jovens traficando e matando impunemente; e políticos extorquindo e colocando pacotes de dinheiro no bolso. A cada nova eleição, eu como todos os demais acredito e fico atônito por um tempo: analisando propostas, acompanhando gráficos coloridos e ouvindo músicas empolgantes cujo efeito tem duração certa. Depois esquecemos de tudo e seguimos em frente, até o próximo espetáculo. Qual será o político flagrado? Que traficante será preso? Um espetáculo, um circo, do qual eu não participo. Apenas fico assistindo a tv, pois neste show não há espaço para palhaço, só para fumaça e espelhos…

É assim que me sinto ao ler a tese do Dr. Gerciel Gerson de Lima e vejo assim organização criminosa chamada PCC – Primeiro Comando da Capital como um coadjuvante deste grande espetáculo pirotécnico. Aceito o convite feito no texto pelo Dr. Gerciel e permito acompanhá-lo pelo universo criminológico, onde n…

A origem do sistema prisional paulista.

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A situação de nosso sistema prisional é caótico, mas o problema se repete em outros países: havendo mais recursos existe mais respeito ao detento e em outras nações, que estão no mesmo patamar de desenvolvimento que o Brasil, a situação é por vezes muito pior. Em seu trabalho sobre o Sistema Prisional, Dr. Gerciel Gerson de Lima explica que “... a realidade atual vivenciada pelos detentos no sistema prisional brasileiro nada mais é que um reflexo concreto de seu passado...”.

O estudioso lembra que o aprisionamento confunde-se com a própria história da humanidade, mas sua finalidade inicial era a de escravizar pessoas e transformá-las em “propriedade” – era o caso dos prisioneiros de guerra: quando não eram mortos eram presos e escravizados.

Até algum tempo atrás, a prisão era apenas uma forma de evitar a fuga de um indivíduo, já que as penas variavam entre a morte, o suplício, a amputação, a perda de bens, ou trabalhos forçados, como é descrito por Loïc Wacquant em sua obra “As prisõ…

A prisão: do século XVI aos Quaquers americanos.

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Alguns estudiosos da História acreditam que a prisão, vista sob uma ótica relativamente moderna, tem sua origem no contexto das prisões eclesiásticas e nas casas se correição. As primeiras dizem respeito a um posicionamento da Igreja Católica no intuito de punir os religiosos que cometiam infrações, enquanto as segundas tiveram seu início a partir da segunda metade do século XVI; na Inglaterra, estas eram então conhecidas como houses of correction e bridewells; tal fenômeno também se deu na Holanda, no mesmo período, cujas denominações eram rasphuis (para homens) e spinhuis (para mulheres).1

A história da criação das houses of corrections guardam certa semelhança com o caso brasileiro, pois surgiram da necessidade de o Estado determinar lugares para a reclusão de agentes que migravam em massa do campo para as regiões metropolitanas. Fato comum ao modo de produção capitalista atual, naquele momento o mercado também não conseguia absorver toda a mão-de-obra originária do feudalismo e, …

A culpa pelo caos do sistema prisional brasileiro.

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[calculo do sistema prisional brasileiro] em sentido figurado: poucos ricos + muitos pobres = má distribuição de renda; Injustiça social + falta de oportunidades = alta incidência de criminalidade; alta incidência de crimes + déficit em número de prisões = superlotação carcerária.

Os números do DEPEN1 sobre o total de presos no Brasil, de Dezembro de 2007, divulgado no inicio de 2008, informa que são 422.590 de pessoas encarceradas, sendo pertinente observar que aí não estão inclusos os números daqueles que se encontram recolhidos em delegacias.

Observando os números de encarcerados, concluímos que a situação do sistema carcerário brasileiro é extremamente problemática, e nem é preciso um olhar mais crítico para notar que o entrave atinge gradativamente patamares mais acentuados. Diante disso, é possível compreender que as condições de vida nas prisões sofrem maior agravamento e, de acordo com Fernando Salla:

[...] seus principais componentes são: a superlotação de muitos estabelecimen…

O sistema carcerário sempre foi deficiente no Brasil.

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Um retrocesso temporal significativo permite aferir que na cidade de São Paulo, em 1829, já se apontava a convivência na cadeia de criminosos condenados e detentos aguardando julgamento. Redigido por cidadãos “probos”, um relatório da época acusava o espaço físico reduzido na prisão para o número de presos naquele período histórico, bem como o ambiente insuportavelmente abafado. Em síntese, outros relatórios posteriormente apresentados vieram a detectar que os locais onde se mantinham os detentos eram carentes de higiene; além disso, não havia assistência médica, a alimentação era escassa e de qualidade duvidosa, e o acúmulo de lixo transformava o local no exemplo mais fiel à falta de respeito para com a dignidade humana.1

Em 1841, aproximadamente doze anos após a emissão do documento, outro relatório vinha a denunciar as péssimas condições da Cadeia de São Paulo, nos mesmos moldes da análise anterior. À época, Nuto Sant’Anna apontava que:

Este estado de cousas porem não é somente indec…

A prisão do irmão Preto em 2008.

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Eles são eles, nós somos nós. A verdade é algo deve existir entre o branco e o preto, pois existem vários tons de cinza, não existem? Então como ver a verdade entre o que dizemos e o que eles dizem?
A justiça feita pelo sistema abomina aquilo em que nós acreditamos. O paraíso apregoado por aqueles que fazem as leis é contra tudo o que acreditamos desde que nos conhecemos por gente, onde está então o branco, o preto e principalmente o cinza? Mas se queremos crer que existem tons de cinza temos que acreditar que não existam: o certo ou o errado; e a verdade ou a mentira. Então como conciliar...

Os policiais declararam que lá chegaram depois que várias ligações anônimas que foram feitas para o Disque Denúncia da Polícia Militar, mas nós acreditamos que aqueles policiais queriam mesmo era incriminar Júlio César, o Preto, e por isso criaram toda aquela situação.

Eles disseram que Júlio César quando viu a viatura da polícia foi para dentro do portão de sua casa e se recusou a sair,segurando na …

Um passeio pelas biqueiras do Jardim Vitória em Itu.

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É interessante o inverno paulista, onde o sol brilha ardido, faz com que os olhos fechem por mais atento que a pessoa esteja — e naquele dia nem era o meu caso. Meu colega estava próximo a viatura e eu estava preenchendo um talão de ocorrências. Isso foi pouco depois de voltarmos do almoço pela base operacional.

Por instantes fiquei com o olhar perdido ao longe. Estávamos em um local próximo ao Jardim Vitória, talvez o principal ponto de distribuição de drogas na cidade de Itu. Além da venda no varejo, as biqueiras do bairro também fornecem para outros pontos da cidade. Júlio César, o Preto é o irmão maior da cidade (PCC) e lá é sua base.

Naquele momento este não era um problema para mim. Já fazia muito de ficar de olhos abertos o suficiente para conseguir completar aquele talão antes que fossemos chamados para outra ocorrência, o que não tardaria a acontecer. Mas algo me chamou a atenção, eu conhecia aquele rapaz que descia aquela rua próxima ao córrego, era o Dayvison.

Com efeito, …

Chefe do PCC aconselha prudência ao seu filho.

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Respeitar ao pai e a mãe é um dos fundamentos da cristandade, mas hoje em dia não é assim, muitos filhos ignoram os sábios conselhos de seus pais, preferindo agir por suas próprias razões, acreditando muito mais em amigos e no que vêem na televisão do que nas palavras de seus próximos.

Deus em seu livro sagrado repete diversas passagens onde filhos não seguem os conselhos de seus pais e as conseqüências. Se não por respeito aos mandamentos da lei de Deus, pelo menos por respeito à inteligência um jovem deve ouvir a seus pais.

O rei Salomão, um dos homens mais sábios de toda história bíblica insistia aos seus rebentos que deviam segui os ensinamentos de sua mãe: “porque eles serão uma grinalda de graça para tua cabeça, e colares para teu pescoço. Filho meu, se os pecadores te quiserem seduzir não consintas.” Outro conselho de Salomão: “filho meu, não te esqueças da minha instrução, e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles te darão lonjura de dias, e anos de vida e paz.

É…

A central de distribução de drogas do PCC em Itu.

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Já estava dia claro, mas em minha lembrança era uma escura manhã cheia de medo e terror. A família do moto-boyjundiaiensePaulo Rogério, morador da edícula, jurava aos policiais que nunca tinha percebido nenhum movimento estranho na casa da frente. O frio metal das armas dos policias contaminaram suas faces quando deram ordens para que todos não saíssem da casa e fizessem silêncio.

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009. 10:25 Rua Itu 33, Jardim Alberto Gomes, Itu, SP.

Bem nítido em minha memória está a cena daquela casa cercada de policiais. Um deles bate à porta. Chama e apenas o silêncio responde. Dentro da casa estavam a ribeiropretana Juliana de 24 anos e um adolescente.

O rapaz contará depois na polícia que namorava com Juliana há um mês, tendo-a conhecido numa balada no Clube Comerciários. Na noite anterior ele estava com a garota em um barzinho e como não podiam ir para um hotel, visto que ele era menor de idade, um homem que ele não conhecia lhe emprestou as chaves daquela casa p…

O tráfico no Jardim Novo Itu e na Favela do Issac.

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Acompanhei aquele homem ao Inferno, e como Dante Alighieri já havia reparado a descida às profundezas foi fácil, mas assim como ele, eu vi que o difícil seria retornar ao mundo dos vivos.
Júlio César, o Preto, meu companheiro de viagem é hoje um vencedor, governando do Inferno o mundo dos vivos. A Penitenciária de Avaré é o seu lar, e ele é um rei num vale de lágrimas.

Júlio César é um exemplo de sucesso, e se poucos sabem sobre a abrangência e a força do PCC que ele lidera, não é por ser segredo, mas por que ninguém quer ver. Às vezes sinto como se a facção criminosa fosse um espírito invisível, mas até entendo o por quê: se Deus e o Diabo com todo o poder que têm são ignorados como se não existissem, quem dirá o PCC de Itu.

Ouvi outro dia um senhor, que trabalha naquele bonito prédio da Gaplan no Jardim Novo Itu dizer que a Guarda Civil Municipal deveria prender aqueles moleques que se drogavam e comercializavam drogas no grande terreno por lá, e sugeria inclusive à ação tática que dev…