Assassinato no Portal do Éden - Polícia ou PCC?


A justiça é a busca constante do equilíbrio, podemos ver sua face de maneira clara quando dois ou mais lados de uma mesma contenda se unem para comemorar juntos um fato, e assim ocorreu com a brutal morte de Sérgio Pereira da Silva, o "Nei do Portal do Éden".
A população do Portal do Éden temia e com razão aquele rapaz que gostava de provar sua coragem enfrentando a todos e querendo impor sua vontade como a única verdade. Mas o que poucos sabiam é que a cada dia que nascia ele perdia um pouco sua força.
A comunidade onde o tráfico está enraizado pode dar a ele a segurança e a proteção da qual precisa para sobrepujar a lei, ocultando-se, transformando sua luta em uma questão social e fazendo que aqueles que são perseguidos pela lei passem a ser vistos como dignos de ajuda.
Nei desprezava o apoio da população, era muito superior à ela, que se esconde em suas frágeis residências em busca de proteção como baratas que fogem da luz. Ele não, ele era a luz, ele era o poder, mas Nei não viu que sua luz estava ofuscando a si mesmo.

Um homem chorou. Olhava para seus filhos e para sua mulher. Ele não podia mais viver como um rato, pois era um homem trabalhador, esforçado, comerciante, honesto, e agora era obrigado a guardar drogas em sua casa, no quarto das crianças. Era a vez dele, já tinha sido de outros, mas ninguém podia contra Nei.
Ao bancar o destemido, e sabendo-se cada vez mais invencível pisava naquelas baratas que o rodeavam. Sua morte foi comemorada por muitas (não poucas, mas nem todas) famílias do Portal do Éden e da Cidade Nova. Nei precisava ser morto, mas será que comerciantes chegaram a contratar assassinos para executá-lo? Possível!

Mesmo outros traficantes da região da Cidade Nova estavam tendo problemas com ele. Coragem e ousadia é o que não faltaram à ele quando atacou à tiros dois pontos de vendas, um próximo ao sua base e outro na outra ponta da região do Pira. E o pior, os caras não estavam entendendo nada, foi de graça, Nei estava arriscando cada vez mais.

Acreditando-se superior, sua célula autorizada pelo PCC, Primeiro Comando da Capital, atuava independente, sem vínculos com outras células da Cidade Nova que temiam a ousadia e a forma de agir de Nei, que agora colocou a gota que transbordou o copo...
Madrugada de 26 de fevereiro de 2012
– Portal do Éden -
Uma dezena de viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal estão nas ruas do bairro. Um policial militar foi ferido quando sua viatura estava em patrulhamento pelo bairro. A princípio as informações eram desencontradas, falavasse de uma moto com dois indivíduos acompanhados por um veículo com mais dois; outros falavam que além deles existiriam garotos de tocaia atirando nas viaturas que passavam em diversos pontos do bairro. As versões iniciais eram muitas, mas todos podiam garantir que Nei era quem estava no comando.

O que teria ele tentado agora? Uns dizem que trombaram com a viatura ao acaso, outros que estavam fugindo de uma tentativa de rapto frustrada no Condomínio City Castello, além de várias outras versões. O certo é que agora não tinha volta, ele era Deus, ele atirou em polícia, todos sabiam mas ninguém poderia provar.Onipresente, onisciente e acima da lei.
Sua bravata no entanto colocou em risco a tênue linha que separa os campos infernais. E os líderes da facção não poderiam correr o risco. Se uma guerra começasse entre as forças policiais e o tráfico, muitos irmãos e seus moleques morreriam. O dinheiro, Senhor Supremo da vontade dos homens, deixaria de fluir. Nei precisava ser morto, mas será que chegaram a dar a ordem para calar Nei? Possível!
Um policial foi ferido e todos sabiam quem disparou. Não era a primeira vez, não seria a última e ele prometeu aos quatro ventos que mataria e pisaria nos vermes. Ele era o Nei, ele era aquele que a lei teme, ele fazia as leis e os outros cumpririam. Os vermes se arrastariam aos seus pés, mas Nei não perguntou se estes aceitariam viver sob seu julgo. A morte do traficante foi uma execução perfeita, executada por profissionais competentes. Nei precisava ser morto, mas será que policiais chegaram a orquestrar a sua morte? Possível.
O que se sabe ao certo é que Nei foi um dos mais destemidos ladrões e traficantes de Itu. Sua coragem e força talvez fossem apenas uma forma de esconder o medo que sentia, mas talvez não, e se assim o for, a cidade acaba de perder um verdadeiro filho das trevas, que agora está de volta ao seu verdadeiro lar, e por lá quem sabe não contará entre uma cerveja e outra suas aventuras aqui na Terra, até o dia em que foi morto com quinze tiros na rua dois, ironicamente, do bairro chamado Portal do Éden.

E mais irônico é que apesar de tudo a versão mais falada no bairro é que Nei fez um assalto com mais dois comparsas, e achou que era o bom e não quis dividir por igual o dinheiro. Bom, então ficou com tudo o que queria mais um pouco...

A compra e venda de drogas pelo PCC de Salto.

Nem sempre estamos dispostos a trabalhar, e com um blogueiro não é diferente, e neste caso, escreve ele algo rápido contando algum fato que em outra ocasião viraria uma extensa matéria, transformando grandes assuntos em comentários, e fatos em fuxicos. Algo deplorável que mexe com o bom senso e com a paciência de leitores mais atentos. E é justamente o caso que hoje se passará aqui:

Keiti Luiz Von Ah Toyama é o pomposo nome do “irmão Japa” do Primeiro Comando da Capital. Um dia, ele que é morador quase que permanente do Presídio de Avaré, deu uma dura em um camarada que ligou para saber da “fita da maconha”.

Péra lá, se o carinha não aprendeu garantir sua cabeça acima do pescoço ele é que não queria perder a sua, isso lá é assunto para se falar ao telefone?

O chato é que Japa tinha razão – há 50 dias que o investigador de polícia Moacir Cova estava atento às suas conversas, e não perdeu esta também. Mas como é mais fácil falar do que fazer, Japa mandou o cara calar o bico, mas ele...

Conversa vai, conversa vem... se Japa decidiu mudar seu comportamento, mudou só um pouquinho, porque senão ficaria muito trabalhoso fazer os negócios só usando códigos ou através de terceiros.

Uma vez mandou buscar urgente seu brinquedinho que estava na casa de um garoto. Opa! Alguém acreditará em outra versão se não de uma arma escondida com um comparsa? Por sinal dono de um bar que estaria com uma pistola Imbel?

Claro que esta história estava mal contada, mas esclarecerei outro dia. O importante mesmo é saber que se o Japa aprendeu alguma coisa nesta vida, é que não se deve falar sobre armas no telefone, pois pode dar azar e nos dias seguintes seus desafetos acabarem morrendo.

Vixi, que confusão isso poderia dar!!!

Só para não perder o costume... vende por telefone 100 gramas que estão com Delei, e resolve mudar só um pouquinho, afinal alguém o alertou: “tá móio(polícia está pelas proximidades). Então resolve não falar mais nada no celular...

Eu por mim tanto faz como tanto fez, xaropada juvenil, se Japa não fala, outros por ele abrem o bico: Luiz Carlos do Nascimento (irmão Piloto), traficante de Salto, não conseguindo “verdinhas” de Edson Rogério França (irmão Cara de Bola) pergunta se Japa teria...

Maia também não deixou o nome de Japa fora do baralho, não tendo material para entregar para um cliente diz que vai ver se Japa tem alguma coisa. Com amigos assim... Vai ser difícil ficar fora desta.

Por falar nisso fiquei curioso. O Maia já estava devendo para Japa fazia cinco meses, alegando que “tava tudo parado” e ficou de acertar as paradas com juros. Será que já zerou tudo ou foi zerado?

O Fernando de Indaiatuba, que uma vez ligou para o Japa pedindo dez mil reais emprestados para “fazer mercado”. O bom amigo não tinha na hora, mas mandou entregar a grana na casa da mulher dele, a Márcia. Este Fernando também tem outra história interessante, mas esta ficará para outro dia.

A delegada Drª. Márcia Pereira Cruz Pavoni, poderia responder a Palha se Delei era revendedor de Japa, mas o que Palha não perguntou e não sabia, era que o próprio Japa tinha proibido Delei de vender drogas para Palha.

Por sinal as drogas de Japa que ficavam com Delei eram escondidas na casa da irmã de um colega, se ela sabia ou não, eu não sei. O que eu sei é que o PCC provou mais uma vez que é uma organização familiar, injustamente condenada pela sociedade.

Poucos empreendimentos unem tanto uma família como o tráfico de drogas. Conheço famílias inteiras vivendo na mesma ala de determinados presídios. Quer prova união mais sólida?

Por sinal encerro aqui, e como nem sempre estamos dispostos a trabalhar, acabei escrevendo algo rápido, contando alguns fatos que em outra ocasião virariam extensas matérias. E foi assim que um grande assunto virou comentário, e que fatos viraram fuxicos. Algo deplorável que deve ter mexido com o bom senso e com a paciência dos leitores mais atentos. E foi justamente o caso que hoje se passou aqui.

PCC divide área no Morada do Sol em Indaiatuba.

Edgar Allan Poe ensinava que existia uma forma correta para se açoitar uma criança, devia ser da esquerda para a direita, e explicava a razão: se cada golpe, aplicada na direção própria, lança fora uma má propensão, conclui-se que cada pancada, numa direção oposta, soca para dentro sua parte de maldade.

Talvez ele tenha razão. Vejamos: apesar das surras impostas pela sociedade, o tráfico de drogas está cada vez mais atuante. Pode-se perceber que, dia a dia, ele se fortalece e robustece. Agora vejo, com lágrimas nos olhos, que não há mais esperança alguma para o problema, e o erro foi totalmente nosso.
Socamos a criança da direita para a esquerda, e não o contrário.

Em rebento crescido não haverá surra que possa ser dado pelo sistema policial e jurídico que surta qualquer efeito, o mal feito está feito, só nos cabe abaixar e apreciar a divisão dos despojos entre os malgrados, e o bairro Morada do Sol em Indaiatuba pode nos servir como um exemplo.
Edson Rogério França, o “irmão Cara de Bola” é torre do PCC naquela cidade e conversa com Willian Neves dos Santos Vieira, o “irmão Sinistro”, soldado da facção e morador da rua Custódio Cândido Carneiro naquele bairro:

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— O espaço que tem lá na rua 59 é bom, é meu e do Mateus, ta ligado irmão? O irmão Mateus, conhece o Mateus? – pergunta Sinistro.

— Não, não conheci. Você fala o do trailer?

— Não irmão, lá embaixo na 59 , lá embaixo, no trailer é o Marcelo, é outro menino, inclusive ele pega mercadoria de ti. – explica Sinistro.

— Não, de mim não. – se defende Cara de Bola.

— O sol brilha para todos, tenho este espaço lá há mais de treze anos. Agora, um menino meu tava precisando de uma força e eu ajeitei um canto prá ele fazer a caminhada, e o Cláudio agora ta ameaçando matar a mulher dele. Pô, o Cláudio é prá cá, eu sou mais prá lá, pro fundão, sou lá do lado da rua 80 e da rua 78. Já o TG do CECAP é firmeza.

Eu não conheço o Cláudio, portanto eu não posso afirmar que ele tenha sido açoitado quando criança do lado certo ou errado, o que sei é que ele também negocia as drogas oriundas do PCC, portanto deve ter tido as mesmas aulas que os amiguinhos.

Outro dia ele foi mostrar a dura (crack) para Keiti Luis Von Ah Toyama, o “irmão Japa”, mas este não gostou muito não, disse que era um pouco melada, mas Cláudio explicou que é a mesma que não é a da boa, é da comercial, a mesma que ele vende em suas lojas: se quer quer, se não quer não quer, é R$ 10,50 o grama, é pegar ou largar.

Bom, seja como for as crianças cresceram e aprenderam a brincar sozinhas, agora não adianta mais bater do lado certo e nem reclamar o leite derramado.

Roubo em chácara ajuda a esclarecer assassinato.


Ele foi um dos criminosos mais terríveis que aturam na cidade de Itu. O Juverci, o Fio, tinha sangue nos olhos. Hoje repousa em uma cela do sistema carcerário paulista, mas naquele dia ele iria mandar para o inferno uma alma.

Era uma noite de um final de semana como tantos outros, mas aquela deixaria marcada para sempre a vida das pessoas que estavam ali, no Sítio Canguiri, na Avenida Bom Retiro, na Vila Progresso, na simpática e acolhedora cidade interiorana de Itu.

Juverci e seus comparsas Flávio e Gilson mostrarão aquelas boas pessoas um cadinho do mundo negro que existe até mesmo nos mais bucólicos e aprazíveis recantos de nossa grande nação.

Ninguém sabe como eles lá entraram, e a bem da verdade ninguém de fato pôde apontá-los com absoluta certeza como os autores do crime, mas a prova trazida pelo GCM Almeida foi definitiva para a condenação do bando.

O caseiro seu Areno foi o primeiro a ser rendido. Edgar estava na sala da casa principal com a mulher quando foi surpreendido pela entrada daqueles três homens encapuzados arrastando seu Areno. Edgar recebeu uma coronhada e os homens começaram a rapa.

Mandaram que se curvassem e assim foram levados casa de Areno. Um foi pelos fundos e os outros empurraram os reféns para junto da mulher e dos filhos do caseiro. Já haviam levado o que tinha algum valor, mas eles queriam armas.

Henrique, filho de Areno, conta que só costumava vir a Itu nos finais de semana visitar os pais, pois morava em Santa Isabel, e nunca imaginou presenciar tanta selvageria: um dos bandidos entrou jogando sua mãe ao chão, xingando a todos e gritando como se o diabo estivesse em seu corpo. Uma cena aterradora.

Todos ficaram deitados no chão enquanto os assaltantes reviraram a casa, levaram-nos então à casa principal, ameaçando de morte se alguém olhasse para um deles, a esposa de Areno, dona Idenir, foi levada arrastada pelo pescoço. O terror não havia começado.

Vasculharam tudo, queriam armas. Bateram ainda mais em Edgar e seu Areno tentou intervir. Falou que ele já era caseiro ali há trinta anos e se armas houvessem ele saberia. Um dos meliantes então declarou que então ele sabia onde estavam as armas e atirou contra Areno.

O projétil de desfragmentação, a famosa bala dundum, atingiu seu abdômen e ele caiu ao chão gemendo e sangrando – ele sobreviverá, mas nunca recuperará integralmente suas forças, assim como seu filho Henrique que levará consigo para toda a vida as marcas que lhe foram impostas naquela noite.

Depois de colocarem todos os bens na Mercedes preta do dono do sítio, eles foram trancados em um cômodo. Algum dos assaltantes ainda disse para um dos comparsas: “... deixa aí o monzinha para socorrerem o tiozinho.” Mas o socorro só se deu muito mais tarde, quando Rodrigo e os outros reféns conseguiram tirar um dos pinos da porta, irem até um sítio vizinho e acionarem a ambulância.

O GCM Almeida conta que naquela noite Juverci chegou com uma Mercedes preta na casa de sua amásia, Liliane e a matou. Ele a acusava de ter ficado de pilantragem enquanto esteve preso: “... por ser mulher de ladrão, não era justo o que tinha feito.” Ela morreu, e sua morte deu ao guarda municipal a primeira pista sobre o assalto ao Sítio Canguiri, pois uma testemunha viu no local do assassinato o trio: Juverci, Fabinho e Gilson.

Fabio morreu antes de ir a julgamento. Gilson sempre negou o crime, dizendo que já foi processado por latrocínio, assalto e homicídio, mas que na época deste crime estava foragido no bairro Ferrazópolis em São Bernardo do Campo. Já o irmão Juverci, batizado no PCC, conta que estava em Itu, também era foragido naquela época e matou Liliane, mas usou no crime seu Golf preto e não um Mercedes, e que foi injustamente condenado por este assalto, só por que o acusaram de outros roubos de chácaras.

Bem, não foi o que a Drª. Andrea Ribeiro Borges achou – Juverci e Gilson foram por ela condenados a 10 anos e 10 meses de prisão. Eles que já tem pós-graduação em Ciências e Métodos Criminais, terão tempo suficiente para ministrar cursos dentro do Sistema Penitenciário, para que outros, assim como eles possam usufruir das vantagens da vida em comunidade por longos períodos proporcionados pelo Sistema.

O PCC dá oportunidade... é só saber aproveitar!!!


Adriano da Silva Araújo, conhecido por Fusca ou Fuscão, levou um pau danado de algumas lideranças do PCC 1533 de Salto, mas parece que não aprendeu a lição. Passado alguns meses alguém liga para Luiz Carlos do Nascimento, o irmão Piloto, para colocá-lo a respeito da situação:

― Firmeza,... deixa perguntar uma caminhada ai procê aí, cê conhece o Fuscão? É aquele menino memo que tava usando o nome... e tá dando trabalho de novo, lá, cara.

― Então irmão, mas ele ta trabalhando para o irmão Neizinho, cê sabe. O Nei que tá em Avaré. É de Salto, do Jardim das Nações aí. – Piloto.

― Este Fuscão, aí meu, já fui lá trocar ideia com ele, tá ligado? Referente aquelas... que tava usando o nome lá. Aí o irmão lá de cima lá, pediu para dar uma oportunidade para ele, para ele ficar irmão, lá e mostrar o dia a dia dele, que ele tava falando que os irmãos ia batizar ele, pá e tal, mais nem o nome dele tinha subindo tá ligado irmão?

― Entendeu. Quem ia batizar ele irmão? – Piloto.

― Era o... não me recordo, agora era o irmão Neizinho que até eu conheço ele, ele tava lá em Iperó, junto comigo na época lá, é o, e lá de Ribeirão Preto, esqueci o nome dele, aí ele citou dois nomes, do irmão Pakalolo acho que é, e mais um, se eu não me engano até citou o nome do Nei, mas eu não tenho certeza, ta ligado irmão? Aí, veja, se bem trocamos umas idéias e pá e tal, geral chegou na linha ele falou para dar oportunidade para ele, firmeza, foi dado, só que agora o irmão Roberto chegou né mim aqui e falou que agora ele tá marrudinho para caramba lá na cidade de novo, até deu uma facada no pescoço de um menino lá na biqueira do irmão.

― Que é isso moleque? – Piloto.

― Falou que vai entrar na caminhada que quem vai batizar ele é o Nei isso com as palavras do Bad. Só que até agora eu já coloquei uns meninos na bota dele prá gente tá sumariando essa caminhada aí até agora não encontrou ele. Bad ta chegando em mim toda hora pra fala desse moleque que ta dando o maior trabalho.

― Certo, aí irmão eu vou pedir. Cê vai, cê vai trocar uma ideia com ele? Cê vai lá? Com o Fuscão. Vou colocar uns meninos prá achar ele, aí passa teu número e a hora que os meninos acha, te ligo e cê vai lá. – Piloto.

― Isso, isso, coloca aí prá gente ta trocando uma ideia aí prá ta colocando essa bola no chão prá ver o que ta acontecendo né?

― Ta bom. Então, só que se ele tá marrudinho, né irmão, se os meninos for trocar uma ideia e ele pá, os meninos vai sequestrar. Aqui, quem precisa falar com ele. – Piloto.

― Então, o que eu fui lá e troquei as idéias com ele lá na oportunidade que foi dada pra ele então, não tá levando nem consideração né?

― Não tá levando, não soube aproveitar e, é aquele velho ditado, né? A oportunidade a gente dá, mas a pessoa tem que saber aproveitá, né? – Piloto.

― É a oportunidade se dá e é uma vez só né?

― É esse barato ta usando o nome dos irmãos aí, mano dizendo que ele vai ser batizado que vai ser batizado, tem que parar esse barato aí. Eu acho que a hora que ele for batizado, acho que a primeira coisa que o irmão que vai batizar tem que fazer é chegar em você. – Piloto.

― Nós né irmão, e outra. Desse jeito que ta aí, não vai entrar na caminhada, não.

O PCC intervem na disputa por biqueiras em Salto.


Algumas pessoas são profissionais e outra apenas amadoras Adriano da Silva Araújo, conhecido por Fusca ou Fuscão, pode ser considerado um profissional na arte de fazer inimigos e criar problemas. Clayton Luiz Males (Cleiton Luis Males), o irmão Boquinha, um indivíduo respeitado no PCC estava agora a sua procura.

Boquinha é um homem forte, marcado por uma cicatriz no pescoço e com tatuagens por todo o corpo. Seu ganha pão era gerenciar o tráfico no Jardim Santa Cruz em Salto, se bem que declarava-se padeiro, mas foi incumbido de achar Fuscão, segurá-lo e chamar o torre da cidade, Edson Rogério França, o irmão Cara de Bola pra conversar com ele.

Ninguém aguentava mais Fuscão, que virava e mexia contrariava as normas do Primeiro Comando da Capital, invadindo áreas de vendas usando o nome do irmão Pimenta em proveito próprio, e dizendo a todos que estava para ser batizado. Aqueles dias de outubro de 2006 foram marcados pela caça ao garoto mal educado.

Outro que estava no encalço do rapaz era Luiz Carlos do Nascimento, o irmão Piloto, que tinha recebido denúncias que Fuscão estava vendendo drogas em Salto sem autorização do Comando.


Boquinha chegou perto, no dia dezesseis de Outubro o perseguiu, mas o Fuscão “deu pinote prô mato”. Pior sorte teve um de seus moleques que caiu nas mãos de Boquinha e contou que Fusca disse que “ia se jogar dali por que o bagulho ia endoidar prá ele.”


E de fato não prestou. Naquele mesmo dia Boquinha arrastou Fusca para dentro de seu carro e chamou o torre para ter uma conversa tête-à-tête com o rapaz.

Piloto que juntamente com Cara de Bola controlavam o tráfico na cidade de Salto, explica a necessidade de manter a ordem, lembrando que os meninos que trabalham para um traficante chamado Bad Boy, enforcaram um indivíduo de nome Renato e explicando ainda como aconteceu a chacina no o Jardim das Nações.

Explicações à parte, a Guarda Municipal de Salto encontrou Fuscão desacordado, e levado ao hospital ficou internado algum tempo. Cara de Bola sempre assumiu que a ordem para a lição ser dada em Fusca partiu dele.

Mas tem gente que não aprende. Humildade, palavra tão venerada entre aqueles que vivem no mundo do crime, não faz parte do vocabulário de Fuscão. Não se passaram quinze dias do último pau e lá está ele agitando. Agora quem reclamou foi Donizete Rodrigues dos Santos, o irmão Careca, que o Jair da Cidade Nova, que estaria entrando na área que ele gerenciava para o irmão Gilson que estava na P1 de Presidente Venceslau.

Careca manda Fusca falar para Jair fechar as bocas de drogas até Gilson sair e poder tomar uma decisão, mas o que Fusca quer na verdade é agitar, em pouco tempo passa dizer aos quatro ventos que será batizado pelo irmão Neizinho, e entra em uma nova disputa por pontos, mas esta é uma outra história.

O que sei é que Boquinha não poderá agora conversar pessoalmente com Fusca, que mais ligeiro do que este continuava livre. Boquinha foi flagrado comprando cocaína a R$ 6.500,00 o quilo, ou R$ 15,00 o grama já em embalagem individual, e em sua casa na Rua Cláudio Manoel da Costa 1247, no Jardim Santa Cruz em Salto, os investigadores Carlos Augusto Emmanuel Dias Borges e Ramon Bachiega Angelini encontraram em um cesto de roupas no corredor que dá acesso ao quarto, uma sacola plástica contendo: uma porção bruta de crack embalada em plástico amarelo; trinta e cinco embaladas individualmente em plástico branco; uma porção bruta de cocaína em plástico transparente; e vinte e duas embaladas individualmente em papel alumínio.

Algumas pessoas são profissionais e outra apenas amadoras. Fuscão, pode ser considerado um profissional na arte de fazer inimigos e criar problemas, mas Clayton Luiz Males, o irmão Boquinha é quem primeiro caiu nas mãos da polícia.

No inferno haverá justiça para a chacina da Castelinho?


O inferno festejou a chegada de cada um deles. Talvez lá eles estivessem melhor do que quando andavam aqui entre os mortais. Nunca imaginaram terminar assim. Mortos de maneira covarde, nas mãos dos vermes e entregues de bandeja por dois traíras.
Mas justiça existe e eles confiam nela. Um dia aqueles dois vão aparecer por lá, entrando por aquela mesma porta pelas quais agora eles estavam passando. Mas ao invés de serem recebidos pelos irmãos que já morreram serão recebidos por eles, e aí sim: justiça.

O que ia na frente falou para seus companheiros:

“Quando eles chegá, vâmo chegá falando prá fica de boa, nem liga pro que foi... o resto nem existe mais... E aí agente vai levando eles de boa prá contenção, e aí agente prensa os caras na e vamos ver o que eles falam. Pois não tá certo não, tudo tava combinado, tudo tava nos esquemas... Mas agente vai encontrar aqui também aqueles vermes, o papo vai ser reto. Vamos dizer que agente não atirou em ninguém não, que tudo aquilo foi armado. Mas quem foi que armou tudo? Os caras da PM (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi), que disseram que trocaram tiros, são tudo pau mandado, trocaram as mães deles!”

Aqueles doze almas dos mortos na Castelinho na operação policial que estaria desarticulando uma mega operação do PCC, não se conformavam com o que tinha acontecido. O verdadeiro guerreiro morre de pé e lutando, e não daquela maneira, limpos como se fossem sujeira.

Eles tiveram uma morte brutal e seus corpos foram retirados dos lugares para que não fosse possível fazer a perícia. Eram de fato homens perigosos, e quem está no fogo sabe que pode se queimar, o que incomodava aquelas almas era a trairagem que sofreram.

Marcos Massari e Gilmar Leite Siqueira iriam se explicar quando o que tinha ocorrido naquele massacre de 5 de março de 2002, pois se não houve justiça entre os homens haverá entre aquelas almas... mas será que eles vão descobrir realmente quem mandou e o por quê?

Não, eles são pessoas simples, homens feitos por nossa sociedade para viverem e morrerem na ignorância. Nunca poderão ver que aqueles dois traíras que entregaram o esquema, e aqueles vermes que puxaram os gatilhos eram apenas fantoches de algo muito maior:

Acerto de contas no Primeiro Comando da Capital.

Eu sabia que não devia ter me metido naquela enrascada. Sempre disse que vira-latas não se mete em briga de pit-bull, mas falar é fácil, e eu entrei naquele assunto para o qual não tinha sido chamado. Não podia dar outra coisa, dancei.

Desmaiei pouco tempo depois de começar a chutes de todos os lados. Primeiro aquela dor indescritível, minha cabeça voava de um lado para outro, eu ainda sentia isso, não tinha perdido totalmente a consiência. Não procurarei definir, ou descrever o que restava dela. Não era sonho, delírio, desfalecimento ou morte. Havia dor e imobilidade.

Sentia meu sangue quente fluir pelo meu nariz e escorre pelo meu rosto. O gosto do sangue agora era o único que sentia. Sei que respirava, pois a cada inspiração havia muita dor, minhas costelas pareciam facas aguçadas querendo chegar cada vez mais fundo em meus pulmões. Pronto, fui apresentado ao PCC, eu sabia disso.
Em meio a morte, em meio aquela teia de sonhos e alucinações acredito ter ouvido conversas, vozes que contavam histórias e discutiam seus assuntos como se eu não estivesse ali. Talvez imaginassem que eu não sobreviveria, ou talvez só estivessem esperando minha morte para poderem ir embora com a certeza da missão cumprida.
― Endendeu, eu acredito que você vai fazer o que é certo, o que se achá que é certo, entendeu irmão e, tou fechando junto e, é isso. Entendeu, por que tá demais, o mole que ta demais mesmo, né meu a gente sabe que a gente tem certo limite, pra fazer as coisas, mas tem uns caras que tiram da linha, esse daí é o tipo que tira da linha. Eu vi ele trabalhando com o irmão Neizinho, ele tá trabalhando sim. Ta inclusive eu te liguei irmão, por que é o seguinte, tem um outro menino lá que ta trabalhando pro irmão Neizinho. Que é o Maicon, não sei se você já ouviu falar. Outro dia foi numa biqueira aí irmão e pegou lá parece um quilo de mercadoria lá no nome do irmão Pimenta, entendeu, moleque? Sem o conhecimento do irmão, moleque? – falou Luiz Carlos do Nascimento, o irmão Piloto.

― Vai vendo. – respondeu o outro.

― Até uns dias atrás ele trabalhava com o irmão Neizinho. Então é um problema, viu, esses meninos, esses funcionários do irmão Neizinho. Aí moleque. Não, e essa aí é grave, pô, que o movimento ta muito descabeçado lá moleque. – falou piloto.

― Então ta usando o nome do irmão aí, colocando o irmão em BO, aí. – concordou o outro.

― Entendeu irmão. Aí amanhã eu pego o irmão, eu coloco ele na linha pá nóis podê trocar uma idéia, e aí, cê faz uma viagem só prá lá, já vai e já explica o bê-á-bá prá eles irmão, vê o que eles querem né irmão. Por que pelo simples fato deles estar todos eles trabalhando com o irmão, pô eles tão totalmente errados... Mas corre com o irmão então tem que ser no mínimo o bem comportado. Sê viu o outro empregado do Neizinho, o Fuscão, as caminhadas erradas que ele seguiu, num sabe?... – continuava Piloto.

Sabia eu que os dois falavam a respeito dos problemas das biqueiras de Salto, Maicon pegando mercado sem autorização de Pimenta. Ouvi também Piloto dizendo para Edson Rogério França, o irmão Cara de Bola alguma coisa, mas sei como este respondeu:
― Aí o cara, já foi pondo o dedo no peito do “M”, aí o bagulho ficou louco. (Marcelo José Marques, o Tio ou “M”)

― Aí imagino né, não. – Piloto.

― Aí soco prá lá, soco prá cá, aí os seguranças rápido já fecho, já fui embora também irmão.
Acho que eles falavam sobre o Fuscão que estava no hospital mando de Cara de Bola, não tinha adiantado o cara dizer que tinha um salve passado por Sandro no papel. Piloto e Cara de Bola estavam em ordem com a família, Bad Boy estava morto, Fuscão tinha tido sua lição, e eu não sabia onde estava.
Sei que o corvo sobe para quem está com a situação, e que volta cobrar com quem fechou a caixinha em atraso. Sobrevivi, narrei aqui o que vi e senti naquela noite, hoje já não pertenço àquele mundo, do qual fui brutalmente tirado, e mesmo se quisesse não mais poderia voltar a pertencer.

O julgamento do investipol Moacir Cova em Itu.


Já assisti a muitas sessões do Tribunal do Júri, algumas muito importantes; neste aspecto, aquela sessão da quinta-feira, 22 de julho de 2010, não seria diferente. O fato pitoresco foi que não apenas os réus foram julgados ali, mas também aquele que os prendeu, o investigador de polícia Moacir Cova.

Foi um dia muito agitado, houve tensão dentro e fora do plenário: um dos irmãos dos réus presos ameaçou agredir um policial e outro acabou preso. O promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze bradou contra a conduta dos réus, enquanto o defensor buscou, desesperadamente, dar-lhes um resquício de esperança.

Durante aquelas conturbadas horas, apenas agi para o cumprimento de meu dever, sem poder de fato colocar as idéias em ordem, mas, durante a noite, todos aqueles personagens povoaram meus sonhos, tentando me perturbar, repetindo fantasmagoricamente os acontecimentos do dia.

Eu estava exausto demais para poder acordar, portanto deixei aquele espetáculo dantesco dar prosseguimento – a sentença de dezesseis anos de prisão. Foi assim que a Meritíssima Drª. Vanessa Velloso Silva Saad, juíza de direito, encerrou o destino dos assassinos do réu Salvador Luis.

Segundo o que foi apurado no processo, Salvador Luis teria mexido com uma garota que tinha um relacionamento com um dos irmãos Nazário e por causa disso, na noite de 27 de fevereiro de 2007, a injúria  foi paga com seu sangue.

Hildo, o irmão Ildinho do PCC, convidou Salvador para fumarem e, juntos, seguiram até a casa da Pâmela. Um deles quis fazer com ela um programa: ela recusou o convite, mas forneceu a droga a Ildinho. Estranhou que ele tenha se afastado com Salvador para puxar fumo, pois nunca fazia isso. Quando os rapazes se distanciaram, ela entrou em casa.

Na esquina, Evandro, o Vandão, estava à espera dos dois e manteve assunto com Salvador enquanto fumavam. Aproveitando a distração do desafeto, Ildinho voltou à casa de Pâmela e pediu a Danilo uma chave de fenda emprestada, alegando que sua bicicleta havia quebrado.

Ela estranha novamente, pois não o havia visto com a bike. Pamela e Danilo entraram novamente na residência e Ildinho volta até a esquina. Foram momentos de terror para Salvador. Seus gritos por socorro e seus clamores para que parassem de espancá-lo foram em vão.

Vivo, mas sangrando muito, Salvador consegue chegar até a frente da casa de Pâmela, onde cai morto, depois de ter sua cabeça chutada e sua garganta perfurada pela chave de fenda várias vezes.

Dr. Daniel Benedito do Carmo, defensor de um dos réus, tentou demonstrar que as testemunhas estavam se contradizendo pois ora diziam ter sido um, dois, ou três os assassinos; diziam algo à polícia, outra à Justiça, e ainda outra ao Tribunal do Júri.
Como condenar alguém sem provas e apoiados em testemunhas assim? – questionava Dr. Daniel.
Mas o grande mote da defesa foi atacar o trabalho de investigação feito pelo investipol Moacir Cova. Segundo o Dr. Daniel do Carmo, o depoimento chave da acusação, Pâmela, foi conseguido por meio de tortura e ilegalidades. Ela foi levada à força à delegacia e o investigador ficou sozinho com ela, forçando-a para conseguir incriminar os irmãos Nazário.

Moacir Cova estava presente na platéia do Tribunal do Júri e ouvia tudo sem mexer um músculo sequer. E não foi preciso. O promotor de justiça, partiu em sua defesa. Elogiou o trabalho do policial, lembrando que Pâmela confessou graças ao trabalho do investigador; ainda, disse que a Drª. Liliane Gazzola Faus, uma advogada criminalista com vinte e cinco anos de OAB, estava presente no interrogatório da garota, assim como uma testemunha, a escrevente Rosangela, além da própria delegada Drª. Márcia Pereira Cruz Pavoni Silva.

A pá de cal sobre os argumentos de brutalidade policial veio com a apresentação, pelo Dr. Ormeleze, de um DVD com a gravação do depoimento de Pâmela na delegacia. Moacir Cova gravou o vídeo, e as imagens não deixaram dúvidas  quanto a sinceridade da garota ao narrar a história do crime.
Vocês não contavam com minha astúcia! – diria Chaves.
Os jurados da Comarca de Itu não apenas ratificaram o trabalho de Moacir Cova como também mandaram prender uma testemunha trazida pela defesa e que contrariava as verdades postas. Essa, também um Nazário, saiu preso do plenário do tribunal direto para a 3ª DP de Itu e responderá pelo crime de falso testemunho.

O julgamento ocorrido aquele dia, para mim, ficará marcado pelas fortes emoções que provocou em todos; pelos momentos cruciais na vida da família Nazário; pelo julgamento de Moacir Cova e toda a polícia de Itu pelos cidadãos representados pelos jurados; e pela busca pela Justiça.

Os espectros de togas negras e cordões branco, vermelho e preto, cujas faces extremamente brancas povoaram minha noite, não poderiam mais me perturbar – mesmo repetindo, fantasmagoricamente, os fatos que ocorreram durante aquele dia –, pois a Justiça já tinha sido feita sobre aquele caso da Rua Dona Julia, no Jd. Alberto Gomes, eu sabia disso.

Quando a palavra da vítima é tudo o que há...

O senhor solicita pormenores acerca de algum caso em que um juiz tenha se baseado apenas na palavra da vítima. O tempo que disponho não me permite lhe atender satisfatoriamente. Lembro-me, no entanto de uma história um tanto pitoresca...

Os policiais militares que abordaram aquele homem negro, trajando calça jeans e camisa escura, sob a ponte da Rodovia Waldomiro Corrêa de Camargo na altura do Km 60, nunca o haviam visto na vida. Danilo não era um criminoso conhecido.

Hum ano e meio depois, Danilo Pereira Miguel foi acordado às seis horas da manhã pela Guarda Civil Municipal de Itu cumprindo um mandado de prisão emitido pelo Dr. Hélio Villaça Furukawa. Fora condenado a prisão, e tudo começou com uma discussão que teve com a mulher com a qual ele morou durante um ano.
Quarta-feira, 21 de dezembro de 2009. – início da madrugada
Rua Diadema, Cidade Nova, Itu, SP.

Sabe-se que Danilo e Cristiane Aparecida Maciel brigaram, coisa normal naquele relacionamento. Mas aquela noite Danilo, que morava com a amásia nos fundos da casa de seu sogro, foi posto para fora depois que recebeu uma pedrada de Cristiane.

Danilo colocou suas coisas numa mochila e seguiu seu rumo, de bar em bar. Os primeiros galos de certo já estavam cantando, eram quatro e meia da manhã, quando o rapaz parou sob a arvore localizada no trevo da estrada velha Itu-Sorocaba (SP-79), sobre a rodovia do Açúcar. O local era tão escuro quanto seus pensamentos.

Seguiu para o Motel Jhonny’s, bateu na janelinha da guarita e pediu um quarto. Nicéia Barbosa indicou um apartamento, e destravou o portão para que entrasse. Danilo não seguiu para o quarto, contornou o escritório e exigiu o dinheiro. Ela lhe entregou R$ 301,00 e ele saiu tão rápido quanto entrou. Ela também não perdeu tempo e acionou a polícia que chegou rapidamente ao local e capturou Danilo.

A representante do TCB Empreendimentos Hoteleiros, Sebastiana da Silva, recuperou o dinheiro do roubo, entregue pelo delegado Dr. Régis Campos Vieira, e contou-lhe que não estava no local na hora do delito. Apenas Nicéia poderia lhe dizer se Danilo estava armado.

Estamos chegando ao ponto. Danilo nunca negou o ocorrido. Seu advogado, o Dr. Benedito Antônio Barcelli argumentou: que Danilo não tinha a intenção de roubar e só o fez depois quando percebeu que não teria dinheiro para pagar a estadia, que estava alcoolizado, que foi apenas roubo tentado ou talvez até tentativa de furto, enfim, desfilou um leque de argumentos juridicamente plausíveis, mas nem ele negou o crime.

O pomo da discórdia foi: estaria Danilo armado ou não? Nicéia sempre disse que sim, e alega que viu o objeto cinza, “meio alumínio”; o policial não encontrou a arma; e Danilo disse que estava desarmado e só falou para ela entregar o dinheiro, e ela entregou.

Em quem acreditar? O médico legista Dr. Sérgio Costa Brentan não achou sinal da tal pedrada que Danilo teria levado de Cristiane, mas ela não nega a briga. Danilo já teve problemas com a Justiça, mas quando do crime estava empregado e trabalhando na Prefabricado Monjolo Ltda.

Dr. Hélio Villaça Furukawa condenou-o pelo roubo, mas acreditou que seria pouco provável que Danilo tivesse se desfeito da arma naquele pequeno intervalo de tempo, e no benefício da dúvida retirou o agravante do uso da arma de fogo, e permitiu que recorresse em liberdade.

Dr. Barcelli não se conformou com o resultado: “... a grave ameaça... não foi além da fértil imaginação da vítima...”, tese compartilhada pelo procurador de justiça Dr. Edson José Rafael que acreditou que não foi comprovado o uso da arma.

Já promotora de justiça, Drª Mariane Monteiro Schmid questionou como um homem bêbado poderia constranger alguém dentro de uma guarita a entregar o dinheiro se não estivesse armado. Lembrou a forma como ele agiu, dizendo que ele tinha sim um estratagema formado, não foi lá ao acaso. Mas o pior, segundo ela:

“... sua antipatia pelos representes do Estado. O policial militar que participou da prisão, narrou que, ao avistar o acusado, lhe pediu para que ele levantasse as mãos. Danilo, por sua vez, não obedeceu a ordem do policial e ainda buscou se evadir, sendo necessário o emprego de força moderada para impedi-lo. É sabido que o criminoso comum começa praticando pequenos delitos e, quando não encontra limites no ordenamento jurídico, acaba partindo para outros mais graves e lucrativos.”

Os guardas municipais de Itu que estavam naquela madrugada esperando a hora certa de entrar na casa de nada disso sabiam. Apenas cumpriram a determinação do juiz de direito de Itu, que por sua vez se curvou perante o argumento do Dr. Guilherme Gonçalves Strenger, desembargador da 11ª Câmara de Direito Criminal, que aumentou a pena de quatro para cinco anos e quatro meses de detenção, e declarou:

“... Destarte, se a palavra da vítima pode o mais identificar o roubador, seria um contrassenso não admitir pudesse o menos, isto é, comprovar a presença e/ou a utilização de arma.”

Como diria o GCM Eliseu: Intão tá”.

Jogo de azar no Jardim Aeroporto em Itu.

Digo a quem quiser ouvir que para mim existem duas alegrias em viajar para São Paulo: a primeira é quando do planejamento e da expectativa; a segunda é quando de meu retorno. Quando Jandira, Barueri e Osasco vão paulatinamente cercando o veículo, já começa a apontar em mim o desespero em retornar à Itu.

Desta feita cheguei cedo, fiz o que tinha que fazer e como havia escolhido ir de ônibus estava eu na rodoviária da Barra Funda a espera do buzão que me traria de volta ao lar. Hoje não consigo entender como morei durante tantos anos na capital dos paulistas e ainda tinha a pachorra de dizer que gostava de lá.

Estava eu lá com meus devaneios sobre o passado quando fui interrompido por um senhor que veio puxar assunto. Segundo ele era da cidade de Medianeira, que para minha surpresa disse ele ser um município paulista. Falou-me sobre o nascer cavalos e como se criavam em belas e fartas pastagens; convidando-me para conhecer tal paraíso na terra. Eu gosto tanto de conversar quanto de rúcula então dei uma desculpa e ia saindo, mas o sujeito me pediu então dinheiro para completar o valor da passagem.
Difícil!!! Justo para quem foi pedir grana!!!

Sentei-me novamente e contei a ele que conheci em outra oportunidade um outro medianeirense chamado Mário Marujo, mas acreditava que ele era paraense. Tenho dificuldade para decorar nomes, mas outro fácil como este não existe. Pela têmpera de Marujo fazia idéia diferente da cidade, acreditando que era um lugar pobre, pois seu povo tinha que muito lutar para ganhar seu ganha pão, muitas vezes levando vida tão curta quão insuportável, numa miséria terrível, em meio de um calor intenso. Era minha idéia de Medianeira.

Só assim, disse eu, explicaria a força para o trabalho e a dedicação com que Mário Marujo se entregava ao seu comércio, o Bar do Marujo ou Marujo’s Bar, na Rua Antônio Elcio Zaccarias 76, no Jardim Aeroporto. Tanta força de vontade não é comum nos filhos de minha terra, Itu, e eu admiro isso.
Já tive comércio, mas se duas pessoas fossem assassinadas bem em minhas portas eu teria zarpado de lá, mas ele não.

Outro dia o GCM Alberto e o investipol Antunes levaram novamente o comerciante até a delegacia de polícia. O delegado Antônio Carlos Padilha deverá em breve dar um lugar cativo para Mário Marujo que a cada pouco é conduzido para lá, ele e suas máquinas caça-níqueis. Desta vez ele disse que dois homens, Paulo e Marcelo, deixaram as máquinas lá e vinham semanalmente receber duzentos reais e fazer a manutenção, cada vez uma história.
As máquinas Master Line estavam programadas para distribuir parte do dinheiro arrecadado. A perita criminal Edna Aparecida das Neves que examinou estas máquinas explicou que é puro mito que o usuário pode influenciar de qualquer forma o resultado através de habilidade ou manhas, apenas a sorte tem vez nesta máquina. Este aparelho inclusive permite ao seu proprietário interferir na quantidade de ganhadores e qual o crédito a ser distribuído.

Dr. Paulo Donizeti Canova defendeu Marujo argumentando: o comerciante achou que o jogo já tinha sido regulamento pelo congresso, visto que a tv fala amplamente da PEC do deputado Arnaldo Faria de Sá; que ninguém foi flagrado jogando; e só é considerado jogo se o pagamento do comerciante é superior a 67% e neste caso os peritos não conseguiram determinar o valor.
A promotora de justiça Drª. Mariane Monteiro Schmid pediu a condenação do conterrâneo de meu companheiro de espera. Segundo ela as máquinas estavam acessíveis aos freqüentadores do bar, se bem que ocultas atrás de caixas, e mesmo sendo repreendido na Justiça diversas vezes, o que demonstra que Marujo tinha conhecimento da ilicitude de sua conduta, insistia ele em manter o local de jogo.

Como vê, disse ao medianeirense, um homem tem que ser forjado em fogo quente para insistir em cometer o mesmo crime depois de ser advertido em processos diferentes por quatro juízes: Dr. José Fernando de Azevedo Minhoto, Drª. Carla dos Santos Fullin Gomes, Dr. Hélio Villaça Furukawa, e Drª. Andrea Ribeiro Borges.

Desta última vez Drª. Andrea condenou-o a quatro meses de prisão aberta, o que na prática não quer dizer nada, mas não deixou de dizer-lhe que é péssima sua conduta social e seu desrespeito pela justiça.
Levantei-me rápido, afinal faltava pouco menos de três minutos para o Vale do Tietê partir e eu ainda estava no andar de cima.
Fui!

Ops...

Esqueci que o senhor havia pedido dinheiro para completar a passagem. Bem, quem sabe em minha próxima viagem à São Paulo. Agora vou aproveitar a felicidade de voltar para Itu, onde os cavalos são criados em haras com belas e fartas pastagens.

Segurança Pública com respeito ao cidadão.

O respeito ao cidadão como base do trabalho do agente de segurança pública é conseqüência da mudança que nosso país vem passando nas últimas décadas. O trabalho de inteligência e as técnicas policiais têm cada vez mais substituído os antigos processos investigatórios e de policiamento ostensivo.

O Governo Federal busca a humanização das relações entre o cidadão e os agentes de segurança pública dos mais diversos níveis, atuando em várias frentes, como o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e as Conferências de Direitos Humanos.

Refletindo aqui uma tendência mundial, a Guarda Municipal de Itu tem se destacado por atuar dentro dos mais modernos padrões sociais de respeito ao cidadão.

Todo o seu efetivo passou pelo programa de requalificação ministrado na região pela FIEC, seguindo um currículo desenhado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, o SENASP.
As chefias da GCM de Itu acompanham o trabalho diário dos guardas visando direcionar para o policiamento comunitário, ressaltando a importância das relações humanas e dos direitos humanos, com respeito a todos os movimentos sociais.

Alguns dos trabalhos apresentados pelos componentes da Guarda Municipal de Itu, foram utilizados como modelo para outros municípios, resultado prático do esforço do Estado em mudar a filosofia policial. Em Itu praticamente não existem reclamações quanto a atuação dos Guardas Municipais.

Durante a III Conferência Regional de Direitos Humanos que ocorreu na Faculdade de Direito de Sorocaba, GCM Nelson destacou-se entre os membros de congresso, tanto pelo seu posicionamento quanto pela sua atuação. Infelizmente, parte da sociedade, ignora todo o esforço feito pelos membros da corporação, e a atuação da GCM muitas vezes é questionada de maneira leviana.

O reconhecimento do trabalho da corporação, tanto pelos cidadãos, quanto pelas autoridades, ficou claro durante a condução das bandeiras na solenidade de abertura dos Jogos Regionais pelos guarda municipais: GCM Janete, GCM Edna, GCM Lourdes Maria, GCM Hosana e GCM Tártari.

A prisão de trabalhadores em Itu. (trabalhadores?)


Eis-nos, portanto, já de acordo sobre uma questão que foi objeto de disputa durante muitas décadas, e que continuará sendo pelo menos por mais tantas. Não era de espantar que tenhamos, eu e Rodrigo Domingos Sevandija, chegado em acordo, pois procuramos à verdade de boa fé.

Não estávamos discutindo teoricamente coisas que ouvimos dizer, estávamos lá próximos àquelas pessoas que eram alvo de nossas elucubrações filosóficas. Arriscaria dizer que todas elas eram esforçadas trabalhadoras e ao mesmo tempo criminosas.

Se vivêssemos nos anos de chumbo, um período onde o desenvolvimento econômico andava par e passo às horrendas trevas que envolviam as ações policiais, algumas delas, talvez, estariam mortas ou desaparecidas, e com certeza teriam apanhado muito.
Mas este tempo passou e hoje impera a razão; encontramos facilmente o que nos parece a verdade, e ousamos dizê-lo, mesmo sabendo que esta possível verdade não seja mais que um erro ao qual fomos levados – em geral por inocência ou por benevolência.

O farturense Adriane dos Santos Martins é lubrificador na empresa Siadrex e tem uma renda de aproximadamente R$ 1.300,00, muito acima da média salarial do estado mais rico da União, e muito distante da faixa de miserabilidade. Então por quê foi preso?

O mourãoense Alex de Almeida Paiva é inspetor de qualidade da empresa Filaqua Laser e tem uma renda de R$ 1.600,00. Dr. Gerciel Gerson de Lima acompanhou-o em frente ao juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa. Mas por quê ele foi preso?

Ana Lúcia dos Santos foi presa também pelas mesmas razões e assim como os já citados aqui, nunca tinha passado por uma situação daquelas: estar trabalhando, ser presa e tratada como uma criminosa. Não foi humilhada ou maltratada, mas foi detida.

Giovana de Campos Cosciansti é uma exceção, estava assim como os outros trabalhando, mas já respondeu por desacato e anteriormente pelo mesmo crime que estava sendo presa juntamente com os outros: pirataria – CDs e DVDs falsificados.

Todos eles foram pegos na Feira do Rolo da Avenida da Paz Universal na Cidade Nova ou nas imediações, durante a Operação de Combate à Pirataria da Guarda Civil Municipal de Itu, em conjunto com os fiscais de renda do município.

Dr. Hélio Furukawa, assim como alguns colegas seus de magistratura entendem que a pirataria não é de fato uma ação criminosa – é um fenômeno social. A situação de miserabilidade do povo brasileiro levou a criação deste mercado informal.

De um lado estariam pessoas que precisariam desta renda para sobreviver, e de outro, milhões de pessoas que não teriam acesso à cultura devido aos altos preços cobrados pelas empresas fonográficas e as grandes multinacionais de entretenimento.

Quando começamos a discutir sobre este assunto, vendo aquelas pessoas lá, no 4º Distrito policial de Itu, aguardando para depor diante da autoridade policial Drª. Ana Maria Gonçales Sola, tínhamos visões opostas, eu e Rodrigo.

Por meu lado seguia a linha de raciocínio defendida pela Drª. Mariane Monteiro Schimd que luta pelo fim deste mercado que desestimula a criação e os produtores, que investem esforços, dinheiro e muito trabalho para depois verem-se vilipendiados.

Rodrigo Domingos Sevandija por sua vez defendia que o pequeno mercado informal não prejudicava de fato as grandes empresas e os artistas, na realidade suprem uma necessidade de mercado que não poderia ser atendido pelo sistema formal.

Encerrada a operação, o GCM Délcio, o GCM Devanir, o GCM Eudes, Rodrigo e eu trocarmos opiniões por algum tempo sobre esta questão que já foi objeto de disputa durante muitas décadas, e que continuará sendo pelo menos por mais tantas.

Rodrigo e eu chegamos em acordo que aquilo não era problema nosso, se fôssemos chamados a atender este tipo de ocorrência, conduziríamos para a delegacia e delegados, advogados e juízes é que se virassem com suas filosofias e seus movimentos sociais.

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