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Jogo de azar no Jardim Aeroporto em Itu.

Digo a quem quiser ouvir que para mim existem duas alegrias em viajar para São Paulo: a primeira é quando do planejamento e da expectativa; a segunda é quando de meu retorno. Quando Jandira, Barueri e Osasco vão paulatinamente cercando o veículo, já começa a apontar em mim o desespero em retornar à Itu.

Desta feita cheguei cedo, fiz o que tinha que fazer e como havia escolhido ir de ônibus estava eu na rodoviária da Barra Funda a espera do buzão que me traria de volta ao lar. Hoje não consigo entender como morei durante tantos anos na capital dos paulistas e ainda tinha a pachorra de dizer que gostava de lá.

Estava eu lá com meus devaneios sobre o passado quando fui interrompido por um senhor que veio puxar assunto. Segundo ele era da cidade de Medianeira, que para minha surpresa disse ele ser um município paulista. Falou-me sobre o nascer cavalos e como se criavam em belas e fartas pastagens; convidando-me para conhecer tal paraíso na terra. Eu gosto tanto de conversar quanto de rúcula então dei uma desculpa e ia saindo, mas o sujeito me pediu então dinheiro para completar o valor da passagem.
Difícil!!! Justo para quem foi pedir grana!!!

Sentei-me novamente e contei a ele que conheci em outra oportunidade um outro medianeirense chamado Mário Marujo, mas acreditava que ele era paraense. Tenho dificuldade para decorar nomes, mas outro fácil como este não existe. Pela têmpera de Marujo fazia idéia diferente da cidade, acreditando que era um lugar pobre, pois seu povo tinha que muito lutar para ganhar seu ganha pão, muitas vezes levando vida tão curta quão insuportável, numa miséria terrível, em meio de um calor intenso. Era minha idéia de Medianeira.

Só assim, disse eu, explicaria a força para o trabalho e a dedicação com que Mário Marujo se entregava ao seu comércio, o Bar do Marujo ou Marujo’s Bar, na Rua Antônio Elcio Zaccarias 76, no Jardim Aeroporto. Tanta força de vontade não é comum nos filhos de minha terra, Itu, e eu admiro isso.
Já tive comércio, mas se duas pessoas fossem assassinadas bem em minhas portas eu teria zarpado de lá, mas ele não.

Outro dia o GCM Alberto e o investipol Antunes levaram novamente o comerciante até a delegacia de polícia. O delegado Antônio Carlos Padilha deverá em breve dar um lugar cativo para Mário Marujo que a cada pouco é conduzido para lá, ele e suas máquinas caça-níqueis. Desta vez ele disse que dois homens, Paulo e Marcelo, deixaram as máquinas lá e vinham semanalmente receber duzentos reais e fazer a manutenção, cada vez uma história.
As máquinas Master Line estavam programadas para distribuir parte do dinheiro arrecadado. A perita criminal Edna Aparecida das Neves que examinou estas máquinas explicou que é puro mito que o usuário pode influenciar de qualquer forma o resultado através de habilidade ou manhas, apenas a sorte tem vez nesta máquina. Este aparelho inclusive permite ao seu proprietário interferir na quantidade de ganhadores e qual o crédito a ser distribuído.

Dr. Paulo Donizeti Canova defendeu Marujo argumentando: o comerciante achou que o jogo já tinha sido regulamento pelo congresso, visto que a tv fala amplamente da PEC do deputado Arnaldo Faria de Sá; que ninguém foi flagrado jogando; e só é considerado jogo se o pagamento do comerciante é superior a 67% e neste caso os peritos não conseguiram determinar o valor.
A promotora de justiça Drª. Mariane Monteiro Schmid pediu a condenação do conterrâneo de meu companheiro de espera. Segundo ela as máquinas estavam acessíveis aos freqüentadores do bar, se bem que ocultas atrás de caixas, e mesmo sendo repreendido na Justiça diversas vezes, o que demonstra que Marujo tinha conhecimento da ilicitude de sua conduta, insistia ele em manter o local de jogo.

Como vê, disse ao medianeirense, um homem tem que ser forjado em fogo quente para insistir em cometer o mesmo crime depois de ser advertido em processos diferentes por quatro juízes: Dr. José Fernando de Azevedo Minhoto, Drª. Carla dos Santos Fullin Gomes, Dr. Hélio Villaça Furukawa, e Drª. Andrea Ribeiro Borges.

Desta última vez Drª. Andrea condenou-o a quatro meses de prisão aberta, o que na prática não quer dizer nada, mas não deixou de dizer-lhe que é péssima sua conduta social e seu desrespeito pela justiça.
Levantei-me rápido, afinal faltava pouco menos de três minutos para o Vale do Tietê partir e eu ainda estava no andar de cima.
Fui!

Ops...

Esqueci que o senhor havia pedido dinheiro para completar a passagem. Bem, quem sabe em minha próxima viagem à São Paulo. Agora vou aproveitar a felicidade de voltar para Itu, onde os cavalos são criados em haras com belas e fartas pastagens.

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