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A prisão de trabalhadores em Itu. (trabalhadores?)


Eis-nos, portanto, já de acordo sobre uma questão que foi objeto de disputa durante muitas décadas, e que continuará sendo pelo menos por mais tantas. Não era de espantar que tenhamos, eu e Rodrigo Domingos Sevandija, chegado em acordo, pois procuramos à verdade de boa fé.

Não estávamos discutindo teoricamente coisas que ouvimos dizer, estávamos lá próximos àquelas pessoas que eram alvo de nossas elucubrações filosóficas. Arriscaria dizer que todas elas eram esforçadas trabalhadoras e ao mesmo tempo criminosas.

Se vivêssemos nos anos de chumbo, um período onde o desenvolvimento econômico andava par e passo às horrendas trevas que envolviam as ações policiais, algumas delas, talvez, estariam mortas ou desaparecidas, e com certeza teriam apanhado muito.
Mas este tempo passou e hoje impera a razão; encontramos facilmente o que nos parece a verdade, e ousamos dizê-lo, mesmo sabendo que esta possível verdade não seja mais que um erro ao qual fomos levados – em geral por inocência ou por benevolência.

O farturense Adriane dos Santos Martins é lubrificador na empresa Siadrex e tem uma renda de aproximadamente R$ 1.300,00, muito acima da média salarial do estado mais rico da União, e muito distante da faixa de miserabilidade. Então por quê foi preso?

O mourãoense Alex de Almeida Paiva é inspetor de qualidade da empresa Filaqua Laser e tem uma renda de R$ 1.600,00. Dr. Gerciel Gerson de Lima acompanhou-o em frente ao juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa. Mas por quê ele foi preso?

Ana Lúcia dos Santos foi presa também pelas mesmas razões e assim como os já citados aqui, nunca tinha passado por uma situação daquelas: estar trabalhando, ser presa e tratada como uma criminosa. Não foi humilhada ou maltratada, mas foi detida.

Giovana de Campos Cosciansti é uma exceção, estava assim como os outros trabalhando, mas já respondeu por desacato e anteriormente pelo mesmo crime que estava sendo presa juntamente com os outros: pirataria – CDs e DVDs falsificados.

Todos eles foram pegos na Feira do Rolo da Avenida da Paz Universal na Cidade Nova ou nas imediações, durante a Operação de Combate à Pirataria da Guarda Civil Municipal de Itu, em conjunto com os fiscais de renda do município.

Dr. Hélio Furukawa, assim como alguns colegas seus de magistratura entendem que a pirataria não é de fato uma ação criminosa – é um fenômeno social. A situação de miserabilidade do povo brasileiro levou a criação deste mercado informal.

De um lado estariam pessoas que precisariam desta renda para sobreviver, e de outro, milhões de pessoas que não teriam acesso à cultura devido aos altos preços cobrados pelas empresas fonográficas e as grandes multinacionais de entretenimento.

Quando começamos a discutir sobre este assunto, vendo aquelas pessoas lá, no 4º Distrito policial de Itu, aguardando para depor diante da autoridade policial Drª. Ana Maria Gonçales Sola, tínhamos visões opostas, eu e Rodrigo.

Por meu lado seguia a linha de raciocínio defendida pela Drª. Mariane Monteiro Schimd que luta pelo fim deste mercado que desestimula a criação e os produtores, que investem esforços, dinheiro e muito trabalho para depois verem-se vilipendiados.

Rodrigo Domingos Sevandija por sua vez defendia que o pequeno mercado informal não prejudicava de fato as grandes empresas e os artistas, na realidade suprem uma necessidade de mercado que não poderia ser atendido pelo sistema formal.

Encerrada a operação, o GCM Délcio, o GCM Devanir, o GCM Eudes, Rodrigo e eu trocarmos opiniões por algum tempo sobre esta questão que já foi objeto de disputa durante muitas décadas, e que continuará sendo pelo menos por mais tantas.

Rodrigo e eu chegamos em acordo que aquilo não era problema nosso, se fôssemos chamados a atender este tipo de ocorrência, conduziríamos para a delegacia e delegados, advogados e juízes é que se virassem com suas filosofias e seus movimentos sociais.

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