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Roubo em chácara ajuda a esclarecer assassinato.


Ele foi um dos criminosos mais terríveis que aturam na cidade de Itu. O Juverci, o Fio, tinha sangue nos olhos. Hoje repousa em uma cela do sistema carcerário paulista, mas naquele dia ele iria mandar para o inferno uma alma.

Era uma noite de um final de semana como tantos outros, mas aquela deixaria marcada para sempre a vida das pessoas que estavam ali, no Sítio Canguiri, na Avenida Bom Retiro, na Vila Progresso, na simpática e acolhedora cidade interiorana de Itu.

Juverci e seus comparsas Flávio e Gilson mostrarão aquelas boas pessoas um cadinho do mundo negro que existe até mesmo nos mais bucólicos e aprazíveis recantos de nossa grande nação.

Ninguém sabe como eles lá entraram, e a bem da verdade ninguém de fato pôde apontá-los com absoluta certeza como os autores do crime, mas a prova trazida pelo GCM Almeida foi definitiva para a condenação do bando.

O caseiro seu Areno foi o primeiro a ser rendido. Edgar estava na sala da casa principal com a mulher quando foi surpreendido pela entrada daqueles três homens encapuzados arrastando seu Areno. Edgar recebeu uma coronhada e os homens começaram a rapa.

Mandaram que se curvassem e assim foram levados casa de Areno. Um foi pelos fundos e os outros empurraram os reféns para junto da mulher e dos filhos do caseiro. Já haviam levado o que tinha algum valor, mas eles queriam armas.

Henrique, filho de Areno, conta que só costumava vir a Itu nos finais de semana visitar os pais, pois morava em Santa Isabel, e nunca imaginou presenciar tanta selvageria: um dos bandidos entrou jogando sua mãe ao chão, xingando a todos e gritando como se o diabo estivesse em seu corpo. Uma cena aterradora.

Todos ficaram deitados no chão enquanto os assaltantes reviraram a casa, levaram-nos então à casa principal, ameaçando de morte se alguém olhasse para um deles, a esposa de Areno, dona Idenir, foi levada arrastada pelo pescoço. O terror não havia começado.

Vasculharam tudo, queriam armas. Bateram ainda mais em Edgar e seu Areno tentou intervir. Falou que ele já era caseiro ali há trinta anos e se armas houvessem ele saberia. Um dos meliantes então declarou que então ele sabia onde estavam as armas e atirou contra Areno.

O projétil de desfragmentação, a famosa bala dundum, atingiu seu abdômen e ele caiu ao chão gemendo e sangrando – ele sobreviverá, mas nunca recuperará integralmente suas forças, assim como seu filho Henrique que levará consigo para toda a vida as marcas que lhe foram impostas naquela noite.

Depois de colocarem todos os bens na Mercedes preta do dono do sítio, eles foram trancados em um cômodo. Algum dos assaltantes ainda disse para um dos comparsas: “... deixa aí o monzinha para socorrerem o tiozinho.” Mas o socorro só se deu muito mais tarde, quando Rodrigo e os outros reféns conseguiram tirar um dos pinos da porta, irem até um sítio vizinho e acionarem a ambulância.

O GCM Almeida conta que naquela noite Juverci chegou com uma Mercedes preta na casa de sua amásia, Liliane e a matou. Ele a acusava de ter ficado de pilantragem enquanto esteve preso: “... por ser mulher de ladrão, não era justo o que tinha feito.” Ela morreu, e sua morte deu ao guarda municipal a primeira pista sobre o assalto ao Sítio Canguiri, pois uma testemunha viu no local do assassinato o trio: Juverci, Fabinho e Gilson.

Fabio morreu antes de ir a julgamento. Gilson sempre negou o crime, dizendo que já foi processado por latrocínio, assalto e homicídio, mas que na época deste crime estava foragido no bairro Ferrazópolis em São Bernardo do Campo. Já o irmão Juverci, batizado no PCC, conta que estava em Itu, também era foragido naquela época e matou Liliane, mas usou no crime seu Golf preto e não um Mercedes, e que foi injustamente condenado por este assalto, só por que o acusaram de outros roubos de chácaras.

Bem, não foi o que a Drª. Andrea Ribeiro Borges achou – Juverci e Gilson foram por ela condenados a 10 anos e 10 meses de prisão. Eles que já tem pós-graduação em Ciências e Métodos Criminais, terão tempo suficiente para ministrar cursos dentro do Sistema Penitenciário, para que outros, assim como eles possam usufruir das vantagens da vida em comunidade por longos períodos proporcionados pelo Sistema.

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