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Uma família feliz e um assassinato no centro de Itu.


A casa assobradada e cheia de janelas que davam para o Largo, onde se vê o Cruzeiro da Cidade, com suas mangueiras no quintal espalhando as verdes copas carregadas de frutos saborosos, vivia um de seus dias de grande movimento.

Alí, morava o Drº João Dias Ferraz da Luz, mineiro de Campanha, ex-deputado Conservador em seu distrito, pela Província de Minas Gerais, sua esposa D. Balbina de Barros Ferraz da Luz e filhos.

Viera a família da Villa do Patrocínio das Araras, anteriormente de Campinas, e de Pouso Alegre, onde se conheceram e se casaram.

Em Itu, cidade progressista, em grande desenvolvimento, devido a lavoura cafeeira e também pelo Colégio de Patrocínio, das irmãs de São José, que se preocuparam em educar a juventude local e das cidades próximas, o “Sr. Doutor” como o chamava sua esposa, clinicava na Santa Casa e era médico das freiras do Patrocínio.

Nestes dias, que antecedem o Natal, as Festas de fim de ano, D. Balbina e suas escravas prosseguiam na arrumação da casa.

Cortinas, móveis, tudo era limpo e renovado, enquanto no fogão à lenha da cozinha, tachos fumegantes exalavam o perfume dos doces caseiros, que depois de prontos, eram guardados num quartinho, a dispensa.

Não só doces, mas rosquinhas, biscoitos de polvilho, pães, balas e, era chamada quitanda.

Os frangos e o célebre de pernil temperado com a receita da dona da casa, receita esta, que chegou até suas bisnetas, tudo era uma festa para os que participavam desta correria.

Presentes chegavam, enviados por famílias amigas, com cumprimentos de Boas Festas.

Estes presentes seriam retribuídos até o Dia de Reis, 06 de Janeiro, como era o costume da época.

Os escravos, que não eram muitos, já haviam recebidos fatos novos e alguns alegres com os festejos, corriam de cá para lá atarefados, enquanto outros resmungavam baixinho, para que a Sinhá não ouvisse.

O piano da sala, que D. Balbina tocava tão bem, era cuidadosamente lustrado e já se haviam escolhido as duas lindas meninas, filhas de escravos, que em seus vestidos vermelhos de tafetá e com o rostinho brilhando por causa do pouco óleo que se lhes passavam, ficariam junto ao piano emoldurado-o e ao recital esperado.

Isto se repetia todos os anos para a alegria de todos, mas só até aquele ano...
Dr. João Dias Ferraz da Luz, formado em Medicina em 1857, foi eleito deputado geral por Minas, e foi assassinado por seu escravo Nazário em 8 de fevereiro de 1879 em sua casa em Itu juntamente com duas filhas, uma preta e uma pobre senhora.

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