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O assassinato no Jardim Aeroporto em Itu.


Alguém atento veria aquela nuvem negra, do mais puro e lúgubre ébano, pairando sobre o Jardim Aeroporto em Itu. À noite, normalmente escura, estava ainda mais tenebrosa. Olhos menos atentos não reparam nestes sinais que dão conta da presença do cão.

O moto-boy Robert Alves do Espírito Santo como todo jovem, sonha com um futuro para ele, sua namorada e seu tenro filho de apenas seis meses. Robinho sempre viveu em um dos bairros mais perigosos da cidade e não deixava se arrastar para fora da severa jurisdição da verdade, para o campo da superstição, mas talvez devesse.


19h45 - sexta-feira - 15/08/2008
Residência da família de Robinho - Rua Pe. Roberto Godding 553 (a)

O garoto e sua namorada estavam em casa quando Japão, VampetaDiego Marcelo dos Santos Prado, e Thales Santos de Almeida Cunha, chamaram-no para conversar. Não se passará quatro horas sem que um negócio seja proposto, uma pessoa seja morta, e duas sejam presas. Nenhum deles reparou nos sinais da presença do cão, indicadas por aquela nuvem que lá estava.

22h45
Delegacia Central de Itu – Rua Floriano Peixoto

O casal hesitava nas respostas. Moacir Cova, o mais eficiente investigador da cidade de Itu, notou o titubeio. A Guarda Municipal já havia localizado a moto (d), e o GCM Pascoal já a estava trazendo para a DELPOL, mas Robinho ainda não sabia disso.

Segundo o paudalhense Moacir, o rapaz inicialmente contou na delegacia que por volta das 22hs estava na Vídeolandia do Bairro São Luiz (b) alugando filmes, e ao retornar a casa de sua namorada foram abordados por dois indivíduos que lhes roubaram a moto.

Moacir já sabia que um assassinato havia ocorrido no Marujo's Bar (c) na mesma hora em que Robinho disse estar na locadora. Separou o casal e começou a se atentar aos detalhes, buscando fazê-los se contradizer. Ela caiu primeiro, confessou. Ele não teve alternativa, a casa tinha caído.

O casal contou então que Robinho foi procurado pelos quatro homens. Diego e Thales propuseram que o moto-boy trocasse de moto com eles, pois iriam fazer um BO. Foram os seis, nas três motos, até a casa de Goinha e lá camuflaram a moto.

Alguns meses depois, Japa e Vampeta dirão que ao ver a capa preta sobre o tanque prata, se tocaram que Diego e Thales iriam cometer um assalto, e foram embora.

Da casa de Goinha, Robinho e a namorada foram à vídeo locadora com a moto de Diego. Quando voltavam, receberam uma ligação de Diego: “Matei um cara”.

O moto-boy vai até a casa de Diego e resolve dar a falsa queixa de roubo da moto e segue para a DELPOL, de onde sairá preso. Com a confissão do casal, o investipol Moacir e uma equipe da Guarda Municipal vão até a casa de Diego, que também é preso, a arma é localizada, e os outros participantes identificados.

O promotor de Justiça Alexandre Augusto Ricci de Souza acusa então Robinho por participação no homicídio, visto que ele “forneceu os meios para a prática criminosa, embora tenha tido resultado diverso do que esperava”.

Quem se revoltou com esta situação foi o Dr. José Maria de Oliveira, que esclarece que Robinho apenas emprestou a moto e “foi indiciado e preso PASMEM por participação no homicídio, ... morrendo de medo” confessou, por que os policiais ameaçavam prender seu pai, pois a moto estava no nome dele. “Graças a imaginação do policial Moacir” Robinho transformou-se em um delator, que agora teme a morte sua e de sua família.

Continua o defensor: muitos moto-boys protegem o tanque de combustível com uma capa, e não como alega Moacir que ela lá estava para camuflar a moto. “Assim como é fruto da imaginação achar que quando Diego disse que ia fazer um BO, estava dizendo que iria cometer um crime. Fazer um BO pode ser encontrar uma garota ou resolver qualquer problema, nunca, em momento algum quer dizer que se trata de praticar um crime, como de maneira pouco feliz referiu-se o Policial Civil”. O fato de Robinho ter ido até a delegacia fazer a ocorrência do roubo é porque ele acreditou que quando Diego disse que tinha matado alguém, iria fugir com ela, e se alguém tivesse visto a placa acusariam o pai dele.


Diante de tudo isso a juíza de direito de Itu, Drª.
Andrea Ribeiro Borges, resolve relaxar a prisão de Robinho, que retornou às ruas depois de 18 dias no CDP de Sorocaba. Algum tempo depois o mesmo defensor conseguirá que as acusações contra Robinho sejam trancadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Robinho pode ver crescer em paz sua criança, que por sinal é apenas um mês mais velha que Kauane, o filho do traficante assassinado Alessandro Aparecido da Silva, conhecido como Feio.

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