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A organização criminosa expande sua atuação.


Você me coloca em uma posição difícil ao exigir que eu escolha. Não é um direito seu me obrigar a me declarar ingênuo ou idiota. Na realidade talvez eu não seja nem uma coisa nem outra. Agora, se o senhor disser que eu sou hipócrita, alegando que de tudo eu sabia, mas nada fiz para acabar com aquela barbaridade por pura comodidade, talvez seja justo.

O Governador Mário Covas, que Deus o tenha em Seu Reino, bradou aos sete ventos que não existia a facção criminosa que dominava presídios, impondo aos detentos uma lei de cão... Foram sete anos negando até que a realidade chutou sua porta. Muita gente morreu e sofreu enquanto ele tapava o sol com a peneira, e nós, todos nós, incluindo você não queríamos ver.

Agora, o governo nega o restabelecimento do Primeiro Comando da Capital, pois segundo a Secretaria de Segurança Pública, a partir da queda do Geleião sobraram apenas membros isolados trabalhando de maneira desarticulada. No entanto o que se percebe é um crescimento efetivo do poder deste grupo, e todos nós, incluindo você não queremos ver.

São raras as cidades no estado em que alguma facção não tenha completo domínio dos pontos de vendas em seu território, mas a população ainda não conseguiu ver esta realidade, pois aparentemente são os pequenos e pobres rapazes que fazem as correrias que são presos no dia-a-dia policial, exatamente como o governo afirmou, e é o que nós queremos acreditar.

Recente um membro da facção foi preso enquanto agia no Jardim Araras, em Alta Floresta ao Norte de Cuiabá. Segundo o noticioso 24horasnews.com.br o nome do integrante seria Júlio Cézar de Souza, conhecido por Polaco ou Bruxo, que tinha em seu poder um quilo de pasta base, e estaria atuando como garimpeiro na região. Será que um dia saberemos o que de fato lá ocorreu?

Provavelmente não. A polícia busca condenar o indivíduo e esclarecer outros casos correlatos, não tendo interesse em estudar a estruturação social do crime, e é esta fragilidade do sistema de segurança permite que a facção criminosa expanda seus domínios, não de forma estudada e orquestrada, mas de maneira natural e intuitiva, conforme apregoou o governo de São Paulo.

Não é apenas em Cuiabá que membros da facção se infiltram entre os garimpeiros. Aqui em Itu, uma tradicional cidade paulista com quatrocentos anos de história e berço dos colonizadores que formaram Cuiabá, passa pelo mesmo problema. Há alguns anos o Ministério Público do Meio Ambiente de Itu tentou desocupar um bairro chamado Pedreira...

O local é uma pequena favela formada principalmente de pessoas ligadas à lavra. A polícia militar não garantiu a segurança da equipe que faria as intimações sem um planejamento de ocupação, pois aquela era uma área de risco – de fato pedras eram jogadas nas guarnições que por lá apareciam. No fim foi a Guarda Civil Municipal quem convocou a população.

Era sabido que no bairro Pedreira em Itu haviam membros da facção criminosa que utilizavam o local por ser de fácil acesso e ao mesmo tempo longe do controle da polícia. Mas quem é que se preocupava ou se preocupa com a segurança das pessoas que viviam e vivem naquele bairro? Os governadores que negavam a existência da facção? Eu e você? Ninguém!

Não há quem possa resistir às hordas dos criminosos organizados. Os garimpeiros honestos de Cuiabá, os proprietários de Vans que servem o litoral, os flanelinhas dos principais centros urbanos, a população do bairro Pedreira... são dominados como se fossem crianças de berço, enquanto isso, eu e você vamos fazer de conta que acreditamos que a facção está decadente.

Mas na humildade e disciplina cada soldado do PCC está chegando chegando, representando os irmãos do crime, e por tudo isso não é um direito seu me obrigar a me declarar ingênuo ou idiota. Na realidade talvez eu não seja nem uma coisa nem outra, só esteja tentando viver minha vida, mesmo sabendo que pessoas estão chorando em um vale de lágrimas, aqui ao lado.

Comentários

  1. È verdade o que você disse, esta facção se expandiu de uma tal forma que o bairro que não tiver um ou dois no comando estão mentindo,e o pior é que eles atuam de dentro pra fora dos presidios e seus meninos obedecm a risca tudo o que mandam assim fazendo muitas outras vitimas no vício e também em seus homicidios por falta de pagamento por venderem e não receberem. então deveu tem que pagar ou com a vida ou com seu dinheiro

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