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Um caso de extorsão em delegacia de Campinas.

Atuar na segurança pública não é fácil, mas tão pouco é difícil. Se por um lado alguns membros insistem em agir como a velha estratégia policial, onde se misturam corrupção e violência, por outro existe a grande maioria que mesmo recebendo um salário muito inferior ao risco que correm não aceitam se vender.

Eu sou cidadão ituano há mais de cem anos, pois meus avós vieram para cá no final do século XIX e provavelmente estarão meus descendentes por aqui vivendo daqui há um ou dois séculos, desde que eu faça minha parte e ajude minha terra a ser um lugar bom para se viver.

Talvez seja esta a grande diferença que existe entre a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal: enquanto o foco da PM é o combate ao crime, a Guarda Municipal visa melhorar a sociedade onde vive através do seu trabalho.

Outras diferenças existem, ora a favor de uma corporação ora a favor da outra. A GCM por ser oriunda da comunidade em que atua, tende a aproximar-se de políticos: honestos ou não. Que acabam desviando os agentes da lei do cumprimento rígido de suas funções, seja por razões lícitas ou não. O que pode ser positivo ou não.

Por outro lado, esta proximidade afasta-os das negociatas com o tráfico e dos atos de violência, pois sua atuação é cobrada tanto pelas forças políticas quanto por seus próprios membros. Ambos os grupos formados cidadãos da terra, que viverão na pele os erros e os acertos de sua atuação.

Esta introdução, longa por sinal, vem apenas esclarecer que existem diferenças e similaridades entre todas as força policiais brasileiras, havendo homens e mulheres ilibados em todas elas, mas também existem corruptos.

A Polícia Civil não foge a regra, com bons e maus exemplos. Outro dia me surpreendi com a correria feita na Penitenciária de Avaré pelo detento Keiti Luiz Von Ah Toyama, traficante conhecido como “irmão Japa” no PCC, teve que mover mundos e fundos para conseguir grana para tirar de dentro de uma DP de Campinas um comparsa seu.

Terça-feira, 14 de novembro de 2006. 15 horas
Presídio de Avaré – Interior de São Paulo
Japa recebe uma ligação dizendo que os policiais haviam preso Fernando, um peixe grande de Indaiatuba. Poucas informações chegaram, ele não sabia o motivo da prisão, ou melhor, sabia. De outra vez já teve que chorar com algum dinheiro para soltar o colega e desta não seria diferente – era a mesma equipe que estava no DP.

Ele não perde tempo e conversa com Márcia, a mulher de Fernando que lhe pede dez mil reais para ser entregue na casa dela em Indaiatuba, ela apenas sabe que ele foi preso na frente de sua loja, e conta que os policiais exigiram sessenta mil para libertá-lo. Ela entregaria o Audi dele no valor de cinqüenta mil e precisa de mais dez em dinheiro.

Japa suspira, desta vez saiu barato, da outra eles garfaram duzentos mil. O próprio Fernando de dentro da DP fala com o Japa que está no presídio e pede para agilizar o negócio, mas Japa está com dificuldades pois o banco agora já está fechado. Um tal de Luiz entra na linha, cujo telefone é de prefixo 11, e vai tentar arranjar a grana.

Não sei se Fernando no fim foi solto ou não, mas que a correria existiu, isso lá existiu. E vamos convir, que não se deve estranhar quando se houve que determinada entidade sofre represarias do PCC, pois tem gente que faz tudo para merecer.

Por graça Divina ou por bom-senso da população, parte dos profissionais da segurança são muito bem vistas na maioria dos lugares onde atuam de maneira mais efetiva, tanto pelas raízes históricas de seus membros quanto ao número insignificante de denúncias de corrupção. Quiçá isso venha a se propagar por todas as outras corporações.

Atuar na segurança pública não é fácil, mas tão pouco é difícil. Se por um lado alguns membros insistem em agir como a velha estratégia policial, onde se misturam corrupção e violência, por outro existe a grande maioria que mesmo recebendo um salário muito inferior ao de outras corporações não aceitam se vender.

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