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Guardas Municipais como estafetas de delegados.

Temo ainda ousar contrapor-me contra algo que até há pouco tempo eu defendia.

Ah, ainda sinto com prazer os arrepios causados pelo frio das madrugadas, onde meu próprio andar produzia um som hipnótico e tranquilizador, enquanto rondava eu, sozinho, por locais escuros.

Foi a profissão que escolhi: solitária, tenebrosa e pouco reconhecida. Mas gostaria que para sempre ela se estendesse, sem alterações, noite após noite, percorrendo aqueles corredores silenciosos e sombrios. O tempo passou e fui retirado daquela vida simples, mas cheia de emoções e aventuras a povoar minha imaginação.

Para outras missões fui escalado, habitualmente coisas simples e agradáveis: patrulhamento em viatura pelo distrito do Pirapitingui e a pé pelo Centro Histórico, Igreja da Matriz, e vários outros pontos que modificaram para sempre a visão de trabalho deste velho guarda.

Passei a acreditar que os guardas patrimoniais deveriam ser substituídos, pois nenhum deveria trabalhar sem farda ou fora das funções de policiamento.

Se fui sincero quando de início defendi que a função da Guarda Civil Municipal era puramente patrimonial, também o fui quando passei a crer que o lugar dela era exclusivamente fardada e em policiamento. Mas o tempo passou, e vivi outras experiências que me levaram a refletir mais sobre o assunto.

Temo ainda ousar contrapor-me contra algo que até apouco eu mesmo defendia.

Lembrei-me de tudo isso quando Orlando Lurial Gomes Filho defendeu com a mesma ênfase com que eu o fiz no passado, as mesmas ideias que eu antes defendera.

Quando se referiu aos homens e mulheres locados em delegacias e no Fórum, disse: que guarda nada tinha que ir “... fazer média com juiz ou delegado...”.

Foi como se ele estivesse repetindo minhas palavras. Mas o tempo passou, ao menos para mim, talvez pelo fato de eu viver em um município cuja Guarda Civil Municipal esteja mais estruturada e enraizada nas instituições.

Eu vi guardas trabalhando nas delegacias trazendo informações importantes, experiências essenciais, participando de ações conjuntas. A Guarda Municipal de Itu deixou de ser estafeta de delegado para ser peça essencial na segurança do cidadão.

Vi também guardas trabalhando na escolta de autoridades, transmitindo as expectativas de prefeitos, secretários municipais e cidadãos de todos os extremos da cidade. Os líderes municipais chegam a lugares e conversam com pessoas às quais a Guarda Civil, como instituição, não chegaria, e os guardas que lá estão podem ajudar na implementação de ações planejadas e focadas.

Estafetas de juízes há muito deixaram de existir, sendo que hoje se faz um policiamento comunitário dentro dos muros do Judiciário ituano. O planejamento da segurança dos arredores e interno é preparado com conhecimento das pautas futuras. Os casos atendidos pela Guarda Civil são acompanhados até a decisão dos juízes, e seu estudo revela as falhas operacionais apontadas pelos advogados de defesa, assim como, através de acompanhamento em tempo real, permite que alguns pontos que tenham ficado pouco claros possam ser esclarecidos ainda durante a primeira audiência, com documentos ou informações.

Produtivo também é o contato trazido pela guarnição que atua junto à Promotoria Pública. O acesso direto entre esse órgão e os membros da Guarda Civil Municipal tem ajudado a balizar ações da GCM.

No Centro Histórico, alguns guardas civis municipais não apenas guardam o patrimônio cultural de nosso povo, mas servem como instrumentos de contato entre turistas, cidadãos e os diversos setores da Secretaria de Defesa do Cidadão.

Ao tenente Lurial cabe o mérito de fazer com que eu refletisse sobre tudo isso, mas temo ainda ousar contrapor-me a algo que até há pouco tempo eu defendia e, quem sabe, era o correto.

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