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Padre Miguel Dias Ferreira X Padre Miguel Corrêa Pacheco

Não tem como confundir um com o outro, mas é interessante que poucos conterrâneos saberiam quem foi um ou quem foi o outro. Então, vamos lá.

Ambos foram párocos da Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária de Itu, ou Outuguaçu como ainda era chamado na segunda metade do Século XVIII, quando assumiu por aqui Pe. Miguel Dias Ferreira.

Ambos vieram para auxiliar um pároco mais idoso e assumiram depois a paróquia. Padre Miguel Dias veio inicialmente como vigário da vara até o falecimento do antigo titular Padre Félix Nabor em 1750; já Pe. Miguel Corrêa Pacheco veio como vigário cooperador e posteriormente vigário coadjutor assumindo o paroquiato com o afastamento do Padre Luiz Braz de Pinna em 1856.

Existindo portanto quase que exatos 100 anos entre um e outro, e as coincidências acabam por aí.

Padre Miguel Dias Pacheco é chamado pelo historiador e maestro Luís Roberto de Francisco como “padre músico” tendo registro histórico que atuou como cantor e harpista de exéquias, enquanto seu colega foi o responsável pela vinda para a matriz do órgão Cavaillé-Coll comprado por João Tibiriçá Piratininga.

O historiador Luiz Mott conta que Pe. Miguel Dias foi o Comissário do Santo ofício que participou dos inquéritos Secretos e condenações da Santa Inquisição no Convento do Carmo.

Já Pe. Miguel Corrêa se destacou pelas inúmeras obras que fez em benefício da igreja matriz e da cidade, como:

- reforma interna da capela-mor com instalação das estalas para os cônegos;
- uma escola para meninas pobres, com a vinda das irmãs de Chambery que posteriormente assumiram o Convento do Patrocínio;
- uma escola para meninos pobres, que posteriormente foram as bases do Colégio São Luiz e da Escola Convenção;
- vinda das freiras para auxiliar na Santa Casa;
- transferência do antigo órgão da Matriz para a Igreja São João de Deus;
- reforma da fachada da igreja encomendada aos engenheiros Joaquim Bernardo Borges e Ramos de Azevedo;
- mecenato ao pintor Almeida Júnior; e
- compra e instalação das imagens do alta-mór, da fachada da igreja além dos sinos, e as pinturas de Lavínia Cereda.

Pessoa inigualável, era visto por muitos como simplório, dado seu jeito quase caipira e humilde, não misturava política com religião e morreu durante em 1892 vitimado pela epidemia de varíola que varria a nação, mesmo colocando-se em risco, Pe. Miguel Corrêa Pacheco visitava os paroquianos adoecidos levando ajuda espiritual e material a quem precisava.

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