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Mostrando postagens de Dezembro, 2016

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Primeiro Comando: Volksgeist ou Patologia Social.

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Volksgeist é a palavra que afirma que o povo é um ser vivo marcado por forças interiores e silenciosas que segrega uma espécie de consciência popular. Se assim for, o espírito do povo está neste momento com brasa sob seus pés nas periferias das grandes cidades.

Onde adormece o Primeiro Comando da Capital de sua cidade? Não ele não adormece, só estão a espera para mudar a sociedade.
O PCC 1533 é um grupo de homens perseguido por homens. Cada um de seus soldados, de seus moleques, de suas minas, que foram desprezados fora da comunidade e que para sobreviver seguiram o conselho de Nikos Kazantzákis e se uniram aos gaviões, aos falcões, e aos seres selvagens que lhe deram acolhida.

Herder e Savigny, o Primeiro Comando não é uma “força interior e silenciosa”!
Venham olhar de perto e de dentro, venha sentir o sangue pulsando, os dentes rangendo, e os barulho dos tiros. Não, definitivamente não há nada por aqui de silencioso.

Preferem então olhar estritamente de fora e de longe? Então vão …

Encerramento do histórico do acordo PCC e CV.

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O PCC 1533 - Primeiro Comando da Capital soube encerrar com estilo o acordo que mantinha como o Comando Vermelho - CV, mas as relações entre as duas facções já vinha se deteriorando pouco a pouco.

María Martín explicou para o brasil.elpais.com as principais razões desse rompimento foram: a diferença de qualidade no estilo administrativo; a visão global do negócio; e a capacidade de fazer alianças com coerência dentro de todo território nacional.

O Comando Vermelho mantinha em outros estados alianças com outras facções rivais ao Primeiro Comando, participando ou permitindo o assassinato de dezenas de irmãos batizados, como foi o caso relatado pelo brasil.elpais.com no qual a facção amazonense “Família do Norte” comandou o episódio que ficou conhecido como “Fim de Semana Sangrento” onde foram mortas 38 pessoas ligadas ao PCC.

O atraso de pagamentos das drogas e armas fornecidas pelo Primeiro Comando e a busca constante em captar para si os fornecedores primários criavam pontos de atrit…

A guerra entre o PCC ̸ ADA contra o CV.

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A antropóloga carioca Alba Maria Zaluar afirma que há um acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital - PCC 1533, e essa é a razão da queda abrupta dos índices de violência, diferentemente do que acontece no Rio de Janeiro onde várias grupos lutam entre si: Forças de Segurança Pública (UPPs), PCC, CV (Comando Vermelho), ADA (Amigo dos Amigos), e milícias policiais.

Já noticiamos aqui que o PCC deixou de se aliar ao CV e firmou acordo com o ADA para ação conjunta no estado do Rio de Janeiro, Zaluar ratifica essa informação no site ateniense eleftherostypos.gr, e sendo confirmada a mudança de estratégia do líder da facção, o Marcola, a tendência será o acirramento dos conflitos em terras cariocas para os próximos anos até que se alcance um novo ponto de equilíbrio.

A tentativa do Estado de Direito de se impor dentro das comunidades através das UPPs falhou como deixou claro a psicóloga Silvia Ramos, que explica que sem ter as amarras le…

O Primeiro Comando pacifica São Paulo?

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Há alguns dias postei aqui um artigo apontando a drástica redução da taxa de homicídios após os atentados de 2006 praticados pelo Primeiro Comando da Capital. Afirmamos através da avaliação dos números estatísticos que algo em torno de 25 mil vidas teriam sido poupadas no estado de São Paulo nos dez anos que se seguiram.

Danilo Freire, apresentou um trabalho ao Department of Political Economy, King’s College London onde cita que há um grupo de pesquisadores que afirma que desde a ascensão do PCC até o final do período por ele pesquisado (2002 à 2012) teriam sido poupadas 30 mil vidas só no estado de São Paulo.

Em seu trabalho “Evaluating the E‚fect of Homicide Prevention Strategies in Sao Paulo, Brazil: A Synthetic Control Approach” Danilo Freire analisa os dados através do Método de Controle Sintético e conclui que a queda das taxas de mortalidade por homicídio se deu graças a uma soma de fatores onde a mediação da liderança do Primeiro Comando não foi um fator importante.

É fa…

O PCC em Porto Seguro e o mundo líquido.

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Como se dá a associação dos recursos gerenciado pelas facções criminosas considerando que seus protagonistas são membros da comunidade. Essa é uma missão quase impossível de ser completada. Vejamos o caso da Facção Primeiro Comando da Capital PCC 1533 que o cidadão ordeiro e trabalhador assiste pela televisão e imagina ser um problema distante... só que não.

Mesmo que não veja os garotos dos corres que cuidam do tráfico varejista com absoluta certeza possui e sua família e em seu meio pessoas envolvidas: sejam como usuários diretos das drogas ou trabalhando direta ou indiretamente no mercado gerado pelo crime organizado.

A malha está cada vez mais entranhada e dessa forma seus contornos cada vez menos claros, chegando a ser quase impossível dizer onde termina o legal e o ilegal. Zygmunt Bauman discute essa característica de nossa época que vai desde o fim das fronteiras claras de uma nação e cultura até a dúvida se o usuário de drogas ou o pequeno traficante são criminosos ou não.

Nã…

A Força Nacional de Segurança é filha do PCC.

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Um filho bastardo e pouco querido. Assim pode ser a visão que o PCC 1533 tenha de um de seus filhos, a FNSP – Força Nacional de Segurança Pública.

O Primeiro Comando da Capital negará sempre que foi ele quem concebeu essa criança, mas vamos aos fatos, vamos analisar o DNA dessa criança: A FNSP foi criada por que a casa estava caindo e o crime organizado estava dominando cada vez mais, e para piorar a situação havia o Marcola. Ou melhor, o que fazer com o Marcola, pois não havia prisão suficientemente forte para manter a ele e aos outros líderes da facção.

Os estados sempre quiseram ficar com a Segurança Pública em suas mãos, mas e agora que a coisa complicou estavam dando para trás. Kafka nos contou que foi mais ou menos assim:

“O governo com sua politica antidrogas jogou para dentro do sistema os chefes e os soldados do tráfico, mas não foi capaz de mantê-los lá dentro, apesar dos portões permanecem fechados; a polícia e o governo, que antes saíam arrogantes mostrando sangue dos band…

PCC e ADA, antigos inimigos agora são um só.

A estratégia de administração do Primeiro Comando da Capital surpreende novamente e inova ao mudar sua estratégia de atuação no Rio de Janeiro.

Seu velho inimigo o ADA - Amigo dos Amigos passa agora a atuar como aliado. Já estão atuando nas "comunidades cariocas" diversos profissionais da facção criminosa paulista.

A troca de informações e tecnologia deve fazer com que o PCC 1533, supere os números que conseguiu em 2016 apesar da desarticulação de parte de sua rede.

A poeta e palestrante Viviane Mosé cita Marcola como um mestre na administração descentralizada e sua grande capacidade de mudança.

Bem, está aí algo que surpreendeu a todos e explica as recentes transferências para o Regime de Detenção Diferenciada da liderança da Facção, mas que pelo jeito não conseguiu conter a implementação da nova estratégia.

Nuremberg, Coronel Ubiratan, e a justiça ou injustiça.

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“Nuremberg às Avessas”: o Massacre do Carandiru e as decisões de responsabilidade em casos de violações de direitos humanos, é um estudo publicado por Marta Rodrigues de Assis Machado, Maria Rocha Machado, e Luisa Moraes de Abreu Ferreira, no qual discorrem sobre a divisão individual de responsabilidade e os direitos humanos no caso do Massacre do Carandiru. Um belo trabalho publicado na Revista Cultura Jurídicas para o qual deixo um link.

Em determinado ponto elas lembram que o PCC 1533 foi inicialmente acusado de ser o mandante do assassinato do Coronel Ubiratan, hipótese prontamente negada pelo governo e depois descartada nas investigações policiais, o caso é que o Cel. Ubiratan está morto e sua ex-namorada Carla Cepollina, que foi acusada do homicídio foi inocentada. Um crime sem punição.

Sob o título de “A morte da Justiça”, Daniela Arbex escreve: “Dói assistir a morte da Justiça. Precisamos, urgentemente, de esperança e de magistrados que definam a pena não pela cor dos réus e …

Ataques em 2006 do PCC pouparam 25.000 vidas

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Violência e polícia: três décadas de políticas de segurança no Rio de Janeiroé o título de um estudo publicado pela socióloga Silvia Ramos, no qual é discutida a política de polícia pacificadora e a falta de continuidade nas políticas de segurança pública — e olha que quando ela escreveu esse trabalho a casa ainda estava apenas começando a ruir.

(fontes e números da tabela) A pesquisadora elaborou um gráfico comparativo no qual coloca os índices do estado do Rio de Janeiro e o nacional — eu gostei da ideia, e acrescentei os dados do estado de São Paulo. Para ficar ainda mais interessante, incluí números mais antigos, do final do Regime Militar, e só não fui mais atrás pois os dados não seguiam os mesmos parâmetros.

Assim, eu não me preocupo se você é de direita, de esquerda, ou fica no meinho. Você mesmo pode chegar a suas próprias conclusões: se a vida era menos violenta nos tempos do “Rota na Rua” e “bandido bom é bandido morto”, ou agora com maior controle sobre as corporações polic…