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O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando.



O inglês Thomas Hobbes, morto há mais de trezentos anos, volta para nos assombrar. Ele descreveu claramente em Leviatã o discurso de medo e ódio que envolve, acusa, mantém, e protege a organização criminosa Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

A pesquisadora Yara Frateschi durante o Programa Café Filosófico CPFL definiu a concepção hobbesiana de indivíduo como: "indivíduo individualista". Era esta a chave que eu precisava para entender o conceito do que é o PCC como um corpo.

A “Família 15.3.3” é um grupo fechado e muito unido, onde todos se vêem como irmãos e companheiros, mas que ao contrário da auto imagem propagada, se constitui de homens e mulheres mobilizados sobretudo pelo princípio do interesse próprio.

Essa seria a grande jogada de domínio por parte da liderança, pois seus integrantes se tornam presas e algozes do medo e do ódio, e essas são as duas grandes turbinas que geram a energia para o crescimento exponencial da organização.

Na medida em que cada um luta dentro da organização para garantir e ampliar seu espaço encontram forte resistência. A camuflada mas feroz luta interna, forja seus soldados para a guerra ao mesmo tempo em que medo e o ódio esse sistema o fortalece.

Toda essa energia concentrada tem que ser extravasada, mas algumas forças sociais já demonstraram que podem se contrapor, como foi o caso da reação das forças policiais em 2006 que ceifaram centenas de integrantes da facção.

Dessa forma a liderança do Primeiro Comando da Capital, não disposta a seguir para seu Waterloo enfrentando as forças públicas diretamente, optou por concentrar o medo e o ódio de seus integrantes contra as outras facções criminosas.

Pudemos sentir a explosão dessa energia na forma com que seus membros perseguem e matam os membros do Comando Vermelho CV, Família do Norte FDN, e do Sindicado do Crime SDC. Marcola, assim como o Rei Menelau, utilizam razões emocionais para garantir que o medo e o ódio garantam vantagens estratégicas e econômicas.

A metodologia hobbesiana aproveitada pela equipe de Marcola brecou uma guerra declarada contra o Estado brasileiro e contra a sociedade organizada em 2006 em um momento em que a organização Primeiro Comando ainda estava em vantagem estratégica.

A força moral conquistados durante os ataques não foi perdido e os lucros foram capitalizados na estruturação da nova estratégia. Em pouco mais de uma década quase todos os estados brasileiros estão sob o domínio do PCC e agora os países fronteiriços começam a ser invadidos.

O inglês Thomas Hobbes mostrou o caminho para a liderança do Primeiro Comando, no entanto, Isaiah Berlin, outro inglês, diz que é questão de tempo para esse esquema falhar simplesmente por que nenhum projeto de perfeição sobrevivem por muito tempo.

Os interesses individuais de cada um da liderança e de cada um de seus liderados entrarão em conflito constantemente até um ponto de ruptura irreversível, no entanto até esse momento o crescimento será vertiginoso.

Da mesma forma aqueles que se contrapõe e lutam contra a facção paulista também utilizam-se do discurso do medo e do ódio.

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