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A mulher do Acre: a acadêmica e a guerreira do PCC



É possível levar a sério um artigo acadêmico sobre a violência e a criminalidade urbana em um estado que é só selva? E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher? Este é o caso de Retratos da Violência Urbana e da Criminalidade em Boa Vista — Roraima: A capital mais setentrional do Brasil, de Janaine Voltolini de Oliveira.

Nossa! Me senti agora como Monteiro Lobato!

Você já leu o livro Éramos Seis, de Maria José Dupré? Quem prefaciou a edição que li foi ninguém menos que Monteiro Lobato, ícone de nossa história, responsável por parte da formação cultural de nossa nação, que no prefácio não se vexou em contar que recebeu de seu editor o original do livro de Dupré que narrava a vida de uma mulher que cuidava e seus filhos, desde pequenininhos até a fase adulta — ele se recusou a ler a obra, pois tinha sido escrita por uma mulher e a premissa era ridícula.

Após muita insistência do editor, Monteiro Lobato, acabou lendo e se apaixonando pelo trabalho da autora (assim como eu).

Janaine não é Dupré e eu muito menos sou Monteiro Lobato, mas Dupré não podia prever que Lobato não iria querer lê-la por ser mulher, e Lobato não poderia prever que em cinquenta anos sua obra quase seria proibida por ser sexista e racista, assim como Janaine não poderia prever que um leitor seu chegaria a estas conclusões:

O artigo publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP faz uma avaliação do quadro de violência em Roraima e analisa seus números, apresentando as possíveis causas e soluções para o problema. É um bom resumo do que acontece por lá e um facilitador para quem quer fazer uma análise rápida, mas não profunda, da situação do estado.

O que falamos sobre as mulheres neste site  → ۞

A questão da mulher me chamou a atenção assim que peguei o trabalho de Janaine para ler — pensei em criar uma cota para a produção masculina nesse site, pois quase todos os trabalhos que fiz no último mês foram produzidos por mulheres ou o assunto eram as mulheres dentro da hierarquia do PCC.

Não acredito no acaso, e muito menos duvido dele.


A pesquisadora demonstra no artigo o aumento brutal do número de mulheres assassinadas — o Mapa da Violência 2015 denunciou o aumento de 500% da quantidade de homicídios de mulheres em Roraima em relação aos anos de 2003 a 2013. Os números demonstram o aumento da presença das mulheres, que estão dominando cada vez mais todas as áreas.

Quando Janaine escreveu o artigo, não poderia prever que trouxesse, a um de seus leitores, a lembrança de maneira tão viva de uma irmã ou companheira do PCC, que teve seu áudio viralizado um pouco antes dos ataques ocorridos no início de agosto de 2017 em Rio Branco:
Aqui o bagulho tá feio mesmo. Eu sou do Acre, só que os irmãos não estão muito unidos não. Mataram meus companheiros lá. Até perder meu filho já perdi. Tudo por causa dessa guerra. Agora os irmãos tem que tomar atitude aí. Tem Irmão encurralado aí.Tem que ajudar Irmão.

Na voz, uma mulher, fiel de sangue ao Primeiro Comando da Capital, e seu pedido de apoio mobilizou soldados e recursos da facção de diversas partes do Brasil — a situação que estava quente, ferveu, sendo necessária uma operação de guerra envolvendo o governo estadual e federal para conter a situação.

Monteiro Lobato teria que se conformar: a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje elas já escrevem tanto quanto os homens sobre a questão criminal, e com o incremento em torno de 1,5% ao mês do número de integrantes femininas nas facções. Dentro de cinco anos elas possivelmente já estarão em pé de igualdade com os homens.

Vídeo da execução de uma guerreira rival do PCC  → ۞

Eu não vou esperar tanto tempo para parabenizar as mulheres que conquistaram o direito de morrer como se fossem homem. Mary Wollstonecraft e Nísia Floresta devem estar muito satisfeitas com as conquistas das mulheres neste século.

Publicarei em breve um texto sobre um artigo de Robert Muggah, que assim como Janaine foi publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP, também conta com fontes recentes, e da mesma forma que ela ignorar a importância dos aliados locais.

Creio que ambos tinham conhecimento da existência e da importância das alianças locais, mas optaram por não publicar em um trabalho acadêmico por falta de comprovação científica verificável, desta forma faço um mea culpa e passo a publicar com a tarja Aliados News na página, Últimas Notícias, atualizações dos aliados do PCC: GDE, B13, ADA, e TCA.

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