Pular para o conteúdo principal

Postagens

última publicação:

A Facção PCC e a “Paz entre ladrões”

Júlio Verne e como a facção PCC impôs a “paz entre ladrões”1999 — Chega ao fim o século 20Estávamos para colocar os pés num futuro utópico no qual a humanidade chegaria em seu ápice moral e tecnológico… não… espera!Durante séculos, a humanidade sonhou que esse futuro brilhante e longínquo se daria no século 20, e não no 21 — entre tantos, Jules Gabriel Verne.1999 — Periferia de São Paulo“… um cenário bastante caótico, onde grupos fragmentados estavam inseridos em diversas cadeias de assassinatos, que giravam ao redor de conflitos interpessoais, retaliações e vinganças, em uma espécie de ciclo vicioso de homicídios e agressões que colocava a capital paulista entre as mais violentas do Brasil” — Bruno Paes Manso1879 — France-Ville USAJúlio Verne já ouvira falar da Província de São Paulo, que, com suas plantações de café, clima agradável e vilas pequenas com casas arejadas e esparsas, poderia ser uma alternativa tupiniquim para sua idealizada cidade de France-Ville, descrita em “Os quinh…
Postagens recentes

Pesquisa sobre o Primeiro Comando da Capital

A facção PCC 1533, Lavoisier e o pêndulo de NewtonPara entender o porquê de o Código Penal do PCC, a lei real do narcotráfico brasileiro, atrair tanto os garotos da classe média quanto os mais perigosos criminosos sul-americanos, William Henrique Silva e Caio Augusto Souza Lara se propuseram a pesquisar o tema.

É um orgulho para a Família 1533 ver sua ideologia se espalhar: a lei do certo pelo certo, na qual o errado é cobrado. No entanto, nem todos nos lembramos como tudo começou, mas foi mais ou menos assim, como eu, com a ajuda de Lavoisier, vou contar para você…

Como previsto por Lavoisier:

“Nada se cria, tudo se transforma”, seja na natureza ou na sociedade, e a facção PCC nada mais é do que um fenômeno social resultante de uma cadeia de eventos que transformou a energia de um impulso inicial — como em um pêndulo de Newton.

Tudo começou durante o Regime Militar…

Imagine uma mão soltando a primeira bolinha do pêndulo de Newton…

José Carlos Gregório, o Gordo, um dos fundadore…

A Facção PCC 1533 e o uso de explosivos

No paiol do PCC: lançadores de granadas e foguetes
Artefatos explosivos são amplamente utilizados pelo PCC 1533: desde uma granada atirada contra uma viatura durante uma fuga, passando por assaltos à caixas eletrônicos em supermercados, até as megaoperações contra empresas de transportes de valores e em resgate de presos em penitenciárias de segurança máxima no Brasil e no exterior.

“O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi assinalado pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) por possuir granadas, lançadores de granadas, petardos (tipo de explosivo), foguetes, lançadores de foguetes, metralhadoras, pistolas e artefatos explosivos improvisados. A apreensão desses artefatos foi feita pelo DPF em Pradópolis/SP, a 320 km da capital do estado, e chamou a atenção da mídia e autoridades de segurança pública quanto ao alto poder de fogo e destruição dos explosivos.”
É o que nos conta os pesquisadores Tiago Mesquita Feitoza e José Alves Júnior, especialistas em segurança pública, sendo um civ…

Quem controlará o covid19 no sistema prisional?

A facção PCC 1533 e o covid-19

No dia 16 de março o Primeiro Comando da Capitaldeterminou rebeliões e fugas em diversas unidades prisionais; no dia 17 de março o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Recomendação 62, que determina a soltura seletiva por conta do covid-19.

Encarcerados do grupo de risco e daqueles que não tenham sido julgados e que não estejam respondendo por crimes violentos devem ser soltos e aguardar o julgamento. Não foi apenas no Brasil que os governos escolheram soltar presos de baixa periculosidade para evitar a propagação do vírus dentro dos presídios.

O pesquisador Steven Dudley no artigo Latin America’s Prison Gangs Draw Strength From the Pandemic analisa esse fenômeno.

A pandemia e o fortalecimento da facção PCC 1533

Trechos do artigo de Dudley:

– linque para o artigo original no Foreign Affairs – 
A América Latina enfrenta uma potencial crise em suas prisões à medida que a pandemia desce. As instalações prisionais na região estão transbordando.

O…

A facção PCC 1533 no nordeste do Paraguai

Estamos sozinhos: eu e ele.

Da porta do meu quarto o vejo em minha cama, deitado, com a roupa suja de sangue. Seu cheiro se espalha pela casa: uma mistura de suor, sangue, goró e crack. Será que esse é o verdadeiro cheiro do demônio, e não o enxofre?

Mesmo dormindo, seu rosto é puro ódio. As luzes estão apagadas, e com essa quarentena por causa do covid-19 a penumbra e o silêncio são ainda mais profundos.

Ele vira o rosto na minha direção, de olhos abertos. Eu gelo! Porra de susto! Ele está é dormindo com olhar noiado e respiração rápida e profunda – coisa do demônio!

Volto pelo corredor, esperando não vê-lo até a hora de ele ir embora.

Não o convidei.

Me ligaram avisando que alguém iria se mocozá aqui até amanhã.

Ninguém é obrigado a fazer nada na Família 1533, no entanto, a recusa é notada. Por outro lado, sempre rola um dinheirinho que ajuda pagar as contas.

Antes de amanhecer, ele seguirá para o departamento de San Pedro, no Paraguai, onde se juntará aos PCCs na escolta de…

Cai um PCC vem outro no lugar

I – O DIÁLOGO

Ainda está escuro.

Marcel senta ao meu lado no beiral da escada, me entrega um copo com café que Sônia acabou de fazer. Mal dá para ver o marido dela ali perto cuidando dos animais, a escuridão da noite só não é mais profunda que o silêncio – ouve-se ao longe apenas um galo.

Não conversamos desde que entramos no carro em São Paulo, e nem o casal falou conosco quando chegamos noite passada naquele sítio em Marialva – o marido de Sônia apenas mostrou a cozinha e onde deveríamos dormir e se recolheu.

Desligamos nossos celulares antes de pegar a estrada, e ainda continuam desligados, o que aumenta o peso do silêncio. Marcel me diz, com olhar distante:

— “Vou seguir. Para lá não volto”.

— “A gente continua cuidando da sua família”, respondo.

— “Só agradece”.

— “Você sabe que te deixo aqui”.


Ele não responde. Me levanto e me despeço do casal com um aceno, mas eles também não respondem.

Entro no carro e sigo pela estradinha de terra vermelha uns dois quilômetros até a vi…

Venda de drogas na escola, pode?

O Dri do PCC 1533, a escola e o estuprador
Ao ler o conto “Mundo Novo” revivi o dia no qual Dri da Vertente garantiu seu lugar como companheiro da facção Primeiro Comando da Capital:
A luz do sol não era muito intensa e a tarde já cedia lugar para a noite quando a primeira paulada lhe atingiu o ombro. Ele não gemeu, mas em um gesto que demonstrava dor levou a mão ao lugar atingido. Seu rosto expressava um medo intenso. Tentou fugir, mas o empurravam de volta…Jota Alves descreve tão bem a cena que parece que estava lá ao meu lado quando o Dri matou o homem acusado de ter estuprado uma menina da comunidade ─ Dri tem 13 anos de idade, mas é maior e mais forte que a maioria dos adultos.

Ele não foi chamado para aquele Tribunal do Crime, mas chegou e pediu para ele mesmo fazer a justiça, o que só depois de muito debate com a liderança foi autorizado, mas o garoto se mostrou à altura da responsabilidade.

Não foi bonito de se ver.

Dri brincou com o cara que, apesar de ser adulto, não era…