"O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia."(Millôr Fernandes)

Tentativa de assassinato no Reveillon em Itu.


Não teve como Tiago explicar a facada nas costas. Sua advogada tentou de tudo – a melhor tese foi legítima defesa – mas como convencer os jurados naquela situação?

O dia 1º de janeiro de 2009 foi o último réveillon que o jovem Tiago comemorou em liberdade. Ele sempre foi corajoso quando em quando se metia em confusão, foram diversas suas passagens pela policia quando menor de idade e agora com a maioridade resolveu comemorar com tudo que tinha de direito.

O sol já tinha raiado, eram quase nove horas da manhã, mas ele ainda estava comemorando ali pela Padaria Spina na rua Dr. Ulisses de Moraes 208, no Jardim São Judas Tadeu em Itu.

Tiago conta que “... já tinha bebido a noite inteira e depois estava bebendo na padaria”, quando resolveu ir até um grupo de homens que estavam sentados conversando em frente ao estabelecimento para desejar-lhes um Feliz Ano Novo, mas um deles o enxotou de lá.

O rapaz nunca foi de levar desaforo para casa, mas daquela vez achou melhor pedir desculpas e sair de fininho. Voltou para dentro da padaria e questionou um conhecido a razão da atitude daqueles homens para com ele, e ainda inconformado foi embora.

Segundo ele, no caminho encontrou um amigo e contou-lhe que estava sendo ameaçado pelos homens que estavam em frente à padaria, e este lhe forneceu uma faca e uma camiseta, sob a qual teria ocultado a faca. Aí vem uma contradição, pois ele e sua defensora durante o processo afirmaram que esta faca estaria sobre o balcão e foi pego apenas para se defender de um ataque inesperado por parte dos homens.

O fato é que voltou a padaria e encarou Gilmar, dizendo que não tinha medo dele e queria saber o motivo pelo qual ele não o queriam lá. Quando o homem foi se levantar, já foi recebido com uma facada. Neste ponto também existem divergências, afinal o ferimento foi nas costas, portanto não tem cabimento a afirmação dele de que o homem estava vindo agredi-lo, por outro lado também a realidade não avaliza o argumento do promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze que ele foi surpreendido quando se levantava.

Seja como for, Gilmar ficou ferido, e seus amigos Oséias e Érico, que tentaram ajudá-lo também sofreram diversos ferimentos. Contaram aqueles que assistiram à cena que Tiago brigou como um louco, mas a superioridade dos homens fez com que fosse derrotado e apanhou então feito gente grande. Com a chegada da polícia foi encaminhado para a Santa Casa de Itu e de lá para a delegacia de polícia.

Um ano e oito meses se passaram até sair a condenação pelo Tribunal do Júri por tentativa de homicídio: cinco anos e quatro meses em regime inicial fechado.

Tentativa de linchamento na véspera do Natal.


Por volta das 23h30m os dois vizinhos saíram de suas residências, no bairro Salto de São José em Salto. Pelo caminho até a estrada as casas estavam iluminadas pelas luzes e vozes festivas do Natal, era a noite de 24 de dezembro de 2008.

Seguem eles pela Rodovia SP79 no velho caminhão Mercedes Bens 1313 amarelo de Odair José Miranda. Apenas um trecho de trevas separa as duas cidades: a baixada da Usina da Concretex, onde pelo retrovisor a cidade de Salto está oculta pelo moro da Rádio Cidade, e a frente, a cidade de Itu esconde-se atrás do morro do Portal de Itu.

Odair e Ricardo não observaram nada de diferente aquela noite, mas deveriam. Véspera de Natal é quando as pessoas mais querem ficar com suas famílias, e naquele trecho daquela estrada muitas famílias foram desfeitas. A morte as ceifou naquele trecho, e muitas destas almas por lá permanecem, apenas esperando incautos viajantes.

A quietude da estrada imersa na mais pétrea treva deveria ter sido um alerta, que algo de ruim estava a ocorrer, mas ambos só pensavam em se divertir longe de suas famílias. Talvez alguém que não possa mais estar com seus entes queridos numa data tão especial, não tenha se conformado com isso, e naquele trecho embarcou na boléia.

Odair contará depois que sua intenção era chegar até o Extra Hipermercado de Itu, um caminho praticamente impossível de se errar, são três linhas retas apenas. Odair se perdeu, rodou em círculos e retornou até próximo a Estrada Velha Itu Salto, caminho de casa e sua chance de voltar para o aconchego de seu lar naquela véspera de Natal.

Na Delegacia de Polícia, Ricardo Freitas descreverá assim aquele momento: “ao passar pela Favela do Isaac onde estava acontecendo uma festa, e acenaram para nós, chamando-nos para o churrasco”. Calipso acenou com a imortalidade para Ulisses, as sereias tentaram-no com um oceano de prazeres, mas aqueles dois amigos foram tentados por churrasquinhos.

Ulisses resistiu , mas Odair e Ricardo não. Contaram mais tarde que beberam e conversaram por horas com os seus novos amigos, seleta companhia que em breve tentariam linchar a Ricardo.

Um baque, uma história mal contada, apenas os dois poderão dizer ao certo o que aconteceu. Ricardo Freitas dirá que ainda estava conversando quando o caminhão desceu a rua sozinho, atropelou Aline, uma moradora da comunidade, e danificou alguns barracos.

Odair fugiu dali e para fugir também de sua responsabilidade, correu a polícia para dar queixa do roubo do caminhão. Não contava que uma viatura policial tivesse localizado Ricardo e ele tenha sido acusado pelo roubo do veículo. Odair não estava entendendo como tudo isso podia estar acontecendo.

Aline, a vítima do atropelamento seria presa ainda àquela noite por tráfico de drogas, seu amigo que quase foi linchado pela população estava em frangalhos e ele condenado a uma multa de mil reais por falsa comunicação de crime à polícia e teve seu caminhão rebocado e batido. Tudo em uma Noite de Natal.

Odair e Ricardo não observaram nada de diferente aquela noite, mas deveriam. Véspera de Natal é quando as pessoas mais querem ficar com suas famílias, e que sempre pode existir algo que nos tente lembrar o verdadeiro Espírito do Natal.

O investigador Moacir Cova é acusado de tortura.


Muitos tentaram em vão derrubar aquele homem, pois não havia antro em Itu em que ele não houvesse penetrado, e em cada um deles ao sair deixava sua marca. Se as trevas tremiam ante a sua chegada, Hildo (Ildinho ou Vandão) tinha suas razões para declarar à juíza que não mais saía de casa de medo de apanhar daquele que o perseguia pelo seu negro passado.

É triste ver um homem adulto com medo de apanhar, mas a vida da marginalidade é um deserto árido e perigoso, onde os lobos andam nas pontas das patas, e mesmo assim a maioria sucumbe ante as víboras que por lá vivem. Hildo temia a repressiva força policial, mas um homem especialmente lhe dava arrepios: o Investigador de policia Moacir Cova.

Um garoto de treze ou catorze anos também disse a todos que o investigador o apertou pelo pescoço e o agrediu. Este jovem e sua família, cuja lei protege o nome, têm um histórico criminoso invejável ligado ao PCC, e de seus lábios saíram acusações que colocaram em dúvida o esclarecimento do caso: ele e Pâmela teriam sidos forçados a dar aqueles depoimentos.

Pâmela foi a causa do assassinato de Salvador Luiz, um cara legal, mas do tipo Valentão que quando bebia arranjava confusão com todo mundo, e que morava ao lado da casa de Pâmela no Bairro Alberto Gomes em Itu, e foi ali pertinho que acabou sendo morto com golpes de madeira e estocadas de chave de fenda.

Evandro, o garoto, e Hildo estão acostumados a enfrentar grandes tempestades, e não foram poucas vezes que foram pegos pela polícia. Para eles a vida no crime não era novidade, mas Evandro e Hildo agora eram acusados de assassinato, e o sucesso de sua defesa dependia do Júri acreditar que Moacir Cova forjou aqueles depoimentos.

Estas pessoas agora acusavam Moacir Cova de tortura para conseguir os depoimentos que culminaram com o esclarecimento do assassinato de Salvador. Os pais de Hildo e Evandro tentaram dar credibilidade aos depoimentos dos filhos, mas durante o Tribunal do Júri surgiu fatos que ligavam os pais também a práticas ilegais no passado, derrubando sua credibilidade.

Se o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze desmascarou a trama familiar que ele acreditava estar sendo ali montada para livrar os rapazes das mãos da Justiça, o pior golpe ficou mesmo por conta dos próprios acusadores: Pâmela e o garoto.

Durante todo o processo eles declararam que os depoimentos foram conseguidos a custa de muita violência, numa sala onde só o investigador de polícia Moacir Cova e a garota estavam. Mas durante o processo o investigador informou que nenhuma violência tinha sido feita e todo o interrogatório de Pâmela tinha sido gravado em DVD (confesso que nem eu acreditei).

Como diria Chapolin Colorado: “Vocês não contavam com minha astúcia!!!”. E por essa nem Pâmela e nem o garoto esperavam. Moacir Cova apareceu com a gravação do interrogatório que provaria a prática da tortura ou não, e a gravação, jogou por terra todas as acusações.

O garoto em um de seus depoimentos ainda citou que havia na hora do interrogatório uma mulher gorda na sala contradizendo a si mesmo em outra ocasião, era sua curadora Marcia Pereira Cruz Pavoni Silva, a funcionária da Prefeitura de Itu. Pâmela teve em sua companhia durante o depoimento de sua mãe e da advogada Drª. Liliane Gazzola Faus.

Podia ter Moacir Cova agredido a eles nestas condições?

O advogado Dr. José Maria de Oliveira ficou em uma situação difícil, pois apesar do brilhante trabalho de defesa feito por ele, seu cliente foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Itu sem nenhuma prova material - toda acusação se baseou nos depoimentos de Pâmela e do garoto, que o defensor afirma que foram conseguidos à força por Moacir Cova.

Já o investigador Moacir Cova disse que não cometeu qualquer ilegalidade, pelo contrário, que provou sua lisura apresentando a gravação do depoimento, e acrescentou que Pâmela, o garoto e o outras testemunhas foram procuradas por um advogado de defesa para que mudassem o depoimento e passassem a acusá-lo como forma de desacreditar o processo.

Moacir ainda acrescenta que “no trabalho policial é comum ser acusado de ter agredido réus ou testemunhas, a final os acusados tendem falar de tudo para se livrar das condenações.”

Muitos tentaram em vão derrubar aquele homem, pois não havia local em Itu em que ele não houvesse penetrado, e naquela família ao sair deixou sua marca. Se as trevas tremiam ante a sua chegada, Hildo e seu irmão Evandro têm agora suas razões para temerem e odiarem a força policial, mas em especial ao homem que lhes perseguiu e tirou das ruas: o Investigador de policia Moacir Cova.

Dr. Fernando Góes Grosso diz NÃO à impunidade.


Basta a impunidade que por aqui reina! – pensou irritado o Dr. Fernando Góes Grosso, Promotor de Justiça de Indaiatuba. Ele não pediu para vir até Itu, foi mandado para cá – juízes, promotores de justiça, e funcionários do judiciário cumprem o Plantão Judiciário que acontece todos os finais de semana na sede da Comarca.

Sábado, 06 de março de 2010 – 9:30 da manhã
Fórum da Comarca de Itu
Rua Luiz Bolognesi, Bairro Brasil

Muito receio, caro promotor, que a irrupção daquela família em sua sala não tenha sido obra do acaso, mas traquinagem de Lúcifer, o Senhor das Trevas. Nada ocorre por acaso, e Dr. Grosso seria a última pessoa que a delegada de polícia de Itu gostaria de ver sentada naquela cadeira, naquele momento, para atender aquela família.

Domingo, 07 de março de 2010 – 10:30 da manhã
Fórum da Comarca de Itu.


A delegada e sua equipe vão até a Promotoria de Justiça dar explicações.
Encontro entre titãs, a terra tremeu, e Lúcifer sorriu.

Sexta-feira, 05 de março de 2010 – 5:30 da manhã
Jardim Padre Bento, Itu SP

Uma mulher sai para trabalhar, e Ainda perto de casa, um homem forte, com cara de poucos amigos a segue. Ela tenta correr e é alcançada. Medo. Pensa que será assaltada, mas não. O homem agarra sua blusa e ela reage. Ele tenta beijá-la e diz “quero você”. Ela luta, apanha, ele é mais forte, parece estar drogado, violência, muita violência.

Arrastada para o mato, grita, e o marido está próximo, corre em seu socorro. O estuprador foge. O homem socorre sua companheira. Tentativa de estupro, disseram os policiais militares que estiveram no local. Lesão corporal, disse a delegada, que de longe tudo ouviu. Tentativa de estupro dirá o Promotor de Justiça, que ouviu a família.

Com as informações passadas pela vítima, a Investipol Adriana e o GCM Wellington, seguem para o local em busca do suspeito: Binho, como é conhecido Fábio César. Ele já havia anteriormente morado lá próximo e a vítima o conhecia de vista. Seu corpo todo tatuado não deixava dúvidas, que havia sido ele.

Todos sabiam muito bem quem era esse Binho, d’outra vez tentou estuprar outra mulher, manchando com sangue vida de uma família de um homem justo e pacífico. Para Binho que é um homem de espírito fraco falta-lhe tudo: nada de dinheiro, nada de estudo, nada de amor verdadeiro, nenhuma paz ele tem. Deus recusou tudo a ele.

Vingou-se de Deus entregando-se às bebidas e as drogas, que lhe tiram agora a razão. Sua verdadeira divindade é o prazer fácil; e sai em busca desse deus nos pontos escuros da cidade. Quero crer que delegada, seja uma mulher de bem; mas como confiar na Justiça se tal crápula, ao ser preso, é solto pela douta autoridade, e foi o que acorreu.

Binho não foi localizado naquele momento, mas os tigres não ressonam se a caça lhes foge, e a Guarda Municipal ficou em seu encalço o dia todo, em todos os lugares em que poderia estar entocado. Passo a passo, cada pegada foi seguida, e o animal estava, enfim, acuado na casa de sua mãe, na rua Amadeu Fragnani, na Vila Fragnani.

Nossa feliz plaga, pródiga em benefícios para criminosos, conta ainda com a displicência de muitos que não querem fazer que a lei, já fraca, seja aplicada. Alarmou-me um secreto pressentimento quando vi orgulhosos de seu trabalho, os guardiões municipais conduzindo Binho para a DELPOL, mas em vão foi o esforço dos tigres.

Sorridente, Binho é de novo um homem feliz. Livre e impune. GCM Rovaldo, GCM Eliseu, GCM M. Silva, GCM Fábio, e toda a equipe que trabalhou na ocorrência puderam voltar para casa tranquilos, cumpriram seu dever, honraram o nome da Guarda Civil Municipal de Itu, e só não tiraram Binho das ruas por diabrura de Satã.

Se Deus escreve certo por linhas tortas, o demônio inspira os homens para o caminho mais fácil. Se o certo era ter escrito “tentativa de estupro” no BO (boletim de ocorrência), por que não fazer uma “lesão corporal” em um TCO (termo circunstanciado de ocorrência). É muito menos papelada e muito menos trabalho.

Deus pode se dar ao luxo de escrever em linhas tortas,
mas os homens não são deuses.

Ao chegar com Binho preso, Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres mandou que os guardas o devolvesse para o aconchego de seu lar, para o carinho de seus entes amados. No Brasil a pena por “lesão corporal dolosa” em verdade em verdade não existe, e assim ele pôde ficar em liberdade, vivendo entre as mulheres e filhas de nossa feliz plaga, pródiga em benesses.

Deixando-as à mercê de Binho, uma raposa no meio de nossas ovelhas, Lúcifer terá muito com o que se divertir. Era tudo que ele queria. Tudo? Não! Nada supera uma briga entre titãs. Dr. Gosso não deveria estar ali, seu lugar era Indaiatuba, mas naquele sábado, naquele plantão judiciário...

Ele, e mais que ninguém se revoltaria tanto com a impunidade e exigiria justiça.

Deus pode ter inspirado aquela família a procurar, naquele sábado a promotoria de Justiça, Ele é quem deve ter assoprado àquela família para levar o jornal Folha da Cidade, que contava em detalhes tudo o que aconteceu. Deus talvez tenha até estado ao lado do jornalista que escreveu com tantas minúcias e tanta inspiração aquela matéria...

Mas ninguém me tira da cabeça que foi Lúcifer quem teve a ideia de escalar para aquele plantão, o irritado Promotor de Justiça da cidade de Indaiatuba, Dr. Felipe Góes Grosso com o seu basta à impunidade que por aqui reina!

Qual a verdade sobre morte daquele mala pela PM?


A Srª. Bovaris vive me dizendo que o que agente assiste na TV é apenas mentirinha e não é para levar a sério. Falo isso aos senhores, pois me recuso a assistir aos CSIs, e os senhores vão concordar comigo ou com ela...
Nivaldo e seu comparsa renderam a filha de um dono de uma transportadora e roubaram dez mil reais de sua residência no ResidencialRio Araguaia em Itu. Ao fugir foram surpreendidos pela polícia, houve troca de tiros, Nivaldo morreu.
Seu comparsa disse que nunca houve a tal troca de tiros.
Ao assistirmos um programa como o CSI nós nos deparamos com tudo o que há de mais moderno e que já está disponível no mercado, não é ficção científica, é realidade, então é fácil desvendar este mistério através das análises periciais.
Será que os policiais brasileiros agem corretamente ao ultrapassar os próprios limites? Sem dúvida, se assim não o fizessem nosso país teria a muito virado um caos, a menos que todos os crimes fossem cometidos contra pessoas extremamente ricas, como os Nardonis e Aciolis.
Nivaldo morreu e é pobre, assim nunca saberemos a verdade.
A médica legista Drª. Regina Maria Caramuru Moreno examinou o corpo do rapaz e encontrou seis perfurações de entrada e duas de saída, mas sua colega a Drª. Edna Aparecida das Neves do Instituto Dr. Octávio Eduardo BritoAlvarenga não detectou nenhum resquício de chumbo nem nas mãos do falecido nem na do seu comparsa.
Se estivéssemos em um CSI concluiríamos que a troca de tiros não houve, comprovando a versão de Lucas, o comparsa de Nivaldo: os policiais atiraram deliberadamente e sem provocação em Nivaldo.
O material para a perícia foi retirado das mãos dos assaltantes e policiais menos de vinte e quatro horas depois dos tiros, mas... nas mãos dos policiais que nunca negaram que atiraram também não foram encontrados resíduos de pólvora!?!
Então podemos concluir que este exame feito por testes científicos sobre o método de Feigl-Sutter (exames residuográficos metálicos - residuais) não provou absolutamente nada, apesar de que no CSI consegue-se saber até a quantidade de tiros, o tempo entre um disparo e outro, e tantos outros detalhes, mesmo nos casos em que os suspeitos tentam esconder a verdade.
A perita criminal Drª. Ariadne Araújo Pinheiro Schemer esclareceu ao juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa que a princípio a conclusão sobre o resultado negativo do exame é a de que não houve disparo de arma de fogo, mas também pode ser que a concentração de chumbo ficou abaixo dos limites e não pode ser detectado, e neste caso, a conclusão sobre o fato fica condicionada a apreciação de outras evidências, não podendo sequer descartar a possibilidade de que os examinados tenham efetuado o disparo.

Intão, o que os peritos disseram em outras palavras é que a Srª Bovaris está certa e CSI é apenas mentirinha, e eu acho que eu estou certo ao não assistir ao seriado, pois qualquer um ficaria envergonhado em viver em um país onde os políticos roubam tanto que não existe verba nem para saber se Nivaldo e tantos outros foi brutalmente assassinado, ou não.

Mas ele é pobre, não faz diferença. Ah! Se fosse um de nossa família fosse morto por um bandido ou em outra situação qualquer seria diferente?

A complacência e a venda de CDs e DVDs piratas.


Tolerar ou não a pirataria é uma decisão que a ser tomada no conjunto da comunidade?

No passado vendedores de CDs e DVDs piratas dominavam o centro e os principais bairros, até que a Guarda Municipal e os fiscais da Secretaria das Finanças fizeram uma ofensiva para coibir a ação destes comerciantes, e hoje este delito existe mas está sob controle.

O crescimento do ilegal se faz graças a benesse de cidadãos que tentam ajudar aquele que considera ser o elo mais frágil da sociedade a que pertencem, mas neste caso perdem invariavelmente o controle para as facções criminosas.

Os protegidos pela covardia ou pela conivência passam então a seu controle passam então a se tornar profissionais agregando em seu entorno: tráfico de drogas, mendicância, e prostituição. Isto não é alarde, é fato. Basta ver o que ocorre em outros municípios que não agiram antes do crescimento e do descontrole dos mercados paralelos.

Policiais militares e guardas civis então são feridosou mortos para reconquistar os espaços perdidos graças a complacência ou a covardia de cidadãos e governantes.

Quando o juiz de direito da Comarca de Itu declarou anistia aos casos de pirataria, incentivou a criação de um sistema de mão de obra rotativa na distribuição dos produtos piratas, onde os administradores do sistema trocam os vendedores a cada apreensão.

A Feira do Rolo da Cidade Nova é prova que já existiu uma organização por traz desta atividade criminosa. Não bastava chegar com seus CDs e DVDs e montar sua barraquinha, era preciso permissão para conquistar seu espaço.

Em março de 2010 metade das dezesseis barracas da Feira do Rolo vendiam produtos ilegais ou de procedência duvidosa, agora com a relocação do evento para o terreno ao lado do Hospital do Pirapitingui a intenção do governo é recuperar de forma mansa o domínio daquela área.



Conivência pacífica entre o Estado que devia coibir o delito era escandaloso, clamando por uma investigação, pois deixava clara a predominância da vontade dos contraventores sobre a lei. Me pergunto se haverá força política para contrariar os interesses econômicos e eleitorais que existem por trás deste mercado, e qual o futuro de nossa sociedade se aceitarmos a conviver com a contravenção.

Íntegra da lei de abono de natal da Prefeitura de Itu.

“AUTORIZA A CONCESSÃO DE ABONO PECUNIÁRIO DE NATAL, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”.

HERCULANO CASTILHO PASSOS JÚNIOR, Prefeito da Estância Turística de Itu, Estado de São Paulo, usando das atribuições que lhe são conferidas por Lei;

FAZ SABER que a Câmara de Vereadores da Estância Turística de Itu, Estado de São Paulo, aprova e ele promulga e sanciona a seguinte Lei:

Art. 1º -Fica o Executivo Municipal autorizado a conceder, anualmente, no mês de dezembro, abono pecuniário no valor de R$ 100,00 (cem reais), tendo como beneficiários os servidores e empregados públicos ativos, do Poder Público, Administração Direta e Indireta e Câmara de Vereadores da Estância Turística de Itu.

Art. 2º -O abono pecuniário será reajustado, anualmente, pelo mesmo índice que for adotado para o cálculo da revisão geral anual da remuneração dos servidores e empregados públicos, do Poder Executivo, Administração Direta e Indireta e Câmara de Vereadores da Estância Turística de Itu.

Art. 3º -As despesas decorrentes da aplicação desta Lei serão suportadas pelas dotações orçamentárias próprias do corrente exercício, suplementadas se necessário.

Art. 4º -Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

PREFEITURA DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE ITU
Aos 09 de novembro de 2.011
HERCULANO CASTILHO PASSOS JÚNIOR
Prefeito da Estância Turística de Itu 2

Assalto no Residencial Rio Araguaia deixa um morto.


Sou de família humilde, mas que sempre valorizou a qualidade dos produtos. Minha avó era costureira no Padre Bento aqui em Itu, e minha mãe assim como ela sempre exaltaram a qualidade dos produtos da marca “Mundial”: tesouras e facas.  Disto eu nunca vou esquecer.
Aquela garota também jamais esquecerá aquela faca da marca “Mundial” de cabo plástico amarelo, cuja lâmina de vinte centímetros ora foi encostada em sua barriga, ora foi esfregada em seu rosto por aquele jovem branco e magro, de camiseta listrada verde e branco, e calça jeans.

Os olhos daquela garota que tinha feito quinze anos a apenas alguns meses não tinham sido feitos para verem aquilo, assim como sua carne não estava pronta para sofrer o que pretendiam fazer com ela. Mas naquele momento só queriam saber do dinheiro.

Isso aconteceu no Residencial Rio Araguaia em fevereiro de 2011, quando logo depois do almoço dois rapazes bateram na casa em que mora com seus pais e onde fica uma transportadora. Eles queriam a grana que sabiam que estava lá, mas ela não disse aonde.

Quem estava com a faca era Lucas que continuava a aterrorizar a garota enquanto seu comparsa, Nivaldo, procurava o dinheiro. A garota horas depois reconhece Nivaldo por uma foto que lhe foi apresentada no DP pela PM. Ele estava morto.

Lucas foi reconhecido pessoalmente pela garota. Dele ela jamais vai esquecer. Segundo o seu pai que na hora do assalto estava na cidade vizinha de Salto trabalhando, e quando chegou encontrou a ela e a mãe chorando muito. Ela jamais será a mesma depois daquele dia.

O trauma que Lucas causou feriu fundo sua mente, muito mais que aquela Mundial poderia ter feito com o seu corpo: muitas noites acordava no meio da noite gritando, sem conseguir dormir e teve que procurar ajuda de um psicólogo para poder voltar a sua vida normal.

Nivaldo, Jeguinho como é conhecido, também não vai esquecer aquela garota. Ele a amarrou no corrimão antes de fugir com seu comparsa. Mas ela não ficou a espera que a Justiça viesse em um cavalo branco para salvá-la. Ela sabia que tinha que fazer algo e não ficou parada.

Agindo com inteligência e força se livrou das amarras assim que os homens deixaram a residência. Se a Justiça não vinha até ela por graça divina ela é que não ficaria parada, acionou a Polícia Militar dando detalhes das roupas que os dois estavam vestindo e foi para a rua.

As viaturas chegaram e pouco tempo depois a informação. Nivaldo trocou tiros com a polícia e veio a falecer, Jeguinho estava preso. No dia seguinte o dinheiro roubado foi devolvido pela polícia à vítima, mas nunca mais aquela garota terá de volta a paz que tinha antes daquele dia.

Assaltaram em Cabreúva e rodaram em Salto.

A viatura da Guarda Civil Municipal de Itu seguindo as pistas deixadas por CíceroAntônio, o Pernambuco, descobriu que agora ele estava escondido em Salto.
Em 1997, o GCM José Roberto da cidade de Cabreúva, declarou ao Dr. AntônioTadeu Ottoni, juiz de direito de Itu: Sou Guarda Municipal único da cidade de Cabreúva, e testemunhei a confissão na delegacia onde César, o Cezinha, caguetou seus comparsas no assalto do PROMAT Indústria e Comércio Ltda., Cícero entre eles.

Sexta-feira, 4 de abril de 1997 – 14 horas.
Promat – Rua do Comércio 221, Jd. Primavera, Cabreúva (A)

O vigia da empresa, o guananbiense Osvaldo, da guarita de entrada vê três homens encapuzados cercando o mecânico Francisco, um deles aponta uma arma em direção da cabeça do velho. Baiano arretado, sem ter como acionar a polícia, vai até o galpão, desarmado mesmo, tentar negociar.

Eles querem o dinheiro do pagamento dos funcionários, que estão agora acuados em um canto, quietos, temendo por suas vidas. Cícero e o Neguinho, como é conhecido Adriano, sobem ao escritório e rendem o gerente da empresa, Ariel Mariano, e a funcionária Eliana Lopes. Destroem o telefone, mandam que se deitem no chão, pegam vinte e quatro mil reais, e descem.

Cezinha foi desarmado, os outro três estavam maquinados.

Junto com Cezinha ficou o Bahia, Marcos Antônio, botando terror por 30 minutos em cima dos funcionários da empresa. Quando os colegas desceram do escritório pegaram a Saveiro da empresa, e ao sair pegaram o Ceará, Ivan Antônio, que tinha ficado do lado de fora apenas na cobertura. Irmão de Cícero, foi ele quem deu o sinal para a entrada dos comparsas.



Fugiram em direção de Salto, Cezinha foi o cabeça da operação: pegou as informações com o ex-funcionário Joaquim Pereira Ferreira; arquitetou o plano; convidou os envolvidos; e dirigiu o veículo na fuga. No trevo de Salto derrapa e cai em uma vala (B). Abandonam o carro e ficando até a noite escondidos em na mata, quando seguem a pé vão até a cidade de Salto (C), e dali de ônibus para Itu (D).

No dia seguinte estava Cezinha pagava bebida a todos em um bar, quando chegou Eduardo de Souza Carvalho e lhe pediu um dinheiro emprestado. Cezinha lhe deu uma dura e dizendo que ele não participou da fita porque não quis, agora não era para chorar a oportunidade perdida.

A Polícia Civil de Cabreúva chegou à ele e não tardou a chegar aos outros, entre eles Cícero, que agora está novamente nas ruas, mas por outros crimes novamente é procurado.

O defensor do Bahia à época, Dr. Watson Roberto Ferreira, declarou:

 “Em que pese a vida pregressa do acusado, não foi feliz ao caminhar a primeira milha, merece tentar caminhar a segunda, porque se a primeira faina ingrata, a segunda pode se tornar na glória de uma nova vida uma chance de reintegração à sociedade que pertence, certo que está trilhando a segunda milha no caminho dos justos e honestos.”

O tempo passou, Cezinha foi condenado à seis anos e meio, oportunidades foram dadas a todos, e os participantes desta história aproveitaram-se delas, para o bem ou para o mal.

Cícero agora está foragido novamente, e se preso, em breve terá outra oportunidade.

O portofelicense e as insensíveis mulheres de Itu.


Faltavam dois dias para que completassem nove meses que ele havia sido preso, e hoje ele estava decidido a contar a verdade. Aqueles policiais teriam que se explicar na frente do juiz – ah! Teriam!
Ao entrar na sala de audiências da 1ª Vara Criminal da Comarca de Itu viu que talvez não fosse tão difícil, afinal a juíza era a jovem Drª. Renata Carolina Casimiro Braga, na acusação a Drª. Maria Isabel Gambôa Dias Duarte, e sua defensora a Drª. Cláudia Caroline Macedo Dutra – todas elas mulheres. Se fossem homens ignorariam suas acusações e talvez fosse até pior.
Por nove meses ficou a atinar se deveria ou não falar, mas agora não tinha mais dúvidas, falaria, mas primeiro teria que escutar a acusação. Ele sabia bem como tudo acontecia por ali. Lucas, portofelicense da Vila Angélica, nada falou no DP, pois sabia que lá ele não poderia falar, mas lá poderia e a justiça enfim seria feita a ele ao seu amigo morto.
Um por um foram lhe acusando. A história foi mais ou menos assim:

Era uma segunda-feira pouco antes das três horas da tarde quando ele chegou naquela casa do Residencial Rio Araguaia que o proprietário tinha uma transportadora, ele não estava em casa. Lucas e seu colega de Suzano, Nivaldo, bateram e quem atendeu foi uma menina com uns catorze anos.
Não seria difícil, era só uma garota. Perguntou a ela sobre uma pessoa que trabalharia com tijolos e morava por ali, e a garota (bobinha) abriu o portão para mostrar onde o seu padrinho morava, pois ele seria a pessoa que eles estariam procurando. Bobeô dançô – ele pediu dinheiro e ela não deu, disse que não tinha grana na casa mas tinha armas, então entraram.
Bem, foi mais ou menos assim que Lucas contou para as três mulheres que o ouviam. Dentro da casa pegaram cinco armas, e a grana ficou com Nivaldo, eles acharam o dinheiro numa casinha que funcionava como escritório e ficava no fundo da casa principal. Daí eles já estavam em cima do muro quando a polícia chegou atirando. Acertaram ele e então se entregou.
Nivaldo tentou fugir mas deu de cara com a polícia que nem quis saber e atirou. Pior que tudo, foi o terror que passaram, um dos polícias queria que matasse ele também. Os homens estavam doidos, e como prova ele falou para as três mulheres está aí, eles foram presos antes das três horas da tarde e só chegaram na delegacia às seis. O que aconteceu nestas três horas?
Elas ouviram-no, e olharam-no como um balonauta olha para as pessoas que andam pelas ruas sobre as quais ele passa – nada mais vê do que aquilo que parecem ser pequenos insetos, por vezes parados, por vezes andando, mas todos dentro de sua infinita insignificância no todo. Elas pareciam pairar sobre a tempestade que passou por sua cabeça naqueles nove meses.
Viu suas esperanças seguirem outro rumo, como se fosse um pedaço de pau flutuando meio de um incontrolável turbilhão. Aqueles olhares indiferentes, sem sentimento ou compaixão, nada fariam para apurar o que teria acontecido naquelas três horas, não buscariam saber o por que aquele empresário tinha tantas armas em casa, nada, não moveriam um dedo.

O anjo-da-guarda no Clube Comerciários de Itu.

Aquele anjo-da-guarda foi avisado à nunca escolher uma missão, agora entendeu a razão.

A mãe daquela menina dizia que a noite foi feita para dormir, recuperar as forças para mais um dia de trabalho e estudo. A noite é o momento em que os anjos ficam mais atentos, cuidando das pessoas que em casa descansavam em paz.

A mãe daquela menina não tinha ideia que a noite foi feita para: agitar, dançar, ficar, beijar, e encontrar com a galera. A noite é o momento em que os anjos ficam mais atentos, cuidando das pessoas que estão nas ruas, points e clubes.

Nisso pensava aquele anjo-da-guarda, cuja missão era proteger aquela garota. Estava cansado, mas era seu trabalho há várias gerações. Desta vez tinha pedido para cuidar de uma menina, e conseguiu.

Aquele Anjo-da-guarda foi avisado à nunca escolher uma missão, agora entendeu a razão.

Seu último protegido foi morto de maneira trágica e inútil. Homens vivem brigando, e por cada motivo mais ridículo... As garotas são mais inteligentes, tem seus problemas, mas não partem para a briga por qualquer motivo.

Aquele anjo estava a pensar se seu chefe não tinha aprontado de propósito com ele. Sua protegida estava lá no Clube Comerciários em Itu, onde outro dia, ele mesmo presenciou uma treta que acabou levando uma alma para o inferno.

Agora via sua protegida metida em uma briga de garotas...

Lauren Cristiane vai à DDM de Itu: levou um baita soco. Ela conta que estava na parte de baixo do clube e quando passou perto de três garotas, alguém bateu na bebida de uma delas e uma das mulheres a encheu de porrada.

Elaine Cristiane, que por lá estava, conta que Lauren apanhou a toa. Foi uma garota de cabelo canecalon que passou por ali e derrubou a bebida do trio. Mas naquele vuco-vuco sobrou pra primeira que pegaram pela frente: Lauren.

A GCM Doralice ouviu o depoimento da garota com 1,70cm, cabelos castanhos escuros, rabo de cavalo, magra, rosto fino branco, com tatuagem na barriga, que foi identificada como sendo a agressora, seu nome: Camila.

Ela contou a Guarda Civil Municipal que a garota derrubou a bebida dela (sua amiga Jaqueline confirmou) e Lauren não gostou quando ela chiou, foi pra cima e acabou apanhando.

Aquele Anjo-da-guarda foi avisado à nunca escolher uma missão, agora entendia a razão.

A Delegacia de Defesa da Mulher com o apoio das guardas civis lotadas naquela repartição, fez um trabalho de inteligência para conseguir chegar sem sombras de dúvidas até Camila, que foi reconhecida quando colocada entre “três pessoas algo semelhantes entre si”.

Os seguranças do clube que separaram a briga naquela noite, posteriormente deram as pistas para a identificação dos envolvidos. Sem a ajuda de Valdemar e Edílson, a casa não teria caído para Camila.

Uma outra testemunha que por lá estava, disse que Camila afirmou que com ela nada daria, pois sabiam com quem estavam mexendo. Dr. Hélio Villaça Furukawa, juiz de direito, não devia saber com quem estava mexendo, pois a condenou a pagar ao Instituto Formando Gente a quantia de R$ 800,00.

Camila não passou vontade e deu porrada. Os jovens da Associação Formando Gente gostaram e pedem bis, aquele anjo-da-guarda nunca mais vai escolher uma missão, agora vocês entendem também a razão.

Empresário vê idosa sendo assaltada e prende ladrão.


Muitos anos se passaram na vida da ituana Maria de Lourdes, não vou dizer quantos, pois ela é uma senhora e eu um cavalheiro. Enquanto caminhava pela sombra das casas do Bairro Presidente Médice em sua terra natal suspirava agradecida por mais um dia.
Ao virar a esquina da Rua Mário Bordini com a Rua Cármine Mazzulo ela vê parado ao lado de uma moto preta um rapaz baixo, magro, de cabelo encaracolado. Ela segura a bolsa junto ao corpo, ma nem pensou em fugir. A vida ela sabe não é feita de fugas, mas sim de batalhas, e segue.
Vai de encontro a aquele que quer levar seu dinheiro para comprar drogas, como ele mesmo confessou depois para o soldado PM Sório, e ao chegar ao seu lado percebe o ataque. Ele tenta arrancar com força sua bolsa, mas ela luta com garra e bate nele com a sombrinha.
Ah, se a correia da bolsa não tivesse arrebentado ela mesmo teria dado um corretivo naquele rapaz... mas arrebentou. E ele aproveitou para saltar em naquela moto Honda GC 125 que está em nome de Adriano Aparecido e tenta a fuga para a felicidade das drogas... mas...
Os grandes homens deveriam ser aqueles que nos governam e nos lideram, pelo menos é isso que eu acho, mas na realidade o que vemos é que eles nunca estão ao nosso lado quando precisamos. Quem de fato nos protege são pessoas como nós, e como foi neste caso.
José e seu filho estava passando por lá quando viu a velhinha ser assaltada e o jovem subir na moto e dar pinote. Primeiro gritou, mas se o rapaz não ouviu ou preferiu se fazer de surdo nós nunca saberemos. Depois acelerou e prensou a moto na calçada.
Pai e filho descem e seguram o rapaz para entregá-lo às autoridades. O jovem aprendiz de ladrão não agüentou o estresse e pirou. Nada mais dizia, nada mais fazia. Talvez no início achasse que era jogada do rapaz, mas passado quase um ano ele ainda continua abilolado.
Anderson não está hoje bem da cabeça, mas sua advogada a Drª. Andréa de Fátima Camargo diz que naquele dia ele já não se estava em seu estado normal, e não tinha a mínima condição de conhecer e avaliar seus atos, ou distinguir uma idosa de outra pessoa qualquer.
Ela também lembra que as próprias vítimas disseram que depois de capturado ele ficou chorando e pedindo desculpas pelo que tinha feito, numa cena de dar dó. Além disso ele tem três filhos pequenos para sustentar, nunca foi processado e trabalha como lavador de carros.
Com estes argumentos a Drª. Camargo tenta convencer que o melhor para a Justiça é deixar que a família de Anderson continue levando-o para tratamento no Ambulatório de Saúde Mental do município de Itu, como aliás já vem fazendo, e que se encerre este caso.
Já o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze discorda, lembrando que a inimputabilidade pretendida pela defensora impede por si só a absolvição sumária, pois o artigo 397 determina que “o juiz deverá absolver sumariamente quando verificar a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente SALVO inimputabilidade.
Seja lá o que o Dr. Hélio Villaça Furukawa decida neste caso nós só ficaremos sabendo depois de 24 de janeiro de 2012, dia para qual está marcada a nova audiência de Anderson.

Segunda-feira de festa e morte no Rancho Grande.


Crianças tinham medo. Medo do escuro, dos desconhecidos, da meia-noite, e de tantas outras coisas que povoavam o imaginário infantil. Isso foi coisa do passado, de um tempo onde as ruas eram escuras e as casas ficavam próximas das matas. A sociedade mudou e os conceitos de perigo também.

Madrugar assistindo tv ou passeando todos nós fazemos. Uns mais, outros menos, mas todos fazemos, e Geraldo também. Que risco haveria em esperar terminar aquele programa para depois colocar o lixo para fora? Geraldo assim o fez naquela noite quente de 2002.

Segunda-feira, 9 de dezembro de 2002.
Avenida das Monções 71Jardim Rancho GrandeItu SP

Aquela noite seria diferente para Geraldo. O calor da noite não o deixou dormir cedo. Passava pouco da meia-noite quando saiu levar o lixo. Abriu o portão, saiu para a rua, e viu quando um homem ensanguentado correu em sua direção, não estava longe, mas ele não iria esperar chegar perto.

Algum tempo antes...

O Guigo, como é conhecido Devair, estava em sua casa dando uma festa. A casa era dele, a festa era dele, e se era segunda-feira, dia de trabalho ou não, era problema dele. Quem pode pode, quem não pode vai dormir cedo para trabalhar no dia seguinte, otários em um mundo louco.

A festa era para si e seus amigos, mas eis que chega Edmar sem ser convidado. André que estava na tal festa, disse que Edmar foi pegar uma paradinha com Devair, já o próprio Edmar alega que foi acertar uma conta com Raphael, mesmo não devendo nada para ele – mundo louco.

O dono da festa, Devair, não gostava de Edmar e colocou-o para fora. A festa era dele, sem penetras. Cara chato, Edmar não vai embora e fica atormentando os convidados. Um pouco de persuasão foi necessária para convencer o penetra a dar linha na pipa – nada que bicudas e safanões não resolvessem.

Todos viram e ninguém nega os corretivos dados pelo dono da festa, assim como confirmam que Edmar estava bêbado, drogado e chato. Mas alguém esfaqueou Edmar, não uma, nem duas vezes, mas várias. Passados oito anos o suspeito seria o tal do Rafael, conhecido como Testa.

Segunda-feira, 9 de dezembro de 2002.
Avenida das Monções 71 – Jardim Rancho Grande – Itu SP

Geraldo vê aquele homem sujo de sangue correndo em sua direção, corre para dentro de casa e tranca a porta. O sujeito passa pelo portão, fecha, mas não consegue entrar na casa, grita, pede ajuda, diz que vão matá-lo. Geraldo ouve, mas não pretende abrir a porta, crianças tem medo, e quando viram adultos não mudam.

O dono da casa ouve duas ou três vozes do lado de fora do muro da casa. Uma diz: ele entrou aqui. Geraldo acende a luz do holofote, mas percebe que alguém o quebrou. O ensangüentado Edmar quebra o vidro tentando entrar na casa, mas em vão. Geraldo grita dizendo que já chamou a polícia, seus agressores fogem ao ouvir isso.

De fato Geraldo chamou a Polícia Militar, que disse que não tinha viatura para ir até o local, discou para a Guarda Municipal e poucos minutos depois o GCM Mauro deixava Edmar em segurança na Santa Casa de Itu. Por oito anos Devair lembrou desta festa, que ele deu em uma segunda-feira e como ele mesmo disse: problema dele.

Agora, finalmente Devair pode deixar de se preocupar com este problema, Dr. Luiz Carlos Ormeleze pediu sua absolvição por falta de provas pela tentativa de assassinato de Edmar.

Idosa assaltada no Bairro Presidente Médice em Itu.


Poucos minutos após uma da tarde, pai e filho chagam em sua Hilux à esquina da Rua Mario Bordini com a Rua Carmine Mazzulo no Bairro Presidente Médice, e vêem uma cena revoltante: um rapaz arrancava com violência a bolsa de uma idosa e montava em uma moto preta CG 125 para a fuga.
Este jovem no final será beneficiado pelo promotor de justiça Luiz Carlos Ormeleze.
O homem primeiro grita para o rapaz parar e como o jovem tenta fuga ele intercepta o meliante com sua caminhonete, prensando a Honda na calçada. Pai e filho descem e apenas com muito custo conseguem conter Anderson e chamar a polícia.
Barcelli nunca tinha passado por uma delegacia e não era conhecido por ser uma pessoa violenta, trabalhando no Lava Jato São Luiz, próximo da casa em que mora com sua mãe, teve sua estréia no mundo do crime fugaz como um relâmpago e devastador como um raio.
Deste crime Anderson talvez nem aproveite para si da experiência, tão importante em nossas vidas como fator de aprendizado, mas para aqueles que trabalharam neste caso nunca mais será esquecido e seu nome seu nome será lembrado por ter sido um caso único.
Após tentar resistir aos dois homens que tentavam prende-lo Anderson foi se acalmando... acalmando... aquietando... até calar-se de vez. Posto sentado na calçada lá ficou a espera da polícia e nada mais falou, não mais se mexia e nem reagia. Apenas seu corpo ficou presente.
Há quanto tempo nos agarramos a estas invasões bárbaras! E não contentes em resistir, ainda encontramos força e tempo para dar ao mundo os dois bem mais preciosos: a liberdade da alma e a clareza de espírito.
Não é pela vida que lutamos dia a dia, mas sim pela nossa alma, pela nossa consciência enquanto pessoas. Muitos lutaram e morreram pelo direito de pensar e expressar suas idéias, mas Barcelli desistiu deste que é o bem mais sagrado do homem – sua personalidade.
A delegada de polícia Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres contou que o rapaz ao chegar estava prostrado, sem esboçar qualquer reação, sem responder a nenhuma perguntas e que seus familiares disseram que ele era usuário de drogas e já tinha sido internado duas vezes.
A médica legista Drª. Regina Maria Caramuru Moreno não quis se precipitar dizendo quanto a causa da alienação de Barcelli, se teria sido causada por impregnação medicamentosa ou por abstinência das drogas.
Posteriormente Dr. Nilo S. Viana A. Lima examinou Anderson e concluiu que devido a um estresse pós-traumático passou a um estado de ataxia e apenas uma intervenção psiquiátrica conseguiria reverter o quadro de incomunicabilidade e de humor reprimido.
O abacaxi estava então para ser descascado pela sociedade. O CDP de Sorocaba não aceitou o preso por se tratar de pessoa com problema mental, a delegada tinha que dar um destino ao rapaz que estava acompanhado de escolta 24 horas no Hospital São Camilo, e a sociedade não o queria de volta.
O juiz Dr. Hélio Villaça Furukawa alegando que é notória a falta de leito nos hospitais psiquiátricos e de custódia, determinou a liberdade provisória de Anderson, que agora está sendo levado por sua mãe ao Consultório de Saúde Mental da Praça Conde de Parnaíba.
Este foi o único caso em que vi o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze mudar a acusação de roubo para furto tentado (cuja pena é praticamente nenhuma) beneficiando assim tanto o rapaz e como a Justiça que não está preparada para agir em um caso como este.
Para tanto o promotor alegou que o acusado usou da força para arrancar a bolsa da senhora sem jamais ter tocado nela, não agindo então com violência contra a vítima. Como diria o GCM Eiseu: “Intão tá!”

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