Assassinato na Praça Padre Miguel em Itu.

"A praça é do povo assim como o céu é do condor"... citando Castro Alves, Camões e outros grandes nomes das letras portuguesas, Dr. Airton Luiz Zamignani tentou em vão convencer os jurados da cidade de Itu, a desqualificar de tentativa de homicídio um crime ocorrido na Praça Padre Miguel na noite de 07 de junho de 2007.

Naquela ocasião, um jovem conhecido como "Broto" (Anderson Messias Souza), pertencente ao grupo dos hemos do centro, discutiu com uma garota que no decorrer do julgamento foi apresentada em vários momentos como sendo dada ao uso excessivo de álcool e que teria juntamente o "Rafa do corsinha" envolvida no tráfico de drogas.

Durante a discussão entre Broto e a garota, Cauani Braga dos Santos, na ocasião soldado do 2º GAC AP, se interpôs pedindo calma ao rapaz. Mas Anderson de imediato desferiu-lhe duas facadas, e ao tentar fugir foi atingido mais uma vez. Broto foi desarmado por outros rapazes que lá estavam, e foi espancado até a chegada das viaturas policiais que o conduziram ao atendimento médico e a DELPOL de Itu.

Já recuperado utilizou como defesa o fato que apenas tentava se defender do casal de traficantes, e que a norte do soldado nunca deveria ter acontecido. Mesmo assim foi condenado a prisão por sete anos em regime fechado por homicídio duplamente qualificado.

Dr. Zamignani lembrou o tempo em que a Praça Padre Miguel era de fato um local onde as pessoas "de família" podiam circular a vontade, mas alertou que hoje é um dos últimos rincões onde a população sem recursos pode se divertir, com pouco ou nenhum custo - fato ressaltado para tentar justificar em plenário a presença do jovem naquele local que hoje é visto como sendo freqüentado por pessoas envolvidas com drogas, álcool, brigas e pichações.

Condenado por assassinato por dirigir embriagado.

O Tribunal do Júri da cidade de Itu considerou por seis votos a um que o ex-caminhoneiro Aguinaldo Rogério Saroba é culpado pela morte de José Carlos Galdino, além disso aceitou também a tese do Ministério Público que pediu sua condenação por homicídio doloso, isto é, aquele que se tem a intenção de matar, pois ao dirigir embriagado assumiu o risco de causar o acidente.

Na Rodovia Castelo Branco, por volta das 17h20m do dia 08 de janeiro de 2005, Aguinaldo dirigia de maneira perigosa um caminhão seguindo em sentido capital-interior, mudando bruscamente de pista várias vezes e aparentemente jogando seu veículo contra os demais. Testemunhas afirmaram que Aguinaldo se dirigiu para o acostamento sem diminuir a velocidade.

Após atingir José Galdino e ver o corpo ser jogado por cima do veículo, prosseguiu viagem, mas um advogado que já acompanhava a vários quilômetros as imprudências do caminhoneiro, e muito antes do acidente já pedia pelo celular providências para a concessionária Rodovia das Colinas, seguiu-o dando informações que possibilitaram a Polícia Rodoviária deter o motorista mais adiante.

Aguinaldo que além de embriagado dirigia usando chinelos de dedos negou que tivesse cometido qualquer infração, inclusive a ingestão de bebida alcoólica, mas aceitou fazer o exame toxicológico, que veio a apontar 1,4g/l contra o 0,6g/l permitidos. Diante da constatação mudou sua versão, admitindo ter ingerido uma pequena quantidade de pinga.

Apesar de condenado há seis anos em regime inicial semi-aberto, Aguinaldo, que hoje trabalha na lavoura, recorrerá em liberdade. Este julgamento ficou na história da cidade de Itu, por ser o primeiro caso em que um motorista foi condenado por homicídio doloso pelo fato de causar uma morte enquanto dirigia embriagado, demonstrando que a sociedade está tolerando cada vez menos este tipo de atitude.

A busca por Alex, o ladrão de ônibus de Itu.

O escrivão Reinaldo da 1ª delegacia de Itu recebeu a missão de descobrir quem era o tal do Alex que roubava ônibus com o Fernando Ademir Sório na Região Sul da cidade de Itu. Isso foi tudo que o delegado Dr. Antonio Góes Filho lhe disse. Três meses e dois dias depois Reinaldo apresenta ao delegado o nome do suspeito: Alex Santos Almeida, conhecido como Baianinho ou Neguinho, e que morava próximo ao Açougue do Jura.
Buscas são feitas e passados mais três meses Reinaldo está batendo a porta de Alex, que agora mora com seus pais na Rua João Barbieri no Jardim Aeroporto, próximo a Igreja Santa Luzia. Dona Eunice diz que o seu filho não está, mas que o levará até a delegacia, pois está certa que o rapaz nada mais deve. De fato ele esteve preso, mas havia saído à três meses e apesar de ser bastante conhecido nos meios policiais não tinha nenhum envolvimento criminoso com Fernando. Mais tarde na delegacia Alex comparece e confirma as afirmações da mãe:

“Nunca pratiquei nada com o Fernando, ele é irmão de minha mulher, a Júlia, e somos amigos, além disso eu nunca pratiquei roubo em ônibus”.
A vítima que estava naquele ônibus na madrugada de 04 de março de 2007 e ficou frente à frente com o meliante foi chamado para fazer o reconhecimento naquele dia 29 de janeiro de 2009.
O funcionário da Avante não reconheceu-o como o autor do crime e agora dificilmente Reinaldo vai voltar a procurar outro Alex, e vai ficar por isso mesmo.

O PCC como fruto das condições carcerárias.


Falar sobre o que ocorre atrás das grades é sempre um desfio, e poucos conseguem de fato retratar o que por lá ocorre sem temer errar ou sofrer represarias. O mundo por trás das muralhas não é assunto para leigos, se bem que todos têm suas opiniões formadas sobre como acha que o Estado deve agir.

Dr. Gerciel Gerson de Lima trata deste assunto com cátedra de quem atuou nove anos no 14º Batalhão da Polícia Militar na cidade de Osasco; primeiramente como segurança nas muralhas do presídio e depois no pelotão de escolta do Fórum. Após deixar os quadros da policia, em 1994, quando foi iniciado o Curso de Direito e, posteriormente, já atuando como advogado na área criminal foi possível de constatar in loco, a situação de calamidade por que passam as instalações e condições carcerárias do estado de São Paulo, além de vivenciar na prática como o Judiciário trata a questão e as normas de exceção não escritas, mas que têm sido aceitas pela prática quando se trata de sistema prisional.

O motivo das revoltas e rebeliões.

Ele começa por nos lembrar que não é de hoje que o sistema carcerário paulista é tido como ultrapassado tanto no aspecto estrutural quanto na política de ressocialização do preso. As constantes violações dos direitos básicos e fundamentais da pessoa humana é motivo de revoltas, rebeliões e manifestações que, na maioria das vezes, são combatidas com métodos e punições violentas. Uma prática classificada por um relatório da ONU – Organização das Nações Unidas – como “tortura sistemática”.

Dr. Gerciel ressalta também que o sistema prisional paulista não é uma exceção, pois no restante do país a situação não é muito diferente. Em alguns estados (entre eles Bahia e Acre) a situação vivida diz respeito a um verdadeiro “caos”, com presos amontoados, tornando, assim, o ambiente propício a proliferação de doenças; em Minas Gerais, por exemplo, vários presos adquiriram escabiose em função da superlotação. Sem espaço suficiente para sequer dormir na “horizontal”, o preso comum, serviçal da cela, dorme muitas vezes em pé, naquilo que os próprios chamam de “dormir no boi”; tal expressão, antiga no meio da população carcerária, remete ao fato de que, ao dormir em posição vertical, o preso amanhece com os pés em forma arredondada pelo inchaço, assemelhando a pata do referido bovino.

O caos e o nascimento do PCC.

Desta forma, Dr. Gerciel associa o caos do sistema prisional com o nascimento da facção criminosa intitulada PCC no interior dos presídios paulistas, sendo que tal surgimento é atribuído exatamente ao histórico desrespeito que se pratica contra o preso, não se observando sequer direitos e princípios consagrados mundialmente, como o da dignidade humana. Segundo ele, esta cultura que marginaliza a população carcerária e não lhe oferece as mínimas condições de ressocialização e posterior inserção no tecido social faz parte de um sistema estruturado com este objetivo.

Em sua tese de mestrado em Direito apresentada na Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP ele faz um pequeno resgate histórico do sistema prisional brasileiro, bem como da legislação pertinente ao assunto. Também expôs as normas que regulamentam os crimes, as prisões e os prisioneiros.
Logo no início do trabalho Dr. Gerciel traça o perfil das chamadas leis “de ocasião” e do regime de exceção a qual é submetido o tratamento da questão penitenciária.

Este texto foi baseado em um trecho da Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, do Dr. Gerciel Gerson de Lima, sob orientação da Professora Doutora Ana Lúcia Sabadell da Silva do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais e da Cidadania em 2009 - SISTEMA PRISIONAL PAULISTA E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A PROBLEMÁTICA DO PCC – PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.

OUTROS TEXTOS DO DR. GERCIEL GERSON DE LIMA NESTE BLOG

Crime, drogas e amizade na Vila Martins em Itu.


Hoje eu acordei a fim de falar de amizade. Afinal poucas coisas no mundo são tão importantes quanto a verdadeira e sincera união entre as pessoas, mas como não faço poemas ou elucubrações filosóficas, tentei me lembrar de uma história, e...

Veio-me a lembrança seis personagens da Cidade Nova. Íntimos a ponto de: levarem garotas para “fazer a festa” na casa dos outros; assaltarem; e se drogarem juntos.

Eram: Elizabete Alves (Betinha), Renato Martins Leite (Xuxa), Roberto Dias (Peninha), Zileide Honorato (Zuleika), e dois garotos (digamos que) Saulo Eduardo e Muniz Adalberto.

Na noite do dia 11 de dezembro de 1996, Renato e o primo do Peninha foram a casa deste último com algumas garotas para se divertirem, mas ao sair Renato esqueceu seu documento.

Amizade, drogas e armas. Três são três coisas que criam quando misturadas ainda mais intimidade — não existe nada como um vício ou um segredo para forjar os laços da amizade.

E como tudo o que é forjado a quente tende a se quebrar com violência, pois se torna pouco maleável, a amizade destes seis personagens passaria por uma dura prova ainda neste dia.

Quando se dá pela falta do documento, Renato volta para pegá-lo na casa do colega, mas qual não é sua surpresa quando vê uma viatura da Polícia Civil parada em frente ao endereço.

O veneno impregna Renato que diz que Peninha era um safado, que abusava de crianças, e que entregou seu documento para a polícia, mas era Saulo quem tinha treta com Peninha...

Peninha foi morto com dois tiros neste dia.

Saulo Eduardo por sua vez disse que Renato é quem pegou sua arma e saiu com Peninha e Betinha. Ele só veio ouvir o tiro de sua casa depois de pegar uma grana com Adalberto.

Betinha disse que de fato estava com Renato e Peninha, mas a arma que matou este último estava com Renato, e que ela só ouviu os disparos e a ordem deste para que ela corresse.

Adalberto disse que a arma do crime passou para as mãos dele depois do crime. Ele bateu em Saulo Eduardo, mas que acabou indo com ele pegar um dinheiro e não matou Peninha.

Todos eles passaram aquela manhã pela casa de Zuleika e quando começaram a discutir foram postos para fora. Depois disso, um morreu, outros se maldisseram e a amizade acabou.

Guardas impedem a entrada do povo na inaugação da igreja.

Antes de contar esta história tenho que fazer duas ressalvas:

- boa parte do meu conhecimento sobre a história de Itu, chegou-me através da tradição oral, mas sempre atribuirei aqui a autoria ao mestre de todos aqueles que amam a história de nossa cidade, o professor Francisco Nardy Filho, pois muitas das histórias que ouvi acabei encontrando em seus livros; e
- sei que a Guarda Civil Municipal é um fenômeno histórico recente, mas de certo modo a guarda já existia nos tempos d'antanhos, visto que a principal característica da GCM é o fato de estar subordinado ao poder público municipal, e este fato por mim relatado aqui foi decidido e executado pelo governo local.

Pois bem, corria o ano de 1780, para Itu talvez o segundo ano mais importante de sua história, pois foi quando a nova Igreja de Nossa Senhora da Candelária de Itu foi inaugurada. Obra em estilo barroco fruto de um sonho, ou talvez uma visão do padre João Leite Ferraz, que na época, fez construir a maior igreja que seu dinheiro pudesse fazer – o que não era pouco – mesmo assim ele não conseguiu completar a obra.

Para sua inauguração um grande aparato foi preparado, e o padre Manuel da Costa Aranha presidiu as cerimonias, que começaram às 9:30 da manhã, com guardas na porta para impedir a entrada dos populares. Após a bênção do novo templo houve a primeira missa solene, que aconteceu às 10 da manhã, e agora sim com o povo na igreja.

Quase duzentos e trinta anos depois a Guarda Municipal de Itu ainda estava presente na Igreja Nossa Senhora da Candelária para, agora proteger o patrimônio histórico e cultural da cidade, e por mais de uma década o Gcm Lima, passou a ser também um referêncial quanto a memória da igreja, sendo conhecedor e divulgador das velhas histórias contadas por muitos que por lá passaram.

Pitbulls na Praça do Carmo.

Quantas e quantas vezes policiais ouviram de proprietários de cães da raça Pitbull: "Ele nunca tinha feito isso antes, nunca atacou ninguém..." e "Não, este cão é calmo, vai da criação...". As reticências são as variações, histórias e explicações, que via de regra, falam do bom relacionamento do cachorro com crianças, idosos, gatos e outros animais. A primeira frase é dita sempre depois que o problema ocorreu e a segunda é dita por aquele que acha que nunca vai acontecer.

Se há preconceito contra animais desta raça, ela é justificada pelos números em nossa cidade. Quase todas as ocorrências envolvendo ataques de cães em Itu, atendidos pela polícia nos últimos anos envolveram Pitbulls.

Todos ainda devem se lembrar do caso em que um senhor morador próximo do centro que ao ver suas galinhas sendo atacadas por um Pitbull veio a falecer, ou o caso das três crianças atacadas na escola.

Em duas ocasiões, guardas civis municipais de Itu foram atacados por animais desta raça: no Jardim Vitória o ataque só não se consumou pela coragem de uma vira-latas que enfrentou o Pitbull; e no outro caso o animal só parou após ser alvejado. Também teve um caso na vila progresso em que o animal entrou na viatura e de lá não saía de jeito nenhum e não deixava os guardas entrarem.

Bem, eu não sei se é preconceito contra esta raça, o que sei é que dois Pitbulls que passeavam esta noite por volta das vinte horas pela Praça do Carmo. Um deles passeava solto quando atacou a outro que estava de coleira.

Há dois meses atrás a justiça de Itu condenou o proprietário de um Pitbull a indenizar em oito mil reais uma família que foi atacada por seu cão, além de cumprir pena alternativa.

Infelizmente a sociedade não possui meios eficazes de fazer cumprir o que determina a lei: o CCZ tem feito um exemplar trabalho de conscientização, mas não possui um sistema eficiente que atenda a denúncias feitas durante os fins de semana e as noites; e o corpo de bombeiros só atua em caso de emergência ou com animais silvestres.

Rapaz conta que assaltava ônibus para sustentar o vício.


Fernando é uma daquelas pessoas que ficarão afastadas do convívio da sociedade ituana ainda por algum tempo. A maioria das pessoas não o conhecem, mas ele é prá lá de conhecido dos motoristas e cobradores de ônibus da Viação Itu / Viação Avante. E garanto, eles não estão sentindo falta do jovem que declarou:

Realmente cantei alguns ônibus lá no Jardim Aeroporto. Todo o dinheiro que roubei nos ônibus comprei em droga, pois sou viciado em crack. O que me recordo é que foram mais de dez roubos, sendo que, o máximo de dinheiro que consegui roubar numa vez só, foram setenta reais. Roubei um ônibus perto do posto de saúde; no Parque América; perto da imobiliária, roubei também um ônibus na Praça Quatorze Bis; perto da Escola Sylvia Bauer devo ter roubado dois ou três ônibus... Já fiquei preso um ano por roubar ônibus, mas consegui sair da cadeia. Eu roubava com uma faca de cabo preto. Algumas vezes roubei com o Alex; ele está agora com a perna quebrada devido a um acidente de trabalho na cidade de Cabreúva, numa serralheria. Todas as vezes que roubei, ou estava sozinho ou em companhia do Alex. Eu guardava a faca que usava nos roubos no meio do mato, prá cima de minha casa, perto do campinho.

Dentro de alguns meses, no dia 04 de novembro de 2011, ele participará de uma audiência no Fórum de Itu, onde é acusado de assaltar usando uma garrucha um ônibus na Av. Coronel Lauro Rogério de Araújo. Fernando confessou na delegacia vários roubos, mas não disse que este especificamente; também alega que usava faca e a vítima disse que os assaltantes portavam uma garrucha; e além disso apresentou como cúmplice o tal de Alex, que encontrado pela polícia negou tudo e não foi reconhecido pelas vítimas.

Dr. Ricardo Luis de Campos Mendes será o advogado encarregado de defender Fernando. Se por um lado terá a seu favor todas as incoerências entre o fato e a confissão apresentada na delegacia, por outro lado terá que lidar com os péssimos antecedentes apresentados por seu cliente e o reconhecimento da vítima.

Um estudo sobre o crime organizado em Itu.


A análise profunda de uma questão não é algo que está ao alcance de qualquer um, ao contrário, são pérolas raras.

O mundo do crime organizado é um assunto em pauta em jornais, academias, órgãos de segurança, butecos e pontos de ônibus. Mas, apenas um número extremamente restrito de pessoas tem de fato cátedra para falar sobre este assunto. Explanar nossas convicções pessoais é extremamente fácil, mas fazer um estudo profundo sobre este assunto é algo para quem realmente sente prazer visceral em pesquisar e enfrentar desafios.

Do mesmo modo que um policial sente orgulho de suas ações nas ruas e se compraz com os perigos que enfrenta e fazem sua adrenalina explodir, o estudioso orgulha-se desta atividade espiritual cuja função é a de discernir. Sente mesmo prazer nas ocasiões mais triviais em que põe o seu talento em jogo.

Não basta para o sucesso de um estudioso a paixão pelo tema. Uma forte perspicácia tem que fazer parte de seu espírito, tanto que alguns podem até confundir este dom com algo de caráter sobrenatural, mas não, são apenas resultados habilmente deduzidos pelo próprio espírito e essência do seu método que revelam realmente intuição incomum.

Um jogador de xadrez, por melhor que seja, pode analisar cautelosamente uma partida ou sua próxima jogada, não sendo necessário para isso realmente intuição ou coragem. Sua vida e a de ninguém não estarão em risco, mas aquele que se dedica ao estudo do crime organizado coloca em risco muito mais que a maioria das pessoas teria coragem de fazer.

Não vim aqui escrever um tratado sobre o caráter daqueles que atuam nessa área, mas apenas colocar algumas observações que acho pertinente como prefácio de um trabalho que apresentado aqui neste site a partir de 7 de outubro de 2010.

Alguns nomes se destacam em Itu quando o assunto é crime organizado (especificamente o PCC). São poucos, mas brilhantes, não mais que dez – somados policiais civis, militares, guardas civis, promotores de justiça, advogados e juízes. Todos eles tendo uma mente engenhosa e analítica, com grande capacidade de combinar dados e intuir situações.

Conheci a ambos através da leitura de seus atos.

Um deles é o investigador da polícia civil Moacir Cova, graças a ele e ao seu sempre brilhante trabalho os principais líderes do PCC estão atrás das grades. Sua coragem é singular e entre todos o seu nome é reconhecidamente o mais conhecido no meio criminoso – existindo constantemente planos para seu extermínio. Neste site ele e o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze são os nomes mais pesquisados, sendo que o dele as buscas sempre partem das áreas onde estão baseadas as lideranças do tráfico e de onde existem presídios.

O outro nome que conheci também pela leitura dos processos criminais que correm pelas varas de Itu é a do Dr. Gerciel Gerson de Lima. Este por sua vez se destacou pela brilhante defesa feita a diversos acusados por tráfico e roubo, muitas vezes levados até lá pelo próprio Moacir Cova. O trabalho deste advogado é reconhecido dentro e fora dos presídios, e não foram poucas vezes que presenciei outros defensores buscando o auxílio deste para questões específicas sobre o PCC.

O que ambos tem em comum é o reconhecimento de seus feitos por uns e a falta de compreensão por outros. Não acredito eu em anjos e demônios, sei que ambos são profissionais do mais alto nível, e se destacam pela paixão que nutrem pela execução de um trabalho meticuloso e bem elaborado.

Já publiquei aqui várias ações do Moacir Cova e algumas defesas do Dr. Gerciel, mas agora passaremos a trabalhar sobre um estudo feito por este último: SISTEMA PRISIONAL PAULISTA E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A PROBLEMÁTICA DO PCC – PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.

A epígrafe do trabalho já nos dá uma ideia da filosofia do trabalho e reproduzo aqui para terminar, cabendo a cada um analisar o norte a ser seguido pelo estudioso:

O protesto contra os suplícios é encontrado em toda parte na segunda metade do século XVIII: entre os filósofos e teóricos do direito; entre juristas, magistrados, parlamentares; nos chaiers de doléances e entre os legisladores das assembléias. É preciso punir de outro modo: eliminar essa confrontação física entre soberano e condenado; esse conflito frontal entre a vingança do príncipe e a cólera contida do povo, por intermédio do supliciado e do carrasco. O suplício tornou-se rapidamente intolerável. Revoltante, visto da perspectiva do povo, onde ele revela a tirania, o excesso, a sede de vingança e o ‘cruel’ prazer de punir. (Michel Foucault)

Um bom parlamento é condição sine qua non para combater o crime. O crime só tem medo de uma coisa: que a maioria das pessoas entrem na legalidade e ele não tenha com quem negociar. Mas em vez de tentar solucionar a desigualdade e a miséria, de trazer as pessoas para a legalidade, os políticos vivem no oportunismo e no eleitoralismo. (Jurandir Freire Costa)

Mulher é procurada por assassinato na V. Martins.

Algumas pessoas têm a chance de fazer o mundo melhor, outras têm a força de vontade ou a perícia para isso, mas poucas vezes vemos todos esses predicados em um único indivíduo, e Elizabete Alves, a Betinha, não esperava encontrar tal pessoa em 2006.

Na manhã de 12 de dezembro de 1995, ela também não pensou em participar do assassinato, mas a noite Peninha já estava morto quando ela estava viajando no cano da bicicleta de Renato Martins Leite, o Xuxa, e foram abordados pela viatura do 4º DP.

O GCM Hélio contou que estava justamente buscando encontrar os dois: Xuxa e Betinha. Ele era suspeito do assassinato de Roberto Dias, o Peninha, e ela pelo envolvimento em diversos assaltos na Região da Cidade Nova.

Foram levados para a Delegacia: o rapaz foi solto mas ela continuou presa.

A garota não se conformou, afinal, Renato é quem puxou o gatilho contra o Peninha e não ela. Na verdade ela ficou presa em cumprimento a um mandado de prisão por outro crime, mas sentindo-se injustiçada Betinha contou tudo e com detalhes.

Seu depoimento foi coerente com todos os que tiveram de alguma forma de contato com a vítima e com os assassinos naquele dia, mas mesmo assim, menos de um ano depois ela saía do Presídio de Votorantim e não mais seria encontrada pela Justiça.

Em 11 de agosto de 1997 as coisas ficaram mais fáceis para ela, o juiz Dr. Antonio Tadeu Ottoni suspendeu o processo até o comparecimento da ré a Justiça. O tempo passava e tudo indicava que este crime confesso ficaria impune, até que em 2006...

O caso vai para as mãos do promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze, que inconformado com tal impunidade, consegue da juíza Drª. Andrea Ribeiro Borges um mandado de prisão contra Betinha e o fim da suspensão do processo.

Agora Betinha é foragida da Justiça... pelo menos até: 26 de dezembro de 2016.

Curso de grafitagem e um caso ituano.


Data: 17/05/2006 23:51- De: guto
salve salve rapá tamo ai na atividade meu querido lazer pixaçao é pra quem é salve a todos do cada veis mais é tudo nosso firmeza total sacanas itu z/s só os vagabundos nato
Data: 11/05/2006 20:08:24 - De: d2
salve todos q pixa eu d2 salve p/ferraz zl de sampa direto de itu sp pxls eo arrenbenta aqui em itu salve;;;; bi...mesinho;;;; nike;;;;; ratho ...rael;;;;; michellll;;;;; aqui e ton d2 e nois vamos ladrao

O centro histórico da cidade de Itu é alvo de pichações constantes e não existem limites para o espírito de destruição, vandalismo e falta de respeito para com o patrimônio de todos. A sociedade passou a ser conivente quando não é absolutamente avessa a aplicação da lei – alguns consideram isso natural.

O grafite tenta transformar os garranchos rupestres que servem de grafia e assinaturas para os autores das pichações para algo menos primitivo, utilizando cores e temas do HQ, e é isso que se propõe o “Projeto Agosto das Artes” da Prefeitura de Indaiatuba.

Tempos atrás, aqui em Itu, um projeto similar aportou na cidade e contou com o apoio voluntário de um grupo de Guardas Civis Municipais que por isso enfrentaram muitas críticas de seus colegas de farda.

Encontrei um desses guardas no corredor do Fórum de Itu. Estava ele cabisbaixo e me contou o motivo pelo qual estava ali:

A viatura na qual estava recebeu um chamado via rádio, com a descrição de três jovens foram vistos pichando na Rua Sorocaba. Seguiram para lá e encontraram dois dos infratores ainda de posse da tinta e do rolo, e por ironia os garotos eram ex-alunos da turma de grafite que ele ajudou a monitorar.
Como o guarda que participou do curso era visinho de um dos garotos e conhecia a família, passou antes de ir para a delegacia para pegar os pais e levá-los para a Delpol. Algum tempo depois para sua surpresa passou a ser réu no processo, pois o advogado contratado pela família resolveu acusá-lo de ter agredido os garotos.

Não é pouco provável que existam policiais que agridam pichadores, mas este especificamente é um sonhador, um idealista, que acredita, ou pelo menos acreditava nas pessoas. Os pichadores foram absolvidos por que o proprietário do imóvel na hora errou a cor da tinta que tinha sido usada, dizendo que era verde enquanto a apreendida era azul. O guarda também não teve problemas, pois os reclamantes não mais compareceram as audiências, mas pelo menos serviu para este acordar.

Não existe curso que consiga transformar pedra em ovo e o texto que encabeça esta matéria foi escrito por pichadores reais, não aqueles idealizados em cursos teóricos, e é para ensiná-los a pichar melhor que a Prefeitura de Indaiatuba está investindo

Talarico mata para fugir da justiça do PCC.


Ele foi paciente, mas não podia deixar a coisa sair do controle. As mãos negras de seus irmãos pesariam ao açoitá-lo e jogá-lo morto em um lugar qualquer. De onde estava podia ver a beira do precipício no qual seria desovado, cada vez mais próximo, cada vez mais real.

O Lelé, mato-grossense de Mirassol D’Oeste passou muitos momentos tensos em seus trinta anos de idade, mas não iria enfrentar a justiça do Primeiro Partido da Capital PCC 1533 por causa daquelas acusações feitas por Beleza.

O delator havia marcado uma reunião com o “disciplina” da facção, o irmão Narizinho para denunciar Lelé suas aventuras com mulheres casadas, e a lei do PCC pune rigidamente os “talaricos”, e Lelé não iria assistir placidamente sua casa cair.

Beleza não ia denunciar o Lelé por ser o certo, é que ele o conhecia bem Lelé, afinal era o pai da mulher com quem ele morava e iria se casar, ia entregar ele por vingança. Lelé mostraria que com ele não se brinca... mas não poderia fazer o serviço ele mesmo.

Não precisava ser uma lição, bastava matá-lo. Não tinha ele necessidade de sentir seu sangue, apenas queria tê-lo fora de seu caminho. No mundo do crime apenas os fortes sobrevivem e ele era um lobo e não um carneirinho. Chegaram as pessoas que ele esperava.

Gordão e Pezão chegaram para conversar com Lelé no sobrado de blocos vermelhos de esquina e com comércio no térreo, localizado no Portal do Éden em Itu. Uma semana depois Beleza morria na Cidade Nova..Ele estava salvo, ninguém mais iria denunciá-lo ao partido.

Moacir Cova perde a paciência com Fernando.


Dr. Antonio Góes Filho, delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia de Itu olhava para aquele documento que o investigador de polícia Moacir Cova lhe estendia. Moacir cansou de ver impune Fernando Ademir Sório, um criminoso que se especializou em roubo de ônibus e que em menos de dois meses já tinha praticado de mais de dez ações.

Quando o Investipol ouviu do motorista da Viação Avante a descrição dos jovens que praticaram o delito e o “modus operandi” não teve dúvida que o autor do crime era Fernando e por isso queria que o delegado pedisse ao juiz a prisão preventiva para que fosse feito o reconhecimento e que fosse impedido novos crimes.

O assalto que fez Moacir perder a paciência aconteceu logo depois da meia-noite do dia 03 de março de 2007, na Rua Cel. Lauro Rogério de Araújo, próximo ao centro de lazer do Jardim Aeroporto, quando dois rapazes brancos, um trajando camiseta verde e boné azul e o outro de camiseta e boné vermelhos, entraram no ônibus e o que estava com uma garrucha anunciou o roubo. Pegaram os vinte e sete reais que estava no coletivo e fugiram a pé.

O delegado não achou que as desconfianças do Investipol fossem justificativas suficientes para pedir a prisão preventiva de Fernando e preferiu chamar a vítima para reconhecer autor do crime através das fotos do arquivo da polícia. O motorista retorna até a delegacia e perante a Drª. Márcia Pereira Cruz Pavoni Silva reconhece pela foto Fernando como autor do crime.

Doze dias se passam até Fernando ser ouvido na delegacia, onde confessa este e outros crimes, contando com detalhes e dando o nome de seu comparsa, o Alex.

Hoje Fernando está preso. Por outros crimes de roubo já foi condenado duas vezes pela juíza da 1ª Vara Crime de Itu, a Drª Andrea Ribeiro Borges, e uma vez pelo juiz da 2ª Vara Crime de Itu, Dr. Hélio Villaça Furukawa, num total de 15 anos e meio de prisão. Fora estas condenações ele ainda responde por seis processos por roubo.

Não era para menos que Moacir Cova já tinha perdido a paciência com o rapaz, mas se o processo é cabuloso, ele também é lento. Apesar do crime aqui narrado ter acontecido em 2007, ele ainda não foi julgado – a próxima audiência está marcada para 04 de novembro de 2011 no Fórum da Comarca de Itu.

Mestre dos meus dias!

Desvestido de qualquer título acadêmico, no entanto seu saber era inato.

Semeava os grãos do milho – três em cada cova aberta – no tempo certo. Aplicado aluno da natureza, fazia o plantio não antes de setembro, nunca depois de dezembro. Primavera!

Contemplando no céu o sol a pino, dizia, sem soberba: é meio dia!

O crescimento do arrozal nos brejos e nas baixadas era um encanto à vista.

As frágeis ramas verdes se alçavam risonhas, ostentando pencas douradas de grãos. Milagres desabrochados! E ele, olhando placidamente as hastes, murmurava embevecido: está cacheando!

Viera a estas plagas ainda menino! O juramento do imigrante tomado a sério. Lavrou a terra não apenas pela necessidade da sobrevivência, mas por amor e devotamento, ao senti-la generosa e acolhedora. Apostou no seu futuro, se fez professor da enxada, foi aprovado com mérito no vestibular da vida. Nas colheitas copiosas celebrava a formatura!

Do chão semeado vieram sucessivas safras, indispensáveis ao sustendo da prole de doze filhos.

Aos oitenta anos, tolhido pelo tempo, já não mais conseguia sulcar o solo. Da roça se despediu. Lágrimas furtivas molharam aquele rosto digno.

Um dia o filho caçula, o único dos meninos a chegar à universidade, se aproximou desse homem honrado e anunciou sua candidatura a um cargo eletivo na pequena comunidade. O ancião olhou dentro dos seus olhos e, sem pressa, com a serenidade dos justos e santos, proferiu a mais terrível sentença já prolatada por um magistrado:

“Meu filho: nunca alguém de nossa família se meteu nessa aventura. Cuidado para não manchar o nome. É a minha única herança. Se quer mesmo, siga com a minha bênção. Mas não envergonhe ao seu pai”.

Hoje, esse homem é saudade!

Nesta manhã, diante do espelho, um homem de cabelos grisalhos descobriu ter penetrado na fase outonal da própria existência.

Recordou-se então da figura esquálida, alquebrada pelos anos de intenso labor sob o sol inclemente, ou açoitado pelas brumas das gélidas manhãs. Com dificuldade reteve o pranto.

E, réu confesso, pede absolvição aos mestres ante o atrevimento de arrojada afirmação.

Meu pai foi um sábio!


Lázaro Piunti (28/09/09)

Ainda sem punição para mandante do crime.

O que aqueles rapazes tinham aprendido, acima de tudo, durante os anos que se seguiram ao assassinato do advogado do Ituano Clube Dr. Humberto da Silva Monteiro é que o tiro feriu mais as suas famílias que a própria vítima.
Quando o promotor de justiça Luiz Carlos Ormeleze afirmou aos jurados que José Roberto Trabachini, o Zeca, ex-presidente da Torcida Jovem do Ituano, mentiu quando assumiu a autoria do mando do assassinato de Dr. Humberto, eles acharam que ainda tinham chance.
O promotor cumpriu a sua parte com o Zeca que confirmou perante o júri que recebeu dois mil reais do vice-prefeito Élio Aparecido de Oliviera (Oliveira Júnior) para atentar contra o advogado Dr. Humberto e o jornalista Josué Soares Dantas Filho – recebendo o benefício da delação premiada.
O promotor não poupou palavras para acusar Oliveira Júnior pelo mando do crime, apesar das tentativas feitas pelos advogados do vice-prefeito para incriminar o jornalista Dantas Filho pelo assassinato de seu amigo, Dr. Humberto – mas palavras são palavras e se perdem ao vento.
Os jovens Thiago Martins Bandeira e Eduardo Aparecido Crepaldi,  os executores do crime intermediado por Luiz Antônio Roque (Tonhão) também tentaram o benefício acusando Oliveira Júnior, mas em vão. Ficaram presos e suas famílias destroçadas.
O mandante do crime continua impune, seja ele quem lá quem for.

Polícia 24 horas na Praça da Matriz em Itu.

É improvável que alguém saiba se está agindo corretamente ou não. Errar é uma dádiva que Deus deu ao homem, e é graças às nossas falhas que ganhamos experiência.
Se todos erram e isso é bom, o erro é justificável e até positivo, e assim, independente do resultado de uma ação, a decisão de agir sempre será uma atitude positiva.
Mas e quando as cicatrizes são causadas em outras pessoas e não naquelas que tomaram a decisão? As marcas do erro sulcando o corpo de uma família que não a do autor da ação?

A partir de hoje a Guarda Civil Municipal de Itu estará deixando seus homens e mulheres, vinte e quatro horas por dia na Praça Padre Miguel – o centro turístico e cultural da cidade.
A imprensa local tem noticiado o que acontece por lá a noite nos finais de semana. Vandalismo, pichação, embriaguez, brigas até mesmo algumas mortes ocorreram naquele local.
Nas últimas semanas, a polícia militar e a guarda municipal foram alvo do desrespeito dos frequentadores daquele local. No início foram insultos isolados, e agora são atiradas garrafas e copos de cerveja nas viaturas e nos agentes.
O jornal Notícias Populares de Itu ao noticiar um desses distúrbios, colocou a foto de alguns garotos que se diziam parte do grupo que atacou às guarnições, e segundo o jornalista, insistiram para que suas fotos fossem publicadas.
É nesse ambiente que dois guardas civis vão ficar sozinhos. O risco é inerente a função, no entanto a decisão de colocar os homens em um local como aquele é uma decisão crítica do comando da GCM de Itu.
Sidnei Oliveira nos lembra que “nosso empenho em evitar as cicatrizes chegou a um extremo que agora afeta o comportamento de toda uma geração”.
Se hoje a sociedade condena a violência policial contra o cidadão, as forças policiais evitam colocar em risco seus membros, visto que se houver necessidade de reação por parte dos agentes, as conseqüências podem ser desastrosas.

Aqueles homens lá postados com absoluta certeza não trarão mais paz e segurança para aquele local, por outro lado as autoridades têm que sinalizar que não perderam o controle de sua praça central, e daí a escolha da ação.
Oxalá queira que a decisão tenha sido acertada, e que aqueles trabalhadores e seus familiares não venham a guardar na pele as marcas deixadas por erros alheios, mesmo sabendo que toda ação se justifica, independente do resultado.
Este texto foi baseado em fatos reais e a base do texto foi inspirada (ou até mesmo plagiada) do artigo “Onde estão as cicatrizes da Geração Y ?” de Sidnei Oliveira publicado no site Café Brasil.

Retirem os policiais da praça.


Todos ituanos passam pela Praça da Matriz. Um símbolo arquitetônico único, não tanto por seus casarões do tempo dos barões do café, ou por sua igreja neoclássica, mas por sua arquitetura humana: o que há de melhor e de pior em nossa sociedade.

No entanto, com o cair da noite, restam apenas os garotos e os desocupados, que não se fazem de rogados, usando e abusando do lugar. São dezenas, ou melhor, centenas de jovens, que se divertem em um ambiênte livre de censura e controle.

Por lá, muitos não dispensam um baseado, distribuído sem dó de mão em mão. Mas mesmo a noite, existem olhos atentos as irregularidades e alguns cidadãos ao presenciar atitudes suspeitas, não se acanham em chamar a Polícia ou a Guarda.

Mas são dezenas de jovens, vários bêbados ou sob o efeito de drogas que não temem em confrontar os milicianos da força pública. O que se pode esperar deste quadro é muita coragem, profissionalismo e sangue frio dos agentes de segurança.

A garotada agora se diverte em atirar nas viaturas policiais: copos de cerveja, garrafas e pedras. A coragem que não falta a esta garotada provem das bebidas e das drogas, mas afinal quem nunca acabou tomando um pouco a mais do que devia?

A praça Padre Miguel é do povo como o céu é do gavião, mas quem é de fato o povo senão aqueles que frequentam aquele logradoro? A legislação não tem força para coibi-los e o município não tem de fato interesse em fazê-lo.

Que podemos esperar então que possa fazer contra usuários de drogas, bêbados e desordeiros que se fazem presentes sob a proteção de toda aquela comunidade? Os únicos que não deviam estar naquele local são os agentes da segurança pública.

Hoje o preconceito não é mais contra negros, homossexuais, ou outras minorias. Existe contra aqueles que querem e tem por dever manter a ordem em nossa sociedade, e assim a cidade está pichada e seus cidadãos estão presos em seus lares.

Praça da Matriz, imprensa e polícia.

O tempo é o Senhor da razão, hoje vemos a praça de guerra que se tornou a área central da cidade de Itu. Todos os periódicos de nossa região ressaltam as pichações e arruaças que ocorrem por lá. Mas o quanto estes mesmos veículos são a causa do problema?

Jornal Periscópio publicou em sua primeira página o que teria sido um covarde ato de agressão por parte de integrantes Guarda Municipal e da Polícia Militar a um cidadão. Incidente ocorrido na Praça Padre Miguel, na madrugada do dia 8 de junho de 2010.

Segundo declarou a família de Gilberto de Farias, o vendedor teria ido a uma festa por volta das 23 horas e quando retornava a sua residência optou por dormir naquela praça. Instado por um policial militar a deixar o local, se recusou a sair e pronto, confusão armada.

A GCMI e a PM abriram inquéritos para averiguar o ocorrido, mas o tempo fez o seu trabalho e provou de que lado a razão estava. As duas corporações continuaram sim atuando no centro, mas para não serem vítimas novamente da imprensa, suavizaram as ações.

A imprensa deve sim fiscalizar os excessos, mas neste caso expecífico, a razão real de tal destaque foi proteger a sociedade ou vender mais jornais? Valeu a pena?

A polícia civil abriu inquérito para investigar o caso do possível espancamento e o Ministério Público acompanhou o processo interesse, mas ninguém foi punido, justamente por não ter havido excesso.

Apenas a sociedade saiu perdendo com esta manchete. O que ocorre hoje na Praça da Matriz e na Praça do Carmo são exemplos disso. Os agentes de segurança são destratados e viaturas por vezes são apedrejadas por pessoas que sabem estarem protegidos pela imprensa.

Tal a desfaçatez desses cidadãos que não só assumem publicamente sua atitude como pediram para o repórter Reginaldo Carlota que os fotografasse e publicasse. É assim... novos valores para uma nova sociedade, onde mais vale o meliante que um policial.

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