Locura e o assassinato na Favela do Issac em Itu.

Não se pode descrever a cena de outra forma: uma fúria demoníaca se apossou de Severino, ele já não sabia mais o que estava fazendo, não era mais ele quem estava no comando daquele corpo. Seguiu em direção a Djalma, seu colega de morada, um deficiente físico sem uma das pernas, que estava bêbado deitado na cama. Djalma Souza da Silva não teria chance aquela noite. Em poucos minutos estaria morto à pauladas.
Anos depois o Promotor de Justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze e o advogado de defesa do réu Dr. José Maria de Oliveira iriam de digladear perante os jurados do Tribunal do Júri da Comarca de Itu para saber o destino de Severino Francisco de Moreira.
Noite de 12 de dezembro de 1996, quinta-feira. Uma noite tão boa para beber quanto qualquer outra. Pelo menos para aqueles dois, que viviam embriagados. Mas o clima já não estava bom entre eles há muito tempo.
Meses antes, Isaac Shapiro havia convidado Severino Francisco de Moreira, um morador de rua para habitar um barracão de sua propriedade na Avenida Alfredo Savi próximo à Favela do Isaac, no Jardim Novo Itu. Em troca ele deveria ajudar no concerto e na limpeza de móveis e fogões usados de sua loja no centro da cidade. Um bom negócio para ambos.
Severino estava satisfeito também, teve mais uma chance na sua vida, e desta feita não pretendia perder. Mas nem tudo era perfeito. O barracão já tinha um morador: Djalma, um aproveitador e usurpador. Severino via aquele homem com quem foi fadado a dividir o espaço, como um chupim disposto a comer suas próprias entranhas, se ele assim o permitisse. Mas ele não o permitiria. Ele não o permitiu.
Não estamos aqui a levar em consideração nossas convicções pessoais, religiosas ou de foro intimo. Para isso confio no julgamento dos senhores, pois a justiça dos homens já cuidou de Severino à sua maneira.
Mais uma briga: além de ter que trazer comida para o barracão, agora Djalma queria obrigá-lo a cozinhar. Severino foi bêbado para o barracão para se deitar. Severino aguarda tempo suficiente para que ele se ajeite. Segue também para a morada e vai empunhando o objeto que em breve estaria sujo com o sangue de Djalma. Depois do primeiro golpe este ainda tenta se levantar da cama, mas apenas consegue se arrastar pelo chão enquanto outros golpes lhe são aplicados. Um sobre os outros, todos na cabeça, até não mais haver vida naquele corpo.

Severino foi preso, mas fugiu da Cadeia Pública de Itu no dia 2 de junho de 1997. Encarcerado novamente sentou-se perante seu acusador, o Ministério Público da cidade de Itu, que lhe descreveu-o como mal. Apoiado no depoimento perante o júri popular do GCM Machado, que na época participou das investigações do crime, alegou que ele não apenas era um alcoólatra compulsivo, mas como alguém que odeia a todos que o rodeiam. Um perigo para a sociedade, que ele Promotor de Justiça, tem por dever proteger e afastar dos perigos. Pedia, portanto, exemplar condenação.

No entanto o defensor, Dr. José Maria, atentou para que os jurados deliberassem com a razão. Julgar com a inteligência é a seu modo de ver, seria enviá-lo a um manicômio judiciário. Claro está que ele não age de maneira racional. É um louco, e um louco perigoso, que ouve vozes e imagina coisas - afirmou o próprio defensor. Para seu próprio bem e de toda a sociedade deve ser mandado para tratamento e lá ficar até que seja prontamente restabelecido de suas faculdades mentais. Demore o quanto demorar.

Os jurados condenaram o réu a dezesseis anos de prisão.

Uma coisa maluca aconteceu no fórum de Itu.

Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia” esta frase poderia ser a conclusão de qualquer um de nós ao assistir aquela cena.

Assim como Edgar Allan Poe não o fez, eu também não pedirei a nenhum dos senhores que acreditem no que vou aqui narrar. Pessoas sensatas os senhores devem ser e talvez até caçoem destas minhas linhas, e louco estaria eu se não esperasse tal reação.

O que aqui descreverei acontece por todo o país, e imagino quanto isso não custa aos nossos bolsos - o que os sorridentes e simpáticos políticos não roubam, acaba sendo usado para custear tal escárnio.

No Fórum de Itu, dezesseis horas da véspera do feriado da Consciência Negra chega um camburão do Sistema Carcerário do Estado de São Paulo, escoltado por uma viatura da Policia Militar. Aquele preso, apesar de previsto, não era esperado. Quem imaginaria que aqueles cinco homens uniformizados, representando a força do Estado e a vontade do povo, teriam que cumprir aquele ridículo papel. Os seguranças do Fórum colocam-se de prontidão, tomando as medidas para receber o encarcerado garantido que chegue com segurança até a presença do magistrado – sinais dos tempos, antigamente se garantia a segurança dos cidadãos e autoridades, agora garantesse a segurança do réu.

Um dos agentes de segurança penitenciário vai até o oficial de justiça de plantão para apresentar o escoltado. O escrivão da sala do Juiz vai até o réu confirmar seus dados, chamando-o para ser ouvido gabinete do magistrado onde estão: o juíz, o promotor de justiça, o escrivão, a advogada de defesa nomeada pelo Estado, o agente penitenciário e o Policial Militar. O réu, com aparência de quem ainda estava sob o efeito de alguma droga olha com olhar perdido para tudo aquilo.

Kafka não teria alucinado o diálogo que ocorreu ali:

Eu não estava nesta fita. Os polícias entrouxaram em mim este 157. – réu olhar distante.

Não é pelo roubo, que o senhor está aqui, ele corre por outra vara. – com calma e paciência invejáveis, o magistrado responde.

Eu não sei nada deste 121. Não vou falar nada. – réu olhando mais longe ainda.

Sua audiência sobre o homicídio foi ontem. O senhor quer fazer a gentileza de permitir que eu faça a leitura. – magistrado, já um pouco impaciente:

“No dia tal, na Avenida da Paz Universal, no Bairro Pirapintingui, o senhor foi flagrado com duas porções de maconha, por este fato, manda a lei que eu o advirta. É só isso que o senhor está aqui. Pode assinar e ir embora.”

Cadê meu advogado. – pergunta o réu vendo através das paredes.

É a doutora tal que está aí ao seu lado. – responde o desolado magistrado, que com certeza pensava naquele momento se valeu a pena estudar tanto para chegar a isso.

Eu não vou assinar nada doutora... – fala o réu focando o olhar através da doutora.

Depois de meia hora de esforços de todos ele aceitou assinar o papel.

O último dos manos da Cidade Nova em Itu.

Eram quase duas da madrugada do domingo, 30 de abril de 2000.

Bebidas e mulheres foram as justas pagas para aqueles dois rapazes trabalhadores que ralaram a semana toda. Tudo corria bem. Severino e Adriano não iriam ficar sem companhia naquela noite. Bem, era o que pensavam.

Tribunal do Júri de Itu, 17 de novembro de 2009.

Com uma brilhante atuação dos defensores Dr. Afrânio Feitosa Júnior e Dr. Ricardo Ribeiro da Silva, a defesa tentou provar que Mocó agiu sob domínio de forte emoção. A luta dos advogados foi para fazer com que os jurados entendessem que o réu, nada mais fez que qualquer homem na mesma situação faria...

Mocó estava no bairro em que morava, e aparecem dois caras e começam a cantar a sua garota. Quando viu sua namorada já estava prestes a entrar no carro dos dois desconhecidos, ali bem na frente dele. Mais justa provocação que esta não haveria de existir!

Bar do Ceará fica na Cidade Nova em Itu no interior Paulista e se Lúcifer não vive naquele bairro deixou-o sob o domínio e as atrocidades da "Gangue dos Manos", um grupo que entrou com destaque para os anais do crime na região. O grupo formado inicialmente por adolescentes pichadores e pequenos infratores que atuavam graças a suavidade de nossas leis, evoluiu para um grupo armado que tentou dominar o bairro a custa de muita tortura e morte.

A Guarda Civil Municipal, as polícias Militar e Civil, apoiados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, sob a brilhante e inesquecível atuação da Drª. Vânia Maria Tuglio, atuaram de forma rigorosa contra aquela horda. Foi o princípio do fim daqueles que pensaram em fazer da Cidade Nova uma grande favela, e agora passados exatos dez anos de seu auge, poucos integrantes daquela facção criminosa estão vivos, e estes ainda estão atrás das grades ou vivendo na miséria.

Marcelo Paulo da Silva, o Mocó, foi um daqueles jovens infratores e na naquela madrugada há uma década...

Severino Monteiro Costa e Adriano de Carvalho Vasconcelos não tinham idéia que estavam prestes a entrar no meio desta luta entre Titãs. Eles pensavam estar apenas azarando umas minas, nada mais.

Ambos contam que estavam lá se divertindo em frente aquele bar da Rua Lauro de Souza Lima quando um sujeito surgiu e atirou contra Adriano. Severino foi rápido, voou sobre aquele rapaz armado, derrubando-o ao chão. Começou a correr, mas foi em vão, Mocó já havia levantado e disparou duas vezes, acertando-lhe: o braço e o pé.

O Promotor de Justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze pediu aos jurados que inocentassem o réu dos tiros dados contra Severino, pois haveria a possibilidade de que os projéteis que o atingiram tenham sido disparados por outra pessoa, mas pediu a condenação pela tentativa de homicídio sobre Adriano. Apesar do brilhante trabalho de defesa, o réu, que já se encontrava preso, foi condenado a sete anos de prisão e assim a cidade de Itu terá que viver ainda mais algum tempo sem seu último mano.

Acusou o cara de ser estuprador e levou pau em Itu.


Ricardo estava passando pelo trailer de lanches (A) próximo a Praça Gente Jovem em Itu quando resolveu parar para conversar com um rapaz sobre seu filho que mora na cidade de Bauru. Por alguma estranha razão, o descabeçado rapaz começou a agredi-lo com socos e pontapés sem o menor motivo. Não satisfeito passou a socá-lo no rosto e o jogou ao chão. Ricardo  resolveu fugir dali e ir para o abrigo de seu lar (B) afinal não é de sua índole arranjar confusão, mas nem a sua casa o agressor respeitou, ficou passando em frente com um Escort. Ricardo então saiu à porta de sua chácara e foi novamente agredido, mas então se defendeu com uma faca...


Quem narrou esta história foi o aposentado Ricardo tem de quarenta e dois anos e é um velho conhecido dos meios policiais, já tendo sido processado mais de duas dezenas de vezes pelos mais diversos crimes, e apesar da brandura de nossa legislação sofreu algumas condenações: crime de trânsito, furto e tráfico de drogas. Este cidadão ituano acionou a Guarda Civil Municipal que prontamente chegou em seu auxílio. Ricardo foi socorrido pelo GCM M. Silva que o conduziu para o Pronto Atendimento Médico da Vila Padre Bento, e como o aposentado disse ter sido agredido por três pessoas que estariam no trailer, outra viatura foi acionada para verificar o local dos fatos.
Meia hora antes...

O comerciante fecha seu bar depois de um exaustivo dia de serviço na Vila Esperança, eram quase oito e meia da noite da quinta-feira, nove de julho de 2009, mas muita coisa ainda se passaria antes a noite terminasse. Edilson resolve ir até o trailer de lanches que existe em frente ao seu comércio e pede um lanche, ficando conversando com seu amigo Mário, que dentro em pouco viria a lhe salvar a vida.

Ouve alguém lá fora chamando seu nome e vai ver quem é. Reconhece Ricardo que mora no bairro e vive apanhando de todo mundo por ali, visto que sempre procura motivo para brigas, e hoje pelo jeito, seria com ele.

Ricardo estava lá berrando para quem quisesse ouvir que ele, Edilson, havia estuprado os filhos dele. Ora, ele nem sabia que o Ricardo tinha rebentos! Mas não ficou apenas nos gritos e ameaças, como costume, pulou para dentro e partiu para cima do comerciante que lhe desferiu um pontapé que fez o agressor recuar. Mas Ricardo não ia deixar barato não. Voltou minutos depois armado de faca e partiu para cima do salgadense Edilson, desferindo dois golpes na perna esquerda, ambos certeiros. Mário tira a faca de Ricardo antes que este fizesse mais mal do que já causou. Ricardo vai embora deixando uma cena de sangue atrás de si.

O líder de eventos Mário José, recifense de vinte e dois anos, foi quem conseguiu tirar a faca stainless de cabo emborrachado e lâmina de treze centímetros das mãos do aposentado Ricardo, e diz que a versão dele não passa de fantasia. Que ele estava bêbado ou drogado quando atacou e o fez de maneira covarde e gratuita.

A Guarda Municipal também socorreu o comerciante Edilson, e depois a viatura conduziu comandada pelo GCM Waldir conduziu a todos à presença da delegada de polícia Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres. Que achou por bem indiciar Ricardo Martini por lesão corporal.

Tentativa de homicídio em templo evangélico em Itu.

Homem simples e laborioso, este lavrador oriundo de Paranapanema, em seus 49 anos de vida, nunca precisou tanto de seu Deus como naquele momento. O medo pairava no ar entre aquelas pessoas que se reuniram na casa de seu Antônio para louvar o nome do Senhor Jesus, residência que pela sua fé se transformou em local de culto evangélico. Antônio Santos de Souza nunca mais esquecerá o que ocorreu aquela noite de quinta-feira, por volta das dez da noite na Rodovia Marechal Rondon km 116, no Bairro Itaim, em Itu, no interior de São Paulo.

Horas antes, o paulistano José Jorge, um agente da segurança pública da cidade de Itu, prepara-se calmamente para jantar, quando Ivanil lhe disse que ele mesmo faria a comida. Pediu ao amigo paulistano o carro emprestado (A), ia dar um pulinho na casa de sua garota antes de jantar, mas voltaria em vinte minutos, a tempo de preparar o rango. Ivanil Inácio de Souza, nascido em Paranavaí há 55 anos, caseiro em uma chácara no Condomínio City Castelo, estava a nove dias dividindo aquele apartamento com o agente da segurança, e este estava satisfeito com a parceria. Ivanil era uma pessoa pacata e tudo levaria a crer que pagaria direitinho sua parte das despesas, o que viria a calhar, afinal a vida não andava muito fácil. Além disso, não seria por muito tempo, Ivanil dizia que ia começar a construir no terreno que ele tinha na cidade, e assim que desse para lá mudaria com a sua amasia da qual se separara a alguns dias pois não queria mais viver na casa dos sogros com quem não se dava muito bem.

O policial que estava de plantão na 1ª Companhia da Polícia Militar de Itu naquele 16 de julho de 2009 vê chegar um senhor desesperado. Dizia ele que recebeu em seu trabalho, uma ligação de uma de suas filhas, contando que seu genro havia entrado armado e ameaçara a todos naquela casa, dizendo: "vai sobrar para todo mundo". Sua esposa estaria escondida em casa de visinhos. A Polícia Militar, prontamente se mobiliza e acompanhada de Marcelino Benedito dos Santos, sexagenário baiano natural de Ribeiro do Pombal, até o Pesqueiro Olhos d'Água (B), onde este reside com a família.

Só com a chegada da polícia dona Miralda Maria de Jesus, pombalense de 46 anos, companheira de seu Marcelino teve coragem de sair da proteção da casa de seu vizinho, o evangélico Antônio. Familiares. Ivanil a muito ameaçava a família, mas ninguém acreditava  que ele tentaria realizara suas ameaças, mas naquela noite ele estava possesso.

Impedido de entrar na casa por dona Miralda forçou o portão tentando abri-lo a força, mas o cadeado resistiu. Não seria aquilo que o deteria, pulou o portão e com um chute arrebentou a porta da casa. Medo e gritos não impediram de que o homem ensandecido sacasse a arma que trazia na cintura e coloca-se à na cabeça da senhora, exigindo aos gritos que ela entrega-se sua filha Maria José de Jesus, com quem viveu durante quatro anos naquela mesma casa, até que ele mesmo terminou o relacionamento a nove dias. Quando ela disse que a moça por lá não estava, disparou primeiro em direção a cabeça dela e depois para o alto.

Dias antes, em uma de suas ameaçadoras ligações telefônicas, Ivanildo disse que aquela família iria "chorar lágrimas de sangue", dona Miralda respondeu que Jesus não ia permitir isso acontecesse, ao que ele respondeu que: "Jesus está morto". Fato é que os dois tiros disparados por Ivanil não saíram. Dona Miralda se aproveitou quando ele a empurrou usando a arma e saiu da casa correndo, buscando abrigo entre os fiéis da casa de seu Antônio.

Após a fuga de sua vítima, o homem começa a caçá-la. Vai até aonde se reúnem os evangélicos, mas eles dizem que ela não está lá. Ele assusta a todos com seu jeito e não larga a arma. Como todos afirmam que não foi para lá que ela fugiu ele desiste. Pega o Celta Preto de seu colega paulistano e se dirige a um eucaliptal lá próximo (C), onde esconde a arma. Mais tarde, perante o juiz, Ivanil vai declarar que tinha a intenção de devolver a arma, mas o promotor de justiça Rafael Corrêa de Morais Aguiar usará este fato contra o réu.

É coisa do Coisa Ruim ajudar a fazer, e não a esconder, e foi isso que aconteceu. Ivanildo após esconder a arma resolveu voltar à cena do crime como se nada tivesse acontecido. Quando por lá chegou, viu dezenas de pessoas cercando a viatura policial: os familiares, os evangélicos e a vizinhança toda. Os policiais mandam que ele desça do carro, mas o rapaz recusa-se a sair do veículo. Os policiais cercam o carro e usam de força para tirá-lo de lá, e o questionam a respeito da arma. Ivanildo não se dá por vencido e nega que tivesse utilizado qualquer arma.

A Guarda Civil Municipal também está na busca, vai até o Jardim Rosinha e acordam o proprietário do veículo, o paulistano diz que realmente tinha emprestado o carro e leva o GCM Tártari até o armário onde ele guardava sua arma, cujos documentos estavam de acordo com a legislação, e constata que sua pistola Taurus 380 niquelada havia desaparecido. Retornando ao local dos fatos, a guarnição da guarda municipal coloca Ivanildo diante dos fatos: agora, com ou sem arma, ele não tem mais como negar que agiu armado. Diante disto ele resolve colaborar levando os policiais militares até o local onde estava a pistola.

Perante a autoridade do 2º distrito policial de Itu, o Dr. José Moreira Barbosa Netto, nada quis Ivanildo declarar, mas perante o magistrado da 2ª Vara Criminal de Itu, o Dr. Hélio Villaça Furukawa, disse que não tinha a intenção de atirar, pretendia apenas assustar a família, e assim, trazer sua amada Maria José de Jesus novamente para perto de si. Mostra também ao juiz diversos certificados das escolas de formação de vigilantes, que o consideraram apto para o manuseio de arma de fogo, e, portanto ele sabia que a arma não dispararia, pois estava travada.

Ele diz que se de fato quisesse matar as mulheres as teriam matado com toda a facilidade. O promotor de justiça relembra que uma das diretrizes do modo de agir dos homens de segurança é que jamais se coloca o dedo no gatilho a não ser que se tenha intenção de atirar, sendo assim, tendo ele sido treinado com esta norma, ele assumiu o risco de atirar de fato. Além disso, a trava não seria uma fonte totalmente idônea, devendo ser considerado apenas como ferramenta preventiva.

Diante de tudo isso os jurados do Tribunal do Júri de Itu considerou que o rapaz de fato não quis matar as mulheres, apenas a assustá-las.

Três facas, dois assaltos e uma inimputável em Itu


Itu, 9 de junho de 2009, final de tarde, próximo ao Supermercado Continental (A).

O GCM Rota e o GCM Arlindo abordaram Ana Cristina Nunes que segundo populares estaria em atitude suspeita. Inquirida pela guarnição ela apresentou três facas serrilhadas de cozinha que consigo levava, dizendo que estava indo para sua casa – os guardas sabiam que não era verdade, mas nada se poderiam fazer naquele momento.

Começa a cair à noite quando Lizane vê a última cliente sair da loja e se prepara fechar o comércio quando vê uma mulher que ela não conhece entrar com uma faca e encostar no corpo de sua mãe – a dona da lojinha – e  manda-a esvaziar o dinheiro do caixa.

Ana Cristina estava assaltando o pequeno Bazar e Papelaria União, na Rua João de Toledo Aranha 14 no Jardim União (B), a pouco mais de seiscentos metros donde tinha sido abordada pela viatura da guarda. Não seria o único alvo dela nesta noite.

Antes de sair deu a ordem: “não olhem para onde eu vou e não chamem a polícia!”. Obediente, Lizane não chamou a polícia, ligou para a Guarda Civil Municipal através do atendimento de emergência: 199.

Acionado via rádio, GCM Rota chega ao local e começa a colher os dados quando chega um motoqueiro. Ana Cristina tinha feito mais uma vítima. Leila, comerciante, proprietária da Rio Gás, localizada a poucos quarteirões dali, na Rua Lauro de Souza Lima 221 (C), na Vila Martins, que tinha sido roubada por uma mulher armada de faca.


Lúcifer ajuda a fazer, mas não a esconder. Enquanto os guardas civis passavam os dados para as outras viaturas, Lizane vê no final do quarteirão a ladra (D). – começa a perseguição.

No começo da Rua José Félix dos Santos (E) Ana Cristina encerra sua noite de medo: Tendo roubado oitenta reais da empresa de Lizane e quarenta reais de Leila, ainda estava de posse de cem reais e das três facas, dizendo que entregou os outros vinte reais para um tal de Pelé.

Ao delegado de polícia Dr. José Moreira Barbosa Netto, Ângela Cristina preferiu nada dizer, e este determinou sua prisão. Perante o juiz Dr. Hélio Villaça Furukawa ela assumiu toda a culpa, alegando que pretendia usar o dinheiro para fazer um óculos para um de seus dois filhos, e para provar isso disse que quando foi presa, estava de posse da receita do oculista. Já seu advogado pediu que ela fosse libertada, visto ser La inimputável: Ângela recebe aposentadoria por invalidez, causada por insanidade mental.

O juiz não se convenceu, e espera pacientemente chegar o resultado do laudo pericial feito no dia 13 de outubro. Enquanto isso a Cadeia Feminina de Votorantim tem mais uma visitante.

Os incansáveis profissionais do crime e o direito.


Importante há de ser, para os futuros estudiosos de nossa terra, a coluna do brilhante jornalista ituano José Carlos Rodrigues de Arruda, que leva ao Jornal Periscópio, histórias do dia a dia deste rincão bandeirante. Não histórias tais quais nos acostumamos ver nos livros didáticos, mas a história viva de nosso povo.

Muito me surpreendeu, quando vi lá postada, uma epístola do delegado da Polícia Civil do Pará, Dr. Wilson Ronaldo Monteiro. Este membro da Secretaria de Segurança Pública do Pará, começa assim sua carta-manifesto:

"Senhor Bandido:

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos ... e por aí vai a autoridade policial."
(veja na íntegra)

A crítica, ou melhor, o desabafo deste cidadão, é muito mais que justo. Mas peca pelo atraso e pela desatualização. Chamar um infrator da lei de "Senhor Bandido", hoje, é passível de punição e pode ser considerado ofensivo a dignidade do meliante.

Ora, senhor delegado. Ora, senhor J. C. Arruda.
Esses cidadãos são trabalhadores incansáveis, e como tal devem ser sim respeitados. Sugiro que doravante, o Jornal Periscópio, do qual o senhor é peça fundamental, passe a tratar tal categoria como "profissionais do crime", linha editorial que este blog já adotou, antes que ser processado por alguma organização criminosa ou de direitos.

Não me venham os pregadores do direito do alheio dizer que estou exagerando, afinal Cristo foi proibido de entrar nas escolas italianas por infringir os Direitos Humanos!!! 
(veja matéria sobre esse assunto) Quem dirá nós.

Aqui em Itu, ao menos, o judiciário tem evitado cair na tentação de punir policiais por simplesmente fazer cumprir a lei, a algumas semanas, um cidadão ituano perdeu uma
ação onde reclamava de uma abordagem policial. Mas, mesmo por aqui, existem casos que nem o diabo acredita. Pasmem, senhores, um traficante sobejamente conhecido e já condenado diversas vezes, possui um habeas corpus que o livra de ser revistado. Isto não ocorre em Terras da Carochinha, é um exemplo vivo que percorre as ruas do Jardim Aeroporto, sem ser importunado, afinal, é seu direito.


A risível estória contada pelo cabreuvano em Itu.

Sexta-feira, 17 de agosto de 2007, lá pelas três e meia da tarde. José Thiago, um ajudante geral de Cabreúva, chega a rodoviária de Itu (A). Sua intenção era visitar seu amado pai, mas o destino lhe reservava uma surpresa.

Como não encontrou seu ente querido em casa, resolveu ele dar um passeio pela estância turística, afinal Itu é conhecida por seu eixo histórico com antigos casarões e belíssimas igrejas barrocas e neoclássicas. Enfim, de passo em passo acabou indo até o Jardim Vitória (B) e de lá retornando ao centro. Tudo deveria ter terminado assim, mas...

O passeio foi longo, afinal, José Thiago queria conhecer um pouco da cidade. Já haviam se passado mais de dez horas desde que chegara, e já era madrugada de sábado, uma e meia da manhã e ele ainda estava perambulando por cá e por lá, quando, uma pessoa em cima do telhado da loja Schanoski Antenas Parabólicas na Rua Dr. Silva Castro na Vila Nova (C), assobiou para ele.

Muito prestativo, ele se aproximou e um rapaz de cima da loja pediu que Thiago o ajudasse a passar uma caixa por cima da grade, colocando-a na calçada. Com toda cortesia que lhe é familiar, o mancebo ajudou ao desconhecido, que pulou então para a rua. Chegando ao solo o rapaz vê um vigilante noturno que por ali passava com sua moto e fala para Thiago: "vai sujar, corre". Fala e já sai no pique, e o cabreuvense corre para o outro lado, perseguido de perto pelo segurança, que com auxílio da Guarda Civil Municipal, o deteve na Praça do Carmo (D) no centro da cidade.

O vigilante noturno Aguinaldo, um cotiense de 44 anos, confirma a versão do rapaz. De fato, ele viu Thiago pegando a caixa e colocando-a na calçada, e viu também o outro rapaz que correu para o outro lado. Após perseguir Thiago, Aguinaldo ligou para o proprietário da loja, o paranaguaense José Elias Schanoski, que foi até seu comércio e constatou que os jovens haviam retirado e danificado: trinta telas de alumínio para armação de antenas e três armações para antenas de UHF, num valor aproximado de trezentos e trinta reais.

Shanosky chama a atenção para a destreza necessária para realizarem tal furto, visto que a empresa possui grades e portões com mais de dois metros de altura, encimados por arame farpado, mas que nem isso desestimulou os meliantes.

Ao GCM Adorian, Thiago disse que já era conhecido dos meios policiais de Cabreúva, o que explica o fato de quando o Delegado de Polícia Dr. José Moreira Barbosa Netto, ter tentado contato com a mãe do garoto ela ter lhe respondido: "os problemas do filho dela eram problemas dele mesmo".

Ao analisar tudo isso, o juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa declarou em sua sentença: "a alegação de que apenas passeava pelo local é risível e não merece nenhuma credibilidade". Mas o réu não pode ouvir sua pena, afinal, a justiça ainda está a sua procura.

Furto na loja de doces da Vila Nova em Itu.

Um homem em desembalada carreira desce a rua Joaquim Bernardo Borges, no bairro Vila Nova em Itu, em direção ao Hospital Sanatorinhos, seguido de perto por um rapaz que o persegue. Esta cena foi descrita ao GCM Gilmar que estava em patrulhamento ali perto e rapidamente que conseguem alcançar aos dois personagens.

O primeiro era o servente Antônio Anselmo, 38, natural de Palmeirândia, que estava a frente sem camisa e atrás dele vinha o estudante Bruno, filho do proprietário da Star Doces, Antonio Donizetti , que estava viajando.

Antônio explicou o por que de estar fugindo de Bruno: tinha bebido um pouco e estava resolvido a comer um doce; passando pela doceria em que estava o garoto, comprou e pagou normalmente a guloseima, mas como o rapaz estava ao telefone, achou que este não perceberia quando ele tirasse uma grana do caixa. Mas o diabo ajuda a fazer mas não ajuda a esconder. Quando estava pegando o  dinheiro, umas moedas vieram a cair no chão, chamando a atenção de Bruno, que não teve dúvidas: correu atrás do prejuízo. Ele até jogou o dinheiro que tinha pego no chão, mas o estudante agarrou a grana e ainda assim o alcançou.

Levado a presença do delegado de polícia pelos guardas municipais, Antônio Anselmo, que já foi processado dezessete vezes por furto, foi preso, e responderá a este crime atráz das grades.

Drª Paula Sarmento Penna questiona ação da Guarda.

O encanador Vítor Gerson da Silva trafegava pelo Parque América em Itu quando colidiu seu veículo em  outro dirigido pelo GCM Nelson. Vítor foi acusado de estar dirigindo embriagado e sua advogada questionou a ação da Guarda Civil Municipal no atendimento desta ocorrência.
Drª. Paula Sarmento lembra que a Polícia Civil não atende acidente de trânsito e sim a Polícia Militar, pois não se encontra em suas atribuições tal função, e se o fez foi uma exceção por ser um guarda civil um dos envolvidos, numa “ação entre amigos” que usou um “poder de polícia paralelo” para favorecer um membro da corporação, pois mesmo a polícia militar não se desloca até o local do sinistro quando é um caso de acidente sem vítima.
Apesar dos esforços da advogada de defesa a situação do acusado era indefensável. A própria esposa do réu declarou para aos guardas que ele era “um viciado assumido” e estes tiveram que atuar para que Vitor não a agredisse naquele momento.
O GCM Oliveira declarou que de fato não foi para o local para registrar um boletim de ocorrência de acidente de trânsito sem vítima, e sim para atender a um caso de desinteligência e embriaguez ao volante, o que derrubou a tese defensiva de favorecimento corporativo.
Mesmo antes da declaração do guarda civil o magistrado Dr. Hélio Villaça Furukawa já havia declarado que o “eventual abuso de autoridade deve ser apurado na via própria e nada interfere no delito ora apurado”.
A advogada ainda elencou três testemunhas que endossariam a tese que ele bebeu depois do acidente e não estava embriagado na hora do sinistro. Ela baseou a teoria no fato de que houve um lapso de três horas entre o acidente e o exame de teor alcoólico e Mário Abílio Neves, Antônio Pianca Sobrinho e Elton Alex da Silva provariam que ele foi para o bar depois do acidente.
Foram patéticas as declarações dos três, o que contrastava com o seguro depoimento da acusação. O juiz chegou a declarar que “a alegação do réu de que bebeu somente depois da colisão é ridícula e não encontra amparo nos autos. É evidente que o réu estava embriagado no momento da colisão. Além disso, já foi processado anteriormente pelo mesmo delito, indicando ser pessoa dada ao vício da bebida e da direção embriagada.”
Nove meses com a carteira de habilitação recolhida e um ano de trabalhos comunitários foi a pena imposta pela justiça a Vitor, que quem sabe não terá mais que enfrentar a alegada injusta da “ação entre amigos” da Guarda Civil e da Polícia Civil.

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Tentativa de homicídio na Vila Progresso em Itu.

A garota acorda assustada e sua mãe lhe diz que a tia Rosa havia tentado matar o seu tio Alvacir. Passava um pouco das 16 horas de sexta-feira, dia 30 de maio de 2009 quando Valéria da Conceição Américo levantou e soube da gravidade dos ferimentos e chama o serviço de ambulância, mas não tem nenhuma naquele momento que possa ir em socorro. Disca então 199 e pede ajuda à Guarda Civil Municipal de Itu, que chega em poucos minutos. Segundo o Promotor de Justiça de Itu, Dr. Alexandre Augusto Ricci de Souza, o caranaibense Alvacir Fernandes da Silva só foi salvo, pois a GCM Rosimary e o GCM Rosival prestaram eficiente socorro à vítima.

Alvacir está amasiado com Rosalina Américo há oito anos e ambos são catadores de papéis em Itu, na Vila Progresso, vivendo na Rua Segundo Feriozzi, e naquele dia, o casal que já tinha por hábito brigar violentamente, exagerou, e Alvacir sofreu um profundo corte de sete centímetros no pescoço que quase o levou à morte, deixando-o três dias no hospital e causando paralisia parcial dos movimentos de um dos lados do corpo.

Ela contou que...

Seu amásio Alvacir tem costume de beber, e naquele dia...

... ele que era demasiadamente ciumento, chegou em casa e foi conversar com o pai dela, que por ali estava. Aparentemente ele tinha ficado muito nervoso com ela, ciúmes de um cara que teria estado por ali a conversar com o seu pai, mas que ele encasquetara que tinha ido atrás dela. Ela que é uma senhora "com uma filha e dois netos", ninguém de fora entra na casa, mas ele encasquetava que Rosa lhe traía. De repente ele vira e joga uma garrafa de 51 na direção dela, a garrafa estoura sobre o tanque de lavar roupas, ela pega um pedaço e joga na direção dele. Pronto, mal feito, feito.

Ele contou que...

Sua amásia Rosa tem o costume de beber, e naquele dia...

... ele tinha ido visitar seus filhos no CEACA, e quando voltou de lá contou para ela que naquele dia não houve visitas. Ela já aparentava estar muito nervosa. Ele foi então preparar um caldo de cana para acalmá-la, e levou um susto quando ela começou a gritar com ele: "filho de uma égua", "isto é uma prisão", e outras coisas. Mas ele não perdeu as estribeiras, ficou confeccionando um "teclado de garrafas" que pretendia dar para o pai dela. Como Rosa viu que ele não ia perder a calma, acabou saindo comprar uma 51, que tomou toda sozinha. Quando voltou jogou um pedaço da garrafa em sua direção, acertando-o, e mesmo vendo-o sangrar muito, ainda jogou-o para fora da casa, juntamente com todas as suas roupas.

Ambos concordam que...

Foi brincadeirinha e que querem ficar morando juntos por muitos anos. E, como ambos concordaram com isso, a juíza da 1ª Vara Criminal de Itu, Drª Andrea Ribeiro Borges, acolheu a tese da promotoria e da defesa que pediram a desclassificação do crime de tentativa de homicídio para lesão corporal grave. Condenando Rosa há três anos e meio em regime semi-aberto. Ela que já possui outras duas dúzias de condenações por furto, lesão corporal e tentativa de homicídio, já está na rua, podendo viver com seu amado no aconchego de seu lar.

Todos teimaram que ele estava embriagado!

O pedreiro paulistano Paulo Samuel Alves Cardoso estava com sua Brasília vermelha no posto Puma na cidade de Itu abastecendo calmamente seu veículo quando foi abordado por uma viatura da Guarda Civil Municipal.

Os guardas municipais vieram com a absurda acusação que ele tinha batido seu veículo em um caminhão. Ora, estava ele vindo para o aconchego de seu lar, ali mesmo, no Jardim Aeroporto, e não se lembrava de ter batido em nada – Quanto mais em um caminhão!!! Os guardas falaram que ele estaria bêbado, mas qual o quê! Só tinha ingerido meia dose de cachaça, nada mais! Além disso, era noite de sexta-feira (20/06/2003 - 21 horas). Seja como for, para não discutir, concordou em ir até a delegacia.

Lá ficou sabendo que o motorista do caminhão tinha acionado a guarda municipal, pois segundo este, ele estaria dirigindo de forma irresponsável, e além de abalroar o seu veículo de carga, ele havia quase atropelado uma pessoa.

O guarda que atendeu a ocorrência, o Gcm Tártari, também teimava em insistir que ele aparentava embriaguez. Para tirar definitivamente isso a limpo a questão, Paulo foi aconselhado pela delgada de polícia Drª. Márcia Pereira Cruz Pavoni Silva a fazer o exame químico toxicológico.

Pronto! Já não bastavam o caminhoneiro e o guarda e agora este exame também teimava afirmar que ele estaria ébrio. Além disso, a delegada encasquetou que tinha que guinchar seu carro, só por que ele não tinha carta de motorista.

Mas tudo teria sido resolvido rapidamente se Paulo Samuel não tivesse resolvido ficar longe da Justiça. Sendo um crime de tão baixa gravidade foi solto em seguida, devendo apenas manter a Justiça informada de seu paradeiro. Mas por descuido ou por esperteza, não o fez. Dezenas de buscas foram feitas até que seu filho foi localizado e deu seu novo endereço no Jardim Morada do Sol em Indaiatuba.

Paulo então compareceu ao 1º DP da cidade de Itu, mas sumiu novamente, antes da audiência que ocorreu dia 24 de setembro de 2009, e na qual foi finalmente condenado, mesmo sem a sua presença. Um dia, quem sabe, ele apareça para acertar sua conta com a Justiça: prisão administrativa por 30 dias.

Pagou o traficante com uma facada no coração.

O homem vê os guardas municipais chegando e se encolhe cadeira no canto do bar de sua mãe. Ivo dos Santos Ruas com então 25 anos, um chapeiro conhecido como Isca no Bairro Cidade Nova da cidade de Itu, estava ainda com as roupas sujas de sangue.

Naquele sábado, 18 de abril de 2009, logo depois do meio dia Ivo encontrou com Vanderlei da Silva para o qual devia cinco ou dez reais, dívida de drogas (Avenida Paz Universal esquina com a Rua Avaré). Ao ser cobrado, Isca tentou enrolar um pouco mais Vanderlei e o clima esquentou, pois o traficante inconformado o agrediu com um tijolo. Mas a reação de Isca foi fulminante: com uma faca que ele trazia consigo desferiu um único golpe contra o coração do traficante, que faleceu mesmo tendo sido socorrido no PAM da Vila Martins.

Uma equipe da GCM de Itu estava fazendo um patrulhamento próximo ao Posto de Saúde quando foi informada que haveria naquele local uma pessoa ferida a faca. Os parentes da vítima acusavam Ivo pelo crime, visto que Airton Pereira dos Santos, o Ailton Gordo ou Repolho, como também é conhecido, teria visto tudo. O irmão de Vanderlei, Cícero Aparecido da Silva, disse saber onde o assassino estaria e indicou o local aos guardas municipais.

Assim, o GCM Luciano e o GCM Adilson adentraram o bar em busca de Isca.

Ivo negou tudo aos guardas civis afirmando que de fato tinha discutido com Vanderlei e tendo até recebido uma tijolada, mas em nenhum momento havia o apunhalado. Seja como for, concordou acompanhar a guarnição até o 4º DP para prestar depoimento e de lá foi mandado para o CDP de Sorocaba.

Drª. Mariane Monteiro Schmid e a evolução criminal.


Ele evoluiu: em 1998 foi processado por dirigir sem habilitação, agora em 2008 foi flagrado dirigindo sem habilitação, de maneira perigosa, embriagado e desacatou e agrediu aos policiais que o socorreram.

Drª. Mariane Monteiro Schmid, promotora de justiça da Comarca de Itu, explica que “é sabido que o criminoso comum começa praticar pequenos delitos e, quando não encontra limites no ordenamento jurídico, acaba praticando outros mais graves e lucrativos”.

Domingo, 27 de Janeiro de 2008. 21 horas
Rodovia SP-79, próximo ao Hospital do Pira, Itu, SP.

Uma viatura da Polícia Militar segue em patrulhamento pela Avenida da Paz Universal quando os policiais vêem que um uno branco que seguia em direção à Itu bate na traseira de uma moto derrubando seus dois ocupantes. O motorista não para e empreende fuga.

Os policiais solicitam pelo rádio apoio para a perseguição do carro e socorro às vítimas, seguindo no encalço do veículo. Bastaram mil metros para que o José Carlos chegasse ao trevo da Rodovia do Açúcar, e devido à alta velocidade saísse para o gramado onde o carro atolou, e mesmo cercado pelos policiais ele tentou vencer pela força os agentes da lei.

Dominado, o infrator foi primeiramente foi levado para o local do acidente e mais tarde ao delegado Dr. Antônio Carlos Padilha. Este contou que o ceramista estava exalando um forte odor etílico, e a embriagues que foi confirmada pelas peritas Drª. Maria Heloísa de Angeli Loureiro e Drª. Maria das Gracas Silva de Jesus, que ao analisar o sangue de José Carlos encontraram 3,3 g/l.

Com a mesma dosagem alcoólica no sangue, alguns anos atrás, um caminhoneiro atropelou um ciclista a poucos quilômetros do mesmo local onde José Carlos cometeu agora este delito. Aquele motorista acabou sendo condenado a seis anos de prisão pelo Tribunal de Júri da Comarca de Itu.

José Carlos teve sorte: os motoqueiros não se feriram e além dos danos nos veículos foi condenado por todo seu leque delituoso a uma pena de apenas seiscentos reais divididos em três pagamentos, em favor do Instituto Formando Gente.

E quem sabe, consiga demonstrar que a Drª. Mariane estava errada e que ele não voltará em 2018 ao tribunal com um atropelamento com morte, um novo passo em sua prevista evolução delituosa.

Ninguém põe a mão em mim!

Ao retornar da missa da Igreja do Bom Jesus ou do tradicional Bar do Alemão, o cidadão que deixou seu automóvel estacionado na Praça do Bom Jesus por vezes não encontra seu veículo.

O esquema utilizado pelos criminosos é simples: o olheiro fica sentado na praça ou em um veículo próximo e quando o carro escolhido chega informa ao comparsa que chega, abre, entra no veículo e leva-o em menos de dois minutos. Se surpreendido pelo retorno inesperado do proprietário, cabe ao olheiro avisar e ajudar na fuga, seja intimidando ou atrasando a ação do infeliz proprietário.

A Polícia Militar passou a abordar a pessoas que estivessem por aquele local de forma a inibir este tipo de crime, e foi assim que Tiago Lins entrou em nossa história, pois ele resolveu lutar pelos seus direitos.

Com a frase "Ninguém põe a mão em mim!", o servente Tiago Lins da cidade de Itu recebeu os policiais militares que o abordaram na Praça da Independência e uma simples atividade de rotina virou dois processos judiciais e horas de delegacia.

Segundo Tiago, ele estava estacionado com seu Peugeot preto aguardando sua esposa, quando teria notado uma viatura da polícia, e percebendo que seria abordado, desceu do carro e apresentou os documentos aos policiais. Estes, sem mais nem menos, mandaram-no ficar de costas e com as mãos para trás. Calmamente, Tiago questionou os policiais, lembrando-lhes os seus direitos como cidadão. Rapidamente foi dominado, algemado e conduzido à delegacia.

Uma testemunha que mora em frente ao local tem outra versão: os policiais estavam passando pelo local quando pararam e deram ordens para que o cidadão descesse do carro, mas este se recusou a sair do veículo, dizendo que não era bandido e que no máximo os policiais poderiam ver o documento e na mão dele. Os agentes da segurança pública, ainda segundo esta testemunha, teriam tentado convencê-lo a colaborar, explicando que a abordagem estava sendo feita dentro de uma operação policial, e que tudo acabaria rapidamente, insistido na colaboração do condutor. Só depois de muito custo, este aceitou sair do veículo, mas ainda assim não permitiu que os policiais fizessem a revista pessoal ou veicular. Os policiais alertaram que deveria ele seguir o procedimento para sua segurança e a deles próprios, mas não tiveram sucesso. Como Tiago estava já com animo alterado, algemaram-no e conduziram-no até a Delegacia de Polícia.

Tiago responde agora a um processo por desobediência, que ainda não foi julgado. Mas a ação que este abriu contra o Estado já foi considerada improcedente pelo juiz da 2ª Vara Civil de Itu, Dr. Cássio Henrique Dolce de Faria. Este magistrado considerou que a princípio o uso da algema neste caso teria sido abusivo, mas ressalta que os policiais e testemunhas foram coerentes no descrever a ação policial, e "justificam a contento o uso de algemas para a contenção do autor e para o cumprimento da ordem de prisão por desobediência". Além disso, contradizendo sua própria versão perante a autoridade judicial, Tiago declarou: "não colaborei com a abordagem policial, porque não concordo com os métodos utilizados; pois não sou ladrão e não permiti que fosse submetido á revista pessoal e além do mais vocês policiais trabalham de maneira errada".

Com isso Tiago Lins, foi condenado a pagar mil reais pelo custo do processo, mas como é beneficiário da justiça gratuita...

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