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Tentativa de homicídio em templo evangélico em Itu.

Homem simples e laborioso, este lavrador oriundo de Paranapanema, em seus 49 anos de vida, nunca precisou tanto de seu Deus como naquele momento. O medo pairava no ar entre aquelas pessoas que se reuniram na casa de seu Antônio para louvar o nome do Senhor Jesus, residência que pela sua fé se transformou em local de culto evangélico. Antônio Santos de Souza nunca mais esquecerá o que ocorreu aquela noite de quinta-feira, por volta das dez da noite na Rodovia Marechal Rondon km 116, no Bairro Itaim, em Itu, no interior de São Paulo.

Horas antes, o paulistano José Jorge, um agente da segurança pública da cidade de Itu, prepara-se calmamente para jantar, quando Ivanil lhe disse que ele mesmo faria a comida. Pediu ao amigo paulistano o carro emprestado (A), ia dar um pulinho na casa de sua garota antes de jantar, mas voltaria em vinte minutos, a tempo de preparar o rango. Ivanil Inácio de Souza, nascido em Paranavaí há 55 anos, caseiro em uma chácara no Condomínio City Castelo, estava a nove dias dividindo aquele apartamento com o agente da segurança, e este estava satisfeito com a parceria. Ivanil era uma pessoa pacata e tudo levaria a crer que pagaria direitinho sua parte das despesas, o que viria a calhar, afinal a vida não andava muito fácil. Além disso, não seria por muito tempo, Ivanil dizia que ia começar a construir no terreno que ele tinha na cidade, e assim que desse para lá mudaria com a sua amasia da qual se separara a alguns dias pois não queria mais viver na casa dos sogros com quem não se dava muito bem.

O policial que estava de plantão na 1ª Companhia da Polícia Militar de Itu naquele 16 de julho de 2009 vê chegar um senhor desesperado. Dizia ele que recebeu em seu trabalho, uma ligação de uma de suas filhas, contando que seu genro havia entrado armado e ameaçara a todos naquela casa, dizendo: "vai sobrar para todo mundo". Sua esposa estaria escondida em casa de visinhos. A Polícia Militar, prontamente se mobiliza e acompanhada de Marcelino Benedito dos Santos, sexagenário baiano natural de Ribeiro do Pombal, até o Pesqueiro Olhos d'Água (B), onde este reside com a família.

Só com a chegada da polícia dona Miralda Maria de Jesus, pombalense de 46 anos, companheira de seu Marcelino teve coragem de sair da proteção da casa de seu vizinho, o evangélico Antônio. Familiares. Ivanil a muito ameaçava a família, mas ninguém acreditava  que ele tentaria realizara suas ameaças, mas naquela noite ele estava possesso.

Impedido de entrar na casa por dona Miralda forçou o portão tentando abri-lo a força, mas o cadeado resistiu. Não seria aquilo que o deteria, pulou o portão e com um chute arrebentou a porta da casa. Medo e gritos não impediram de que o homem ensandecido sacasse a arma que trazia na cintura e coloca-se à na cabeça da senhora, exigindo aos gritos que ela entrega-se sua filha Maria José de Jesus, com quem viveu durante quatro anos naquela mesma casa, até que ele mesmo terminou o relacionamento a nove dias. Quando ela disse que a moça por lá não estava, disparou primeiro em direção a cabeça dela e depois para o alto.

Dias antes, em uma de suas ameaçadoras ligações telefônicas, Ivanildo disse que aquela família iria "chorar lágrimas de sangue", dona Miralda respondeu que Jesus não ia permitir isso acontecesse, ao que ele respondeu que: "Jesus está morto". Fato é que os dois tiros disparados por Ivanil não saíram. Dona Miralda se aproveitou quando ele a empurrou usando a arma e saiu da casa correndo, buscando abrigo entre os fiéis da casa de seu Antônio.

Após a fuga de sua vítima, o homem começa a caçá-la. Vai até aonde se reúnem os evangélicos, mas eles dizem que ela não está lá. Ele assusta a todos com seu jeito e não larga a arma. Como todos afirmam que não foi para lá que ela fugiu ele desiste. Pega o Celta Preto de seu colega paulistano e se dirige a um eucaliptal lá próximo (C), onde esconde a arma. Mais tarde, perante o juiz, Ivanil vai declarar que tinha a intenção de devolver a arma, mas o promotor de justiça Rafael Corrêa de Morais Aguiar usará este fato contra o réu.

É coisa do Coisa Ruim ajudar a fazer, e não a esconder, e foi isso que aconteceu. Ivanildo após esconder a arma resolveu voltar à cena do crime como se nada tivesse acontecido. Quando por lá chegou, viu dezenas de pessoas cercando a viatura policial: os familiares, os evangélicos e a vizinhança toda. Os policiais mandam que ele desça do carro, mas o rapaz recusa-se a sair do veículo. Os policiais cercam o carro e usam de força para tirá-lo de lá, e o questionam a respeito da arma. Ivanildo não se dá por vencido e nega que tivesse utilizado qualquer arma.

A Guarda Civil Municipal também está na busca, vai até o Jardim Rosinha e acordam o proprietário do veículo, o paulistano diz que realmente tinha emprestado o carro e leva o GCM Tártari até o armário onde ele guardava sua arma, cujos documentos estavam de acordo com a legislação, e constata que sua pistola Taurus 380 niquelada havia desaparecido. Retornando ao local dos fatos, a guarnição da guarda municipal coloca Ivanildo diante dos fatos: agora, com ou sem arma, ele não tem mais como negar que agiu armado. Diante disto ele resolve colaborar levando os policiais militares até o local onde estava a pistola.

Perante a autoridade do 2º distrito policial de Itu, o Dr. José Moreira Barbosa Netto, nada quis Ivanildo declarar, mas perante o magistrado da 2ª Vara Criminal de Itu, o Dr. Hélio Villaça Furukawa, disse que não tinha a intenção de atirar, pretendia apenas assustar a família, e assim, trazer sua amada Maria José de Jesus novamente para perto de si. Mostra também ao juiz diversos certificados das escolas de formação de vigilantes, que o consideraram apto para o manuseio de arma de fogo, e, portanto ele sabia que a arma não dispararia, pois estava travada.

Ele diz que se de fato quisesse matar as mulheres as teriam matado com toda a facilidade. O promotor de justiça relembra que uma das diretrizes do modo de agir dos homens de segurança é que jamais se coloca o dedo no gatilho a não ser que se tenha intenção de atirar, sendo assim, tendo ele sido treinado com esta norma, ele assumiu o risco de atirar de fato. Além disso, a trava não seria uma fonte totalmente idônea, devendo ser considerado apenas como ferramenta preventiva.

Diante de tudo isso os jurados do Tribunal do Júri de Itu considerou que o rapaz de fato não quis matar as mulheres, apenas a assustá-las.

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