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Advogado dúvida a visão biônica do policial federal.


“A prisão de Anderson Cristiano dos Santos Nascimento foi um oásis de fatalidade em um deserto de erros” –  é o que acredita o Dr. Gerciel Gerson de Lima.

Desde o início, nada levava ao seu nome, absolutamente nada, mas uma acusação feita em momento de desespero, um favor prestado a um amigo, e uma afirmação mal colocada haviam-no posto no banco dos réus.

Noite de quarta-feira, 23 de setembro de 2009.

Ao dobrar a escura esquina que o levaria ao trailler de lanches o policial federal Gianpaolo viu aquele Escort prata que vinha no sentido contrário. Um breve olhar para os rostos iluminados por poucos segundos pelo farol de um outro veículo foram o suficiente para jamais esquecer aqueles rostos. Tubo bem que ele é responsável pela segurança de Ministros de Estado e sua eficácia e tirocínio sejam notórios, mas Dr. Gerciel não conseguia se conformar com tanta eficácia.

O veículo virou a esquina. Fosse o que fosse não era com ele. – pensou Gianpaolo.

Entrou então para comprar um lanche, faz seu pedido e lê um jornal enquanto espera. Dois rapazes entram, anunciam o assalto, e pelo menos um deles está com um revólver. Estranho, muito estranho, não dirigem suas atenções para a dona do estabelecimento, tão pouco para os outros clientes, mas sim, para ele. Será assalto ou atentado? Ele era à época segurança para o Ministro da Fazenda – possível.

Um deles manda que ele levante os braços, e nesta hora o melhor é obedecer. Obedece. O outro manda que levante a camiseta. Errou. Ao abaixar as mãos e colocar na cintura para levantar a camiseta, o policial saca a pistola.

Troca de tiros. Os bandidos fogem, tem certeza que acertou, mas fogem.

O osasquense Diego de Oliveira Lima Costa e o ituano Maicon Santanin Petrolino, procuraram ajuda no Posto de Atendimento Médico da Vila Martins (B) localizado a 16 quilómetros do local do crime (A) . Depois de medicados, foram presos pelo GCM Arlindo. Assim a Guarda Municipal, achou a ponta do novelo que levará a prisão de Anderson Cristiano.

Numa acusação feita em momento de desespero, Maicon diz na Santa Casa de Itu que Anderson era o elemento que ficou no carro: fornece o endereço e diz que sua moto ficou lá.

Gestos mal interpretados pela equipe da Polícia Federal que chegou a sua casa: a mãe de Anderson atende e diz que ele não estava, depois de muito custo resolve chamá-lo, e ao aparecer ele tenta ocultar o rosto. Não é o que parece.

Um favor prestado a um amigo, o de deixar que ele guarda-se a moto em sua casa, estava sendo interpretado como prova de sua participação, quando apenas ele havia deixado usar a garagem e nada mais.

Uma afirmação mal colocada, ele não quis dizer, mas disse, que sabia onde estava a arma e o dinheiro do roubo que tinha acabado de ocorrer. O que ele quis dizer era que ele tinha como descobrir onde estava.

Enfim, caminhando neste deserto de erros, os policiais chegaram ao Anderson, que estava agora amarrado neste emaranhado de informações desencontradas, ou pelo menos é assim que pensa o Dr. Gerciel.

O juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa, analisou as informações passadas por ele, pelo vídeo da hora do crime, e pela testemunhas, e concluiu que o PF Gianpaolo, agiu sim dentro dos limites da lei, e haviam provas profundas da participação de Anderson no crime e condenou-o a 10 anos de reclusão.

Dr. Gerciel não se conforma com tal decisão. Argumenta o defensor que Gianpaolo jamais poderia ter participado das investigações, pois como vítima não quer Justiça e sim vingança, colocando naturalmente de lado sua imparcialidade. Lembra também que nenhuma equipe da Polícia Federal pode agir sem ordem, acompanhamento e fiscalização de seus superiores, e nenhum documento apareceu comprovando ser legítima sua atuação neste caso. Desta forma Gianpaolo queria prender um terceiro elemento, e prendeu, por fatalidade, Anderson.

Outro ponto de inconformidade do Dr. Gerciel é a certeza do reconhecimento de Gianpaolo: ...reconhecimento altamente suspeito, por mais biônico que possa ser os olhos do policial, não é crível que, a noite, em via mal iluminada e muito movimentada, em uma fração de minuto... tenha gravado a fisionomia e até a expressão facial, como o policial alega. E lembra que a dúvida é a inimiga da certeza.

Certeza que temos no entanto é que Anderson vai continuar com seu nome no rol dos culpados, pelo menos por ora.

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