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Dois homens feridos a tiros: coincidência ou não?


O GCM Arlindo viu aquele homem caído próximo ao PAM da Vila Martins em Itu, era Maicon um ajudante geral de 26 anos morador daquele bairro. Leva-o para o interior do posto médico. Petrônio diz ao guarda municipal que alguém atirou em sua direção quando estava atravessando a ponte sobre a Rodovia Castelo Branco.

A bala entrou pela sua axila perfuram o pulmão e seu estado de saúde era grave. O médico decide transferi-lo para o Hospital Sanatorinhos juntamente com outra vítima de tiro, o mecânico Diego Oliveira Lima Costa, que também estava sendo atendido naquele momento.

Noite agitada. O PM Fábio fica sabendo que dois indivíduos com ferimentos à bala dão entrada no hospital e segue para lá com o PF Gianpaolo. É o fim dos dias de liberdade de Maicon e Diego. Ambos são reconhecidos pelo policial federal como sendo os autores de um assalto ocorrido momentos antes no Beto’s Lanche na rua Ângelo Gatti, na Vila Gatti.

No hospital Maicon estava sedado e não teve condições de prestar nenhuma declaração, no entanto Diego logo foi liberado e acompanhou os policiais.

Maicon não esperava que tudo acabasse assim quando no começo do ano anterior fugiu do aberto de Itirapina onde cumpria pena por um crime em São Carlos. Tentou desde então ficar longe da vida criminosa, mas a coisa não estava fácil. Em Itu, encontrou uma garota com quem acabou tendo um relacionamento e com ela foi morar, mas as brigas com seu cunhado faziam de sua vida um inferno. Precisava de dinheiro para conseguir sair de lá.

A divida que Maicon tinha com a justiça era uma mácula que o perseguia. Não podia procurar um emprego registrado ou em condomínio, então fazia bico de pintura. Mas isso era pouco para conseguir mudar a sua vida e construir um verdadeiro lar – precisava de mais dinheiro.

A oportunidade apareceu. Diego estava naquele final de mês sem dinheiro e convidou a Maicon para conseguir um dinheiro fácil – plano feito e hora marcada. Diego apareceu para pegá-lo na companhia de um tal de Rodrigo que chegou dirigindo um Escort prata e saíram da Cidade Nova em direção à Itu.

Passaram em frente a um lugar que segundo Maicon parecia uma pizzaria, mas Rodrigo diz que não vai entrar pois é conhecido por lá, então Maicon e Diego descem e seguem para o Beto’s Lanche: a câmera de segurança grava a partir daí toda a ação dos dois.

Maicon puxa seu trinta e oito e anuncia o assalto. A mulher do caixa puxa a gaveta do dinheiro e coloca sobre o balcão. Ele pega algumas notas e põe no bolso da jaqueta. Mas aquele rapaz...

O cara não parava de olhar para ele e parecia estar armado. O rapaz já estava ali no balcão lendo um jornal quando eles chegaram. Maicon pensa que deviam ter ido primeiro nele, mas agora era tarde.

Enquanto Diego acabava de pegar o dinheiro Maicon acuou o rapaz em um canto e mandou que ele levantasse os braços – tudo estava dando certo, faltava pouco.

Diego pede para que o rapaz levante a camisa. NÃO! O rapaz rapidamente abaixa os braços e pega a arma que trazia sob a camiseta. Tiros.

Maicon ainda se lembra de ter atirado enquanto caía. Arrasta-se para fora do trailler. Mais tiros. Cai sob as rodas da moto de entrega. Dor, muita dor.

Sua próxima lembrança é acordar no Hospital Sanatorinhos. Não se lembra de sua fuga, do socorro do guarda civil, apenas que aquela quarta-feira, 23 de setembro de 2009, foi seu último dia de liberdade, pelo menos por algum tempo.

(Veja esta mesma matéria focando em Diego)

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