"O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia."(Millôr Fernandes)

Drogas em Casa, um direito de todos.

Dois trabalhadores são presos. Seus defensores alegam que eles "são pessoas humildes, de baixa instrução e que caíram no caminho das drogas" : o bicicleteiro Douglas Santana Viana e o decorador Cristian José Pereira Pinto.

Flagrados com mais de uma dezena de porções de maconha e de cocaína, no Bairro São José na cidade de Itu, disseram que a compraram de Bim Laden, um traficante que atuaria na entrada do Itaim.

Haveria uma festa, segundo um deles, e a droga lá seria consumida. Os advogados de ambos lembram que o próprio Promotor de Justiça ressaltou “... Douglas trazia consigo drogas ...”. Não existe qualquer impedimento para que o cidadão vá aonde for com seu entorpecente, afinal aqui é Brasil, terra dos bodes expiatórios e nação onde se tapa o Sol com a peneira.

Douglas e Cristian são assumidamente usuários, e seriam condenados apenas por estarem com quantia de entorpecentes acima do comum. Ninguém pode dizer qual a quantidade que indica o que é ou não tráfico. Estavam sim, e o admitem com dezenas de entorpecentes, mas eram deles e ninguém tem direito de se meter com isso.

Ingênuo seria de se imaginar que nos condomínios de alto luxo que existem no município a droga circule com uma paradinha por vez. A compra e a estocagem são feitas em quantidade, afinal, procura-se distanciar-se dos locais de comercialização.

Ambos são humildes e de baixa instrução, e por isso seriam condenados a só poderem ter consigo uma paradinha. Se pertencessem à outra classe social poderiam, em caso de uma improvável prisão, admitir que tivessem estoque para seu uso. Garantem os defensores que o Ministério Público não conseguirá provar o tráfico.

Os advogados de defesa, Dr. Luis Fernando Clauss Ferraz e Dr. Ricardo Ribeiro da Silva, ressaltam a importância de repensar o atual sistema, pois no caso da condenação dos dois trabalhadores por tráfico de drogas, seriam eles jogados na “escola do crime”, encarcerados em um destino onde “dela nunca mais sairão”.

Tornou-se utopia acredita que a prisão reeducará ou ressocializará aos dois amigos. Dr. Ricardo Ribeiro questiona: “... como reeducar quem nunca foi educado? Como ressocializar uma pessoa que foi esquecida pelo Estado, ...” Seria medida de Justiça que os dois fossem libertados.

Coube a Drª. Andrea Ribeiro Borges, juíza de direito da Comarca de Itu dar a resposta: ambos aguardam presos até o julgamento.

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