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Filho preso, mas mãe diz que sua arma é a Bíblia.

Doutora Andrea Ribeiro Borges juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Itu tinha em suas mãos um processo onde parecia que todos estavam mentindo. E tudo havia começado como uma ocorrência de tráfico de drogas atendida ao acaso por uma viatura tática da Polícia Militar.

Segunda-Feira – 13 de outubro de 2008

Os policiais que atenderam aquela ocorrência contaram na ocasião que estavam em patrulhamento pela Rua Antônia Baldin Andreazza, no Bairro São Camilo, na cidade de Itu. Buscavam traficantes que segundo denúncias estariam agindo pelas imediações. Um homem vê a viatura e corre, entrando no corredor de uma casa. Os policiais o seguem, alcançando-o quando este tentava subir em uma escada que estava encostada ao muro do visinho. Revistado, foi encontrado com ele:

• 2 porções de Cannabis sativa (maconha);
• 8 porções de cocaína; e
• 20 pedras de crack.

Depois da revista pessoal, sua mãe chega e diz aos policiais que o seu filho era um foragido da 14ª DP de Natal tendo chegado a casa três dias antes. Já na delegacia a informação é confirmada e o cidadão é detido.

Mas o Paulo tem outra versão...

O potiguara Paulo Justino de Oliveira, o indivíduo preso, negou desde o primeiro momento que a droga estaria com ele. É fato que ele é uma pessoa conhecida dos meios policiais, afinal, já possui passagens por diversos crimes: porte de arma, roubo e assassinato. Mas neste caso específico ele estava sossegado assistindo televisão no quarto da casa de sua mãe, juntamente com a vizinha Joelma e a menina Ane. Conta ele que ouviu quando o portão foi estourado e a porta arrombada. Para afastar o cachorro os policiais teriam usado gás de pimenta, invadiram a casa e o agrediram aos socos e chutes. Depois mexeram em tudo: armário, colchão e cama – nada encontrando. Junto com os policiais estava o investigador Moacir Cova que estaria inconformado por ele ter-se provado inocente em um crime de roubo que foi investigado por Cova.

A defesa do Paulo...

Dr. Cláudio da Silva Alves, seu defensor, apontou alguns erros processuais e ressalta que a mãe e a vizinha não foram ouvidas na Delegacia. Demonstrando a má fé dos policiais que tentaram ofuscar a realidade. Dificultando as investigações.

A vizinha estava lá...

A norte-rio-grandense Joelma Maria da Silva Nunes, uma balconista de vinte e seis anos, conta a mesma história que Paulo, mas apresenta a primeira contradição: não cita em nenhum momento a presença do investigador da civil.

Já a mãe de Paulo...

A camporedondense Francisca Nelma Justino de Oliveira, conta que estava trabalhando quando recebeu uma ligação de casa, dizendo que a polícia estava por lá agredindo seu filho em frente a sua neta. Quando chegou, viu a casa toda revirada, e seu filho Paulo todo machucado. Quando os policiais perguntaram a ela se tinha alguma arma em casa respondeu: “A única arma que possuo é a Bíblia”. Ela conta também que quando falaram que haviam achado drogas com o rapaz, ela pediu para ver, mas eles se recusaram. Ela também não citou em nenhum momento a presença do investigador Cova.

A polícia também se contradiz...

O investigador da civil de fato estava na delegacia e não na casa, como Paulo e tão somente ele afirmou. A vizinha também não aparece nos relatos dos policiais, que lembram inclusive que a criança estava sozinha com Paulo em casa e iriam acionar o conselho tutelar para ficar com a menina. Por outro lado, o sargento responsável pela operação disse na justiça que de fato não estavam em patrulhamento normal para reprimir tráfico de drogas, como havia alegado na delegacia, e sim atrás especificamente de Paulo, tendo visto até sua foto na PRODESP.

E agora...

Caberá a Drª. Andrea Ribeiro Borges decidir com quem está a verdade, e quanto as mentiras influíram no processo.

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