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GCM prende traficante sem drogas em Itu.

Um país injusto este. Um ex-presidiário não tem oportunidades e ainda é perseguido pela polícia. O iguaçuano Amarizio, o Duda, era um egresso, e por isso foi perseguido pela Guarda Municipal de Itu.

Quinta-feira, 08 de dezembro de 2005. – 15:40 horas
Avenida Paz Universal com a Rua RiolandiaCidade NovaItu SP

Duda conta que aquela quinta-feira era um dia tão bom quanto qualquer outro para jogar uma sinuca, afinal, quem pode pode! E se alguém não pode se divertir numa quinta às quatro da tarde... desculpa, mas ele podia.

Estava então ele e seus seletos amigos disputando uma peleja, quando viu do lado de fora do bar (por que sempre tem que ser um boteco?) uma viatura da Guarda Civil fazer a abordagem em um rapaz que por lá passava.

Continuou na dele, afinal, quem não deve não teme.

Curioso, esticou o ouvido a tempo de sacar que os guardas estavam induzindo o carinha que foi abordado na rua, dizer que tinha comprado aquela paradinha de droga com ele. Veja se pode!?! Não fazia seis meses que ele estava na rua e queriam levá-lo de volta!?!

Meteram-no na viatura e levaram-no para a Delegacia de Polícia. O delegado, Dr. José Moreira Barbosa Netto, mandou os guardas até o barraco dele para ver se havia algo mais, e é claro que nada encontraram além de R$ 67,55 que nem era dele.

Outra moradora do barraco, a Janaína, falou que o dinheiro era dele, mas ele negou, reafirmando que só tinha no bolso R$ 19,60 que ganhou vendendo ferro-velho, esta grana que estava na casa alguém é que colocou lá. Ele disse que "moro sozinho e que não gosto de morar com a família, e sei lá quem entra no meu barraco colocar dinheiro quando eu não estou lá".

A juíza de direito da Comarca de Itu ouvia pacientemente Duda, e de quando em quando fazia alguma pergunta.

Quem não parava de se mexer na cadeira era a Drª. Maria Isabel Gambôa Dias Duarte, afinal numa hora ele dizia que estava descendo a rua, depois estava no bar jogando bilhar; num momento ele diz que cumprimentou o conhecido e seguiu seu caminho, depois só estava no bar e viu o conhecido na rua...

A promotora de justiça Drª Maria Isabel estava a pensar que ninguém entrava na casa dela para colocar dinheiro assim sem mais nem menos, e aquele rapaz insistia que alguém entrou na casa dele para colocar grana; pior, na delegacia ele disse que o dinheiro da casa era dele e o do bolso não era, depois diz que o dinheiro do bolso era dele, o da casa é que não; e ainda para fechar com chave de ouro ainda pede para a juíza que conste: “... desejo acrescentar que não vendi a droga naquele dia.” O que é isso? Nos outros dias então ele vendia?

O guarda civil municipal que fez a abordagem foi o GCM Rosival, que viu quando Duda passou alguma coisa para o pintor que foi abordado, não ali, mas um quarteirão acima. Mesmo com seu colega GCM Eudes ferido em um acidente pessoal durante a ocorrência, fez a prisão dos dois e conduziu-os até a 4ª DP antes de socorrer o colega, que dizia para ele prosseguir.

A defensora do réu esmerou-se em tirar a atenção dos argumentos por ele utilizados, afinal, nem ela podia levar a sério aquela linha de defesa. Optou defendê-lo com o argumento que se nenhuma droga havia sido encontrada com ele, não devia ser ele punido, afinal o combate ao tráfico deve ser feito sim nas fronteiras nacionais e junto aos fabricantes de entorpecentes, e não punir apenas o micro tráfico, além disso, a quantidade era tão insignificante que deveria ser enquadrado como delito de bagatela.

Drª Andrea Ribeiro Borges olhou para a defensora, disse que não importa a quantidade de droga e sim o fato, e este está comprovado, a menos que se esqueçam às inúmeras contradições de Duda, virou para seu escrevente de sala e mandou tascar quatro anos para o réu, e que sirva de lição para pelo menos contar uma historinha melhor.

Comentários

  1. Simplesmente um absurdo tudo isso que aconteceu nas margens da lei, que confuso né, então quer dizer que R$ 67,55 é muito dinheiro pra se ter em casa, no escritório da Rosana Sarney encontraram mais de um milhão e não aconteceu nada, politicos encheram as cuecas e meias de dolares e reais e também não deu em nada, 2 pesos 2 medidas, essa é a justiça Brasileira, capitalista e cega.

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  2. Intão. Será que um dia veremos estes pilantras de colarinho branco (aqui de nossa cidade mesmo) sendo presos de verdade??? Não. Só veremos um ou outro indo pro xilindró prá inglês ver.

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  3. Tem o caso daquele que é considerado o chefe do tráfico de drogas no Jardim Vitória, o Júlio César dos Santos - o irmão Preto, que tinha em seu bolso quando da prisão dez reais e mais cento e sessenta e sete na residência e a juíza na época usou o dinheiro como uma das provas para justificar a prisão e declarou: "... não produziu qualquer prova no sentido de que mantinha uma ocupação lícita habitual..."

    De fato se por um lado existe um "quê" de injustiça social, por outro lado também existe a lógica de que quem trabalha tem dinheiro e quem não trabalha não tem.

    Pesando bem... estou para ver filho de político trabalhar e dinheiro é que não falta. Bem, deixa para lá.

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