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Morte cruel na Cidade Nova em Itu próximo ao DP.



O escorpião age por instinto, sem raciocínio, sem sentimentos, apenas ação e reação. Este era o bichinho de estimação do GCM Tártari na sub-sede da Vila Progresso, que o acomodou num aquário e tratava-o a pão-de-ló: de quando em quando eram postos no viveiro alguns baratões, e o aracnídeo matava e comia um a cada três ou quatro dias.

Um baratão, entre os que lá morreram, chamou-nos a atenção por sua ousadia. Enquanto os outros evitavam o venenoso ser, este passava por cima e vez por outra levantava as garras e as patas do invertebrado para procurar alimentos. Um a um os outros baratões eram mortos e comidos, mas o destemido não era atacado – para nosso espanto.

Madrugada de sábado, 24 de janeiro de 2004
– 2:30 horas -

Alexandre, o Xandão, parou no Trailer do Jair (foi no Trailer do Zelito, segundo Edvânia). Seis rapazes lá conversavam quando ele chegou – um deles era o Rafael, o Guiné, que trabalha como chapa na rodovia e algum tempo atrás foi caguetado por Xandão.

Guiné chama de lado Reginaldo, o Lambão, e pede para que leve o desafeto até um lugar mais afastado. Xandão estava bêbado, todos ali estavam, e aceita o convite de Lambão, que o leva até perto do Trailer Altas Horas, defronte à 4ª Delegacia de Polícia de Itu, que fica fechada noite.

Esperam um pouco e em breve chegam cinco rapazes e uma moça. Rafael, o Da Lua, mecânico pede desculpas a sua irmã Edvania atendente do Bar Gaivotas, e derruba e chuta Xandão. Os outros rapazes seguem seu exemplo.

Adilson, Álvaro e Lambão, param quando acham que Xandão está morto. Guiné e Da Lua chegaram aos píncaros da crueldade, batendo com a cabeça de Xandão no chão e pulando sobre ele com os dois pés, assim como aquele escorpião.

O escorpião age por instinto, sem raciocínio, sem sentimentos, apenas ação e reação. Balela! O intrépido baratão teve um terrível fim, que nenhum de seus companheiros de destino tiveram: após ser picado, o aracnídeo arrancou e comeu cada uma de suas articulações, só matando sua vítima depois de devorar todos os seus membros.

Xandão brincou com o perigo, e sobreviveu graças a rápida ação da Guarda Municipal e da Ambulância do PAM da Vila Martins que o socorreram a tempo. O GCM Almeida e o GCM Ademir chegaram a abordar próximos ao local: Guiné, Da Lua e Edvânia. Nenhuma prova os ligavam naquele momento ao crime, e foram liberados.

O GCM Davi Gelli auxiliou nas investigações feitas pela Polícia Civil, e conseguiram desvendar todos os detalhes deste crime.

O Lambão era inimputável naquela época; Dr. José Maria de Oliveira lembra que Álvaro dos Santos Silva tentou impedir que Guiné e Da Lua continuassem batendo; Drª. Neide Maria Vieira Borgo alega que Da Lua só tentou machucar e nunca teve a intenção de matar; Adilson só poderá agora ser julgado por Deus, visto que deixou este planeta; e Guiné tem agora ao seu lado o Dr. Daniel Benedito do Carmo, que não se conforma com as acusações que caem sobre seu cliente, e declara:

Ele está sofrendo constrangimento ilegal, pois a denúncia tenta e intenta de todas as formas e de qualquer jeito imputar ao acusado, de todas as formas possíveis e descritas na tipificação da denúncia. O acusado nunca nutriu ódio pela pessoa da vítima...

Aqueles que não morreram, muito provavelmente, virão a ser julgados pelo Tribunal do Júri de Itu, que com absoluta certeza não agirá como o escorpião ou os algozes de Xandão.

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