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Dr. Fernando Góes Grosso diz NÃO à impunidade.


Basta a impunidade que por aqui reina! – pensou irritado o Dr. Fernando Góes Grosso, Promotor de Justiça de Indaiatuba. Ele não pediu para vir até Itu, foi mandado para cá – juízes, promotores de justiça, e funcionários do judiciário cumprem o Plantão Judiciário que acontece todos os finais de semana na sede da Comarca.

Sábado, 06 de março de 2010 – 9:30 da manhã
Fórum da Comarca de Itu
Rua Luiz Bolognesi, Bairro Brasil

Muito receio, caro promotor, que a irrupção daquela família em sua sala não tenha sido obra do acaso, mas traquinagem de Lúcifer, o Senhor das Trevas. Nada ocorre por acaso, e Dr. Grosso seria a última pessoa que a delegada de polícia de Itu gostaria de ver sentada naquela cadeira, naquele momento, para atender aquela família.

Domingo, 07 de março de 2010 – 10:30 da manhã
Fórum da Comarca de Itu.


A delegada e sua equipe vão até a Promotoria de Justiça dar explicações.
Encontro entre titãs, a terra tremeu, e Lúcifer sorriu.

Sexta-feira, 05 de março de 2010 – 5:30 da manhã
Jardim Padre Bento, Itu SP

Uma mulher sai para trabalhar, e Ainda perto de casa, um homem forte, com cara de poucos amigos a segue. Ela tenta correr e é alcançada. Medo. Pensa que será assaltada, mas não. O homem agarra sua blusa e ela reage. Ele tenta beijá-la e diz “quero você”. Ela luta, apanha, ele é mais forte, parece estar drogado, violência, muita violência.

Arrastada para o mato, grita, e o marido está próximo, corre em seu socorro. O estuprador foge. O homem socorre sua companheira. Tentativa de estupro, disseram os policiais militares que estiveram no local. Lesão corporal, disse a delegada, que de longe tudo ouviu. Tentativa de estupro dirá o Promotor de Justiça, que ouviu a família.

Com as informações passadas pela vítima, a Investipol Adriana e o GCM Wellington, seguem para o local em busca do suspeito: Binho, como é conhecido Fábio César. Ele já havia anteriormente morado lá próximo e a vítima o conhecia de vista. Seu corpo todo tatuado não deixava dúvidas, que havia sido ele.

Todos sabiam muito bem quem era esse Binho, d’outra vez tentou estuprar outra mulher, manchando com sangue vida de uma família de um homem justo e pacífico. Para Binho que é um homem de espírito fraco falta-lhe tudo: nada de dinheiro, nada de estudo, nada de amor verdadeiro, nenhuma paz ele tem. Deus recusou tudo a ele.

Vingou-se de Deus entregando-se às bebidas e as drogas, que lhe tiram agora a razão. Sua verdadeira divindade é o prazer fácil; e sai em busca desse deus nos pontos escuros da cidade. Quero crer que delegada, seja uma mulher de bem; mas como confiar na Justiça se tal crápula, ao ser preso, é solto pela douta autoridade, e foi o que acorreu.

Binho não foi localizado naquele momento, mas os tigres não ressonam se a caça lhes foge, e a Guarda Municipal ficou em seu encalço o dia todo, em todos os lugares em que poderia estar entocado. Passo a passo, cada pegada foi seguida, e o animal estava, enfim, acuado na casa de sua mãe, na rua Amadeu Fragnani, na Vila Fragnani.

Nossa feliz plaga, pródiga em benefícios para criminosos, conta ainda com a displicência de muitos que não querem fazer que a lei, já fraca, seja aplicada. Alarmou-me um secreto pressentimento quando vi orgulhosos de seu trabalho, os guardiões municipais conduzindo Binho para a DELPOL, mas em vão foi o esforço dos tigres.

Sorridente, Binho é de novo um homem feliz. Livre e impune. GCM Rovaldo, GCM Eliseu, GCM M. Silva, GCM Fábio, e toda a equipe que trabalhou na ocorrência puderam voltar para casa tranquilos, cumpriram seu dever, honraram o nome da Guarda Civil Municipal de Itu, e só não tiraram Binho das ruas por diabrura de Satã.

Se Deus escreve certo por linhas tortas, o demônio inspira os homens para o caminho mais fácil. Se o certo era ter escrito “tentativa de estupro” no BO (boletim de ocorrência), por que não fazer uma “lesão corporal” em um TCO (termo circunstanciado de ocorrência). É muito menos papelada e muito menos trabalho.

Deus pode se dar ao luxo de escrever em linhas tortas,
mas os homens não são deuses.

Ao chegar com Binho preso, Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres mandou que os guardas o devolvesse para o aconchego de seu lar, para o carinho de seus entes amados. No Brasil a pena por “lesão corporal dolosa” em verdade em verdade não existe, e assim ele pôde ficar em liberdade, vivendo entre as mulheres e filhas de nossa feliz plaga, pródiga em benesses.

Deixando-as à mercê de Binho, uma raposa no meio de nossas ovelhas, Lúcifer terá muito com o que se divertir. Era tudo que ele queria. Tudo? Não! Nada supera uma briga entre titãs. Dr. Gosso não deveria estar ali, seu lugar era Indaiatuba, mas naquele sábado, naquele plantão judiciário...

Ele, e mais que ninguém se revoltaria tanto com a impunidade e exigiria justiça.

Deus pode ter inspirado aquela família a procurar, naquele sábado a promotoria de Justiça, Ele é quem deve ter assoprado àquela família para levar o jornal Folha da Cidade, que contava em detalhes tudo o que aconteceu. Deus talvez tenha até estado ao lado do jornalista que escreveu com tantas minúcias e tanta inspiração aquela matéria...

Mas ninguém me tira da cabeça que foi Lúcifer quem teve a ideia de escalar para aquele plantão, o irritado Promotor de Justiça da cidade de Indaiatuba, Dr. Felipe Góes Grosso com o seu basta à impunidade que por aqui reina!

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