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A central de distribução de drogas do PCC em Itu.


Já estava dia claro, mas em minha lembrança era uma escura manhã cheia de medo e terror. A família do moto-boy jundiaiense Paulo Rogério, morador da edícula, jurava aos policiais que nunca tinha percebido nenhum movimento estranho na casa da frente. O frio metal das armas dos policias contaminaram suas faces quando deram ordens para que todos não saíssem da casa e fizessem silêncio.

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009. 10:25
Bem nítido em minha memória está a cena daquela casa cercada de policiais. Um deles bate à porta. Chama e apenas o silêncio responde. Dentro da casa estavam a ribeiropretana Juliana de 24 anos e um adolescente.

O rapaz contará depois na polícia que namorava com Juliana há um mês, tendo-a conhecido numa balada no Clube Comerciários. Na noite anterior ele estava com a garota em um barzinho e como não podiam ir para um hotel, visto que ele era menor de idade, um homem que ele não conhecia lhe emprestou as chaves daquela casa para passarem a noite.

A mãe o havia mandado “tomar seu rumo porque era muito madurinho” para ficar em sua casa, e ele que já fazia seus bicos de pintura não pensou duas vezes, indo morar em um apartamento com sua amiga Jassiara, e só naquela noite só foi dormir naquela casa onde os policiais o encontraram.

Os agentes da segurança pública disseram que após baterem na porta e não obterem resposta, arrombaram-na, cumprindo um mandado judicial assinado pelo Dr. Hélio Villaça Furukawa. Ao entrar encontraram Juliana, também conhecida como Loira, nua deitada na cama. O rapaz ao ver a movimentação correu para o banheiro – segundo ele porque achou que era um assalto.

No interior da casa foram encontrados pela polícia:

• Um revólver canela seca Taurus calibre 38 com numeração raspada e 16 cartuchos íntegros;
• um caderno contendo anotações referentes ao tráfico e ao PCC;
• 460 gramas de cocaína em 295 tubetes;
• 2 tijolos de meio quilo de crack;
• 2 tijolos de um quilo de cocaína;
• 2 tijolos de um quilo de maconha;
• um liquidificador industrial Metvisa com vestígios de cocaína;
duas balanças digitais: uma Toledo para 15kg, e outra Diamond de 0,1g à 500g;
• diversos aparelhos celulares; e
• demais materiais para embalagem de drogas.

O Dr. José Moreira Barbosa Netto, delegado do 2º DP de Itu,coroou com êxito esta operação há muito planejada, e não se comoveu com a história contada pelo casalzinho, que dizia estar ali apenas por acaso.

O policial militar que participou com os policiais civis da operação contou que Juliana ainda lhe ofereceu propina, que seria trazida por uma mulher vindo da cidade de Araçariguama, mas ela não sabia que a ajuda jamais chegaria, pois um outro mandato estava sendo cumprindo naquele mesmo momento naquela cidade.

Juliana que havia cumprindo prisão por tráfico de drogas havia recebido a liberdade há menos de quatro meses antes, e foi trazida para Itu pela gerente do tráfico, Cleonice, para supervisionar as operações locais. O rapaz apesar da pouca idade é um velho conhecido da polícia e era responsável pela distribuição das drogas na região central.

O promotor de justiça Dr. Alexandre Augusto Ricci de Souza, conta que a investigação começou um ano antes da invasão policial, focando suas atenções no esquema de tráfico cuja base ficava no Jardim Vitória e era comandado por Júlio César, conhecido no mundo do crime como Preto.

Estava claro, que a família do moto-boy jundiaiense Paulo Rogério que morava na edícula, não tinha nenhuma ligação com o mundo do crime. Também é certo que não é verdade que nunca tinha percebido nenhum movimento estranho na casa da frente, mas o medo do frio metal das armas daqueles policias nada era em comparação com o verdadeiro terror que é ter que conviver ao lado do Primeiro Comando da Capital, cuja ordem de silêncio será obedecida até o túmulo, por Paulo Rogério e sua família.

Comentários

  1. Depois de vários anos preso, Julio César dos Santos que foi apontado como sendo chefe do esquema de trafico de drogas e do PCC do Jardim Vitória já está livre. Ainda não pagou tudo o que a Justiça lhe impôs, mas já teve o direito a liberdade relativa. Atualmente ainda está meio reticente de voltar a circular pelas ruas, talvez temendo represália policial, talvez para poder refletir melhor sobre seu futuro, ou quem sabe o que.
    Ao que consta não houve mudanças na hierarquia de distribuição de entorpecentes na região do Jardim Vitória, então talvez ele continue na liderança como já foi acusado, ou talvez não.
    O caso do assassinato dos dois carinhas que estavam... digamos... mosqueando próximo aquela conhecida biqueira no Jardim Vitória, seria uma ação de uma suposta equipe de justiceiros que já teria atuado utilizando o mesmo modus operandis na Cidade Nova no final do ano passado, agora vai de saber como o chefe vai reagir, ou não.

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