"O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia."(Millôr Fernandes)

O Tribunal de Júri de Itu e seu Promotor de Justiça.


Ninguém naquele salão do Tribunal do Júri viu o que de fato estava acontecendo ali: os irmãos Nazários não estavam sendo julgados pelo assassinato de Salvador Luiz do Jardim Alberto Gomes de Itu. Poucos são aqueles que têm a capacidade olhar de longe as luzes de uma cidade e sentirem calafrios pelos horrores que acontecem em suas sombras, se um desses estava naquele dia 24 de fevereiro de 2011 no Fórum de Itu, com certeza se arrepiou prevendo a luta que ali estava se iniciando.
O Tribunal do Júri da Comarca de Itu é o Dr. Luiz Carlos Ormeleze.
Muito se falou de manipulação dos resultados do Júri Popular de Itu, mas é balela, pois o Promotor de Justiça da cidade não manipula resultados, ele os impõe. Podemos sentir, não digo propositadamente ver, digo sentir mesmo, pois o que vemos durante uma audiência daquele Tribunal do Júri é a justa luta entre os argumentos da promotoria e dos advogados de defesa, mas se deixarmos o que nossos olhos vêem de lado e passemos a sentir o que de fato por lá ocorre, chegaremos mais próximos da verdade.
Palavras não podem descrever os sentimentos e os pensamentos dos jurados quando se vêem prostrados à vontade do Promotor de Justiça Dr. Ormeleze. O defensor de Hildo, o Dr. José Maria de Oliveira, entrou decidido a destruir esta magia, pois nenhuma prova havia que condenasse Hildo e seu irmão Evandro. Havia razão e oportunidade para cometerem o crime, mas as provas dependiam de dois testemunhos nebulosos, portanto o defensor acreditava na absolvição de seu cliente.
Isso talvez ocorresse se o promotor não fosse o Dr. Ormeleze.
O defensor abandonou a tradicional abordagem jurídica para tentar quebrar o encanto que o Promotor de Justiça exercia sobre o corpo de jurados. Não perdeu muito tempo em manter na defesa técnica de seu cliente, buscou questionar os métodos do Promotor de Justiça, e por diversas vezes exigiu que a juíza Dr. Vanessa Velloso Silva Saad constasse em ata afirmações, opiniões e atos do Promotor de Justiça – o que ela sistematicamente não fez.
Posteriormente ela teve que responder a representação feita contra sua atitude, e em sua defessa ela ela confirmará que de fato se negou a atender ao pedido do defensor por não ter havido segundo seu entendimento depoimento pessoal por parte do promotor durante o debate.

O Dr. Ormeleze também chamado a responder sobre esse fato acrescentou que a juíza atuou no limite da legalidade, e que o Dr. José Maria como de costume alega sem provar, mas que ele não aceitará as falsas acusações, que seriam fruto de um indigno comportamento na tentativa de fomentar uma rivalidade infundada, sem nenhum êxito ou propósito.
O advogado Dr. José Maria de Oliveira não deixou que aquela audiência caisse no esquecimento por ninguém: a juíza e Promotor de Justiça estão tendo que justificar junto as suas esferas os atos que praticaram naquele dia. Segundo o defensor de Hildo, o Promotor de Justiça afirmou que as testemunhas foram ameaçadas pelos pais do rapaz para mudarem seu depoimento e trouxe à luz o negro passado dos pais do réu, coisas que não constavam do processo.
Sob as luzes da cidade se escondem as mais profundas e sórdidas realidades, mas sob o salão do Tribunal do Júri da Comarca de Itu esconde uma profunda magia. O Promotor de Justiça Dr. Ormeleze impõe seus desígnios, pela razão, pela emoção, por sua história, e por algo imaterial. 

Os irmãos Nazários foram condenados a quinze anos de prisão em regime fechado, algo que seu defensor tenta agora reverter, mas a realidade é que nada pode deter a Justiça, e Dr. Ormeleze é sua encarnação, e aí esta a magia. Os jurados da Comarca aceitaram-no como sendo o paladino da justiça e ninguém até hoje conseguiu destruir este seu manto sagrado, se bem que muitos tentaram.
Às acusações do Dr. José Maria o Dr. Ormeleze rebate com uma frase de Dalai Lama: “responder à ofensa com ofensa é lavar lama com lama”.

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