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Uma cena na véspera do Natal de 1878 em Itu.


Na grande sala com paredes empapeladas com painéis, a mesa comprida e retangular quase ocupando o espaço todo em seu comprimento, as cadeiras eram então, ocupadas pelo médico, esposa e filhos.

Grande espelho bisotê refletia a luz e esta cena familiar e costumeira.

Feita a oração de agradecimento, os pratos que Ciriaca preparara, chegavam a mesa e todos num ambiente alegre desfiavam os acontecimentos do dia.

Fatos tristes e de somenos, eram evitados; perturbavam a digestão, dizia o pai.

Os assuntos mais comentados eram: os preparativos para as Festas, a chegada dos irmãos, a missa do Galo no Patrocínio, as encomendas vindas de Paris e a próxima viagem que os pais fariam à São Paulo.

Dona Balbina feliz, então se recordava de que nunca deixara de visitar, quando vinha à São Paulo, a prima Baroneza de Limeira.

Sorria com carinho, ao lembrar-se dela.

Depois do jantar, reuniam-se na sala de visita, onde era servido o cafezinho. Algumas bordavam.
Mais tarde, dirigiam-se para os seus aposentos, tendo desejado uma Boa noite e tomado a benção dos pais.

Missa do Galo

Era véspera de Natal de 1878, e a missa do Galo no Patrocínio seria à meia-noite!

A Capela do Colégio, com seus altares dourados, seus santos, tudo brilhava à luz das velas e luminárias!

Altares floridos!

A sociedade ituana participava desta comemoração.

Senhoras, Senhores e jovens com seus mais belos trajes, chegavam e ocupavam seus bancos na igreja.

O Senhor Doutor, D. Balbina e filhos mais velhos; depois de cumprimentarem as irmãs e alguns amigos, dirigiam-se para os seus lugares reservados com assentos vermelhos de veludo.

O padre, amigo do médico, rezaria a missa que seria assistida com todo o fervor cristão.
Mesmo assim, Terezinha, Albertina, Fernando e Adalberto, não se esqueciam de vez em quando, afastando os olhos do Missal, de olharem seus pretendidos e amigos que ali estavam também.

Cânticos religiosos tornavam o ambiente de grande beleza e suavidade.

Terminada a missa, na saída, cumprimentos, sorrisos, olhares e todas se encaminham para casa.

Ao longe, ainda, se ouviam as despedidas.

Esta cena cheia de encanto, lá pelas idas de 1878, em Itu, se perde na voracidade do tempo, que tudo consome, restando a saudade de muita alegria e tristeza, na evocação destes acontecimentos.

Acontecimentos, que viveram na lembrança da vovó velhinha Maria e dos netos que a ouviram contar, quando crianças.

Vovó costumava dizer, que os melhores anos de sua vida, na alegria e no doce aconchego dos familiares, passara em Itu.

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