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Dois amigos são presos na Avenida da Felicidade.


Segunda-feira é dia de trabalho. No passado se dizia que era “dia de branco(sempre achei que era porque nos outros dias se usavam roupas coloridas). Muitos brasileiros não tem uma predileção para com este dia, mesmo que o trabalho enobreça o homem, fortaleça seu corpo e limpe sua alma.

Grandes amizades se formam entre os colegas de trabalho, e assim o foi com aqueles dois rapazes: Wellington Palmeira Santos tinha o cabelo pintado de amarelo e havia a pouco completado dezoito anos: como maior de idade era dono de seu nariz e de seu cabelo. Seu amigo ainda era menor de idade.
Segunda-feira é dia de trabalho, e Wellington não ia deixar o amigo fora desta, passou pela casa dele e foram juntos fazer o serviço, como milhões de outros brasileiros. Começaram as venda por volta das 10 horas da manhã e tinham grandes esperanças para o dia, mas algo de ruim aconteceu.

Grandes amizades se formam entre os colegas de trabalho, e assim o foi com aqueles dois guardas municipais. O itobiense GCM Gilmar e GCM Havashi, um assaiense, ambos radicados em Itu, pararam a viatura em um ponto onde podiam ver a movimentação daquele local, só na espreita.

Quatro ou cinco pessoas se aproximavam, um de cada vez e recebiam algo daqueles dois rapazes. Passava um pouco das duas da tarde quando a dupla de guardas considerou o momento oportuno para a abordagem – era o fim do comércio montado pelos dois amigos na Av. da Felicidade, depois na delegacia Wellington dirá que o garoto vendeu apenas oito paradas aquela manhã.

Os guardas municipais explicaram ao delegado de polícia, Dr. Regis Campos Vieira, que o local vinha sendo alvo de denúncias como ponto de venda de entorpecentes, e naquele dia as ligações anônimas informaram que um rapaz de cabelos amarelos estaria fazendo as correrias: parte da droga ficaria escondida na raiz de uma árvore na esquina da rua Campinas com a rua Avaré. Wellington, que quando abordado estava com seis pedras embaladas em papel alumínio nas mãos, confessou para os guardas municipais e para o delegado de polícia que a droga e o dinheiro eram dele e que só tinha deixado com o de menor por ter saído por um momento. O garoto confirmou a história.

Dr. Gerciel Gerson de Lima explica que não foi assim que aconteceu: a droga de fato estava com o menor e não com o Wellington, que não portava droga alguma, só indo lá para compra-la.

Perante a Drª. Andrea Ribeiro Borges, juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Itu, Wellington confirmou o que disse o Dr. Gerciel, seu advogado: ele trabalha como pintor e naquele dia havia saído de casa com R$ 80,00 para comprar a droga do menor, mas nem chegou a por a mão nas pedras, foi abordado antes pelos guardas, a droga estava naquele momento junto ao pé do garoto.

Os advogados questionaram as informações dadas pelos guardas municipais, ao que o promotor de justiça Dr. Alexandre Augusto Ricci de Souza declarou: “... agentes do Estado cuja conduta não revelou qualquer irregularidade ou motivo para desconfiança, foram firmes no sentido de apontar o réu, …. confirmaram até mesmo a tentativa vã do menor de assumir isoladamente”.

Sob os protestos da defesa que alegou que a acusação era improcedente e que a autoria era obscura, a juíza declarou que “... os guardas municipais são agentes públicos, no exercício da repressão ao crime, e que conseguem desvendá-lo.”

Wellington foi condenado a 1 ano, um mês e 10 dias de prisão, tendo ficado quatro meses preso até que seu novo advogado, o Dr. João César de Oliveira Rocha, conseguiu que ele cumprisse o restante da pena no aconchego de seu lar, com os cabelos amarelos ou não.

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