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O julgamento do investipol Moacir Cova em Itu.


Já assisti a muitas sessões do Tribunal do Júri, algumas muito importantes; neste aspecto, aquela sessão da quinta-feira, 22 de julho de 2010, não seria diferente. O fato pitoresco foi que não apenas os réus foram julgados ali, mas também aquele que os prendeu, o investigador de polícia Moacir Cova.

Foi um dia muito agitado, houve tensão dentro e fora do plenário: um dos irmãos dos réus presos ameaçou agredir um policial e outro acabou preso. O promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze bradou contra a conduta dos réus, enquanto o defensor buscou, desesperadamente, dar-lhes um resquício de esperança.

Durante aquelas conturbadas horas, apenas agi para o cumprimento de meu dever, sem poder de fato colocar as idéias em ordem, mas, durante a noite, todos aqueles personagens povoaram meus sonhos, tentando me perturbar, repetindo fantasmagoricamente os acontecimentos do dia.

Eu estava exausto demais para poder acordar, portanto deixei aquele espetáculo dantesco dar prosseguimento – a sentença de dezesseis anos de prisão. Foi assim que a Meritíssima Drª. Vanessa Velloso Silva Saad, juíza de direito, encerrou o destino dos assassinos do réu Salvador Luis.

Segundo o que foi apurado no processo, Salvador Luis teria mexido com uma garota que tinha um relacionamento com um dos irmãos Nazário e por causa disso, na noite de 27 de fevereiro de 2007, a injúria  foi paga com seu sangue.

Hildo, o irmão Ildinho do PCC, convidou Salvador para fumarem e, juntos, seguiram até a casa da Pâmela. Um deles quis fazer com ela um programa: ela recusou o convite, mas forneceu a droga a Ildinho. Estranhou que ele tenha se afastado com Salvador para puxar fumo, pois nunca fazia isso. Quando os rapazes se distanciaram, ela entrou em casa.

Na esquina, Evandro, o Vandão, estava à espera dos dois e manteve assunto com Salvador enquanto fumavam. Aproveitando a distração do desafeto, Ildinho voltou à casa de Pâmela e pediu a Danilo uma chave de fenda emprestada, alegando que sua bicicleta havia quebrado.

Ela estranha novamente, pois não o havia visto com a bike. Pamela e Danilo entraram novamente na residência e Ildinho volta até a esquina. Foram momentos de terror para Salvador. Seus gritos por socorro e seus clamores para que parassem de espancá-lo foram em vão.

Vivo, mas sangrando muito, Salvador consegue chegar até a frente da casa de Pâmela, onde cai morto, depois de ter sua cabeça chutada e sua garganta perfurada pela chave de fenda várias vezes.

Dr. Daniel Benedito do Carmo, defensor de um dos réus, tentou demonstrar que as testemunhas estavam se contradizendo pois ora diziam ter sido um, dois, ou três os assassinos; diziam algo à polícia, outra à Justiça, e ainda outra ao Tribunal do Júri.
Como condenar alguém sem provas e apoiados em testemunhas assim? – questionava Dr. Daniel.
Mas o grande mote da defesa foi atacar o trabalho de investigação feito pelo investipol Moacir Cova. Segundo o Dr. Daniel do Carmo, o depoimento chave da acusação, Pâmela, foi conseguido por meio de tortura e ilegalidades. Ela foi levada à força à delegacia e o investigador ficou sozinho com ela, forçando-a para conseguir incriminar os irmãos Nazário.

Moacir Cova estava presente na platéia do Tribunal do Júri e ouvia tudo sem mexer um músculo sequer. E não foi preciso. O promotor de justiça, partiu em sua defesa. Elogiou o trabalho do policial, lembrando que Pâmela confessou graças ao trabalho do investigador; ainda, disse que a Drª. Liliane Gazzola Faus, uma advogada criminalista com vinte e cinco anos de OAB, estava presente no interrogatório da garota, assim como uma testemunha, a escrevente Rosangela, além da própria delegada Drª. Márcia Pereira Cruz Pavoni Silva.

A pá de cal sobre os argumentos de brutalidade policial veio com a apresentação, pelo Dr. Ormeleze, de um DVD com a gravação do depoimento de Pâmela na delegacia. Moacir Cova gravou o vídeo, e as imagens não deixaram dúvidas  quanto a sinceridade da garota ao narrar a história do crime.
Vocês não contavam com minha astúcia! – diria Chaves.
Os jurados da Comarca de Itu não apenas ratificaram o trabalho de Moacir Cova como também mandaram prender uma testemunha trazida pela defesa e que contrariava as verdades postas. Essa, também um Nazário, saiu preso do plenário do tribunal direto para a 3ª DP de Itu e responderá pelo crime de falso testemunho.

O julgamento ocorrido aquele dia, para mim, ficará marcado pelas fortes emoções que provocou em todos; pelos momentos cruciais na vida da família Nazário; pelo julgamento de Moacir Cova e toda a polícia de Itu pelos cidadãos representados pelos jurados; e pela busca pela Justiça.

Os espectros de togas negras e cordões branco, vermelho e preto, cujas faces extremamente brancas povoaram minha noite, não poderiam mais me perturbar – mesmo repetindo, fantasmagoricamente, os fatos que ocorreram durante aquele dia –, pois a Justiça já tinha sido feita sobre aquele caso da Rua Dona Julia, no Jd. Alberto Gomes, eu sabia disso.

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