A coragem de um juiz contra a injustiça carcerária.


A decisão do Juiz das Varas de Execução de Tupã/SP, Gerdinaldo Quichaba Costa que, contrariando a regra que impera no sistema prisional, que é a de ignorar os desrespeitos às normas referentes ao tratamento do preso, denunciou a existência de um regime de exceção nos presídios paulistas1. Ele formalizou a denúncia em Portaria na qual determina que presos detidos nos quatro presídios sob sua jurisdição, penitenciárias I e II de Pacaembu, de Junqueirópolis e de Lucélia, possam tomar banho de sol por pelo menos duas horas por dia. Segundo o mesmo magistrado, trata-se de “um regime de pena cruel, que fere as principais resoluções internacionais de proteção dos direitos humanos e que vai contra a legislação penal e Constituição Federal, vigora há décadas nas penitenciárias do estado de São Paulo.”2

O mesmo magistrado também determinou que não seriam mais aceitos em sua jurisdição detentos acima dos limites estabelecidos em lei, bem como não seria considerado falta grave o uso de entorpecente no interior destes estabelecimentos, baseando-se na nova política criminal, que não pune com prisão o porte de drogas, sendo então a aplicação de falta grave, que implica em perdas de benefícios como a progressão de regime. Tal posicionamento, por ser raro e, neste caso único a partir de uma autoridade do sistema, foi duramente criticado, havendo pouco e tímido apoios ao seu posicionamento.

Todavia, mesmo com relativa mudança de foco do rumo iniciado, é preciso destacar que a Carta Magna de qualquer país deve ser respeitada e entendida como fundamento para as demais normas que porventura venham a ser editadas. Some-se a isso o fato de que qualquer postura tomada pelos agentes da segurança pública, e que entre em choque com os princípios estabelecidos na Lei Maior, é inconstitucional e não deve ser admitida e/ou tolerada.

A norma penal também possui suas regras próprias e elas não foram elaboradas simplesmente para complementar o quadro brasileiro de leis. O acesso por criminosos a armamentos qualitativa e quantitativamente superiores em comparação aos fornecidos aos membros da polícia, não autoriza as mortes praticadas nos famosos “confrontos” pelos agentes policiais.

Durante o período militar brasileiro, que se encerrou há algumas décadas, era comum a detenção e o desaparecimento de presos políticos. Os chamados “anos de chumbo” do Brasil3 deixaram resquícios na herança histórica brasileira, ou seja, ainda hoje a polícia atua de forma truculenta e, muitas vezes, sem respeitar os ditames penais, num esquema de total incongruência com as normas estabelecidas pelo direito penal e pela ética profissional da polícia. O mesmo ocorre com os administradores da segurança pública e até da Justiça, agindo de forma dissonante à legislação vigente e criando um regime de exceção.

Comum o uso de leis e regras de exceção no sistema prisional, réus primários que são detidos e, pela lei, deveriam aguardar julgamento em CDP’s, mas a superlotação nesses Centros “permite” aos agentes da segurança pública transferir o acusado para penitenciárias, que abrigam em sua grande maioria presos já condenados. No Judiciário o abuso no uso e manutenção da prisão cautelar, quando não preenchidos os requisitos da custódia cautelar, previstas Código de Processo Penal pátrio; a segregação do acusado por longos períodos sem julgamento, ferindo também o dispositivo constitucional previsto no artigo 5º, inciso LXV, da Carta Magna, prescrevendo que “ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.” é sem dúvida um dos fatores responsáveis pela superlotação carcerária. A síntese desta questão e o grande argumento é que as prisões cautelares têm sido usadas de forma anômala, de exceção tem se transformado em regra.

Quando essa prática se torna uma constante, aparentemente se está vivenciando um fato comum, mas isso nada mais significa que um regime de exceção e cuja adoção acaba adquirindo certa “legitimidade”. A própria Constituição Federal brasileira vigente, no caput de seu artigo 5º, prevê que “todos são iguais perante a lei, garantido-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade [...].” Todavia, essa igualdade é muito relativa quando aplicada na prática, pois os exemplos de detenção apresentados anteriormente (Edemar Cid Ferreira versus Bruno) demonstram claramente o abismo existente entre o tratamento de ricos e pobres no Brasil.

Este texto é um trecho da Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, do Dr. Gerciel Gerson de Lima, sob orientação da Professora Doutora Ana Lúcia Sabadell da Silva do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais e da Cidadania em 2009 - SISTEMA PRISIONAL PAULISTA E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A PROBLEMÁTICA DO PCC – PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.
  1. Cf. SIQUEIRA, Chico. Juiz denuncia regime de exceção nas prisões de SP. Disponível em: . Acesso em: 23 fev. 2009.  
  2. Idem.
  3. Os chamados “Anos de Chumbo no Brasil” configuraram o período mais repressivo da ditadura militar, estendendo-se basicamente do fim de 1968, com a edição do Ato Intitucional nº 5, em 13 de dezembro daquele ano, até o final do governo Médici, em março de 1974.

Polícia prende, delegado solta para poder prender.


Certamente não há, no Jardim Faculdade em Itu, quem não tenha ouvido falar do tarado que por lá incomoda mulheres e crianças. Há muito a policia busca identificar e prender tal depravado, ou doente, como preferirão os politicamente corretos.

Folgo em ver a notícia no jornal Folha da Cidade, dando conta da identificação do maníaco, trabalho realizado pelas agentes da Polícia Civil da Delegacia da Mulher de Itu, onde foi ouvido perante a autoridade policial e responderá por mais este crime.

Chega-nos às mãos, trazido pelo Dr. Leandro de Campos Bochini, que acompanha o caso a pedido do autor de uma denúncia protocolada na Promotoria de Justiça da Cidade de Itu de data anterior à prisão: 13 horas do dia 09 de julho de 2010, onde se lê:

... finalmente no dia 4 de fevereiro ele foi capturado pela Guarda Municipal, mas não ficamos livres do problema, pois em poucas horas já estava o mesmo de volta ao local. Inconformado fui à sede da Guarda Municipal, ... mas fui informado que a ordem (de liberar o maníaco) veio do delegado de polícia. ... Se de fato a coisa ocorreu de acordo com o documento que me passaram, realmente foi o delegado que deu a ordem por telefone para soltá-lo sem fazer o boletim de ocorrência.
Fui até o Fórum para ver se tinha dado entrada lá um processo em nome de Egídio Nascimento da Silva, indivíduo que foi reconhecido pelas mulheres. Qual a minha surpresa em ver que ele já respondeu a outros três processos, um pelo menos de natureza sexual ...
Minha inconformidade é que agora nem mesmo pegando em flagrante o delegado faz o BO. Solicito à Vossas Excelências que avaliem o procedimento de ambas as corporações envolvidas Polícia Civil e Guarda Municipal.
Informo também que em contato com um policial militar que de outra vez me atendeu neste mesmo caso que é comum os delegados de plantões dispensarem as ocorrências que não estão a fim de fazer, por telefone mesmo decide soltar os acusados...

Anexo consta um Talão de Ocorrência da Guarda Civil Municipal de 04 de fevereiro, onde o GCM Wederson relata ter prendido Egídio, de 24 anos, funcionário do Restaurante Via Brasil no Bairro Vila Nova, que foi localizado em um terreno baldio na rua Mosteiro da Conceição, vestindo calça jeans e camiseta escura, conforme denúncia de uma vítima. Conduzido á Delegacia Central, “a escripol Renata, em contato com a autoridade de plantão, esta pediu que liberasse o averiguado e que as vítimas prestassem queixa pela DDM em data posterior.”

É cada vez mais comum a recusa na elaboração dos Boletins de Ocorrências por parte da Polícia Civil, reclamação constante na Promotoria de Justiça de Itu. No entanto, as barreiras estariam sendo impostas por recomendação da Seccional de Sorocaba, como forma de minimizar os problemas causados com a falta de pessoal nas delegacias.

Existem razões que a razão não compreende. Prender, soltar e depois investigar para descobrir quem seria e onde estaria um criminoso que já tinha sido preso, nos parece ser o caso.

De qualquer forma a DDM conseguiu sua manchete no jornal Folha da Cidade: "Policiais da Delegacia da Mulher descobrem quem é o 'tarado do Jardim Faculdade'".

Tentativa de sequestro do Datena do Brasil Urgente.


Fiquem tranqüilos poderosos que têm medo do PCC: ninguém irá tocar em vocês.

Não que vocês não merecessem passar uma noite no Circo dos Horrores que é a vida que vocês com sua hipocrisia criaram. Não Sr. José Luiz Datena, apresentador do programa “Brasil Urgente” da rede da TV Bandeirantes, o senhor mereceria sim sentir na pele o que é ser um moleque sem esperança e sem futuro, mas não passará por isso levado pelas mãos da facção que o senhor está acusando em alto e bom som.

Não houve um plano engendrado por mentes brilhantes para seu seqüestro. Balela de circo, do seu circo, para seu público. Aqueles que crêem no senhor são os mesmos que acreditaram no Gugu. Ora, imagine meu amigo, o seu seqüestro tinha dia e hora para acontecer e usaria apenas uma moto Suzuki roubada com placas de Belém do Pará. Começa aí o absurdo. Nem para levar um papo reto com um desafeto se faz um planinho assim chinfrim.

Fere a lógica, fere o bom-senso, mas nada disso impedirá que sua audiência vá às alturas. Novamente sob um cadáver, mais um. E os mais fracos sempre são carne farta para ser entregue aos abutres – que não questionam! E o Primeiro Comando da Capital hoje é a matéria prima deste corpo que você quer distribuir.

Então vá, o faça. O PCC está mais estruturado hoje que em 2006 e não precisa e não quer manifesto. Tudo ao seu tempo e agora a organização está colhendo os frutos de suas conquistas. Conquistas, aliás, maiores que a do seu programa:

Qual é a audiência que seu programa tem 50%? Oras, em várias cidades do estado a facção domina 100% de um nicho de mercado muito mais rentável que o do seu programa – os entorpecentes. Os clientes estão em toda a parte, inclusive nas emissoras de televisão e nas festas requintadas da alta sociedade.

Millor Fernandes dizia que o homem é o único animal que ri, e é rindo que ele mostra o animal que é. E creio que aqueles que fizeram para o senhor essa denúncia estão agora rindo, rindo de como foste crédulo. E creio que o senhor quando divulgou essa denúncia sabia que não tinha cabimento, mas mesmo assim divulgou, pois isso lhe daria mais IBOPE, e riu por dentro daqueles ingênuos que acreditaram, riu, pois o homem é o único animal que ri.

A imprensa, inclusive o senhor, é peça fundamental em todos os setores da sociedade humana, já o ostracismo tem sido a chave do crescimento da facção, onde longe das câmeras todos os negócios são resolvidos e áreas dominadas, mas é necessário haver glamour. Os garotos das correrias gostam de mulheres, dinheiro e fama. Humildade é palavra chave na comunidade, mas na vida real o dinheiro e as mulheres vêm sozinhos, mas a fama, bem, aí é que o senhor entra.

Pelos próximos meses a fama está garantida graças a essa reportagem. Millor também dizia que o otimista é aquele que não sabe o que espera, e tenho que confidenciar por esta eu não esperava.

A prisão do irmão Preto será o elo perdido PCC CV?


A prisão do irmão Preto preso no Rio de Janeiro está sendo assunto em algumas rodas na cidade de Itu no interior paulista, mas será que estão falando do mesmo cara? Não terá sido um homônimo que foi encarcerado no Rio? E se não for, o que isso pode significar?

Há tempos a imprensa vem dando notícias da migração de criminosos cariocas ligados às facções que tiveram suas bases desestruturadas pela pacificação dos complexos de favelas, o interior do estado de São Paulo e a periferia de sua capital seriam dois destinos preferenciais...

A cidade de Itu no interior paulista não desmentiu esta teoria, nem a provou, no entanto um novo dado poderá ser um desses possíveis elos ocultos entre o CV - Comando Vermelho e o PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital.

Após a ocupação dos morros cariocas, alguns casos indicariam a presença migratória em Itu. Tênues, é fato. Até agora nenhum dado conseguiu ligar Itu ao crime organizado carioca, apenas existem indícios, e no caso de organizações criminosas ou secretas, nenhum indício pode ser desprezado.

Sempre na Região Sul ( Jardim Aeroporto / São Judas )...

O primeiro caso teria sido de quatro homens que oriundos do Rio teriam tentado sem sucesso dominar biqueiras pela região, intitulando-se da facção carioca AA – Amigo dos Amigos. Não se sabe ao certo o destino dos mesmos, conta-se que após o fracasso no tráfico teriam optado por se dedicar ao assalto com armas pesadas na região, e parece que um deles teria morrido em uma destes assaltos.

Outro caso seria que um membro do Comando Vermelho que estaria na região fazendo a integração entre as facções, mas o que se sabe ao certo é que a garotada da região de fato passou a curtir mais as músicas e a cultura do CV, no entanto isso pode apenas ser fruto da difusão da cultura das favelas pela Net, ou de fato ser fruto da tal integração.

Até agora nenhum dado comprovado ligava as lideranças da cidade a qualquer organização de outros estados. Até agora.

A possível prisão do traficante irmão Preto, um dos principais líderes do PCC local e provavelmente o mais violento, na cidade carioca de Itaperuna talvez venha a ser esta ligação.

O PCC não é uma organização com uma rígida estrutura organizacional, ao contrário, seu sucesso está justamente na flexibilidade e informalidade de sua malha. Desta forma não se pode esperar que exista o envio formal de um representante das organizações para um intercâmbio oficial para troca de experiências e abertura de negócios. O que de fato existe é a circulação e o contato entre pessoas e lideranças e negócios e acordos reais sendo fechados. E funciona.

Não existe ponto de drogas na cidade de Itu que não esteja ligado direta ou indiretamente ao PCC, está é, portanto, uma organização de sucesso. Nenhuma outra empresa conseguiu em nenhum outro ramo de comércio ou serviço na contemporaneidade o monopólio, e esta facção, apesar de ilegal conseguiu. Imaginemos um quadro onde poder já conquistado através dos negócios gerenciados pela facção paulista seja adicionado os arranjos políticos e sociais desenvolvidos pela facção carioca.

Agora vem a notícia da prisão por tráfico de entorpecentes no Rio de Janeiro do irmão Preto. Este homem já foi preso por diversas vezes em Itu, e depois de ter sido libertado do sistema carcerário, optou por não ficar no Jardim Vitória, onde seria alvo fácil para policiais que poderiam querer vingar o espancamento de um colega numa de suas biqueiras.

Mas o que estaria fazendo o famoso criminoso ituano em terras itaperunenses?

Talvez tenha ido visitar sua famosa estátua do Cristo Redentor com vinte metros de altura, sem ter que temer se assaltado na subida da encosta; talvez tenha sido a situação geográfica do município que além de ser fora do estado de São Paulo e longe da polícia paulista, fica na fronteira entre três estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais; ou talvez seja a primeira ligação do crime organizado do Rio com o de São Paulo; ou finalmente algum parente ou amigo que o levou para aquelas bandas.

Como disse, até agora nenhum dado conseguiu ligar Itu ao crime organizado carioca, apenas existem indícios, e no caso de organizações criminosas ou secretas, nenhum indício pode ser desprezado. Por outro lado, quem sabe nem é o mesmo irmão Preto que por lá foi preso, afinal estão falando por aí, mas... até papagaio fala não é mesmo? Eu particularmente acredito ser outro o cara, mas não deixaria também de falar... assim como os demais papagaios.

Já estará nas ruas o Tenente Júlio César Gabarron?


Júlio César Gabarron foi considerado inimputável do assassinato de sua esposa grávida de sete meses Miriam de Castro Gabarron e da tentativa de homicídio contra o GCM Rovaldo e o GCM Edmur Pessoa, devendo ser internado em manicômio judiciário para tratamento. Decisão tomada às 15:30 do dia 29 de abril de 2010, pelo Tribunal do Júri de Itu, presidido pelo juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa.

Tanto a Promotoria de Justiça, representada pelo Dr. Luiz Carlos Ormeleze, quanto os advogados de defesa, Dr. Daniel Gustavo Pita Rodrigues e Drª. Valéria Perruchi, sustentaram a tese que o 2º tenente da Polícia Militar Júlio César Gabarron é uma pessoa de alta periculosidade que sofre de paranoia, uma doença mental incurável, e pediram sua internação e afastamento do convívio da sociedade, mas não a sua condenação, pois no momento do crime agiu inconscientemente, pois estava mentalmente deformado, sendo movido por sua mente delirante, persecutória, que o fez agir pensando estar agindo em “legítima defesa”, defendendo-se de uma injusta e imaginária perseguição. E esta tese foi aceita pelo corpo de jurados.

Sexta-feira, 4 de agosto de 2006. 13:00
Hotel Vila do Conde, Itu, SP

Gabarron efetuou mais de cinquenta disparos contra Miriam, tendo acertado vinte e duas vezes e provocando sua morte e a do bebê. O oficial estava em trajes civis mas usando colete balístico e armado com duas pistolas, cercado pela Policia Militar e pela Guarda Civil Municipal, reagiu à tiros em direção do GCM Edmur Pessoa e do GCM Rovaldo, ferindo o primeiro na perna.

Após negociação acabou se rendendo aos seus colegas de farda, tentou inicialmente enganar aos colegas dizendo que o hotel havia sido alvo de uma organização criminosa, mas logo confessou a execução dos crimes, alegando que não estava em seu estado normal quando atirou contra a esposa, mas não apresentou as razões de sua atitude para a delegada Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres, posteriormente na Justiça explicou que por trabalhar no P2 da Polícia Militar recebeu informações sobre possíveis assassinatos e de vereadores e outras autoridades pelo PCC na onda de atentados de 2006 e da presença do irmão de Marcola em Mairinque, oportunidade em que passou a fazer levantamentos e centenas de mandados de busca e apreensão, e todo este clima acabaram por abalar seu equilíbrio.

Ainda segundo ele, os atentados dos dias dos pais de 2006, perpetrados pelo PCC - Primeiro Comando da Capital, levaram-no a um estado de desespero contínuo, pois ele tinha certeza de que ele e sua família seriam alvos de atentados. Miriam teria inconscientemente provocado a sua própria morte ao relatar a ele que teria recebido telefonemas ameaçadores no local de trabalho e ele passou a suspeitar então que seus telefones celular e residencial estavam grampeados. A morte dos dois policiais militares em Salto e do Vereador Paulinho da Lanchonete, que era seu informante, assim como a explosão de bomba no Batalhão da PM, fizeram-no chegar ao ápice em sua paranoia, passando a desconfiar de seus colegas de farda e de seus superiores hierárquicos.

Apesar de todos estes transtornos que passavam pela mente de Gabarron, ele era conhecido por todos que conviviam com ele como uma pessoa boa, pacata e quieta. Policial há nove anos, estava trabalhando há dois anos no 5º Batalhão da Polícia Militar, e na época do crime exercia função de chefe da agência área do 50º BPM/I.

Interessante é ver como Gabarron sendo Policial Militar conseguiu esconder de todos seu ímpeto assassino, trabalhando no meio de profissionais que deveriam conseguir distinguir tais sintomas, mas isto é explicado no próprio comportamento do paranóicos que transmitem à todos uma aparente tranqüilidade e cuidado nas palavras, mas que basta um motivo para que o pior venha à luz e as palavras doces sejam substituídas por sangue em fração de segundos.

Em 2007 quando da decisão dos jurados, o Dr. Ormeleze garantiu que pelo menos por três anos Gabarron ficaria sob a custodia do estado, podendo ser liberado por parecer médico. Cabe agora, já passado estes três anos. Gabarron já está livre vivendo entre nós?

O caso da simpática Baleia Loka da Cidade Nova.

Orson Welles, um mestre entre os mestres, ao ouvir aquela história chamou-me de canto dizendo que era preciso ter dúvidas, pois só os estúpidos tinham confiança absoluta em si mesmos. O mestre teria razão neste caso?

A moça diz a verdade, suas palavras e seu olhar transbordam sinceridade, evidenciando este fato. Viviane Ferreira Silva, conhecida como Baleia Loka, é uma mulher trabalhadora que não mede esforços para ganhar seu dinheiro. Ela é revendedora de lingerie para uma sexy shop, a Oficina dos Prazeres. A empresária Vanessa Cristina de Souza mostra através de documentos os frutos do trabalho de Viviane. Mas não é apenas dali que Viviane tira seu sustento. Suas vizinhas, Fátima Maria de Souza Rosa e Elias Palozin, afirmam que Viviane é uma pessoa muito conhecida e extrovertida, do tipo que só leva alegria a vida dos outros. Seu único problema é ser dependente das drogas.

Terça-feira, 13 de outubro de 2009. 17:30
Avenida Felicidade snCidade Nova, Itu, SP

Viviane é presa. Os policiais patrulhavam as imediações e receberam a informação que uma mulher loira estaria traficando drogas numa área verde com um gramado baixo e perto da rotatória. Lá encontram Viviane senta em uma almofada. Ela nunca negou que estava naquele local e nem que as duas pedras de crack que estavam em sua boca lhe pertenciam, mas não haviam setenta pedras da droga em sua almofada, isso não, os policiais é que entrouxaram para ela.

Viviane contou a juíza da 1ª. Vara Criminal de Itu, Drª. Renata Carolina Casimiro Braga, que ela é sim usuária de crack há cinco anos, e naquele dia tinha saído com três homens para conseguir R$ 90,00 para comprar drogas. Já tinha duas paradas consigo, mas queria mais sete, foi até aquela biqueira e pediu as pedras para a garota de menor que faz as correrias, nisso chegaram os policiais que meteram a mão no seu sutiã pegaram a grana, mandaram a de menor embora, foram até um matinho lá perto e trouxeram um saquinho onde estavam estas drogas.

A Drª. Liliane Gazzola Faus, defensora de Viviane, lembra que os policiais apresentam-na na delegacia como trazendo a droga e não traficando, e o artigo 28 da Lei de 11.343/06 diz que quem ... trouxer consigo, ... é usuário. Viviane nunca negou ser usuária, ela sempre disse a verdade, suas palavras e seu olhar transbordam sinceridade, evidenciando este fato. Viviane é uma trabalhadora que não mede esforços para ganhar seu dinheiro para sustentar seu vício. Orson Welles que me perdoe, mas não é preciso ter dúvidas, pois só os estúpidos não têm confiança absoluta em si mesmos.

Antigamente o mordomo era sempre o culpado agora nos tempos modernos é a polícia, e ponto final.

Em Itu cachorra é prova que madrasta foi a culpada.

O Tribunal do Júri de Itu julgará aquela mulher, e queira Deus que justiça seja feita, inocentando-a ou condenando-a, pois o crime foi bárbaro. O caso da madrasta que tentou matar enteado com golpes de talhadeira jamais será esquecido. Mas podemos ter certeza que de fato foi ela?

Meu velho amigo Auguste Dupin esclarece que discernimento é uma palavra cujas correspondentes em gregas são “anakrino” e “diakrino”, cujos significados se completam. Anakrino reporta-nos examinar ou julgar bem de perto e diakrino que nos instiga a investigar e examinar. De fato usamos nosso discernimento ao acusá-la?

Trago portanto aos senhores alguns dados tirados de perto das cenas onde os fatos transcorreram, para que possam então investigar e chegar as suas conclusões.

Sábado, 05 de abril de 2009. 3:30
Rua Cerquilho 25, Cidade Nova, Itu, SP.

O corpo do garoto de seis anos, deficiente físico nas mãos e nos pés, foi encontrado envolto sobre um monte de areia de construção no fundo da casa onde mora, envolto em um edredon, e empapado de sangue sobre sua cabeça, um pano de prato branco estampado: “Livrai-nos de Todo o Mal Senhor.”

A madrasta Camila Cristine Estefano de 20 anos, e a companheira de seu sogro Ivone Regina de Oliveira de 29 anos, encontram-no ainda com vida.

Ivone aciona um vigilante de rua que segue rapidamente até o PAM de Vila Martins, uma ambulância chega em dez minutos na residência. Os médicos do Pronto Atendimento Médico encaminham-no para o Hospital São Camilo, e acionam a Guarda Civil Municipal. Enquanto o GCM Rota passou a acompanhar o garoto e seus familiares, o GCM Marcelo preservava o local do crime.

A Dra. Paola Rosa de Queiroz, médica que atendeu o garoto no hospital lembra que ele chegou inconsciente, com fratura craniana e cortes com hemorragia na cabeça, foi entubado e seu estado era crítico. Segundo familiares, um dos médicos da UNICAMP disse que o “só por Deus” o garoto sobreviveria.

As investigações levaram naquela mesma manhã o delegado de polícia do 4º DP de Itu, Dr. José Moreira Barbosa Netto, a prender a madrasta, que acabou por confessar o crime.

O advogado Dr. José Aldo Ribeiro da Silva revolta-se contra a prisão de Camila. Segundo ele, o garoto só não morreu porque ela teria chamado ajuda em seu socorro. Reconhece que a confissão na delegacia tem validade, mas foi conseguida de maneira imprópria. Camila, uma pessoa simples, estava fora de seu estado normal por haver passado a experiência mais traumática de sua vida, vendo seu enteado naquela situação e ela acusada injustamente. Segundo Dr. Aldo ela foi portanto coagida a confessar através de técnicas de pressão psicológica.

Camila contou antes de ir até a delegacia e depois na Justiça que seu marido Fernando Torres exigia que não seja fechado o trinco da porta da casa que fica voltada para o corredor interno, faz isso para que o garoto pudesse ir até a casa do avô a hora que quisesse. Segundo ela, por lá entrou um casal que praticou este crime e ameaçaram Camila, caso ela os delatassem, voltariam fazer o mesmo com a filha dela, de apenas dois anos de idade.

Fernando Torres, o pai do garoto, seria o verdadeiro alvo da vingança, e o menino apenas o meio escolhido para feri-lo. O crime seria na verdade um plano muito bem elaborado engendrado de dentro da prisão por Adriana Lopes Siqueira, condenada por tráfico de drogas e legítima mãe do menino. Conseguindo incriminar Camila, Adriana se vingaria de Fernando e ainda abriria caminho para seu retorno com o garoto.

Em um país onde políticos inescrupulosos não roubam tanto o dinheiro destinado a segurança, saber o autor de um crime como este seria simples. A talhadeira usada para tentar matar o garoto foi recuperado na mesma madrugada pela Guarda Municipal e entregue à Polícia Civil. Digitais e traços de DNA estariam na arma. Mas aqui, neste caso,tanto a acusação e a defesa se baseiam em Neguinha.

Neguinha é uma cachorra vira-latas que mora naquele corredor. Segundo a acusação Camila mente pois se alguma pessoa estranha lá tivesse chegado, Neguinha teria latido. Já Camila conta que a cachorra não late para ninguém. O próprio garoto, hoje recuperado diz perante a juíza: “... a cachorra Neguinha não late não ...” e logo em seguida “... eu tinha um pitbull chamado Thor mas morreu depois que Camila foi presa, mas ele não latia não, quem latia era Neguinha ...”

A palavra final está então nos latidos de Neguinha. Isto é Brasil.

"Se contar para seu pai farei pior" — dizia a torturadora.


Ele jamais poderá esquecer aquela cena, em sua frente, dormindo um sono tranqüilo, um pequeno corpo virado para a parede, junto a ele um brinquedo de papelão. Fernando Torres puxa um pouco mais o edredon e dá um beijo para se despedir do garoto de cinco anos, seu filho. O amor existente entre eles é visível, profundo, e de todos conhecido, e nem mesmo as manchas de sangue que sujaram o edredon e o brinquedo conseguiram destruir.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010. 14:30
Fórum de Itu, Rua Luiz Bolognesi sn, Itu, SP.

Ninguém jamais poderá esquecer aquela cena, o PM Paulino lotado no Fórum entra na sala de audiência e informa a Drª. Andrea Ribeiro Borges que o garoto quer ser ouvido novamente, agora com a presença de Camila Cristine Estefano, sua madrasta. A juíza autoriza a entrada da criança, que frente à frente com Camila lhe diz: “Ah! Então foi você que tentou me matar?”.

Sábado, 5 de dezembro de 2009. 20:30
Rua Cerquilho 25, Cidade Nova, Itu, SP.

O garoto e sua meia irmã brincam com Fernando e Camila. O homem não perde nenhuma oportunidade de ficar com suas crianças, e como pagamento recebe do filho um sorriso maroto, inocente, verdadeiro, espontâneo. Há dois anos Camila faz parte daquele lar, e o menino gosta dela. Muito antes de ela vir morar com o seu pai, já ia buscá-lo na escola, e agora bastava ficar um pouco distante para o pequeno lhe mandasse beijos e acenos.

O azulejista Fernando coloca o garoto na cama e a menina no berço, ela tem dois anos. Ao sair, olha mais uma vez para dentro e segue com Camila pelo corredor até a casa de Olaide Torres, pai de Fernando e que mora na casa da frente. O garoto gostava de dormir na casa do avô quando o pai não está em casa, então ele recomenda a Camila a deixasse o trinco da porta aberto, para o garoto possa ir para lá se quiser, lhe dá um beijo e pede: “cuida bem das crianças”. Olha à hora, faltam quinze minutos para as dez da noite, sobe na boleia e seguem para destino.

Domingo, 6 de dezembro de 2009. 5:00
Seguindo em uma estrada de Minas Gerais.

Fernando atende ao celular, era uma menina que vivia na casa de seu Odaide que pede para falar com o caminhoneiro que é o pai de Fernando. Ele passa o telefone e vê rosto sério do pai, que depois de alguns minutos ouvindo o que a pessoa lhe diz, desliga sem nada falar.

A viagem segue tranquila até às sete da manhã, só faltavam apenas três horas para chegarem ao seu destino, o celular novamente toca , é seu irmão Carlos Eduardo Torres que conta que o filho está internado em estado grave e que Camila está presa pelo crime. Fernando desce do caminhão que segue viagem, e a base de carona ele retorna para Itu.

Alguns dias depois, Fernando entregará à GCM Carmo, uma guarda municipal que está na Delegacia de Defesa da Mulher de Itu (DDM), as roupas usadas no dia pelo garoto. São as últimas provas que faltavam a chegar às mãos da delegada Drª. Ana Maria Gonçales Sola.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010. 14:30
Sala de audiências da 1ª. Vara Criminal da Comarca de Itu.

Após a noite de sangue, o garoto contou ao pai que Camila já havia enchido sua boca com guardanapos e com um sabonete, e às vezes lhe batia ameaçando: “se contar para seu pai de outra vez farei pior”.

O motivo, todos desconfiavam: ciúmes que pai e filho nutriam um pelo outro.

Fernando conta que foi a partir do nascimento da filha do casal que ele começou a desconfiar que algo não corria bem, sempre que o garoto se aproximava da menina Camila olhava ameaçadoramente, mas ninguém imaginaria que ela seria capaz de qualquer coisa.

O pai do garoto diz que a madrasta Camila jamais pisará novamente em seu lar. Adriana Lopes Siqueira, mãe genética do garoto, está presa por tráfico de drogas. Vamos aguardar que Fernando Torres, agora tenha com discernimento na escolha das futuras mulheres de sua vida. Seus filhos agradecerão.

O Nei do Portal do Éden - vida e morte do bandido.



O que alguns acham um absurdo, outros acham absolutamente normal, veja você mesmo:
  • Existe a "ética do crime", o "lado certo da vida errada", "correr pelo certo" — acredite que os criminosos de verdade se orgulham de sua profissão e de fazerem o errado do jeito certo. É difícil para alguém que não vive no meio entender isso, mas para um PCC estourar um caixa eletrônico ou traficar é justificável e não mata.
  • Já, utilizar de suborno para conseguir “caixa para a campanha” é algo que ninguém mais aceita, mas políticos de todos os matizes e níveis são reeleitos, mesmo nenhum de nós votando neles, e ao contrário de um assalto a um caixa eletrônico ou de vender um baseado, o dinheiro retirado dos cofres públicos mata.
  • Já, utilizar um celular ao dirigir ou conduzir um veículo depois de um vinho, uma cerveja, ou um whisky, é algo que ninguém mais aceita, mas o álcool continua a matar diariamente, mesmo que nenhum de nós e nem nossos amigos e parentes dirijamos após ingerir bebidas alcoólicas.


Nei era do crime e membro do Primeiro Comando da Capital (PCC 1533). A dúvida foi quem o matou: a polícia, um disciplina da facção, ou alguém da população? Ele há muito já não estava mais respeitando a comunidade onde vivia, enfrentava sem provocação a polícia, e tentava ser “esperto” no meio dos criminosos, enfim: inimigos não faltavam, mas quem o teria matado?

O clima ficou tenso entre a bandidagem — o mundo do crime exigia que o sangue do irmão fosse cobrado com o sangue de um polícia — e a liderança do PCC de dentro dos presídios teve que mandar a ordem para que não houvesse nenhuma morte, e assim evitou uma nova onda de violência que poderia ter se espalhado pelo estado.

O debate dentro das muralhas foi para saber se ele tinha sido condenado por algum tribunal da facção ou disciplina sem conhecimento dos “finais”, ou se teria sido uma atitude isolada de algum irmão ou companheiro, mas verificaram que não tinha sido um membro do PCC que o tinha finalizado, e nada provava que foram policiais

A população começou a usar os espaços de comentário aqui nesse site para avacalhar com o criminoso morto, pois ele estava fazendo da vida de quem vivia naquele bairro um inferno. Já alguns “vida loka” e simpatizantes do crime respondiam com ameaças, fomentando o ódio. O Portal do Éden é um lugar pequeno em que todos se conhecem, então...

Não ia demorar para alguém morrer. Retirei os textos aqui do site e só os recoloquei quando os ânimos se acalmaram, mesmo porque Nei não foi morto nem pelo PCC e nem pela polícia. Não sei se a Polícia Civil chegou a descobrir quem matou o cara, mas as ruas agora sabem que foi um desacerto com seus aliados, ele meteu a mão na parte dos outros.

No mundo do crime, assim como você, as pessoas se orgulham de estarem “agindo pelo certo”, e quem perde essa visão e passa a se achar acima dos outros deve ser lembrado que em 2002 foi incluído o “I” na sigla PJLIU (Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade, e União. O “I” de igualdade, pois ninguém é melhor que ninguém — não tem forte, só tem o certo.

A carta que coloco a seguir foi postada em um comentário em uma dos três textos que fiz sobre esse caso, e que gerou grandes debates, mas hoje vale para quem não convive nas periferias ou de alguma forma próxima à Família 1533, como um bandido pode ser visto pela comunidade a qual pertence:

Conheci o Neizinho do Portal desde criança. O menino levado que era junto com seu irmão, mas ele sempre me respeitou. Eu já fui do crime por isso acho mesmo que me respeitava. Só que o tempo passou e criminoso ou bandido como eu era, que tem inteligência, sabe a hora de parar e vêm outras gerações – é igual jogador de futebol.

Nei surgiu vendo eu e meu bando sempre ganhando dinheiro, e ele conversava comigo, e até então ele não era bandido, mas admirava meu jeito de agir, sempre com dinheiro, andando com ouros no pescoço e no braço, e mostrando presença por onde eu passava com carros, motos e humildade.

Eu era bandido sim, e as pessoas sabiam, mas gostavam de mim, pois o criminoso quer vida boa, dinheiro, mulher e mostrar poder e festas no Portal do Éden.

E eu era assim com meu grupo, e isso fazia a molecada admirar a gente, e Nei foi um admirador de minha pessoa, o moleke cresceu, fez a parte dele: dinheiro, mulher, fama, mas fez um grande erro, no qual eu e meu grupo nunca fizemos... foi desrespeitar a vizinhança.

Humildade com as pessoas. Fiz muito dinheiro, e perdi também, pois a vida é assim...

Bom... voltando a falar de Nei, ele conversava comigo até uns dias antes de morrer, lembrava quando minha turma chegava com os carrões na Vila e fazia a festa no dia seguinte ele falava:

“Pô fulano só nos panos, nos ouros, carrão, um dia vou ser assim... qualquer hora me leva para dar uns pulos com vocês???”

Eu dava risada e falava: “Sua hora vai chegar, você quer andar comigo mas você é muito moleke ainda.”

E chegou a vez dele, o moleke cresceu, virou bandido. Eu já tinha parado com o crime e vi sua fama de destemido crescer, mas ao mesmo tempo com a experiência que eu tinha eu sempre me preocupava com ele, pois eu gostava do moleke, e já sabia que ele não iria longe pois ultrapassou o limite e percebi que seu fim estava próximo e não deu outra...

Dois dias depois que conversei com ele o menino que conheci criança, bagunceiro, alegre, sonhador, e para a maioria periculoso, assassino, traiçoeiro, e bandidão, tombou no próprio bairro onde sempre viveu, por motivo e culpa dele mesmo. Por quê???

Porque perdeu o respeito com outros, a humildade, o carisma com a população do bairro e respeito com seus próprios rivais. Pois pra mim, sendo o bandido que eu sempre fui, tendo essas qualidades e principalmente não matando pessoas em vão, sempre fui um bandido vivo, e bandido que não tem essas qualidades como no caso do Nei...Desde o começo em sua vida no crime; começa morta, já com seu atestado de óbito como diploma de reprovado no crime... sem mais... que Deus tenha piedade de você meu admirador... Nei do Portal do Éden de Itu.


ass: O CARA QUE ELE ADMIRAVA E RESPEITAVA

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE DO ADMINISTRADOR DO SITE:
O texto foi publicado originalmente como comentário na matéria sobre a morte do Nei, e antes de ser aqui republicado teve parte de sua grafia adequada ao site - (clique aqui para ver o original - está nos comentários).


Mãe é acusada de tentar matar filho com talhadeira.


O promotor de justiça Luiz Carlos Ormeleze foi comedido quando descreveu o crime para a Drª. Andrea Ribeiro Borges: Camila Cristine, grávida no quarto mês de gestação, tentou matar usando uma talhadeira seu enteado de cinco anos enquanto este dormia, e além da brutalidade dos ferimentos e do atroz e desnecessário sofrimento por ela causado, ainda tentou induzir a Justiça a erro, retirando a criança do local do crime e abandonando-a no quintal.

As palavras do promotor são suaves para descrever os momentos de horror e sangue que Camila protagonizou aquela noite. O Distrito do Pirapitingui na cidade de Itu, com absoluta certeza, nunca tinha visto tamanha covardia.

Sábado, 5 de dezembro de 2009. 3:25
Rua Cerquilho 25, Cidade Nova, Itu, SP

Camila acorda no meio da noite, levanta e segue até o quarto onde estão dormindo seu enteado de cinco anos e sua filha de dois anos. O garoto é filho de outro casamento do azulejista Fernando, seu companheiro há dois anos.

Nunca saberemos ao certo o que Camila viu ali: dizem uns que ela flagrou o garoto em pé ao lado do berço da menina, outros que ela viu apenas duas crianças dormindo. O que se sabe é que ela tinha ciúmes do garoto pelo amor que ele nutria pelo pai.

Também é sabido que Camila não gostava que o garoto se aproximasse de sua filha, olhava feio e tirava-a de perto. Camila virou-se, foi até o banheiro, pegou a talhadeira que Fernando usava no seu serviço e aplicou vários golpes na cabeça da criança.

Camila contará para o Dr. José Moreira Barbosa Netto, delegado de polícia, que ela não sentiu nada, nem ódio, nem dó, nada, apenas fez. A criança nem se mexeu. Ela achou que havia matado o garoto e levou-o até um monte de areia de construção.

Depois de deixar lá o corpo, volta para a casa sem janelas que fica no corredor do fundo da casa de seu sogro e limpa a casa. Segue para a casa da frente e chama a companheira de seu sogro, a doméstica Ivone Regina para ajudar a procurar a criança.

Ivone quer começar procurar pela casa, mas Camila tenta evitar. Não consegue. Ivone encontra marcas de sangue na roupa de cama do garoto, em um brinquedo e no chão. Desesperada Ivone corre para o quintal e encontra o corpo do garoto.

Em pouco mais de dez minutos o menino está sendo atendido no PAM da Vila Martins, de lá é encaminhado para a Santa Casa de Itu e de lá vai para o Hospital da UNICAMP em Campinas. Seu estado é desesperador, mas Camila parece...

Ivone e o guarda municipal que atendeu a ocorrência estranham a atitude da madrasta. Não corre, não chora, apenas acompanha os acontecimentos. Se o GCM Rota e Ivone tivessem lido O Estrangeiro de Albert Camus talvez achassem essa atitude normal, mas não leram.

Camila foi levada para a delegacia, onde o delegado Dr. Moreira e o conselheiro tutelar Robson José Candiani Mota, que também não leram aquele autor francês, pressionaram Camila, que confessou o crime em todos seus detalhes.

Depois da prisão de Camila, a avó Maria de Lourdes ficou acompanhando o garoto até o retorno do avô e do pai que estavam em Minas Gerais. Agora o garoto, que já tinha deficiências nas mãos e nos pés, ficará agora com esta nova marca.

Fernando é um pai amoroso, e segundo Priscila Aparecida, irmã de Camila, seu único vício é a bebida. A madrasta já tinha sido internada também pelo mesmo problema. A mãe biológica, Adriana, está presa por tráfico de drogas.

Difícil é a situação deste garoto de futuro incerto. Difícil também está para Camila sustentar sua versão inicial que a mãe biológica e seu companheiro é que foram os autores do crime: a primeira está presa e o segundo morreu há anos.

Agora caberá ao Dr. Hélio Villaça Furukawa, juiz de direito da 2ª. Vara Criminal de Itu a decisão sobre mandar ou não Camila para o Tribunal do Júri da Comarca. Talvez ela tenha alguma chance se o magistrado preferir Camus à Kafka. Não quero desanimar ninguém não, mas Furukawa é latinista.

(Veja as explicações de Camila Cristina)


Garoto é preso ao trocar um cheque no banco.


Ninguém até hoje conseguiu me demover da certeza que o Destino é um ente real. Não consegui eu por minha vez provar a ninguém a sua existência, mas o sinto e atrevo-me a dizer que por vezes penso lhe tocar a face.

Alex pegou aquele cheque e nem olhou duas vezes para o emitente, era apenas mais um entre tantos que já havia recebido, e para dizer a verdade já tinha pego como pagamento toda espécie de coisas, afinal ninguém gostava de lhe ficar devendo.

A Guarda Civil Municipal de Itu foi acionada para comparecer até a agência do UNIBANCO da avenida Tiradentes na Vila Nova: tentavam sacar um cheque produto de furto. Por lá, o eletricista sorocabano Diego explicava que só estava ali a pedido de um amigo para que recebesse o cheque, e nada mais.

Diego convence ao GCM Walter que poderia leva-los ao verdadeiro dono do cheque, e que tudo não passaria de um ledo engano. Acompanha então aos guardas municipais até uma casa na Rua Miguel Arcanjo Dutra no Parque Industrial, faltavam apenas quinze minutos para o meio-dia, mas a hora do almoço seria a menor das preocupações para aqueles que lá estavam naquele doze de agosto de 2009.

O guarda municipal conta que chamou por Alex do portão, ao que apareceram três rapazes a porta da casa, a uma distância de uns oito metros do portão. Vendo os guardas, não vieram abrir de imediato, o GCM Surian observa pelo vão do portão que eles jogam alguns objetos para cima do telhado, daí os três voltam para dentro da casa e só depois Alex volta para abrir o portão.

Fundada suspeita seria uma maneira sutil de descrever a impressão dada pelos rapazes aos guarda municipais, que mesmo antes de entrar na casa algemam um adolescente que estava ao lado da janela. O garoto dirá depois na Justiça:

Eu e Diego só fomos até lá para pegar o controle remoto do vídeo game. Diego foi trocar o cheque a pedido de Alex e eu o vi pesando e embalando a droga, mas nem cheguei perto, fiquei esperando a volta de Diego do lado de fora da casa. Quando os guardas chegaram com Diego, me algemaram por que eu estava parado perto de uma janela onde haviam algumas paradas.

Alex Luis talvez venha a se lembrar de quem lhe passou o maldito cheque, mas com absoluta certeza não se esquecerá do dia em que a casa caiu. Segundo seu irmão, André Luis, sua dívida com os traficantes era de R$ 3.000,00, e como ajudante de caminhão não conseguiria pagar, por isso é que aceitou fazer aquele serviço. Alex disse ao guarda municipal Surian, que pagou em São Paulo R$ 29.000,00 por toda aquela droga, mas na delegacia declarou que lá pagou R$ 2.000,00.

O fato é que os guardas civis acharam 104 porções de cocaína, sacola branca com mais 406,86 gramas, uma pequena quantidade de maconha, material para embalar, triturar e pesar entorpecentes, além de diversos aparelhos eletro-eletrônicos. Tudo indicando encaminhado ao delegado do 1º DP de Itu, Dr. Antônio Carlos Padilha, que achou por bem manter a disposição da Justiça além de Alex e do adolescente, Everson Luis de Almeida que havia cedido o imóvel para Alex também caiu nessa.

Drª. Liliane Gazzola Faus no entanto atenta para a falta de provas que existe neste caso. Pergunta ela: “Quais as provas que existem nos autos que caracterizam as incidências penais contidas na denúncia?” Ela mesma responde: “Não existem provas!”

Que atos teriam sido praticados de fato por Alex? Ninguém nega que as drogas de fato lá estavam, e ele as assumiu. Mas na Justiça ele irá dizer que era apenas para seu consumo, e para tal a quantidade não importa. Então, exatamente o que de fato temos como prova de que Alex praticou algum ato ligado ao trafico de drogas?

Alex é um trabalhador de carteira assinada pela PROFICENTER Terceirização, faltavam dois dias para completar dois meses na firma quando foi preso, além disso ainda ajudava seu tio Odair no caminhão. Caberá agora à Drª. Andrea Ribeiro Borges, juíza da 1ª Vara Criminal de Itu, a decisão se este trabalhador tinha ou não um terceiro emprego: traficante.

Algumas pessoas hão de dizer que aquele cheque é quem meteu Alex em tal enrascada, mas eu acredito que na verdade o Destino não faz nada ao acaso, o faz às vezes por diversão, e assiste a tudo como se ele nada tivesse a ver com isso.

Drogras embaladas próximo a escola em Itu.


O eletricista da cidade de Sorocaba, Diego, jamais pensaria que entraria para o mundo do crime por ajudar um amigo. É certo que sequer foi preso, mas não fica bem para um trabalhador entrar algemado em uma viatura da Guarda Municipal de Itu.

A babá sorocabana Evelin acordou com aqueles guardas em seu quarto mandando que ela vestisse uma roupa, enquanto perguntavam sobre a droga que estava em um prato embaixo de seu armário. Ela não fazia a menor ideia do que eles estavam falando.

Evelin e seu irmão Everton moram com os pais, na Rua Miguel Arcanjo Dutra no Parque Industrial e são conhecidos de Diego desde que eram crianças, e todos eles só conheceram há pouco mais de um mês, aquele novo amigo e parceiro: Alex.

Naquele dia, Diego e um garoto foram até a casa de Everton e Evelin pegar o controle remoto do vídeo game, lá chegando, Alex pediu para que Diego fosse trocar para ele um cheque no banco, era ali pertinho. Tudo bem, Diego foi e o garoto ficou esperando na casa.

O cheque era furtado. A guarda civil municipal apareceu e o conduziu até a casa, afinal o cheque era de Alex, alguma coisa devia estar errada. Estava. O GCM Walter e o GCM Surian perceberam isso logo que chegaram no portão da casa.

Evelin conta que acordou muito surpresa com a presença dos guardas, pois achava que o irmão era apenas usuário de maconha, e acompanhou-os na revista da casa, confirmando na Justiça que viu quando acharam parte da droga no telhado da casa.

Everson conta que temia ser morto, pois já estava devendo dinheiro a Alex, então aproveitou que os pais haviam saído e aceitou a proposta do traficante de usar a sua casa por uma hora para embalar o produto, como contou depois para sua irmã, em troca receberia as duas porções de maconha. Sua irmã, Diego e o outro garoto de nada sabiam.

Uma escolha ruim talvez tenha sido a casa de Everson, ela fica a 80 metros de duas escolas municipais: EMEI Walter Seyssel “Pimentinha” e a EMEI Profª. Inalda L. L. de Souza Lima. Tráfico de drogas é um dos crimes de maior gravidade em nossa sociedade e sua pena pode ser ainda mais severa com a proximidade das escolas.

A pedido da família, Dr. Nilton Sérgio dos Santos, acompanha o caso e esclarece que na realidade a acusação não tem “... qualquer respaldo fático, razão do simplismo da peça vestibular, que sequer individualizou a conduta de cada um dos acusados, (...) razão de nosso veemente rechaço. (...) O que houve realmente foi uma mera casualidade, tendo Everson aquiescido tão somente ao pedido de Alex para que cedesse o espaço para que ajeitasse um material, (...) aceitou na espera de receber alguma porção para seu consumo, tendo este aquiescido tão somente dado aos apelos do vício maldito”

Dr. Nilton explica assim que Alex pode ser e é traficante, como ele mesmo declarou na polícia, mas Everson apenas foi fraco em enfrentar seu vício, mas caberá agora ao juiz de direito decidir o futuro de Everson e de seu novo amigo e parceiro: Alex.

Traficante é morto por usuário no São Judas.


O Sr. Fábio é um homem rude. Fiz o possível para abrandá-lo; mas nada consegui. Ele persistiu na sua ideia, e eu na minha.

É verdade que o populacho, de um extremo a outro da Terra, acredita piamente nas coisas mais absurdas. No entanto, quando defrontados com a razão, deviam aceitar os fatos tais quais eles são, no entanto, como toupeiras cegas, nunca abrirão seus olhos.

Narrei tudo de novo, como o garoto me contou:

... depois de matar Alessandro na frente do Bar do Marujo, Diego montou de volta na moto que era pilotada por Arrastão e deram pinote. A moto que eles tinham pegado emprestada de Robinho deu problema, então, ao parar na rua Henrique Moretto, Diego correu para um lado e Arrastão para outro. De lá ele passou na casa de seu amigo Isaac Cláudio, e como o cara não estava em casa, escondeu a arma e as munições atrás da caixa de água. Foi para casa e mais tarde a Guarda Municipal de Itu apareceu acusando-o do homicídio, ele confessou na hora para o GCM Pascoal.

Sente-se pela singeleza e candura de tal confissão que o rapaz é pessoa de boa fé. Mas o rude Fábio que continua insistindo que ele só diz parte da verdade, que quem estava com ele era Thales, que este tal de Arrastão provavelmente nem existe, mas foi um nome que ele inventou para livrar a cara do comparsa.

Diego era um prestimoso moto-boy, muito zeloso do que é seu e de seus amigos. Pasmem, que até nos seus pedicados seus inimigos vêem argumento para culpá-lo. Diego e Thales foram até a casa de Goinha, perto do Capucho Lanches, para colocar uma capa preta sobre o tanque de combustível da moto, uma proteção a mais que todo moto-boy zeloso faz. Mas o rude Fábio continua acreditando na versão contada por Japão, Vampeta (Orlando Oliveira Souza) e pelo investigador de polícia Moacir Cova, na qual a capa era na verdade para camuflar a moto.

Moacir Cova, aliás, que recebeu um dia antes os familiares de Diego que foram denunciar Alessandro por estar ameaçando o rapaz. Isto prova que o rapaz estava dizendo a verdade quando alegou que ao chegar ao bar para comprar uma cerveja, Alessandro colocou a mão na cintura e foi na direção dele, simulando estar armado. Diego apenas se defendeu. Mas o rude Fábio Ferreira continua acreditando que ele foi ao bar só para matar o desafeto, pois não agüentava mais as ameaças.

A diferença entre eles começou em um desentendimento no Clube Comerciários, coisa de moleque que quer aparecer para as meninas. A briga acabou, mas o ódio crescente das partes não. Diego conta a história em detalhes e com firmeza de espírito. Mas o rude Fábio que continua preferindo ouvir as maledicências que todos contam a respeito do rapaz, acredita que ele era viciado em drogas e que esta foi a maneira usada para acabar com sua dívida para com o traficante Alessandro.

Enfim, muitas pessoas disseram que Diego é uma pessoa de fino trato, que as suspeitas que os próprios amigos dele tinham de que ele era um ladrão, eram infundadas. Mas o rude Fábio que continua repetindo as palavras do Promotor de Justiça, Dr. Alexandre Augusto Ricci de Souza: Demonstra ser pessoa irascível, perigosa e incapaz de conviver em sociedade de maneira civilizada”.

O Sr. Fábio é um homem rude. Fiz o possível para abrandá-lo; mas nada consegui. Ele persistiu na sua ideia, e eu na minha.

É verdade que o populacho, de um extremo a outro da Terra, acredita piamente nas coisas mais absurdas. No entanto, quando defrontados com a razão, deviam aceitar os fatos tais quais eles são, no entanto, como toupeiras cegas, nunca abrirão seus olhos.

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