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"Se contar para seu pai farei pior" — dizia a torturadora.


Ele jamais poderá esquecer aquela cena, em sua frente, dormindo um sono tranqüilo, um pequeno corpo virado para a parede, junto a ele um brinquedo de papelão. Fernando Torres puxa um pouco mais o edredon e dá um beijo para se despedir do garoto de cinco anos, seu filho. O amor existente entre eles é visível, profundo, e de todos conhecido, e nem mesmo as manchas de sangue que sujaram o edredon e o brinquedo conseguiram destruir.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010. 14:30
Fórum de Itu, Rua Luiz Bolognesi sn, Itu, SP.

Ninguém jamais poderá esquecer aquela cena, o PM Paulino lotado no Fórum entra na sala de audiência e informa a Drª. Andrea Ribeiro Borges que o garoto quer ser ouvido novamente, agora com a presença de Camila Cristine Estefano, sua madrasta. A juíza autoriza a entrada da criança, que frente à frente com Camila lhe diz: “Ah! Então foi você que tentou me matar?”.

Sábado, 5 de dezembro de 2009. 20:30
Rua Cerquilho 25, Cidade Nova, Itu, SP.

O garoto e sua meia irmã brincam com Fernando e Camila. O homem não perde nenhuma oportunidade de ficar com suas crianças, e como pagamento recebe do filho um sorriso maroto, inocente, verdadeiro, espontâneo. Há dois anos Camila faz parte daquele lar, e o menino gosta dela. Muito antes de ela vir morar com o seu pai, já ia buscá-lo na escola, e agora bastava ficar um pouco distante para o pequeno lhe mandasse beijos e acenos.

O azulejista Fernando coloca o garoto na cama e a menina no berço, ela tem dois anos. Ao sair, olha mais uma vez para dentro e segue com Camila pelo corredor até a casa de Olaide Torres, pai de Fernando e que mora na casa da frente. O garoto gostava de dormir na casa do avô quando o pai não está em casa, então ele recomenda a Camila a deixasse o trinco da porta aberto, para o garoto possa ir para lá se quiser, lhe dá um beijo e pede: “cuida bem das crianças”. Olha à hora, faltam quinze minutos para as dez da noite, sobe na boleia e seguem para destino.

Domingo, 6 de dezembro de 2009. 5:00
Seguindo em uma estrada de Minas Gerais.

Fernando atende ao celular, era uma menina que vivia na casa de seu Odaide que pede para falar com o caminhoneiro que é o pai de Fernando. Ele passa o telefone e vê rosto sério do pai, que depois de alguns minutos ouvindo o que a pessoa lhe diz, desliga sem nada falar.

A viagem segue tranquila até às sete da manhã, só faltavam apenas três horas para chegarem ao seu destino, o celular novamente toca , é seu irmão Carlos Eduardo Torres que conta que o filho está internado em estado grave e que Camila está presa pelo crime. Fernando desce do caminhão que segue viagem, e a base de carona ele retorna para Itu.

Alguns dias depois, Fernando entregará à GCM Carmo, uma guarda municipal que está na Delegacia de Defesa da Mulher de Itu (DDM), as roupas usadas no dia pelo garoto. São as últimas provas que faltavam a chegar às mãos da delegada Drª. Ana Maria Gonçales Sola.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010. 14:30
Sala de audiências da 1ª. Vara Criminal da Comarca de Itu.

Após a noite de sangue, o garoto contou ao pai que Camila já havia enchido sua boca com guardanapos e com um sabonete, e às vezes lhe batia ameaçando: “se contar para seu pai de outra vez farei pior”.

O motivo, todos desconfiavam: ciúmes que pai e filho nutriam um pelo outro.

Fernando conta que foi a partir do nascimento da filha do casal que ele começou a desconfiar que algo não corria bem, sempre que o garoto se aproximava da menina Camila olhava ameaçadoramente, mas ninguém imaginaria que ela seria capaz de qualquer coisa.

O pai do garoto diz que a madrasta Camila jamais pisará novamente em seu lar. Adriana Lopes Siqueira, mãe genética do garoto, está presa por tráfico de drogas. Vamos aguardar que Fernando Torres, agora tenha com discernimento na escolha das futuras mulheres de sua vida. Seus filhos agradecerão.

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