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Traficante é morto em frente ao Bar do Marujo.


Não desejaria, mesmo que pudesse, ter que relatar aqui, a lembrança de minha miserável vida, repleta de privações e desencantos, tal e qual a de muitos homens que como eu viveram nas periferias das cidades. Mas estou morto e enterrado.

Todos ali me conheciam como Feio, não que o fosse, não que me achasse, mas trazia este apelido há muito. Deixei meu corpo aos 22 anos e meu filho Kauane, tinha à época apenas cinco meses. Seu nascimento trouxe esperança e luz à minha vida.

Meu nome era Alessandro Aparecido da Silva, morava na Rua Prof. Arlindo Veiga dos Santos 142, bairro São Judas, a dois ou três minuros do Marujo's Bar, local em que fui morto. Era eu trabalhador, buscava oportunidades, mas para alguém que nasceu e viveu como eu vivi, elas não aparecem.

Robinho era o dono da moto em que aqueles dois rapazes chegaram para me matar. Posteriormente, dirá aos policiais que eu não era boa gente, que tinha envolvimento com drogas e roubos de motos. Não se deve dar crédito em tudo o que se fala sobre os mortos, sejam coisas boas, sejam coisas ruins.

Se você não me acredita, preferindo ouvir a voz do Zé Povinho, te desafio a ir até o Fórum da Comarca ver se tenho ou tive algum processo correndo por lá. Nada hão de encontrar, sou uma alma inocente.

Wellington Rafael Moura de Lima, o Japão, conhecido meu dos tempos de escola, é mais justo comigo. Contou ele que uma noite briguei no Clube Comerciários com Robinho, ficou a mágoa e a conta a acertar, e o dia chegou. Um dia Japão virá para cá, e hei de lhe perguntar o que quis dizer ao declarar: "... ele era folgado, não podiam olhar para ele que já arrumava briga".

Vária pessoas procuraram a Juíza de Itu, Drª. Andrea Ribeiro Borges, para dizer que “as pessoas falavam mal dele por ser traficante, as pessoas tinham medo, e consideravam-no perigoso”. Ora, eu nunca fui uma pessoa má, era apenas minha profissão, ninguém tinha motivos para me temer.

Quem compra tem que pagar, é assim que uma sociedade organizada funciona. Infelizmente o mundo de lei e ordem, com seus gramadinhos e cerquinhas pintadas de branco, não são uma realidade na periferia em que eu morava, cinza e violenta, onde cada um tem que garantir sua própria segurança.


Diego me matou. Chegou ao Bar do Marujo na garupa da moto. Desceu, parece que não estava de capacete, mas usava o gorro. Mesmo assim eu o reconheci. Veio direto para mim, chegando bem a minha frente, quase encostou aquele Taurus preto no meu rosto e disparou um tiro. Eu caia e ele continuava atirando.


Disse ele à Juíza de Direito que passou pelo bar para comprar uma cerveja, desceu da moto e eu fui na direção dele, teria eu colocado a mão na cintura simulando estar armado, sem dar a ele tempo de tirar o capacete, mas ele foi mais rápido, seria ele ou eu. Fui eu.


Quem tem padrinho não morre pagão, e se tinha meus irmãos e primos aí, cá também os tenho. Deus pode ser justo, mas o Diabo é camarada.

Será que o GCM Pascoal da Guarda Municipal de Itu, não estranhou que quase imediatamente conseguiu localizar a moto? Não era o plantão do eficiente investigador Moacir Cova, mas por algum motivo ele passou pela DELPOL, justo no momento em que precisávamos dele para chegar até Diego, ninguém estranhou, não?.

Ops... Disse precisávamos... Não, foi empolgação.

A Justiça cabe a Deus, ao Diabo apenas a vingança.

Após ouvir a todos, Drª. Andrea decidiu que Diego será julgado pelo Tribunal do Júri de Itu, e ficará longe do aconchego do seu lar e de sua namorada Talita até o julgamento.

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