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O presente do Dr. Gazzola e a "Gang dos Manos".


Há alguns meses atrás, entrou todo empertigado o Dr. Aluisio Francisco Gazzola seguido do promotor de justiça Dr. Alexandre Augusto Ricci de Souza no gabinete da Drª. Juliana Moraes Bicudo. O primeiro na condição de advogado decano da comarca e o segundo representando o Ministério Público de Itu.

A missão de ambos era homenagear a jovem magistrada que assumia interinamente a 1ª Vara Criminal da Comarca no lugar da Drª Andrea Ribeiro Borges - em férias.

Não sei se de fato a Drª. Juliana foi a mais jovem a assumir um magistério ou se Dr. Gazola se impressionou com a jovialidade e simpatia da meritíssima juíza, o que sei é que o presente escolhido para marcar o acontecimento foi o livro “Itu 400 Anos” do Prof. Roberto Machado Carvalho.

Também sei que naquele livro não estava escrito a história que o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze contou a ela na tarde desta quinta-feira, 23 de Setembro de 2010, sobre um dos períodos mais negros da história da cidade de Itu: o tempo da Gangue dos Manos da Cidade Nova.

Já no fim do período de domínio deste grupo de criminosos, Eduardo Freitas de Souza matou Mário Cardoso do Nascimento Filho, que seria um dos membros da quadrilha.

Sábado, 20 de Outubro de 2001. 20 horas
Rua José Elias Barbosa, Jardim União, Itu, SP.

Mário naquela noite ia fazer pela última vez o que fazia todos os dias: ameaçar. Eduardo foi escolhido para tal – mas não desta vez – o império do medo estava acabando, e Eduardo arrancou o pau que estava nas mãos de Mário e partiu para cima, batendo até deixar o rapaz em convulsão e espumando sangue pela boca.

No hospital, Mário disse que Eduardo queria obrigá-lo a vender entorpecentes, mas o que se apurou de fato foi apenas o seu próprio envolvimento com a gangue, contra um passado ilibado de Eduardo. Após alguns meses Mário morreu em conseqüência dos ferimentos impostos por Eduardo.

Agora, conhecedora de mais este quadro da história de Itu que não foi retratado naquele livro recebido das mão do Dr. Gazzola, caberia a ela, a jovem juíza de direito, impor uma pena a Eduardo.

O promotor de justiça pediu a desclassificação de “homicídio” para “lesão corporal seguida de morte”, e a juíza suavizou ainda mais a pena ao reconhecer que foi justa a tentativa de defesa e os bons antecedentes do réu. Enfim, a pena de Eduardo foi fixada em dois anos em regime aberto.

Se Deus escreve certo por linhas tortas eu não sei, mas os integrantes da temida Gangue dos Manos da Cidade Nova, estão: mortos, presos ou viraram mendigos. E todos os que foram acusados dos crimes contra eles saíram livres. Destino histórico, talvez para o livro “Itu 500 Anos”.

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