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Os flanelões da Praça da Independência em Itu.


Mesmo não tendo dúvidas que ele seja culpado – me respondeu meu amigo Chevalier Auguste Dupin com o seu sangue-frio habitual –, não haverá nenhuma lei que possa puni-lo, mas seria justo deixá-lo livre?

Estávamos nós naquele dia esperando sua esposa, que havia entrado na Igreja Nossa Senhora do Carmo de Itu, um patrimônio histórico sem igual em nossa cidade, quando assistimos aquela cena lamentável.

Ah! Se ele fez besteira, é outra história; – continuou Dupin – mas que ele está acima da Lei, isto lá ele está. E veja, não se nos depara aqui uma razão suficiente para uma condenação. As penas devem ser proporcionais aos delitos.

Ao nosso lado dois artesãos expõem na Feira de Artesanato da Praça do Carmo também apreciavam a cena: Amauri Marquezi e José Denis Moreira, este um orgulhoso filho da cearense Jaguatibe.

A justa cólera que está no seu coração – disse o Dupin apenas para me enervar – deve se curvar ante a generosidade, tão característica do povo brasileiro; que só condena um homem quando é absolutamente necessário.

O meu amigo francês sempre que podia ironizava os excessivos direitos que gozam os criminosos sul-americanos, desde os governantes aos mais simples contraventores  – segundo ele aqui é o paraíso da impunidade.

A cena por nós quatro assistida foi até que cotidiana. Qualquer um que queira ir até a Praça da Independência, um infeliz nome que deram para a Praça do Carmo, poderá encontrar um grupo de pingaiadas nas imediações do Restaurante dos Meninos.

Estes homens não usam de violência para exigir dinheiro dos transeuntes e pessoas que deixam o carro estacionado por lá, apenas se impõe trazendo uma sensação de insegurança e medo. E isso não chega a ser um crime – não há ameaça.

Algum tempo atrás a Guarda Civil Municipal em uma ação conjunta com a Secretaria de Ação Social e o Conselho Tutelar, fizeram um arrastão tentando cadastrar os mesmos e dar condições de recuperação destes indivíduos.

Obviamente eles não aceitariam de bom grado abandonar a farta colheita para se sujeitarem a viver em clínicas de tratamento, ou voltarem ao convívio familiar, e para agir com os relutantes os guardas municipais foram orientados a conduzi-los à delegacia, caso os pedintes demonstrassem condutas anti-sociais, como: embriagueis, vadiagem, perturbação do sossego, desacato...

Tudo deu em nada, apesar de todo o planejamento, ao chegarem os infelizes no distrito policial, foram liberados antes mesmos dos guardas. Afinal, isso é Brasil.

Agora estávamos vendo a conseqüência disso. A briga entre os vadios pelo ponto fez com que a Guarda Civil fosse chamada e um dos envolvidos, Antônio Donizeti Galvão, resolveu chamar os homens do GAP de: lazarentos, filhos da puta e guarda de merda.

O GCM Spinard e o GCM Godoy ouviram e verificaram com a chefia se deviam ou não conduzir para o DP, como o coordenador da equipe achou melhor deixar para lá, os homens liberaram Galvão. Que não se conformou e começou a ameaçar um dos guardas dizendo que iria matá-lo. Daí não teve jeito, DP.

Agora, nem eu mesmo sei se Galvão fez besteira, como afirmou meu amigo Dupin, o que eu sei é que ele tem razão: que este homem está acima da Lei, isto lá ele está.

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