O conceito de igualdade e o furto no Carrefour.


Seus pais, pessoas honestas, plantaram em seu espírito o gosto pelo trabalho e pela justiça. A tolerância aos defeitos de seus semelhantes foi fruto das experiências de vida, não de sua formação familiar ou de sua natureza aguerrida.

Tolerar a convivência com criminosos é característica da cultura latina, onde são bem vindos: políticos, professores, drogados, religiosos, homossexuais, trabalhadores... mas não foi isso que seus pais lhe ensinaram.

Qual é o limite entre o certo ou errado? A TV nos ensina a poupar: um pobre que furta, um empresário que sonegue, e um político que roube. Aquele que fica com a britadeira sob o sol escaldante em uma estrada, só este não é digno de ser poupado.

Pouco ele poderia fazer para deter essa tendência, nem era sua intenção. Até fez diversas tentativas de resolver aquele problema de outra forma, como, aliás, muitos o fizeram e fracassaram completamente. Agora teria que agir, não tinha outra escolha.

O garanhuense Eduflavio é fiscal de prevenção do Supermercado Carrefour de Itu. Já advertiu por diversas vezes aquele rapaz, o Tidão, como todos chamavam Aris, mas desta vez não teria que agir.

Quinta-feira, 20 de novembro de 2008. 19:20
Avenida Octaviano Pereira Mendes, São Camilo, Itu, SP.

A viatura da Guarda Municipal estaciona no pátio do supermercado. Bastou ao elias-faustense GCM Luciano e ao GCM Silvestre verem Tidão nas mãos de Eduflávio para saberem de toda a história, afinal, este meliante age sempre igual.

Além de furtar qualquer coisa de qualquer um, Tidão já foi preso em diversos estabelecimentos: Supermercado Bandeirante, Supermercado Rancho Grande, Supermercado Champion, Verdurão Hortifrui Choc, Padaria Rebeca, Droga Raia...

Eduflavio sabe que é melhor enfrentar um bando armado a um meliante destes. Este último é defendido pelas mesmas pessoas que depois vem pedir providências à polícia se são por ela coagidas a dar dinheiro ou seus bens.

Desta vez, Tidão colocou na cintura dois aparelhos de barbear da marca Titanium 3, cujo valor total não chega a oito reais, não passou pelos caixas, só sendo detido quando já estava no pátio do estacionamento.

Foi por seus pais, pessoas honestas, que Eduflavio agiu buscando um pouco de justiça, um cadinho de decência em um oceano de impunidade, mesmo ciente que os defeitos de seu semelhante seriam defendidos numa sociedade que prima pela safadeza.

A Drª Gisele Luizon Carlos Cera, está fazendo aquilo que esta sociedade lhe paga para fazer, age dentro de suas obrigações éticas e profissionais, mas seu trabalho, por mais justo que seja é o de proteger o meliante contra o trabalhador.

Eduflavio sabia quando deteve Tidão que alguém se levantaria contra ele, e ninguém a seu favor, seria questionado e esculachado. Se não fosse pela educação que teve em casa, sinceramente pensaria em mudar de lado, ser bandido no Brasil é muito melhor.

Drª. Gisele lembra que “... o acusado não apresentou qualquer atitude suspeita que levasse a (Eduflavio) a tomar tal atitude, ao contrário, entrou e saiu das dependências (...) como qualquer cliente normal faz frequentemente, não sendo motivo para qualquer desconfiança...”

De fato, entrar e sair de um supermercado sem nada comprar não é motivo de suspeita. Os pais de Eduflavio provavelmente gostariam de ser tratados com dignidade, graças a sua vida limpa, não gostariam de ser vistos e comparados com pessoas como Tidão.

Mas a hipócrita lei manda que todos sejam tratados como iguais. Afinal não sabemos mais qual é o limite entre o certo ou errado, tendo que tratar criminosos conhecidos como qualquer outro cidadão. Hoje, os diferentes são iguais, e ninguém mais é poupado.

Máquina caça-niqueis furtada de dentro da DP.


Sua mente trabalhava com afinco naquela noite para conseguir justificar o que estava fazendo. Ninguém acreditaria naquela história, fosse ela verdade ou não, afinal quem poria fé em três rapazes que dissessem que entraram no pátio da delegacia e retiraram a máquina caça-níqueis só por curiosidade?

Terça-feira, 07 de Julho de 2009. 22:40
4º Distrito Policial de Itu, Rua Osasco 26, Cidade Nova, Itu, SP.

O cratense Leandro e dois adolescentes carregavam tranquilamente uma máquina caça-níquéis, modelo Halloween, sem suspeitarem que uma viatura da Guarda Civil Municipal de Itu, que estava em patrulhamento de rotina, acompanhava seus movimentos. Apesar da estranheza que a atitude dos rapazes transmitia, os guardas acompanharam por algum tempo a movimentação.

O indaiatubano GCM Oliveira e o missaovelhense GCM Roberto Vicente abordaram o trio ao chegarem a Rua Penápolis. A desculpa dos garotos foi tão fria quanto aquela noite de inverno. Iluminados pelas luzes coloridas do giroflex da viatura que oscilavam na escuridão, contaram que estavam passando e viram o portão da delegacia aberto, entraram e retiraram o equipamento para ver como é que funcionava.

Depois os mesmos jovens contaram na delegacia que uma mulher loira, dona de um bar havia prometido a eles R$ 10,00 cada um para que lá entrassem e jogassem a máquina fora, avisando que o portão estaria aberto. Tudo teria dado certo se aqueles guardas não tivessem interrompido seu trabalho.

Os peritos da Polícia Civil foram chamados para estudar o local. Edna Aparecida das Neves e Ana Ester Pereira de Souza não puderam dizer ao certo se o portão estava realmente aberto, apenas afirmaram que não existem indícios que tenha havido arrombamento.

Drª Liliane Gazzola Faus acompanhou Leandro na audiência onde o promotor de justiça Luiz Carlos Ormeleze pediu ao juiz que beneficiasse o rapaz com a suspensão da pena por seu crime. O juiz Dr. Hélio Villaça Furukawa aceitou o pedido, mas exigiu que Leandro retorne a cada dois meses ao Fórum da Comarca de Itu para justificar suas atividades.

Leandro agora deve prestar um pouco mais de atenção nos seus atos, pai de uma criança de apenas um ano de idade, por pouco não perde a oportunidade de ver seu rebento crescer ao seu lado. Já ao Dr. Antonio Carlos Padilha, que era o delegado que atendeu a esta ocorrência aquele noite ficou a dúvida: será que deixaram o portão aberto mesmo? E a mim ficou outra dúvida: quem é a dona do bar que tinha tanto interesse em que a máquina caça níqueis sumisse?

Guardas Municipais como estafetas de delegados.

Temo ainda ousar contrapor-me contra algo que até há pouco tempo eu defendia.

Ah, ainda sinto com prazer os arrepios causados pelo frio das madrugadas, onde meu próprio andar produzia um som hipnótico e tranquilizador, enquanto rondava eu, sozinho, por locais escuros.

Foi a profissão que escolhi: solitária, tenebrosa e pouco reconhecida. Mas gostaria que para sempre ela se estendesse, sem alterações, noite após noite, percorrendo aqueles corredores silenciosos e sombrios. O tempo passou e fui retirado daquela vida simples, mas cheia de emoções e aventuras a povoar minha imaginação.

Para outras missões fui escalado, habitualmente coisas simples e agradáveis: patrulhamento em viatura pelo distrito do Pirapitingui e a pé pelo Centro Histórico, Igreja da Matriz, e vários outros pontos que modificaram para sempre a visão de trabalho deste velho guarda.

Passei a acreditar que os guardas patrimoniais deveriam ser substituídos, pois nenhum deveria trabalhar sem farda ou fora das funções de policiamento.

Se fui sincero quando de início defendi que a função da Guarda Civil Municipal era puramente patrimonial, também o fui quando passei a crer que o lugar dela era exclusivamente fardada e em policiamento. Mas o tempo passou, e vivi outras experiências que me levaram a refletir mais sobre o assunto.

Temo ainda ousar contrapor-me contra algo que até apouco eu mesmo defendia.

Lembrei-me de tudo isso quando Orlando Lurial Gomes Filho defendeu com a mesma ênfase com que eu o fiz no passado, as mesmas ideias que eu antes defendera.

Quando se referiu aos homens e mulheres locados em delegacias e no Fórum, disse: que guarda nada tinha que ir “... fazer média com juiz ou delegado...”.

Foi como se ele estivesse repetindo minhas palavras. Mas o tempo passou, ao menos para mim, talvez pelo fato de eu viver em um município cuja Guarda Civil Municipal esteja mais estruturada e enraizada nas instituições.

Eu vi guardas trabalhando nas delegacias trazendo informações importantes, experiências essenciais, participando de ações conjuntas. A Guarda Municipal de Itu deixou de ser estafeta de delegado para ser peça essencial na segurança do cidadão.

Vi também guardas trabalhando na escolta de autoridades, transmitindo as expectativas de prefeitos, secretários municipais e cidadãos de todos os extremos da cidade. Os líderes municipais chegam a lugares e conversam com pessoas às quais a Guarda Civil, como instituição, não chegaria, e os guardas que lá estão podem ajudar na implementação de ações planejadas e focadas.

Estafetas de juízes há muito deixaram de existir, sendo que hoje se faz um policiamento comunitário dentro dos muros do Judiciário ituano. O planejamento da segurança dos arredores e interno é preparado com conhecimento das pautas futuras. Os casos atendidos pela Guarda Civil são acompanhados até a decisão dos juízes, e seu estudo revela as falhas operacionais apontadas pelos advogados de defesa, assim como, através de acompanhamento em tempo real, permite que alguns pontos que tenham ficado pouco claros possam ser esclarecidos ainda durante a primeira audiência, com documentos ou informações.

Produtivo também é o contato trazido pela guarnição que atua junto à Promotoria Pública. O acesso direto entre esse órgão e os membros da Guarda Civil Municipal tem ajudado a balizar ações da GCM.

No Centro Histórico, alguns guardas civis municipais não apenas guardam o patrimônio cultural de nosso povo, mas servem como instrumentos de contato entre turistas, cidadãos e os diversos setores da Secretaria de Defesa do Cidadão.

Ao tenente Lurial cabe o mérito de fazer com que eu refletisse sobre tudo isso, mas temo ainda ousar contrapor-me a algo que até há pouco tempo eu defendia e, quem sabe, era o correto.

De Menor agora é preso como De Maior.



Dr. Carlos Antônio de Oliveira é um dos mais brilhantes advogados criminalista da Comarca de Itu. E era ele quem estava à frente da juíza de direito Drª. Andrea Ribeiro Borges na expectativa de liberar o pintor Ivan Vinicius Petrotti da acusação de tráfico.

Na versão do defensor as coisas se deram mais ou menos assim...

Quinta-feira, 7 de maio de 2009. 20:55
Centro de Laser da Bica D’Água, Bairro Santa Tereza, Itu, SP

Ivan acabara de comprar algumas porções de maconha para consumir. Ele é viciado desde os dez anos, e aos quinze esteve em tratamento na antiga Casa Renascer, atual Centro Terapêutico Novo Horizonte, um centro de tratamento para dependentes químicos. Adriano Alves é coordenador da entidade e afirma que o garoto ficou por lá apenas vinte dias, pois não conseguiu seguir o tratamento.

O garoto passou pelo centro de laser, resolveu ficar assistindo uma partida de futebol, e como é conhecido por lá desde os tempos de criança, foi convidado para participar do jogo. Abaixou-se para esconder a droga e entrar no campo, e neste momento foi abordado pelos homens da Guarda Municipal.

Com o rapaz havia quatro porções de maconha e R$ 85,00. O advogado conta que o dinheiro foi dado por sua mãe, oriundo dos bicos que seu pai que fazia.

Drª Andrea ouviu o que o advogado, mas os agentes da segurança pública foram firmes e unânimes na descrição da ação.

Na versão do GCM Eliseu e do GCM Freire as coisas se deram mais ou menos assim....

Havia informações que estaria acontecendo ali trafico de entorpecentes. Os guardas pararam a viatura a certa distância na Rua Cleto Fanchini, e ficaram observando. Ivan já era a conhecido dos meios policiais, seu apelido era “De Menor”, e já tinha sido recolhido duas vezes por tráfico quando inimputável.

De Menor ficava ele em pé próximo a quadra assistindo o jogo, os jovens chegavam até ele e recebiam a droga, ia ele então até a árvore e abaixava-se para pegar uma nova porção. Os guardas acompanharam o movimento quatro ou cinco vezes antes de abordarem.

Na revista pessoal acharam os oitenta e cinco reais e nada de drogas. GCM Eliseu disse a ele que sabiam onde a droga estava, ao que o rapaz respondeu: Já que o senhor está observando há algum tempo, vai lá e pega. E foi o que o guarda fez.

O guarda contou a juíza que o garoto disse que a Blusa Op que ele usava naquele dia tinha sido comprada com o dinheiro do comércio de entorpecentes, tendo custado R$ 560,00. Outro dia foi abordado por ele na Cidade Nova com R$ 400,00, mas sem drogas, e em outra ocasião ao ser abordado “deu pinoti”. A própria mãe do garoto disse à guarnição que ele estava dando problemas.

A delegada Drª Lia Limongi Arruda Matuck Feres ouviu do garoto na presença de sua mãe uma história bem diferente da que o Dr. Carlos contava agora à juíza de direito.

Na versão de Ivan as coisas se deram mais ou menos assim...

Chegou ao Laser com mais de vinte porções de maconha para serem vendidas, escondeu-as próximo à raiz de uma árvore, no interior de um saquinho. Cada pessoa que chegava ele vendia uma e ia então buscar outra. O preço de cada porção era R$ 5,00 e ele pagou no tablete de 50 gramas, R$ 50,00. Na casa de sua mãe no Parque Nossa Senhora da Candelária os policiais acharam dois tubetes do tipo que se usa para passar cocaína, mas ele só tinha usado para colocar farinha dentro para ver quanto cabia.

O perito criminal, Dr. Isaias Wanderley Carvalho declarou depois de examinar os tais tubetes que a farinha usada por Ivan é mais conhecida como cocaína.

Com tudo isso Drª. Andrea não achou crível que as porções de entorpecentes apreendidas se destinassem, exclusivamente ao consumo próprio de Ivan, considerando sua condição financeira, que sequer possuía uma ocupação lícita habitual, evidenciando que a droga, ao menos em parte, se destinava a comercialização.

Ivan foi condenado há três anos e quatro meses e doutor Carlos pode dormir tranqüilo, pois outro cliente que se enrosque sozinho como este só daqui uns dez anos.

Pai utiliza filho como mula no tráfico de drogas.


Não pretendia interromper minhas férias. Jurei ficar de pijama todas estas frias noites, minha maior preocupação seria com a temperatura do chocolate quente. No entanto o Jornal Periscópio de quinta-feira, 10 de julho me fez sair da letargia.

Pai usa o filho para esconder droga da polícia – comerciante escondeu no bolso da calça do filho de 10 anos, cerca de 400 gramas de cocaína e acabou preso no Bairro Santa Tereza.”

Poucas coisas me indignam mais que a covardia de um pai se escondendo atrás de uma criança. O periódico diz que R.M. de 42 anos estava em seu Monza vinho quando foi abordado: os policiais desconfiaram da atitude da criança, revistaram-na e encontraram a droga.

Reinaldo Magalhães é um homem acostumado a bater em mulheres, já tendo sido beneficiado diversas vezes pela nossa legislação. Em Macatuba foi condenado duas vezes por lesão corporal (1989 e 1994) – penas irrisórias, que só o fizeram rir.

O garoto, seu filho, agora usado como mula, foi acordado em uma noite, quando tinha oito anos e juntamente com suas duas irmãs, todas crianças, presenciaram o pai bêbado, “cantando bobagens em voz alta”, tirar as roupas e passar as mãos na sua mãe exigindo sexo ali, na frente de todos.

Sábado, 13 de dezembro de 2008. 2 horas da madrugada
Rua Helena Vilaron Xavier 26, Jardim Oliveira, Itu, SP

A mulher dorme com os três filhos na sala. O frentista chega embriagado, quer sexo ali mesmo, e com sua recusa ele a esbofeteia. Ela quer se separar, mas depende economicamente dele. Foram três socos na cabeça. Esse é o covarde e depravado Reinaldo Magalhães.

Ele não titubeia, pega suas coisas e sai da casa ameaçando “voltar terminar o serviço que começou”. E o pior para aquelas crianças, sai deixando-os sem nada para comer e nenhum dinheiro para se manterem. Este é o covarde e chantagista Reinaldo Magalhães.

Gritando na frente de todos que ela era vaca, puta, vagabunda, piranha e biscate. Diz saber que ela tem um amante e diz que matará a ambos se os flagrarem juntos. Ao mesmo tempo assume que tem uma amante, Mônica, em Parelheiros, bairro onde estava morando e trabalhando. Este é o covarde e imoral Reinaldo Magalhães.

Ele só vinha no final de semana para ficar com as crianças. Mas a mãe se negava a deixá-lo levar os rebentos, visto que segundo ela, ele às levava para os bares, saindo dirigindo bêbado em alta velocidade. Este é o covarde e irresponsável Reinaldo Magalhães.

Ele disse a ela: “Quer ver como eu calo sua boca, vagabunda”, e desferiu-lhe um soco. Esse homem saiu da casa e retornou logo em seguida para pegar a dentadura que ele havia esquecido. Este é o covarde e ridículo Reinaldo Magalhães.

O oficial de justiça Rodrigues de Parelheiros teve dificuldade em encontrá-lo por lá, o endereço que dado por ele na polícia, Estrada da Colina 600, não existia, mas graças à dedicação do servidor da justiça, localizou-o morando e trabalhando no Auto Posto Áster.

O Dr. João Teixeira Alves, seu defensor, disse que nada disso foi verdade, que ele ia sair, ela segurou seu braço e que ele levou o braço com força para traz, atingindo-a sem querer. Ele por sua vez fez acusações a ela pelo relaxo com que cuida da casa e dos filhos. Mas prefiro achar que não é verdade o que ele diz, pois um verdadeiro pai jamais permitiria que seus filhos vivessem no ambiente como o que ele descreveu.

Este homem, se é que se pode chamar de homem este ser depravado, foi beneficiado neste processo de 2008, como em todos os outros, com a suspensão por dois anos. Sua pena é ir até o Fórum uma vez a cada dois meses e dizer que está tudo bem, e que não dá nada para ele. Isto é Brasil.

Um país onde os valores são invertidos. Se bobear, e temo até chamar uruca ao dizer isso, o alto-alegrense Reinaldo Magalhães sairá como usuário, e portando sem pagar nada por este crime também. Os policiais que revistaram a criança, poderão responder pelo seu ato, afinal o menor estava protegido pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, e não poderia ter sido constrangido.

Chamar o Guarda de "Viado" custa 150 reais.


Quando disseram àqueles guardas civis municipais que iriam atender a mais um caso de desinteligência que ocorria pelos lados da Avenida Paz Universal, os homens foram preparados para tudo, ou quase...

O itabiense GCM Gilmar e o careaçuense GCM Almeida chegaram ao local e de pronto tiveram que partir para o socorro dos feridos. Menos mal, em geral a Guarda Municipal tem primeiro que colocar a casa em ordem para só depois socorrer os feridos, estava fácil de mais, não podia ser só isso.

Briga de bêbados, sempre briga de bêbados. Seria até difícil entender o porquê do governo municipal não declara a lei seca como outras comunas já o fizeram se não pela conveniência política, afinal não se pode tirar o circo da plebe. Dar realmente educação e cultura custa caro e não dá para meter a mão no dinheiro, circo é mais barato.

Os homens da guarnição acompanham Daniel Vinícius da Silva, um dos feridos até o PAM da Vila Martins, para receber os primeiros socorros. Também é levado um rapaz que se declarou amigo da vítima, o Ricardo Júlio Ferraz, um jovem que como os outros estava bêbado e assim cheio de coragem etílica.

Aquela noite para Ricardo só deverá terminar dentro de alguns dias, pois foi condenado a pagar R$ 150,00 de multa por uma única palavra dita aquela noite: viado!!! Dr. Hélio Villaça Furukawa, condenou-o a pagar no dia de hoje, 10 de julho de 2010, este valor à GAPISI (Grupo de Apoio, Prevenção e Informação ao Soropositivo de Itu).

A briga já havia terminado, todos estavam esperando apenas a liberação médica do colega para conduzir-lo de volta ao aconchego do lar, quando Ricardo, num rompante de sabedoria declarou: “Hoje é minha mãe que chora, amanhã será a dele!!!” Ameaça gratuita e até agora não entendi bem a quem foi dirigida, mas talvez nem ele soubesse.

Também já havia passado por um dos guardas que ajudaram no socorro, parado e declarado: “Não vou com a sua cara!!!” Procurou, procurou até que achou. Num momento de inspiração shakespeariana virou para um dos policiais e disse: viado!!! Bastou isso para que o jovem corajoso fosse convidado a voltar para dentro da viatura e passasse mais alguns agradáveis momentos conversando com o Dr. Antônio Carlos Padilha, delegado de polícia do 4º distrito policial de Itu.

A mãe de Ricardo talvez tenha estranhado naquela noite a falta de um filho tão preocupado consigo aquela noite, talvez a única na qual ele optou por ir se embriagar no meio dos amigos e arranjar briga em bar, mas talvez já esteja acostumada com isso e tenha uma idéia de onde errou.

Tenha fé senhora mãe do Ricardo, cujo nome prefiro não citar aqui, que enxugará dos teus olhos toda lágrima, não haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. Pena senhora mãe do Ricardo, que até que se cumpra esta palavra que está em Apocalipse 21:4, a senhora tenha ver teu nome usado por um filho que deveria estar ao seu lado e não em um bar buscando levar dor à uma mãe, a sua própria ou a de outros.

Aguardei ansioso durante todo o processo ouvir a voz de Ricardo, sua versão, sua defesa. Mas preferiu o silêncio, diante do delegado, do advogado, e do juiz. Um direito seu, escolher a hora de falar, escolhendo as palavras com cuidado dentro de seu piscoso vocabulário, tipo viado, por exemplo.

Quando disseram àqueles guardas civis municipais que iriam atender a mais um caso de desinteligência que ocorria pelos lados da Avenida Paz Universal, os homens foram preparados quase tudo, menos para isso.

última publicação:

A pacificação do PCC em São Paulo

A pacificação do PCC em São Paulo A facção paulista, o delegado e o investipol Juro que vi uma discussão entre um delegado de polícia...