Duas causas da condenação de Oliveira Júnior.


Dr. Nicolau Iusif Santarém, delegado que conduziu na fase inicial o inquérito que investigou a morte do advogado Dr. Humberto da Silva Monteiro, recebeu rasgados elogios tanto por parte da defesa quanto por parte da acusação durante a sessão do Tribunal do Júri na qual o empresário e político Oliveira Júnior foi condenado a vinte anos de reclusão. Acusar as autoridades policiais de conseguir confissões sob tortura e pressão parece ser uma dos pilares canônicos dos advogados de defesa, mas Dr. Nicolau teve o cuidado de gravar em vídeo todas as inquirições e só ouvir os suspeitos na presença de seus advogados, com isso derrubando várias tentativas feitas de anulação do processo.

Mesmo com todos os cuidados tomados pela polícia, os diversos advogados que atuaram no caso insistiam que houve abuso, mas... dessa vez não deu.

Por incrível que isso possa parecer, foram justamente os advogados contratados por Élio Aparecido de Oliveira que o colocaram de forma inequívoca na cena do crime, e não as força policiais. Os jurados da comarca aceitaram a argumentação do Ministério Público que o batalhão de advogados que compareciam para acompanhar os suspeitos do crime só podia estar a paga do político.

“Quem é que pagava tantos advogados? Aquele preso que não tinha nem dinheiro para comprar leite para seus próprios filhos? Eu, o Promotor Público? Vocês, os jurados? O Ituano Clube? Quem?” ̶̶ bradava Dr. Ormeleze para os jurados.

Vários profissionais foram citados: Dr. Ricardo Luis de Campos Mendes, Dr. Marcos Alexandre Bochini, Dr. Newton Cesar, Dr. Haroldo Santarelli, Dr. Edward Simeira, e Dr. Artur Eugenio Mathias.

A vítima que sobreviveu, o jornalista Josué Soares Dantas Filho, chegou a afirmar que “Dr. Ricardo Mendes tinha uma paixão doentia pelo Oliveira Júnior, qualquer coisa que envolvesse o nome do homem ele estava lá para intervir”, e em outro momento do Promotor de Justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze, lembrou que era tal a dedicação dos advogados ao político que o Dr. Ricardo Mendes e o Dr. Marcos Bochini acabaram condenados em uma ação penal por práticas ilegais durante o processo.

Uma reunião feita pouco tempo após o crime no Jardineira Grill na Avenida dos Bandeirantes onde compareceram Cleber Antonio Maldaner, testa de ferro de Oliveira, advogados ligados ao político, e o intermediário confesso do crime Nicéias de Oliveira Brito, jogaram uma pá de cal em qualquer dúvida sobre uma ligação entre mandante e executores.

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