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Primeiro Comando: Volksgeist ou Patologia Social.



Volksgeist é a palavra que afirma que o povo é um ser vivo marcado por forças interiores e silenciosas que segrega uma espécie de consciência popular. Se assim for, o espírito do povo está neste momento com brasa sob seus pés nas periferias das grandes cidades.

Onde adormece o Primeiro Comando da Capital de sua cidade?
Não ele não adormece, só estão a espera para mudar a sociedade.

O PCC 1533 é um grupo de homens perseguido por homens. Cada um de seus soldados, de seus moleques, de suas minas, que foram desprezados fora da comunidade e que para sobreviver seguiram o conselho de Nikos Kazantzákis e se uniram aos gaviões, aos falcões, e aos seres selvagens que lhe deram acolhida.

Herder e Savigny, o Primeiro Comando não é uma “força interior e silenciosa”!

Venham olhar de perto e de dentro, venha sentir o sangue pulsando, os dentes rangendo, e os barulho dos tiros. Não, definitivamente não há nada por aqui de silencioso.

Preferem então olhar estritamente de fora e de longe? Então vão passar ao largo da influência da facção na construção histórica da cidade,e hoje não se pensa a urbanidade de nenhuma grande cidade sem levar em consideração as alterações sociais que o PCC fez no modo de se relacionar das pessoas.

Há quem não tenha consciência disso, estes sim são a “população” que bovinamente pasta, nos alimenta, e nos protege como já foi predito há muito por Étienne de La Boétie em seu “Discurso da Servidão Voluntária”.



O Primeiro Comando da Capital é uma “comunidade” que se opõe a “sociedade”, conforme foi descrito por Émile Durkheim, Ferdinand Tönnies, Georg Simmel e Max Weber.

Mas foi Tönnies quem melhor descreveu as características de uma comunidade: laços de sangue, relações primárias, consenso entre seus membros, e rígido controle social. Não há melhor forma de descrever a facção paulista. Tönnies parece que leu o Estatuto do Primeiro Comando.

Tá, tudo bem, quando ele escreveu “laços de sangue” tinha um entendimento do termo diferente do que temos hoje...

Max Weber nos lembra que as cidades se formaram da mesma forma que o PCC como uma forma dos excluídos amotinados moradores dos burgos medievais fazerem frente ao poder do príncipe ou do bispo formando irmandades (communitas). A base desses amotinados seria o interesse mútuo de proteção e eram garantidos por um juramento (conjuratio), como o batismo feito hoje para que se torne irmão do PCC.

A psicóloga Silvia Ramos garante que a possibilidade da facção manter a ordem é superior ao do Estado de Direito pois ninguém duvida de sua capacidade de ação, ao contrário daquela que as relações secundárias ditadas pela convenção e anonimato. A força da facção é uma característica é típica das comunidades em contraposição com a da sociedade, essa última sim um um ser vivo marcado por forças silenciosas.

Os camponeses que fugiram da miséria e se juntaram nas cidades medievais e posteriormente aqueles que buscavam as periferias dos centros urbanos no início do século XVIII, eram considerados “patologias sociais”. Combatidos e mortos como criminosos, no entanto foram eles que puseram uma pedra na Idade Média e posteriormente forjaram a Era Industrial.

O Primeiro Comando da Capital é assim como eles uma patologia social na visão de muitos, e talvez o seja, mas não é o que pensa Durkheim que afirma que não há como saber quando uma sociedade está no ponto de ruptura e quais serão os atores dessa mudança, e sendo assim não podemos considerar uma relação social normal ou patológica pois são valores pessoais de cada membro da sociedade, que por algum motivo tomam atitudes que consideram que sejam as melhores para sua vida.

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