A Guerra do Paraguai não terminou: PCC X CV.



A ação de 15 de Julho de 2016 em Pedro Juan Caballero foi comemorada pela irmandade dos PCCs com alegria e medo.

O Primeiro Comando da Capital PCC1533 quebrava naquela noite o acordo que mantinha com o Comando Vermelho CV. O espetacular assassinato de Jorge Rafaat Toumani entrou para a história dos grandes crimes não apenas do Brasil mas das Américas.

O domínio das fronteiras paraguaias pareciam naquele momento garantidas e serviriam para enfraquecer pouco a pouco a facção do Rio de Janeiro. Era de se esperar reações e elas vieram por todo o país.

Centenas de soldados PCCs morreram em diversas batalhas sejam em ações diretas, seja através de grupos aliados dos CVs como os FDNs e os SDCs, isso era de se esperar, mas…

Ninguém esperava que a Guerra do Paraguai seria tão demorada na fronteira. Passado quase um ano o domínio do Primeiro Comando ainda não foi consolidado apesar das alianças feitas com grupos locais e estrangeiros dos dois lados da fronteira.

A morte ontem de Claudenilson Duarte Martinez foi mais um capítulo nessa guerra. Claudenilson havia ganhado o semiaberto e tinha acabado de sair do Presídio de Ponta Porã de onde foi seguido por duas motos que interceptaram o veículo de Claudenilson na esquina da Avenida Brasil com a Duque de Caxias. A liberdade dele não durou seis minutos até ser executado com mais de vinte tiros.

Um dia antes o PCC Sérgio Ramão Vargas Ramos foi morto com mais de oitenta tiros na cidade paraguaia de Bella Vista do Norte a pouco mais de 130 quilômetros dali. Nesse caso dois dos assassinos foram presos e pertencem ao Comando Vermelho.

A força comercial da Rota Paraguaia para o Comando Vermelho fica claro quando vemos a quantidade de armas apreendidas apenas esse ano pelas diversas forças policiais no trajeto até o Rio de Janeiro - só em munições de fuzil e pistolas 9mm já passam de 20 mil.

A garota que visita o preso do PCC é sua mulher?


Você já visitou um preso dentro do Sistema Carcerário? Se sim, sabe do que vou falar aqui; se não, e você é uma mulher, garanto que não vai querer passar o inferno que é fazer uma visita a um familiar dentro do Sistema Prisional. A humilhação imposta é indescritível, mas tem mulheres que vão, mesmo sem serem parentes ou amantes dos prisioneiro. Estranho?

Elas executam trabalhos específicos para o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533), como levar informações, drogas e celulares para dentro dos muros. Por vezes, sequer são companheiras (mulheres que fazem parte do PCC, mas não foram batizadas); geralmente elas são as aliadas (mulheres contratadas para missões, mas sem vínculo com a facção).

O jornalista Josmar Josino, em seu livro Casadas com o Crime, explica como funcionam as complicadas relações de respeito dentro do PCC, no qual os familiares são seres quase que sagrados, e não devem ser envolvidos nos movimentos de maior risco de perda de liberdade, principalmente se forem suas visitas: mães, mulheres, e irmãs:
“Os integrantes do PCC abraçam o discurso de proteção da família e contratam outras para fazer a ponte das informações. É como uma profissão”.

Quanto você recebe por mês? Dois mil reais? Quatro? Bem, e quanto você acha que essas garotas recebem?

Vou contar algo para você, "viver do lado certo do lado errado da vida" tem um preço. No começo, quando o PCC assumiu as carceragens, era fogo, aos poucos começou a profissionalizar o ingresso das mercadorias, mas mesmo assim, havia muita exploração, algumas garotas eram usadas como mulas e não recebiam um valor digno para o trabalho. Hoje o PCC tem um salve com os valores.

Pois é, em uma visita, uma garota companheira ou aliada, pode tirar algo próximo aos dez mil reais, mas detalho isso outro dia.

O Promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) explica que essas garotas se passam por amantes ou namoradas dos presos, e os agentes penitenciários, mesmo nas revistas íntimas, não conseguem encontrar os objetos escondidos, pois ficam dentro do corpo das mulheres.

As garotas são convidadas para as missões, pois “ninguém é obrigado a nada no PCC”, participa quem quer e por suas razões. — todos os membros da Família 1533 se orgulham disso.


Antes do Primeiro Comando assumir os presídios, a situação era muito pior.

Hoje, nenhuma das mulheres que fazem esse serviço são obrigadas a isso, mas antes, os familiares dos presos mais fracos que não tivessem como pagar por proteção — fossem mulheres, crianças, e ou até bebês — eram utilizados para levarem dentro de seus corpos drogas e celulares; se não o fizessem, o preso era torturado ou morto.

Agora, a maioria das garotas faz o trabalho para ganhar dinheiro, muito dinheiro, mas nem sempre esse é a principal razão, e esses casos eu chamaria de efeito Perséfone, pois me lembra a história daquela adolescente que vivia com seus pais no Monte Olimpo.

Você já visitou um preso dentro do Sistema Carcerário? Se não, e você é uma mulher, garanto que não vai querer passar o inferno que é fazer uma visita a um familiar dentro do Sistema Prisional. Talvez pense que isso jamais acontecerá com você ou com algum familiar seu. Pois é: Deméter, a mãe de Perséfone, também pensava dessa forma.

Já conheci alguns casos assim: a família sempre acusa as más companhias, ou um namorado. Bem, Deméter acusou Hades, mas por maior que fosse os esforços da família, Perséfone não queria mais voltar, e acabou aceitando ficar entre esses dois mundos, o da família e o do submundo — como vejo muito acontecer até hoje, nas melhores famílias.


Hades não escolheu viver a vida que vivia, mas mesmo que a vida não tenha lhe dado muitas escolhas, ele soube aproveitar as oportunidades: fez do inferno seu reino e levou sua garota para lá, sua Arlequina, sua Perséfone, que também escolheu viver com ele, no lado perigoso e escuro da vida.

Despina, a irmã de Perséfone, tentava por inveja estragar a relação do casal através de intrigas e fofocas. Até hoje isso acontece. Seja com nossa heroína, seja com as garotas que circulam em nosso Sistema Prisional. Só que assim como Hades, que matou muitos que tentaram prejudicar sua amada, os PCCs não admitem que mexam com suas Arlequinas.

Por pura curiosidade: Hades recebia as mais belas e quentes mulheres no Tártaro, mas, por incrível que pareça, apesar da fama de mulherengo, de garanhão, o cara sempre foi fiel à sua garota — ela era sua garota, as outras eram apenas “aliadas” contratadas para fazer trabalhos específicos, como levar informações e outras coisas para dentro do Tártaro.

As mulheres são fundamentais para o PCC 1533.


“Falem mal mas falem de mim” dizia o Maluf, e é mais ou menos por aí.
Falam que o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) não respeita a família e a sociedade, mas não é bem por aí, pelo contrário, muito pelo contrário. A sociedade e a família estão perdendo seus valores, e isso fora da Família 1533.

Isso não sou eu quem estou dizendo não, é o que se entende pela leitura dos trabalhos da socióloga Camila Nunes Dias e da antropóloga Karina Biondi (Juntos e Misturados: uma etnografia do PCC).

Camila lembra que "o PCC não é revolucionário, é uma organização conservadora e que tem valores como o machismo e o repúdio aos homossexuais." A mulher dentro do sistema tradicional de nossa sociedade não tem as mesmas funções que os homens, esse sim é um conceito revolucionário que está se infiltrando na cultura ocidental.

Dostoiévski no século XIX descreveu com maestria o momento em que as mulheres, apenas algumas, começavam a poder escolher o homem com o qual iriam se casar. De lá para cá muitas conquistas as mulheres alcançaram, mas a que custo?

Hoje a mulher na maior parte da sociedade trabalha fora e o prover do lar, assim como o homem, deixando de ser a parte fraca da relação, mas até quanto essa igualdade existe?

Cada parcela da sociedade busca essas respostas. Cada um do seu jeito.

Homem e mulher não são iguais, e novamente não sou eu quem digo isso, além de ser evidente que existem diferenças todas as ciências humanas comprovam isso: neurociência, sociologia, e antropologia.

A mulher dentro do PCC é muito importante, é quem mantém a família, o dia a dia e o equilíbrio da casa e da organização. O Primeiro Comando da Capital não existiria sem a participação feminina, e sempre foi assim.

O pensamento daqueles que estão dentro do Sistema é voltado para elas que gerenciam suas vidas fora das grades enquanto aguardam o retorno, os dias só passam na espera das visitas dos finais de semana. A mulher, seja a mãe, a mulher, ou a irmã, são aquelas que dão o equilíbrio para aqueles que estão dentro.

Camila e Karina estão certas, a família é a base de sustentação do Primeiro Comando, assim como sempre foi na sociedade humana, e por isso, hoje podemos dizer com certeza que é a sociedade moderna que desvirtua a família e não o 1533.

Outra característica da sociedade conservadora é a religiosidade e a fé, e poucos são os grupos sociais hoje no quais tanto respeito há ao Cristianismo. Jesus foi um revolucionário a seu tempo, e foi preso e condenado, quem nunca pecou jogue a primeira pedra. Né não Maluf?

Bem, agora é tarde. Outro dia continuo, afinal ainda não falei com quem fica a chave da dispensa e o que tudo isso tem a ver com a mulher do Ingênuo de Voltaire, e as mulheres guerreiras.

Preso no Paraná Wanderlei Benites, o Bilu do PCC.



O cara é considerado o cara pela polícia do Paraná.

Segundo o Tribuna do Paraná, o delegado Rodrigo Brown atribui a Wanderlei Benites, conhecido como Bilu, parte da organização da fuga de dezenas de presos ligados ao Primeiro Comando da Capital da Penitenciária Estadual de Segurança Máxima de Piraquara - PEP 1. O Major Cesar do BOPE elogiou a ação da equipe de resgate declarando:

“Eles vieram para o arrebatamento bem preparados, vieram com armas de grosso calibre, com grande potencial ofensivo. Com os quatro capturados haviam três fuzis 762, duas pistolas 9mm, e dois coletes balísticos. Eles vieram preparados para a guerra mesmo.”


A Operação Alexandria que foi organizada para desarticular as organizações criminosas do Paraná tentou por mais de um ano localizar Bilu sem sucesso. Ele só foi localizado no bairro curitibano de Parolin após uma outra operação feita para descobrir os organizadores e participantes da fuga da PEP 1.

Ele é tido também como o responsável pelas ações da chamada “gangue da marcha-ré” que tem agido em Curitiba.

Bilu além dos novos processos já tem passagem por associação criminosa,homicídios e latrocínio, entre outros artigos.

O mesmo delegado que esteve à frente da operação que o prendeu na noite desta quarta-feira dia 1ª de fevereiro já o havia preso no passado quando ele foi reconhecido por testemunhas como sendo o autor de um latrocínio no bairro curitibano de Água Verde. Curiosamente apenas a Avenida Presidente Kennedy separa o bairro onde ele cometeu o assassinato do local onde foi preso mais de um ano depois.

Em 2014 a Polícia Civil do Paraná em sua página oficial garantiu que a prisão de Wanderlei e outros 22 membros da organização criminosa teria desestruturado a organização criminosa naquele estado. Bem, após a fuga do PEP 1 articulada pelo mesmo Wanderlei ficou claro que o Primeiro Comando da Capital continua ativo e forte por lá.

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