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A garota que visita o preso do PCC é sua mulher?


Você já visitou um preso dentro do Sistema Carcerário? Se sim, sabe do que vou falar aqui; se não, e você é uma mulher, garanto que não vai querer passar o inferno que é fazer uma visita a um familiar dentro do Sistema Prisional. A humilhação imposta é indescritível, mas tem mulheres que vão, mesmo sem serem parentes ou amantes dos prisioneiro. Estranho?

Elas executam trabalhos específicos para o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533), como levar informações, drogas e celulares para dentro dos muros. Por vezes, sequer são companheiras (mulheres que fazem parte do PCC, mas não foram batizadas); geralmente elas são as aliadas (mulheres contratadas para missões, mas sem vínculo com a facção).

O jornalista Josmar Josino, em seu livro Casadas com o Crime, explica como funcionam as complicadas relações de respeito dentro do PCC, no qual os familiares são seres quase que sagrados, e não devem ser envolvidos nos movimentos de maior risco de perda de liberdade, principalmente se forem suas visitas: mães, mulheres, e irmãs:
“Os integrantes do PCC abraçam o discurso de proteção da família e contratam outras para fazer a ponte das informações. É como uma profissão”.



Quanto você recebe por mês? Dois mil reais? Quatro? Bem, e quanto você acha que essas garotas recebem?

Vou contar algo para você, "viver do lado certo do lado errado da vida" tem um preço. No começo, quando o PCC assumiu as carceragens, era fogo, aos poucos começou a profissionalizar o ingresso das mercadorias, mas mesmo assim, havia muita exploração, algumas garotas eram usadas como mulas e não recebiam um valor digno para o trabalho. Hoje o PCC tem um salve com os valores.

Pois é, em uma visita, uma garota companheira ou aliada, pode tirar algo próximo aos dez mil reais, mas detalho isso outro dia.

O Promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) explica que essas garotas se passam por amantes ou namoradas dos presos, e os agentes penitenciários, mesmo nas revistas íntimas, não conseguem encontrar os objetos escondidos, pois ficam dentro do corpo das mulheres.

As garotas são convidadas para as missões, pois “ninguém é obrigado a nada no PCC”, participa quem quer e por suas razões. — todos os membros da Família 1533 se orgulham disso.


Antes do Primeiro Comando assumir os presídios, a situação era muito pior.

Hoje, nenhuma das mulheres que fazem esse serviço são obrigadas a isso, mas antes, os familiares dos presos mais fracos que não tivessem como pagar por proteção — fossem mulheres, crianças, e ou até bebês — eram utilizados para levarem dentro de seus corpos drogas e celulares; se não o fizessem, o preso era torturado ou morto.

Agora, a maioria das garotas faz o trabalho para ganhar dinheiro, muito dinheiro, mas nem sempre esse é a principal razão, e esses casos eu chamaria de efeito Perséfone, pois me lembra a história daquela adolescente que vivia com seus pais no Monte Olimpo.

Você já visitou um preso dentro do Sistema Carcerário? Se não, e você é uma mulher, garanto que não vai querer passar o inferno que é fazer uma visita a um familiar dentro do Sistema Prisional. Talvez pense que isso jamais acontecerá com você ou com algum familiar seu. Pois é: Deméter, a mãe de Perséfone, também pensava dessa forma.



Já conheci alguns casos assim: a família sempre acusa as más companhias, ou um namorado. Bem, Deméter acusou Hades, mas por maior que fosse os esforços da família, Perséfone não queria mais voltar, e acabou aceitando ficar entre esses dois mundos, o da família e o do submundo — como vejo muito acontecer até hoje, nas melhores famílias.



Hades não escolheu viver a vida que vivia, mas mesmo que a vida não tenha lhe dado muitas escolhas, ele soube aproveitar as oportunidades: fez do inferno seu reino e levou sua garota para lá, sua Arlequina, sua Perséfone, que também escolheu viver com ele, no lado perigoso e escuro da vida.

Despina, a irmã de Perséfone, tentava por inveja estragar a relação do casal através de intrigas e fofocas. Até hoje isso acontece. Seja com nossa heroína, seja com as garotas que circulam em nosso Sistema Prisional. Só que assim como Hades, que matou muitos que tentaram prejudicar sua amada, os PCCs não admitem que mexam com suas Arlequinas.

Por pura curiosidade: Hades recebia as mais belas e quentes mulheres no Tártaro, mas, por incrível que pareça, apesar da fama de mulherengo, de garanhão, o cara sempre foi fiel à sua garota — ela era sua garota, as outras eram apenas “aliadas” contratadas para fazer trabalhos específicos, como levar informações e outras coisas para dentro do Tártaro.

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