A opressão do sistema penal é culpa dos advogados.



Eu vejo gente morta ─ quem assistiu o filme “O Sexto Sentido” não tem como não se lembrar do momento em que o garoto fala essa frase para Bruce Willis. Como no filme os fantasmas muitas vezes não são quem pensamos.

Pergunta: quem criou e exige que se mantenha esse Código de Processo Penal tão horrendo que apenas o capeta em pessoa pode entender?
Resposta: O próprio capeta.

Rafael Godoi do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo foi voluntário em uma Pastoral Carcerária Católica em penitenciárias do estado de São Paulo e publicou um artigo etnográfico pensando a população presidiária:

“Experiência da pena e gestão de populações nas penitenciárias de São Paulo, Brasil”

O que impressiona na leitura é como ele descreve o desespero do detento que se sente amarrado, perdido, e injustiçado por não saber tempo que irá cumprir de verdade. Por incrível que pareça por vezes nem sabe se foi realmente condenado:

“... somos abordados por vários presos e suas questões: “O que precisa para pedir o extrato? Número de matrícula serve?” Quando nos aproximamos, uma longa fila já está formada. Fátima procura em sua pesada sacola o maço de extratos correspondente ao “raio” em que estamos e o entrega nas mãos do “setor”, que repassa a outro que o leva para a sala da “judiciária”, a fim de organizar a distribuição – um volume grande de presos se dirige para lá…”

A descrição da visita pastoral mais parece a mesa de um escritório de despacho de um advogado público, são dezenas de dúvidas, recontagens de tempo, e apelações. Fica evidente o clima de desespero de homens que não tem ideia de quanto tempo vão cumprir e aonde.

Pergunta: Afinal a quem interessa essa realidade?
Resposta: Ao próprio capeta.

A cada dia se criam novas regras para abrandar o “injusto” sistema penal, criando mecanismos e mais mecanismos que permitem a defesa do preso, progressões, e benefícios.

O advogado então pode apelar…
O advogado então pode pedir o habeas corpus…
O advogado pode pedir o cálculo da pena…
O advogado para montar o semiaberto…
O advogado pode montar o BI...
O advogado…

Eu ouço gente morta. ─ Como no filme os fantasmas muitas vezes não são quem pensamos, e assim acontece com o sistema penal e carcerário brasileiro: são os advogados que impedem a mudança dessa realidade?

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 luta contra a opressão do sistema carcerário, mas de fato será que sabe quem é o fantasma que está assombrando a comunidade carcerária? Lutam contra o governo, contra as condições do cárcere, contra os policiais e agentes, mas será que de fato esses são os problemas que os afligem?

Quantos familiares e presos não foram iludidos por promessas e mais promessas, resultados possíveis e impossíveis por parte de advogados. Afinal, os advogados não são culpados da lei ser como ela é, ou são? Por quem de fato eles advogam?

Oficiais e soldados das FARC vieram para o PCC?



Foi no dia 1º de dezembro de 2016. O mundo mudou, o futuro de todos nós talvez estivesse sendo reescrito naquele momento em que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia estavam depondo as armas depois de 52 anos de luta. Poucos de nós percebemos o que isso significaria para nossa segurança.

A guerrilha das FARC exercia-se com arrepiante brutalidade e esses homens não aceitariam com facilidade se curvar perante a opressão das autoridades, não aceitando as palavras doces e as gaiolas douradas. Isso pareceu para alguns claro, para outros nem tanto, mas a maioria dos brasileiros sequer pensou sobre esses problema.

Agora ele bate às nossas portas, mas o gigante adormecido ainda não percebeu.

A primeira fumaça veio dos massacres ocorridos no norte do país. Foram mais de cem almas que seguiram seu destino nos cárceres do Amazonas, Roraima, e Rio Grande do Norte. Várias foram as causas, mas o estopim foi o fim das FARC que mantinham o equilíbrio de forças entre as facções brasileiras na fronteira norte do Brasil.

No dia 3 de janeiro publicamos aqui uma matéria “O futuro do PCC a FARC pertence” onde trabalhamos um artigo de Román D. Ortiz publicada na Revista Ensayos Militares e que trazia alguma luz sobre esse vínculo pouco explorado pela imprensa brasileira.

No início desta semana Kevin Knodell publicou um artigo intitulado “Former FARC Fighters Make For Hot New Hires” em um site americano especializado em assuntos militares. Começa fazendo um histórico do Primeiro Comando da Capital do seu berço no Carandiru até a atualidade onde disputa fora das fronteiras brasileiras o domínio do crime organizado.

Não consegui verificar por outras fontes algumas informações passadas por Knodell em seu artigo, mas reproduzo aqui para ser avaliado pelo leitor.

O artigo afirma que o governo colombiano declarou que há em torno de 150 à 300 revolucionários que não aceitaram o pacto e optaram pela clandestinidade, e esses estão sendo disputados por diversas organizações criminosas brasileiras entre elas o PCC e a Família do Norte FDN, além da facção colombiana Los Urabeños.

O grupo Urabeños está pagando algo em torno de US$ 600,00 por mês para os guerrilheiros que estão migrando para seu lado e trabalharem dentro das fronteiras da colômbia, isso é algo em torno de R$ 1.900,00. Não se sabe quanto as facções brasileiras estão oferecendo para que venham para cá.

O preocupante para nós brasileiros e principalmente para os militares é que os soldados das FARC não são especializados em tráfico de drogas e assalto como são os soldados das facções brasileiras, os colombianos foram treinados para confronto direto com as forças policiais e militares.

Knodell cita dois nomes que poderiam vir para o Brasil se juntar ao Primeiro Comando da Capital: Gentil Duarte e Francisco Javier Builes (John 40). Os dois foram expulsos no final do ano passado das FARC, Duarte por discordar do processo de paz, e John 40 que era o responsável pelas finanças da organização por desviar dinheiro para gastos pessoais.

A guerrilha das FARC que combateu com arrepiante brutalidade com a polícia e o exército colombiano por quase um século contra a “opressão das autoridades”, está se dissolvendo e alguns dos seus não estão aceitando as palavras doces e gaiolas douradas. Isso pareceu para alguns claro, para outros nem tanto, mas a maioria dos brasileiros sequer pensou sobre esses problema.

Talvez seja a hora do gigante acordar e começar a pensar.

Líder do PCC promete se vingar dos policiais.


Ontem ao publicar a matéria sobre as ações das forças policiais paraguaias na tentativa de barrar o crescimento do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 naquele país, não poderia prever que Alfredo Barreto Guillén estaria sendo capturado naquele mesmo momento e que isso poderia ameaçar tantas vidas.

Uma megaoperação foi montada para sua captura. Três casas em em Hernandarias foram invadidas pelas forças públicas e sua mulher Rebeca Zaracho Giménez foi presa, assim como dois de seus aliados: Denis Morales e Lorenzo Pérez Acosta.

Como homem chave do esquema da facção eu já imaginava que estivesse longe naquele momento, possivelmente atravessando a fronteira, mas os agentes foram informados que estaria bebendo na frente de uma de suas casas.

Quando a polícia chegou Alfredo tentou fazer uma fuga cinematográfica correndo para dentro do imóvel, passando por telhados, e pulando os muros das casas, atirando contra os policiais, mas acabou sendo baleado na perna no Bairro Las Mercedes.

Podemos ver a prisão de Alfredo e sua gangue de duas formas:

  • acreditar que é apenas uma prisão como as que acontecem diariamente, mais uma no dia a dia da eterna luta entre o bem e o mal, e assim perdermos as esperanças de que qualquer um dos lados vença; ou
  • olhar com otimismo se não com um triste realismo esse fato. O lado bom é que entre mortos e feridos se salvaram todos, e tem sido assim em quase todos os confrontos entre a célula paraguaia Primer Comando Capital PCC e as forças policiais.


Há nos dois casos um ponto de equilíbrio ao contrário de 2006 quando houve temporariamente a quebra desse pacto social implícito entre o mundo do crime, o da segurança pública, e o estado. E muitas pessoas morreram: agentes de segurança, cidadãos, e criminosos. Os mortos eram contados às dezenas na onda de ataque do Primeiro Comando da Capital.

Ontem ao publicar a matéria sobre as ações das forças policiais paraguaias não passou pela minha cabeça que um único homem poderia destruir todo o equilíbrio na qual a nossa sociedade se estruturou depois de 2006, mas Alfredo Barreto Guillén prometeu que mudará isso ao anunciar que a facção irá se vingar de sua prisão atacando os policiais paraguaios.

Oxalá não o permita, mas se permitir que Deus e o Inimigo estejam preparados para receber em seus braços mais uma dezenas de soldados dos dois lados dessa guerra.

Paraguai declara guerra contra o Primeiro Comando.


Alfredo Barreto Guillén homem chave na organização do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 no Paraguai não foi encontrado pela polícia apesar de uma ampla operação coordenada pelo setor de inteligência da polícia paraguaia. Três imóveis em Hernandárias localidade próxima a fronteira brasileira de Foz do Iguaçu foram invadidas pelas forças públicas e Rebeca Zaracho Giménez, mulher de Alfredo, foi presa em uma delas assim como drogas e uma moto roubada.


Essa semana o governo daquele país cuidou da deportação de Carlos Antonio Caballero e deverá em breve enviar para cá também Jarvis Chimenes Pavão, ambos fazem parte da alta hierarquia da facção paulista atuando em território paraguaio.

O Ministério Público da República do Paraguai informou que foram condenados a penas que variam entre 12 e 20 anos de prisão membros do “Primer Comando Capital” na Ciudad Del Este. Thiago Jiménez (Matrix), José Carlos de Almeida, e Alberto Roa foram reconhecidos como integrantes do PCC. As penas foram impostas apesar do assalto ao carro forte da Prosegur que planejavam não ter se concretizado, visto que a polícia conseguiu impedir a ação da gangue com base nas escutas telefônicas e documentos apreendidos.

Talvez por todas essas razões a localização de Gegê do Mangue seja um mistério. Inicialmente tinha-se como certo que seu destino tinha sido o Paraguai após a sua libertação do sistema prisional brasileiro, mas agora muitos apostam que esteja gerenciando as ações da Bolívia ou até mesmo do Brasil.

Prisões como reality show para o seu divertimento.



Ler vários artigos dos mais diversos níveis e origens a respeito do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 todos os dias é uma aventura. Às vezes dá muito prazer, por outras desanima.

O artigo “Reality Show das Prisões Brasileiras” do Professor Gilson César Augusto da Silva foi francamente desanimador, provavelmente por ter sido publicado em 2002 e por aqueles mistérios da internet voltou a circular agora.

Naquele tempo as prisões brasileiras estavam caóticas, com sorteio entre os presos: um por dia morria para sobrar mais espaço e melhores condições para os outros, um verdadeiro show televisivo transmitido em cadeia nacional.

Os sorteios não eram feitos em instituições administradas pelo PCC, deixando claro que a massa carcerária chegou ao seu limite de fervura, mas os detentos ainda não organizados não haviam elegido o inimigo maior, matando uns aos outros. O Primeiro Comando já escolhera um inimigo que uniu a todos: a opressão do sistema carcerário e seu controlador, o Governo. A facção fez reféns dez mil pessoas dentro dos presídios em uma dezena de rebeliões simultâneas e com uma pauta de reivindicações clara de melhorias nas condições da carceragem.

No artigo o Prof. Gilson César faz inicialmente um breve histórico da evolução do Sistema Carcerário da antiguidade até chegar nesse momento de ruptura, e aproveitou para comparar com a realidade transmitida pelo Big Brother Brasil: pessoas confinadas:

“... os chamados “reality shows” … semanalmente um participante é eliminado … embora de discutível gosto, os programas mostram o quão difícil é a convivência humana. As casa onde se realizam esses “reality shows são verdadeiras mansões … há, ainda, boa comida, psicólogos, psiquiatras comportamentais, médicos, entre outras regalias. Além do competidor poder deixar o programa quando quiser … o que se vê em poucos dias de convivência? Pessoas extremamente estressadas, depressivas, agressivas, com reclamações de toda ordem, brigas, choros, ofensas recíprocas. É difícil a referida convivência? Sem dúvida. Mas se é difícil para os referidos participantes, com todas essas benesses, imaginem para os presos.”

O autor faz então ressalta as diferenças das duas realidades e volta a criticar o sistema carcerário, nada de novo. Bom, isso foi o que eu pensei em um primeiro momento, mas por aqueles mistérios da internet, esse artigo que agora voltou serviu para demonstrar que realmente nada mudou.

Em janeiro deste ano começaram os massacres nos presídios que apesar de terem arrefecido continuam, e assim como naquele tempo as prisões brasileiras estão caóticas, com presos morrendo todos os dias na guerra de facções para garantir mais espaço e melhores condições para cumprimento da pena, um verdadeiro show televisivo transmitido em cadeia nacional.

Retorna ao Brasil o líder do PCC Carlos Caballero.



Ao contrário de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que sempre negou ter ligação com a facção Primeiro Comando da Capital PCC 1533, Carlos Antonio Caballero, o Capillo, em vídeo assume ser um dos líderes da facção tanto no Paraguai quanto no Brasil.

Ele e Pavão, Jarvis Chimenes Pavão, foram presos juntos em 2009 e juntos também teriam arquitetado um plano para assassinar Horacio Manuel Cartes Jara, o presidente do Paraguai, que após o assassinato de Jorge Rafaat Toumani retirou os privilégios que eles tinham dentro do sistema prisional paraguaio:

“O pavilhão vip de Pavão era equipado com três suítes, camas de casal e televisores, além de contar com uma biblioteca, uma cozinha e um escritório onde ele despachava com seus comandados.” (Revista Veja)

Após a queda da Ministra da Justiça do Paraguai, Carla Bacigalupo o Primeiro Comando da Capital teria oferecido uma recompensa de cinco milhões de dólares pela morte de Horacio Jara. A intenção seria suavizar a situação carcerária dos PCCs presos e impedir as extradições para o Brasil.

A extradição de Capillo demonstra que a facção não obteve êxito em pressionar o governo paraguaio. Durante o período que Capillo atuou pelo PCC nos países da fronteira sul do Brasil ele diminuiu o preço pago pelas drogas no exterior diminuindo as margens dos atravessadores paraguaios criando uma linha de fornecimento concorrente direta da Bolívia.

Nesse novo ambiente criado por Capillo a facção paulista pode se contrapor ao Comando Vermelho e seus aliados no Sul, já que os paraguaios negociavam com ambas as facções e poderiam a qualquer momento cortar ou diminuir o fornecimento de uma das gangues.

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 na Bolívia.



A Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico FELCN, grupo especializado no combate ao tráfico de drogas da polícia boliviana, descarta a possibilidade o Primeiro Comando da Capital PCC 1533 e do Comando Vermelho CV de estarem implantado dentro da Bolívia um sistema de domínio dentro e fora dos presídios como acontece hoje no Brasil.

Essa informação foi passada pelo Ministro do Governo da Bolívia Carlos Gustavo Romero Bonifaz, explicando que não existe interesse por parte das organizações criminosas brasileiras em se estabelecer no país por ser aquela nação apenas uma rota para a passagem das drogas para outros países.

Em entrevista para o noticioso El Deber, Carlos Romero informou que as facções brasileiras possivelmente mantenham em seu território representantes com a missão de gerenciar os interesses das gangues.

Romero ainda explica que a cocaína comercializada na Bolívia é de origem peruana e é levada para o Brasil, a Europa, e Ásia; já a maconha vem do Paraguai e segue para o Chile e a Argentina. Cita como exemplo da lucratividade desse negócio a compra e o transporte para o México, onde há aproximadamente 380% de sobrepreço no destino.

A Bolívia faz parte da “Rota do Solimões” que segundo o Ministério Público Federal do Brasil é um dos principais caminhos de entrada das drogas no país pelo Norte e é controlado pelo sucessor de Nelson Flores Collantes agindo conjuntamente com o grupo Frente Primero, uma dissidência das Farc, e possivelmente com ligações com a facção amazonense Família do Norte FDN.

Parte da mídia brasileira informa que hoje pode estar no país para comandar as ações da organização Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, mas as autoridades bolivianas afirmam que os últimos negociadores do “Primer Comando de la Capital” foram Maximiliano Dorado Munhoz Filho e Ozzie Dorado Lozadas.

Polícia achou o disciplina por que se ele perdeu.



O investigador André de Sorocaba estava investigando o envolvimento de Rodrigo Teixeira Lima, assessor parlamentar do Deputado José Olímpio, em uma quadrilha especializada em desmanches de automóveis na Região de Sorocaba.

Ele já estava ficando desconfiado que tinha mais alguma coisa envolvida, que não tinha nada a ver com o que estava investigando. Rodrigo parecia era cobrado por uma outra pessoa que teriam que se encontrar para “resolver um problema”.

Então marcaram para se encontrar uma vez, e uma segunda vez, mas a pessoa que queria conversar com Rodrigo acabou não aparecendo, daí marcaram um terceiro encontro.

Se a pessoa que queria o encontro tivesse pedido o endereço talvez o crime nunca tivesse sido esclarecido, mas a pessoa não pediu. Tentou “ir a olho” e por isso fez diversas ligações para Rodrigo para poder chegar no destino.

Tudo isso sob a escuta do investigador. E durante essas ligações André pescou que Rodrigo passaria por um Tribunal do Crime para averiguar se ele teria estuprado uma garota de treze anos.

Em determinado ponto da gravação aparece o trecho: “a garota que morava comigo não está mais lá, eu “dei um chute nela”.

As antenas ficaram ligadas e seguiram então o roteiro que o veículo fez até sumir ao lado do rio Tietê próximo a Estrada Parque em Itu.

Se não tivesse se perdido, Ratinho RT não teria puxado o assunto ao telefone, não teria sido seguido pelo investigador André que monitorava o celular e a movimentação pelas antenas e GPS, e assim o investigador Moacir Cova não teria conseguido localizar a placa do Gol branco que ele utilizou através das câmeras de monitoramento, e sem essa filmagens não teria conseguido chegar ao proprietário do veículo, que levou aos integrantes da facção que teriam que sumariar o suposto estuprador, que foi identificado pelo investigador Moacir Cova como sendo o disciplina da cidade: Ratinho RT.

Uma coisa levando a outra, mas se não tivesse se perdido talvez nunca tivesse sido achado e muito menos identificado como sendo o irmão disciplina de Itu do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

Dr. Ormeleze condena réu por tatuagem de palhaço.


Cada palhaço no meu braço é um polícia que matei.

Já vi muito ladrão ficar com os olhos vermelhos e chorar na hora da sentença. Ratinho RT, Bruno Augusto Ramos, julgado por homicídio duplamente qualificado não foi exceção, afinal foi condenado a dezoito anos em regime fechado quando já estava quase caindo para o semiaberto no tráfico que cumpria.

O que chamou a atenção nesse caso foi que o Promotor de Justiça o Dr. Luiz Carlos Ormeleze arrancou lágrimas do réu no meio da audiência, e foi nesse momento que garantiu sua condenação pela morte de Rodrigo Teixeira Lima, ex-assessor parlamentar do Deputado Missionário José Olímpio.

Nenhuma sentença é garantida antes do fim da audiência, principalmente nesse caso onde a defesa poderia ter explorado a fragilidade da acusação que dependia de dois depoimentos na delegacia que foram mudados perante o juiz: do próprio Ratinho, e de Leandro que era pessoa que estaria dirigindo o carro que levou a vítima até o local de sua morte.

Ratinho RT tinha tudo a seu favor para conseguir provar que foi forçado a confessar o crime pelo investigador Moacir Cova e pela delegada Drª. Márcia Pereira Cruz: a mulher dele e o sogro dele foram levados na delegacia por suposto tráfico de drogas e foram liberados depois que Ratinho RT assumiu o BO e abraçou o homicídio.

Toda acusação então ficou na dependência do depoimento de Leandro que mudou suas declarações no judiciário, só sobrando de verdade os indícios técnicos, que podiam ser contestados com certa facilidade pela defesa.

Ela tentou explorar esse campo de forma técnica, mas todos sabem que o que vale no Tribunal do Júri é a emoção e o sentimento transferidos pelas partes para os jurados, e o Dr. Ormeleze sabe isso melhor que ninguém.

A ESTRATÉGIA DO PROMOTOR

No início da audiência ele perguntou para o réu se ele tinha alguma tatuagem e antes mesmo de Ratinho RT responder ele afirmou que o garoto tinha um palhaço e carpa. E perguntou então o porque do palhaço, ao que o réu respondeu que era porque gostava de palhaço quando era garoto e por isso fez o desenho.

O Promotor de Justiça ironizou, tirou sarro, e disse que na realidade os dois símbolos ligavam a ele a facção criminosa Primeiro Comando da Capital PCC 1533, mas ficou por isso mesmo…

… bem é o que todos acharam…

… na última intervenção do Dr. Ormeleze ele colocou o vídeo que anexamos nesta matéria, onde um garoto canta alegre que cada polícia que ele matou é um palhaço tatuado. O Promotor de Justiça parou várias vezes o vídeo e se voltava para os policiais presentes dizendo que eles eram heróis, que os “vermes” citados na música eram eles, mas que ele Promotor de Justiça prestava homenagem aos homens que arriscam suas vidas para proteger a vida e aos bens de todos, de cada um dos presentes fossem eles os jurados ou até mesmo o matador de polícia.

A emoção tomou conta do plenário. Nesse momento o advogado de defesa olhava para baixo e fazia “não” com a cabeça, o Ratinho RT ficou com olhos vermelhos e um princípio de lágrima começou a sair, mas só veio de fato a cair na hora da condenação.

Rebelião de Mossoró. Está só começando ou acabou?


Começou ontem (15 de março) com um ataque ao 2º Distrito Policial de Mossoró no Rio Grande do Norte. Começava a madrugada quando atearam fogo e atiraram na delegacia.

Hoje (16 de março) houve um princípio de rebelião pela Penitenciária Agrícola Doutor Mário Negócio ̶ PAM virou no início da manhã nos pavilhões do regime fechado no Pavilhão 5 onde ainda estão misturados os integrantes do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 e do Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte SDC RN.

O movimento começou no horário da visita íntima com depredação dos pergolados, telhados quebrados, e tudo que podia ser queimado virou pó, não se sabe ao certo se nos 40 minutos de confusão os presos das duas facções se pegaram.


Apesar dessa ser a versão oficial existe uma outra que diz que integrantes de um dos grupos teria arrebentado um cadeado que separam as facções e teriam tentado invadir o território dos rivais para matá-los.

Já um preso ligado ao Primeiro Comando da Capital que está preso naquela unidade declarou que membros do Sindicato do Crime tentaram invadir o pavilhão em que estavam mas foram contidos pelos PCCs até que a Polícia Militar e se juntou aos Agente Penitenciários invadiram as alas fazendo diversos disparos para separa as facções.

Aurivaneide Lourenço de Oliveira, diretora do presídio, mandou por ordem do governo do estado (SEJUC) recolher os ventiladores e os colchões dizendo que os presos agora vão ter que dormir no calor e no concreto, e o secretário da Justiça do estado, Dr. Wallber Virgolino da Silva Ferreira explicou que era “para aprenderem a preservar o patrimônio público”

A diretora Arivaneide Lourenço se orgulhava de não ter tido em sua administração rebeliões apesar de estar sendo investigada pelo Ministério Público pelas péssimas condições de higiene e saúde da carceragem.

TV Globo diz que em Goiás só fica preso quem quer.


Fica preso quem quer . Essa é a conclusão do repórter do Bom Dia Brasil

“Essa imagem revela o que todo mundo já sabe, só cumpre pena neste presídio quem quer. (...) Em vinte segundos trinta e dois presos já estavam nas ruas.”

E quem conhece o sistema diria mais, no Brasil a maioria das unidades do Sistema só não caem por decisão do Comando, pois se a facção resolvesse soltasse um Salve Geral ninguém seguraria.

Se isso não foi feito ainda é porque não interessa a ninguém: população trabalhadora, governo, e partido. Nos últimos meses o Primeiro Comando da Capital PCC 1533 está provando isso.

Depois da chacina do Amazonas ele só se fortaleceu e a última prova foi dada em Goiás.

A Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto do Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia foi palco de uma fuga em massa: 32 presos fugiram em 20 segundos.

O estado de Goiás teve em apenas um mês seis rebeliões: Aparecida, Catalão, Jataí, Rio Verde, e Anapolis. Pelo menos quatro presos morreram e 35 ficaram feridos, mas o sistema não deu ainda o número de presos que fugiram no total das rebeliões.

As revoltas começaram segundo o SEAP por que o governo resolveu colocar bloqueadores de celular nos presídios e transferiu centenas de presos.

Trezentos presos que foram transferidos de Aparecida para Anápolis sequer estavam na ala onde a fuga dos presos tinha se dado.

O governo de Goiás só vem com conversa nebulosa. Falta funcionários e o sindicato dos agentes disse que 900 aprovados no último concurso não foram chamados, agora o governador autorizou abrir concurso para mais 400.

Os que gerenciam essa fábrica de corrupção que são os concursos públicos é quem deviam estar presos, mas continuam a tentar enganar a população:

“Trata-se de uma intimidação inaceitável em face das medidas severas adotadas; e em hipótese alguma serão flexibilizadas.”

Então tá, vão vendo.

Júri condena preso por não cumprir regra do PCC.



Se Ratinho RT (Bruno Augusto Ramos) teria cumprido a regra do Primeiro Comando da Capital de “sumariar” o acusado Rodrigo antes de executá-lo, eu não sei, mas esse foi o foco do debate entre o advogado de defesa e a Promotoria de Justiça, no caso do assassinato de Rodrigo Teixeira Lima, presidente da Associação dos Moradores da Cidade Nova, e ex-assessor do Deputado Missionário José Olímpio.

Graham Denyer Willis em seu livro “The Killing Consensus: Police, Organized Crime, and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil” nos convida a abandonar nossas ilusões e enfrentar o fato que policiais e facções criminosas mantém uma normalidade dentro de nossa sociedade através de mecanismos de justiças que não apenas são conhecidos, mas reconhecidos e parcialmente aceitos pelo restante da sociedade.

Ratinho RT foi condenado a 18 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato, mas a dúvida que restou no final do julgamento não foi se ele cometeu ou não o crime, mas se ele cumpriu as regras da facção Primeiro Comando da Capital 1533 ao cumprir a execução.

Como os fatos como foram apresentados no Tribunal:

Gabi, uma garota de 13 ou 14 anos, “ficou” com o Rodrigo em uma das muitas festas que ele promovia e onde álcool e drogas circulavam em abundância, mas ele não estava afim dela e a “chutou para fora”. Ela também se relacionava com um irmão da facção chamado Zóio da Cidade Nova em Itu, e como não aceitou ter sido desprezada por Rodrigo contaminou Zóio dizendo que tinha sido estuprada. Zóio teria cuidado ele mesmo, mas foi morto em troca de tiros com a polícia...

… mas o veneno já estava no ar, na boca do povo, e nas redes sociais, daí alguém pediu providência ao Comando para aplicar a Lei do Crime que pune com a morte estupradores, mas antes tem que ser sumariado, isto é ouvido e julgado. Foi decidido que Ratinho RT ia sumariar o Rodrigo e se o tribunal decidisse ele seria morto.

Quando Rodrigo morreu Gabi comemorou nas redes sociais, mas depois caiu a ficha e viu a besteira que tinha feito. Segundo palavras do investigador Moacir Cova: “Ela sabia a caca que fez , é mil vezes certeza que ela não foi estuprada”.

Não tinha cabimento o que ela dizia: com ela tinha uma amiga que não quis ficar com o Rodrigo e foi embora e ele não impediu, Gabi ficou porque quis na casa dele, e lá ele teve todas as chances possível de fazer com ela o que quisesse e nada fez.

Ela disse que ele tentou a estuprar no carro quando estava a levando embora, o que não tem lógica. Outra coisa que chamou a atenção é que o Rodrigo em nenhum momento negou que tivesse ficado com ela e sequer negou o relacionamento, só estranhou que estavam falando que tinha sido estupro, e confiou que indo falar sua versão para o Comando tudo ficaria esclarecido.

Pelo que um dos envolvidos no caso disse ele não teve tempo de se defender. Eles passaram pelas câmeras de monitoramento às 20:16 e voltaram depois de chegar ao local do julgamento, ouvir o acusado, e executá-lo menos de dez minutos. O companheiro que estava dirigindo declarou que depois que Ratinho e Rodrigo desceram do carro foi o tempo dele manobrar o carro e o cara já estava morto.

Moacir Cova declarou que “Ratinho é um molecão novo rendo subir rápido no Partido. Essa morte tinha que acontecer para ele ser respeitado e parecer poderoso no bairro e no crime”. Bem, isso lá ele conseguiu além é claro da pena de 18 anos pelo assassinato e mais 8 por tráfico de drogas.

A pena de morte aplicada pelo PCC e pela polícia.



Enquanto se discute no Brasil a possibilidade de aprovação da pena de morte, Graham Denyer Willis publica uma obra intitulada “The Killing Consensus: Police, Organized Crime, and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil” desnudando a realidade brasileira.

Segundo o autor a pena de morte já existe e é plenamente aceita por diversos grupos sociais. Ele nos convida a abandonar nossas ilusões e enfrentar o fato que policiais e facções criminosas mantém a normalidade dentro de suas áreas utilizando esse mecanismo de justiça.

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 tem regras claras, escritas ou não, do que é ético no mundo do crime. A aplicação dessas normas acontece dentro das comunidades carentes e no mundo do crime. O resultado da ação da facção foi a diminuição dos homicídios e a normatização da segurança e do convívio dentro dos presídios e das regiões mais pobres sob seu domínio. Todos sabem que não cumprir a pena para quem não cumprir as regras é muitas vezes a morte, e isso é aceito consensualmente por parte da sociedade.



O mesmo se dá com as forças policiais, que apesar de todas as regras de controle por vezes não matam apenas em nome da segurança pública ou em sua autodefesa, mas para fazerem justiça com suas próprias mãos. Outros personagens do sistema de social e de justiça relevam e encobrem essas ações ilegais protegendo os agentes públicos.

Willis tenta encontrar um padrão que explique a alternância dos períodos de paz e guerra entre os policiais e os criminosos e mesmo entre os próprios delinquentes entre eles mesmos, mas aparentemente não há um padrão. Quando há uma quebra por qualquer um dos lados desse acordo informal e tácito o “pacto do consenso” é temporariamente suspenso até que volte a imperar o que Willis chama de “soberania do consenso”.

Thomas Hobbes há quinhentos anos já explicava esse fenômeno quando afirmava que o homem quando defrontado com sua própria sobrevivência e sem poder contar com a proteção e controle das normas sociais de um estado passa a aceitar e defender o controle social por uma relação mútua de consenso com os outros membros de seu grupo.

Marcos Willians Herbas Camacho: mito ou realidade?



Quem são de fato o Marcola e o Gegê do Mangue entre outros líderes do Primeiro comando da Capital PCC 1533? Hoje é quase impossível separar o mito da realidade, e quem criou esses personagens idolatrados por multidão de fãs por um lado e odiado por outros tantos.

Ludimilla de Lima em um trabalho para a Universidade do Rio de Janeiro chamada “Construção de mitos da criminalidade sob a luz da imprensa carioca” parece ter achado a resposta.

O Marcola que conhecemos através da imprensa ou das conversas é um mito, isso é, ele é apenas uma representação exagerada pela imaginação daqueles que contam sua história e relatam seus feitos, mas existe algo de real sobre o qual esse mito foi criado e principalmente, essa personalidade criada é aceita por um ou mais grupos de pessoas.

Os deuses da antiguidade greco-romana eram como Marcola, não eram perfeitos, não eram santos, todos tinham seus pontos fortes e pontos fracos.

Marcola está preso em uma das cavernas do Tártaro, o Mundo Inferior, mas assim como Hades, fez do mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo e da sociedade são enviados e onde são castigados por seus crimes, o seu reino, no qual criou um exército que assusta o mundo dos humanos e atemoriza os deuses e governantes.

Mito e realidade se cruzando. A mesma história que foi contada no passado é agora novamente contada, coube a imprensa através dos jornais e da televisão, com boa parte de ajuda do governo e da internet a criação desse novo mito.

E mitos não morrem, pior, com a morte daqueles que os encarnam eles se imortalizam e se fortalecem. Antes de Marcola e seus parceiros PCCs, Fernandinho Beira-Mar e seus CVs, houveram muitos outros no Brasil: Lúcio Flávio, Cara de Cavalo, EscadinhaBandido da Luz Vermelha, entre outros.

A grande diferença é que os novos mitos são fortalecidos por não serem isolados, mas pertencerem e liderarem homens fortes e dispostos a morrer. Eles não são como Hércules que enfrentam os inimigos sozinhos, mas sim como Leônidas o general que comandou os 300 contra o grande exército persa de Xerxes. Poucos homens em desvantagem numérica, econômica, e militar, assim como os soldados do PCC e CV, contra um grande governo opressor.

Novamente o mito parece renascido e pode ser claramente visto. O mito foi criado pela imprensa, acolhido pela sociedade em sua cultura e agora imortal continua sendo alimentado pelo tráfico de drogas e passou a ter papel preponderante na política e sobre a própria sociedade que a criou. Bem, durmam todos com essa história e tenham bons sonhos.

O Primeiro Comando administrará as penitenciárias.



O professor de Criminologia da Universidade de Westminster, o Dr. Sacha Darke, no artigo “When inmates make the rules (and enforce them): democracy in self-governing prisons” mostra que o sistema implantado nas prisões brasileiras pelo Primeiro Comando da Capital PCC 1533 nada mais é que um modelo de autogestão para viabilizar a administração do sistema penitenciário.

A autogestão das unidades carcerárias por parte dos presos é viável e já acontece na administração de meios, e no controle disciplinar e operacional, e não é apenas no Brasil que isso já acontece.

O artigo publicado no democraticaudit.com cita como exemplo a Prisão de San Pedro na Bolívia, que é uma verdadeira cidade, onde a administração é eleita pelos presos dentre os presidiários. Alguns deles vivem lá com suas famílias e tem empresas e empregos dentro dos muros da prisão.

De fato a comunidade está longe de ser um paraíso como é pintado pelos amantes dos Direitos Humanos: as lideranças dominam sob uma grande massa carcerária oprimida, agora não mais por agentes públicos mas pelos seus próprios pares, no entanto a experiência não pode ser desprezada.

O sistema legal que escolhemos impede que cheguemos aos modelos nórdicos onde quase não existem prisioneiros, e nem mesmo na média da Europa, pois temos aqui mais de meio milhão de cativos, são 316 para cada grupo de 100.000 habitantes, mais que o triplo da média européia.

Nenhum país civilizado no mundo está à nossa frente. É insustentável. Dessa forma o governo deixa de ter condições de governar dentro dos presídios pois não tem condições de manter os serviços básicos, e é aí que entram as facções para suprir a impotência do estado.

No Brasil o PCC não é o único e nem foi o primeiro a atuar nesse campo, mas foi quem criou um sistema integrado nacional que utiliza milhares de profissionais das mais diversas áreas para dar um mínimo de dignidade e condições de vida para os presos.

O preconceito social que o Primeiro Comando da Capital carrega impede que haja a possibilidade de pleitear alterações legais para que assuma oficialmente a direção dos presídios, no entanto é possível que isso venha a acontecer utilizando empresas ou associações ligadas indiretamente ao grupo.

Hoje já existe um certo acordo entre as autoridades públicas e as lideranças das facções de modo a manter o sistema pelo menos em pé, mas esse arremedo está chegando a um ponto de ruptura.

A terceirização das prisões foi um passo dado mas a legislação aprovada não permitiu viabilidade para que o grupo assumisse a direção, ainda.

O PCC1533, as torcidas organizadas, e o Alviverde.



Não é de hoje que existiria um salve para a tomada do controle das torcidas organizadas por parte das lideranças do Primeiro Comando da Capital PCC 1533. Esse assunto já foi algumas vezes analisado aqui e era de conhecimento público.

Agora a estratégia da facção terá que ser repensada, pois o peixe morre pela boca, e um dos integrantes declarou durante a reunião que teve com Bianchi "que não tinha que resolver p... nenhuma, que agora a Mancha era do crime, não tinha mais nada de torcida lá"

Em nota oficial a diretoria da Alviverde em um primeiro momento declarou que tinha a intenção de fechar suas portas mas mudou de ideia:

Informamos através dessa nota que a torcida Mancha Alviverde não irá encerrar suas atividades. Estamos passando por um momento de reestruturação, e também em respeito ao luto pela morte do nosso fundador e ex-presidente Moacir Bianchi, a torcida permanecerá com as suas atividades suspensas nos próximos dias. Pedimos para que todos os associados tenham compreensão e respeitem o momento que a entidade vem passando. Em breve retornaremos com novas informações sobre a entidade.

A nova diretoria garante que não apenas vai impedir o domínio do PCC como vai vingar o crime contra seu presidente. Bem, o buraco é mais embaixo e o salve veio de cima, mas ninguém tinha ideia da repercussão desse assassinato.

Foi aberta a caixa de Pandora onde estavam guardados todos os segredos, agora as forças de segurança de todos os níveis tem caminho aberto para investigar todas as lideranças das torcidas organizadas de todo o estado. A Polícia Civil começou pelas torcidas do São Paulo e do Corinthians, além do Palmeiras, também vai reforçar as investigações sobre as escolas de samba ligadas às torcidas organizadas.

A nova diretoria da Torcida Alviverde está com sangue nos olhos, mas deverá tomar cuidado, pois o buraco é mais embaixo.

Depende de Gegê do Mangue o futuro do Cone Sul.



Poucos colocam em dúvida a importância de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, na hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC 1533), no entanto o que poucos parecem ter atentado é para sua importância no cenário internacional.

O interesse da facção em se tornar um grupo com domínio internacional ficou claro com a eliminação de Jorge Rafaat Toumani e o fim da trégua entre PCC e Comando Vermelho CV.

O domínio no entanto não está sendo uma conquista fácil, pelo contrário, dezenas de soldados PCCs e do CV tem sido mortos em todas cidades da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, e não existe perspectiva de alteração desse quadro.
A escolha de Gegê do Mangue para comandar as ações internacionais do Primeiro Comando nas fronteiras do sul é uma hipótese mais que provável e que está sendo analisada pelas autoridades. Ninguém duvida da capacidade de articulação e estratégia de Rogério Jeremias o que não se pode saber é até que ponto ela pode chegar.

A conquista e pacificação do Paraguai por parte do Primeiro Comando da Capital é fundamental para a solidificação das bases das operações no Uruguai, Argentina, e Bolívia. Essas nações não tem poder policial e experiência estratégica para combater o PCC.

Gegê do Mangue possivelmente teria não apenas a função de atuar diretamente na entrada de armas e drogas para o Brasil, mas criar e fortalecer parcerias com outras facções criminosas dentro e fora dos presídios dos países onde a facção tem interesse.

A história demonstrou que o CV e o PCC foram criados justamente e evoluíram com a colocação de um grupo de criminosos no meio de outro grupo, e com a presença suposta do Gegê em terras estrangeiras, ele poderá não apenas exportar a tecnologia adquirida pelo PCC no Brasil como absorver e trazer para dentro de nosso país conhecimento e equipamentos utilizados pela grandes organizações terroristas e criminosas do restante do mundo, conforme nos conta Johana Catherine Perez Calderon em seu trabalho “La Triple Frontera como polo de atracción del yihadismo en la región de América Latina: Orientación teórico-histórica”.

No Brasil a influência do Primeiro Comando em todas as esferas públicas é conhecido, mas com sua força o quanto ele poderá influir na composição dos governos latino-americanos e na própria transformação cultural nas ruas daqueles países ainda é um fenômeno desconhecido.

Marcola, o PCC, e o conhecimento Vs o preconceito.



Dois fatos se somaram ao um texto que eu estava a ler: “Racismo Y Eugenesia” onde o autor discute o preconceito. Essa somatória gerou uma grande dúvida: será que sei, ou que alguém de fato sabe o que é de fato o Primeiro Comando da Capital?

Os dois fatos:
Há poucos dias um site chinês bqpu.net trouxe três matérias sobre o Primeiro Comando da Capital (首都第一司令部), e em uma delas Marcos Willians Hervas Camacho (科斯·卡马舒), o Marcola (马尔科拉), foi descrito como o maior gangster do Brasil e sua maior paixão seria a leitura do livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu.
Circula na rede um vídeo com o áudio descrevendo uma suposta entrevista que o Marcola teria dado ao Globo. Ela na realidade é o texto uma criação de Arnaldo Jabor, mas vale assistir e a leitura.

Resolvi então perguntar ao Marcola, afinal, quem melhor que o dono da empresa pode dizer o que ela de fato é? Bem, bati nas portas de Presidente Bernardes onde ele mora, mas o guarda que estava na portaria disse que ele não podia me atender naquele momento.

Então pensei no plano B.
E vou passar aqui o que lhe foi perguntado e o que ele disse, mas não hoje. Acho que amanhã, por hoje só vou explicar que trabalharei sobre o que ele contou durante o depoimento que deu em uma reunião reservada na Câmara dos Deputados durante mais de quatro horas de audiência.

Tudo isso por que Marcola diz que existe uma grande diferença entre aquilo que as pessoas acham que o Primeiro Comando é daquilo que ele é realmente. E está certo, de fato ninguém sabe realmente o que a facção representa hoje, pois assim como nas religiões a crença substituiu totalmente a razão.

O site chinês ou o texto de Arnaldo Jabor ilustram bem isso. O imaginário que se criou em torno da facção aumenta a cada história e são várias novas histórias todos os dias.

O que Marcola propõe então é uma análise epistemológica da facção. Para isso teremos que tentar enxergar os verdadeiros limites do nosso conhecimento diferenciando:

  • o nosso conhecimento do que a facção é e essa certeza nos é dada pela somatória da realidade com nosso conceito;
  • o que o imaginário de cada um tem sobre ela, e que de fato é real mas não tem informações para comprovar a si mesmo (preconceito positivado);
  • o que de fato ela é; e
  • o que a sociedade pensa que ela é.


Bem, eu por meu lado proponho que cada um realmente coloque de lado seus conceitos e preconceitos a respeito do Primeiro Comando da Capital e tentem fazer esse exercício. O que de fato sabemos e o que não sabemos só achamos, e isso é preconceito previsto em nosso código penal.

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