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A opressão do sistema penal é culpa dos advogados.



Eu vejo gente morta ─ quem assistiu o filme “O Sexto Sentido” não tem como não se lembrar do momento em que o garoto fala essa frase para Bruce Willis. Como no filme os fantasmas muitas vezes não são quem pensamos.

Pergunta: quem criou e exige que se mantenha esse Código de Processo Penal tão horrendo que apenas o capeta em pessoa pode entender?
Resposta: O próprio capeta.

Rafael Godoi do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo foi voluntário em uma Pastoral Carcerária Católica em penitenciárias do estado de São Paulo e publicou um artigo etnográfico pensando a população presidiária:

“Experiência da pena e gestão de populações nas penitenciárias de São Paulo, Brasil”

O que impressiona na leitura é como ele descreve o desespero do detento que se sente amarrado, perdido, e injustiçado por não saber tempo que irá cumprir de verdade. Por incrível que pareça por vezes nem sabe se foi realmente condenado:

“... somos abordados por vários presos e suas questões: “O que precisa para pedir o extrato? Número de matrícula serve?” Quando nos aproximamos, uma longa fila já está formada. Fátima procura em sua pesada sacola o maço de extratos correspondente ao “raio” em que estamos e o entrega nas mãos do “setor”, que repassa a outro que o leva para a sala da “judiciária”, a fim de organizar a distribuição – um volume grande de presos se dirige para lá…”

A descrição da visita pastoral mais parece a mesa de um escritório de despacho de um advogado público, são dezenas de dúvidas, recontagens de tempo, e apelações. Fica evidente o clima de desespero de homens que não tem ideia de quanto tempo vão cumprir e aonde.

Pergunta: Afinal a quem interessa essa realidade?
Resposta: Ao próprio capeta.

A cada dia se criam novas regras para abrandar o “injusto” sistema penal, criando mecanismos e mais mecanismos que permitem a defesa do preso, progressões, e benefícios.

O advogado então pode apelar…
O advogado então pode pedir o habeas corpus…
O advogado pode pedir o cálculo da pena…
O advogado para montar o semiaberto…
O advogado pode montar o BI...
O advogado…

Eu ouço gente morta. ─ Como no filme os fantasmas muitas vezes não são quem pensamos, e assim acontece com o sistema penal e carcerário brasileiro: são os advogados que impedem a mudança dessa realidade?

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 luta contra a opressão do sistema carcerário, mas de fato será que sabe quem é o fantasma que está assombrando a comunidade carcerária? Lutam contra o governo, contra as condições do cárcere, contra os policiais e agentes, mas será que de fato esses são os problemas que os afligem?

Quantos familiares e presos não foram iludidos por promessas e mais promessas, resultados possíveis e impossíveis por parte de advogados. Afinal, os advogados não são culpados da lei ser como ela é, ou são? Por quem de fato eles advogam?

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