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Júri condena preso por não cumprir regra do PCC.



Se Ratinho RT (Bruno Augusto Ramos) teria cumprido a regra do Primeiro Comando da Capital de “sumariar” o acusado Rodrigo antes de executá-lo, eu não sei, mas esse foi o foco do debate entre o advogado de defesa e a Promotoria de Justiça, no caso do assassinato de Rodrigo Teixeira Lima, presidente da Associação dos Moradores da Cidade Nova, e ex-assessor do Deputado Missionário José Olímpio.

Graham Denyer Willis em seu livro “The Killing Consensus: Police, Organized Crime, and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil” nos convida a abandonar nossas ilusões e enfrentar o fato que policiais e facções criminosas mantém uma normalidade dentro de nossa sociedade através de mecanismos de justiças que não apenas são conhecidos, mas reconhecidos e parcialmente aceitos pelo restante da sociedade.

Ratinho RT foi condenado a 18 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato, mas a dúvida que restou no final do julgamento não foi se ele cometeu ou não o crime, mas se ele cumpriu as regras da facção Primeiro Comando da Capital 1533 ao cumprir a execução.

Como os fatos como foram apresentados no Tribunal:

Gabi, uma garota de 13 ou 14 anos, “ficou” com o Rodrigo em uma das muitas festas que ele promovia e onde álcool e drogas circulavam em abundância, mas ele não estava afim dela e a “chutou para fora”. Ela também se relacionava com um irmão da facção chamado Zóio da Cidade Nova em Itu, e como não aceitou ter sido desprezada por Rodrigo contaminou Zóio dizendo que tinha sido estuprada. Zóio teria cuidado ele mesmo, mas foi morto em troca de tiros com a polícia...

… mas o veneno já estava no ar, na boca do povo, e nas redes sociais, daí alguém pediu providência ao Comando para aplicar a Lei do Crime que pune com a morte estupradores, mas antes tem que ser sumariado, isto é ouvido e julgado. Foi decidido que Ratinho RT ia sumariar o Rodrigo e se o tribunal decidisse ele seria morto.

Quando Rodrigo morreu Gabi comemorou nas redes sociais, mas depois caiu a ficha e viu a besteira que tinha feito. Segundo palavras do investigador Moacir Cova: “Ela sabia a caca que fez , é mil vezes certeza que ela não foi estuprada”.

Não tinha cabimento o que ela dizia: com ela tinha uma amiga que não quis ficar com o Rodrigo e foi embora e ele não impediu, Gabi ficou porque quis na casa dele, e lá ele teve todas as chances possível de fazer com ela o que quisesse e nada fez.

Ela disse que ele tentou a estuprar no carro quando estava a levando embora, o que não tem lógica. Outra coisa que chamou a atenção é que o Rodrigo em nenhum momento negou que tivesse ficado com ela e sequer negou o relacionamento, só estranhou que estavam falando que tinha sido estupro, e confiou que indo falar sua versão para o Comando tudo ficaria esclarecido.

Pelo que um dos envolvidos no caso disse ele não teve tempo de se defender. Eles passaram pelas câmeras de monitoramento às 20:16 e voltaram depois de chegar ao local do julgamento, ouvir o acusado, e executá-lo menos de dez minutos. O companheiro que estava dirigindo declarou que depois que Ratinho e Rodrigo desceram do carro foi o tempo dele manobrar o carro e o cara já estava morto.

Moacir Cova declarou que “Ratinho é um molecão novo rendo subir rápido no Partido. Essa morte tinha que acontecer para ele ser respeitado e parecer poderoso no bairro e no crime”. Bem, isso lá ele conseguiu além é claro da pena de 18 anos pelo assassinato e mais 8 por tráfico de drogas.

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