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Oficiais e soldados das FARC vieram para o PCC?



Foi no dia 1º de dezembro de 2016. O mundo mudou, o futuro de todos nós talvez estivesse sendo reescrito naquele momento em que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia estavam depondo as armas depois de 52 anos de luta. Poucos de nós percebemos o que isso significaria para nossa segurança.

A guerrilha das FARC exercia-se com arrepiante brutalidade e esses homens não aceitariam com facilidade se curvar perante a opressão das autoridades, não aceitando as palavras doces e as gaiolas douradas. Isso pareceu para alguns claro, para outros nem tanto, mas a maioria dos brasileiros sequer pensou sobre esses problema.

Agora ele bate às nossas portas, mas o gigante adormecido ainda não percebeu.

A primeira fumaça veio dos massacres ocorridos no norte do país. Foram mais de cem almas que seguiram seu destino nos cárceres do Amazonas, Roraima, e Rio Grande do Norte. Várias foram as causas, mas o estopim foi o fim das FARC que mantinham o equilíbrio de forças entre as facções brasileiras na fronteira norte do Brasil.

No dia 3 de janeiro publicamos aqui uma matéria “O futuro do PCC a FARC pertence” onde trabalhamos um artigo de Román D. Ortiz publicada na Revista Ensayos Militares e que trazia alguma luz sobre esse vínculo pouco explorado pela imprensa brasileira.

No início desta semana Kevin Knodell publicou um artigo intitulado “Former FARC Fighters Make For Hot New Hires” em um site americano especializado em assuntos militares. Começa fazendo um histórico do Primeiro Comando da Capital do seu berço no Carandiru até a atualidade onde disputa fora das fronteiras brasileiras o domínio do crime organizado.

Não consegui verificar por outras fontes algumas informações passadas por Knodell em seu artigo, mas reproduzo aqui para ser avaliado pelo leitor.

O artigo afirma que o governo colombiano declarou que há em torno de 150 à 300 revolucionários que não aceitaram o pacto e optaram pela clandestinidade, e esses estão sendo disputados por diversas organizações criminosas brasileiras entre elas o PCC e a Família do Norte FDN, além da facção colombiana Los Urabeños.

O grupo Urabeños está pagando algo em torno de US$ 600,00 por mês para os guerrilheiros que estão migrando para seu lado e trabalharem dentro das fronteiras da colômbia, isso é algo em torno de R$ 1.900,00. Não se sabe quanto as facções brasileiras estão oferecendo para que venham para cá.

O preocupante para nós brasileiros e principalmente para os militares é que os soldados das FARC não são especializados em tráfico de drogas e assalto como são os soldados das facções brasileiras, os colombianos foram treinados para confronto direto com as forças policiais e militares.

Knodell cita dois nomes que poderiam vir para o Brasil se juntar ao Primeiro Comando da Capital: Gentil Duarte e Francisco Javier Builes (John 40). Os dois foram expulsos no final do ano passado das FARC, Duarte por discordar do processo de paz, e John 40 que era o responsável pelas finanças da organização por desviar dinheiro para gastos pessoais.

A guerrilha das FARC que combateu com arrepiante brutalidade com a polícia e o exército colombiano por quase um século contra a “opressão das autoridades”, está se dissolvendo e alguns dos seus não estão aceitando as palavras doces e gaiolas douradas. Isso pareceu para alguns claro, para outros nem tanto, mas a maioria dos brasileiros sequer pensou sobre esses problema.

Talvez seja a hora do gigante acordar e começar a pensar.

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