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O discurso do PCC 1533 sob o prisma foucaultiano.



O Primeiro Comando da Capital não é um grupo de marginais que se uniram para executar uma ação criminosa, há uma sólida base social que o sustenta.

Luan Orsini se debruçou sobre essa questão e publicou os resultados de seu trabalho: “Der Diskurs der 'Primeiro Comando da Capital' und seine potentiellen Machteffekte in São Paulo”.

Orsini demonstra como a facção criminosa brasileira utilizou o que Michel Foucault denominou de contra discurso para legitimar tanto a existência da organização como os atos por ela praticados dentro e fora das prisões, deixando para trás o papel de vilões para serem vistos por seu público alvo como líderes legítimos da resistência a um sistema opressor que impede a inserção dos mais pobres.

Foucault publicou a “Vigiar e Punir” em 1975, e nessa obra descreveu o discurso e a justificação do Primeiro Comando da Capital no tempo em que seu líder mais conhecido, o Marcola, ainda tinha sete anos de idade e jogava bola no campinho perto em Osasco.



O discurso da facção de Marcola é simples e eterna: a luta contra a opressão carcerária, contra a miséria física, contra o frio, o excesso de população, a má alimentação, e a violência física e psicológica. Quem de fato pode estar ser contra esse discurso? Se Deus é por essa causa justa quem pode ser contra ela?

A soma de fatos concretos, as convicções culturais dos presos e de seus familiares, e ao ambiente opressor da realidade criminosa fizeram que sem alterar para melhor a realidade do cárcere, o Primeiro Comando tenha tornado a ideia de é possível burlar o sistema e instituir uma nova ordem social dentro e fora dos presídios através de luta, da disciplina, e do sacrifício.

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