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Os garotos do PCC são tão bons quanto pensam ser?


“…Infectado por um complexo de superioridade insalubre. […] Antes de continuar a prosar sobre esse “nobilíssimo” povo, muito gostaria eu de saber em que é que ele nos beneficiou até hoje. Naturalmente que muitos irão objectar sobre que bicho me mordeu para começar desta maneira tão contundente e sarcástica.”
Assim começa António Figueiredo e Silva sua crônica O egocentrismo de um povo, e da mesma forma que quero começar este texto.

Na crônica, Figueiredo e Silva se refere aos ingleses, mas o conteúdo, palavra por palavra, serve também para os integrantes do Primeiro Comando da Capital, que são, sim, um povo, pois vivem sob leis, regras, costumes e linguagem própria.

Agora, esses seriam motivos para que eles se achem superiores?

O professor de Segurança Internacional e Defesa da Universidade Nacional de Lanús (UNLA), Mariano Bartolomé, dá uma ideia da resposta:

“Os protagonistas do crime organizado forjam organizações complexas e disciplinadas, extremamente eficientes e com impressionantes recursos econômicos, com estruturas sólidas e ao mesmo tempo altamente adaptáveis às mudanças. E estas entidades constituem nós de uma rede de alcance planetário com múltiplas ramificações. […] exibem uma alta capacidade de adaptação e diversificação horizontal, gerando um duplo efeito: por um lado, tem acesso rapidamente a muito dinheiro; e por outro, se colocam sempre um passo adiante dos esforços do governo pelo qual são combatidos.” (tradução minha)

Bartolomé não está se referindo especificamente aos membros do PCC, pois adverte, logo no início de seu artigo – La Criminalidad Organizada, un Severo Problema de Seguridad para el Hemisferio, para a Revista del Colegio Interamericano de Defensa –, que as regras servem, basicamente, para todas as organizações que se inter-relacionam pontualmente.

No entanto, o pesquisador acaba citando o Primeiro Comando, apenas uma vez, para ressaltar que não temos ideia do que poderá acontecer no futuro com a incorporação da cultura guerrilheira, trazida para dentro da facção paulista pelos membros incorporados nos últimos anos da antiga FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Assim como o mais humilde súdito de Sua Majestade Elizabeth II sente como sendo seu todo o poder do Império Britânico, os vaporzinhos, que vendem baseado na esquina, também se orgulham de ser do PCC e sentem, como se fosse deles, todo o poder da facção criminosa. Bem, só que não.

Esse sentimento compartilhado por ingleses e PCCs nada mais é que o conceito de nação, de povo, que nós brasileiros deixamos de ter; o orgulho de pertencer a algo maior: patriotismo. Eles estão errados, não são tudo que pensam. Bem, só que não!

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