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Mostrando postagens de Setembro, 2017

PCC: grupo terrorista ou organização criminosa?

PCC é ou não um grupo terrorista? Você e eu já sabemos a resposta à pergunta: “O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) é uma organização terrorista ou uma facção criminosa?” — a resposta está na ponta da língua: eles são criminosos. É incrível, mas tem gente que não entende isso, como é o caso do sueco Michael Fredholm . Fredholm acha que entende das coisas só porque é um analista militar e historiador, especialista em estratégias de defesa, política de segurança internacional, tendo feito estudos profundos sobre a geopolítica da Eurásia, o extremismo islâmico, as causas e as estratégias de defesa para combater o terrorismo, isso tudo e muito mais. Eu e você sabemos a resposta, e ele, com todo o estudo que fez, ainda tem dúvidas sobre se o PCC é ou não um grupo terrorista. Eu sei que ele não sabe porque deixou essa dúvida clara no livro Transnational Organized Crime and Jihadist Terrorism: Russian-Speaking Networks in Western Europe (Contemporary Terrorism Studies) . Ele conta

A Umbanda, o Candomblé, e a facção paulista PCC

O avanço dos grupos neopentecostais na facção PCC O mundo do crime não está tão distante de nós como imaginamos. O avanço dos grupos neopentecostais teve força para influir na eleição presidencial, portanto, não deixaria influenciar a vida dentro dos presídios e nas quebradas. No Rio de Janeiro, essa mudança se torna evidente aliados quando parceiros do Primeiro Comando da Capital  (PCC) como o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Complexo de Israel : Pouco tempo depois, o primeiro grupo narcopentecostal conhecido foi fundado como uma subfacção do Terceiro Comando Puro: o Bonde de Jesus. Além de controlar o tráfico no bairro do Parque Paulista no Estado de Rio de Janeiro, os Soldados de Jesus atacaram e vandalizaram vários templos de Candomblé e de Umbanda, expulsando os sacerdotes dos seus territórios. Desde então, a perseguição não só das religiões afro-brasileiras, mas também de padres católicos, tem sido relatada em várias favelas dominadas pelo Terceiro Comando Puro. — Kristina Hi

O Primeiro Comando da Capital aceita gays? LGBTPCC

Não passa uma semana sem que me perguntem sobre a visão de dentro da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) sobre a questão dos homosexuais. Sim, homosexuais ou bichas, se bem que, talvez, o politicamente correto fosse LGBTQIA+, mas os PCCs não se preocupam com o politicamente correto. Ao contrário do que afirmam por aí, o Estatuto do PCC 1533  não proíbe homosexuais: “6 Item: O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.” Meninas e meninos, não joguem as purpurinas ainda. O comportamento dos membros da facção é especificado no Dicionário, que é como o Regimento Disciplinar de uma organização militar, e lá o buraco fica mais em baixo: “33. Mau exemplo: Fica caracterizado quando o integrante foge do que rege a nossa disciplina, não passando uma imagem nítida da organização, quando não se coloca como faccionário diante da massa, desrespeitando e ag

PCC 1533 — Dados confiáveis em espanhol e inglês

O PCC, Voldemort e os ratos jamais serão vencidos O português João Pereira Coutinho , certa vez, começou sua crônica da seguinte forma: “Os defensores dos ‘direitos’ dos animais sempre tiveram um problema: como sentir empatia por criaturas que não fazem parte da nossa paisagem humana?” Sim, é verdade, posso sentir empatia por um cão ou por um gato, animais que fazem parte da paisagem humana, mas não por seres como ratos e pulgas. E é sobre esses seres que Coutinho desenvolve seu texto — ou melhor, sobre os defensores desses bichos, se é que pulga é um bicho. Como humanizar aqueles seres que não ficam próximos a nós, e que nos trazem ojeriza? Coutinho pergunta: “Mas, aqui entre nós, quem estaria disposto a defender publicamente os direitos das ratazanas — sim, ratazanas infectas e repulsivas? [...] As ratazanas vieram para a rua. Passeiam impunemente pelas calçadas.” Onde citei neste site João Pereira Coutinho → ۞ Negar a existência para vencer o inimigo Por muito tempo o gover

Bauman, o PCC, o GDE e a pacificação do Serviluz

Se quiser assumir meu lugar, toma que o filho é teu! E no princípio eram trevas, no início do início , e é para lá que eu te levarei, para que você possa me entender, não só a mim, mas também a Aline, e a Lincoln e seus colegas. Você deve saber de onde nós viemos e o que já superamos, para só então decidir o que você vai fazer. E se você ou o Lincoln e seus colegas quiserem pegar meu lugar, boa sorte, vai firme e vamos ver se vão aguentar. Não adianta se esconder ou tapar os ouvidos, pois os espíritos das trevas não se calarão até que eu, agora, ou alguém, algum dia, lhe conte essa história. E se já for tarde, e se eu já tiver me juntado a eles nas trevas, só lamento por você e por Lincoln e seus colegas. Você acha que sabe o que é sofrer, mas poucos viveram nas quebradas trabalhando, de sol a sol, para chegar ao dia do pagamento e virem todo seu suor roubado, ao entrar na favela ou no bairro, pelo moleque da rua de baixo, para pagar o arrego para o policial do tático... … ou

Metodologia para o combate ao crime organizado

Vou propor um tema para ser estudado pelos acadêmicos: como o fenômeno Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) atrai pesquisadores dos diversos segmentos da ciência de maneira diversa em cada país? Eu leio em torno de vinte trabalhos acadêmicos por mês, publicados nos mais diversos países e línguas que tratam ou citam o Primeiro Comando da Capital. Chama a atenção o fato de que, no Brasil, esses estudos são produzidos por sociólogos, psicólogos, antropólogos, pedagogos e até por teólogos. Sendo o PCC uma organização criminosa transnacional, não seria natural que quem estudasse esse assunto estivesse ligado às ciências criminais, como o direito ou a segurança pública? Li alguns trabalhos feitos no Brasil por profissionais dessas áreas, mas são poucos perto da enxurrada daqueles oriundos de outras ciências sociais. Fora do Brasil isso não acontece: os trabalhos elaborados que citam o Primeiro Comando da Capital são ligados ao direito penal e carcerário, e no geral são brilhantes. H