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A capital do PCC é o interior — a rota caipira

Estranhos caminhos, trilhas e matas

A visão que a polícia e a sociedade tem do integrante da facção Primeiro Comando da Capital foi construída pela mídia e pelo preconceito social — isso não é uma crítica, apenas uma constatação.

Não venha você reclamar comigo, procure Allan de Abreu e questione sobre o que ele publicou na obra "Cocaína. A Rota Caipira", onde desvenda de maneira sutil o esquema de tráfico da facção paulista. 

Allan não se satisfez fazendo apenas um levantamento do que acontece, ele estudou a fundo a história do narcotráfico no estado de São Paulo — surgimento, desenvolvimento, e internacionalização. 

Como ele conta, a malha se espalhou pelo interior mineiro, e hoje, sabemos pela imprensa, já movimenta milhões no Mato Grosso do Sul, Goiás e pelo interior de diversos estados dentro da rota de tráfico.

O que falei nesse site sobre cocaína → ۞



Dos países produtores ao consumidor

O pesquisador não deixou de seguir a rota, da Colômbia, Bolívia e Peru de um lado até chegar em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foram quatro anos de entrevistas e coleta de milhares de documentos. Policiais, juízes, promotores, traficantes e produtores, ninguém ficou de fora, e todos estão em "Cocaína. A Rota Caipira".

Para que o leitor sinta o clima e perceba oque está acontecendo e como pensam todos os integrantes desse imenso mercado, Allan narra as estratégias utilizadas pelas mulas para evitarem ser capturadas pela polícia...
... e as estratégias utilizadas pela polícia para capturar as mulas.

A guerra pelo poder dentro das organizações criminosas também não ficaram de fora, assim como o trajeto que foi feito de simples gangues de rua para a construção de uma organização multinacional de tráfico de drogas e armas.


Trecho de "Cocaína. A Rota Caipira":


"Cléber tentou facilitar o acesso dos comparsas de Joseph à cela da PF, onde o italiano estava detido. Mas não conseguiu. Dias depois, George foi transferido para o CDP de Guarulhos. Aí entrou em cena outro comparsa do Sheik, Wagner Meira Alves, que se valeu de lideranças da facção PCC dentro do presídio para pressionar George: — Hoje a gente vai dar um xeque-mate — disse um dos sicários, identificado como Velho, para Wagner.
— O Dudu vai entrar na linha com os meninos e você vai tá na linha com eles e que tiver na situação lá vai estar junto dele. Isso vai ser esclarecido hoje, vamos dá um prazo para o italiano, que o irmão lá e da geral, vamos dar vinte dias de prazo para ele. Se quiser, em último caso, é aquilo que o Cabeção falou [matar o George], não tem problema. É para tentar receber e em último caso é aquilo lá. — O interesse é receber — disse Wagner.
— Se receber, 30% é de vocês, pode falar lá e sacramentar. [...] Ele sabe que deve e pode se esquivar, mas, se ele quiser devolver, em imóvel ou espécie, a gente vai até lá, pega o que tem e tira a parte do PCC na hora. Minutos depois, os 'irmãos' do PCC colocaram George na linha para falar com Wagner..."

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